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sábado, 25 de julho de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Tesouros Libertadores - Divaldo Pereira Franco - Cap. 2 - Ante a espada e a cruz



Joanna de Ângelis - Livro Tesouros Libertadores - Divaldo Pereira Franco - Cap. 2


Ante a espada e a cruz


Desde priscas eras a espada vem contribuindo para o desar do ser humano, embora a utilidade de que também se reveste, quando aplicada com o objetivo edificante.

No período paleolítico, começou a ser usada na sua forma tosca na condição de instrumento de defesa dos animais, assim como auxiliar para diversos labores que tornariam melhor a existência.

À medida, porém, que o desenvolvimento intelectual se foi aprimorando, ei-la transformando-se mais em arma agressivo-defensiva, ceifando vidas humanas nos ferozes combates entre tribos e clãs.

Deu origem, de alguma forma, à lança, à flecha, que serviam para a caça e a pesca, mas especialmente para a guerra.

Aprimorada, converteu-se em troféu de honra e galardão para os cavalheiros e os chefes de Estado no momento das gloriosas ascensões aos poderes temporais...

A cruz, por sua vez, na função punitiva, surgiu originalmente na Caldeia antiga, sendo utilizada como instrumento de aflição e de morte dolorosa.

Os romanos passaram a utilizá-la pelos sofrimentos que causava às suas vítimas, prolongando-lhes as angústias e matando-as mediante a terrível asfixia além das inenarráveis dilacerações que produzia.

Lentamente passou por mudanças da trave horizontal como da vertical, de acordo com os povos que a tomaram como símbolo hierático, inscrevendo nas suas bandeiras e flâmulas, nos seus documentos e obras. Entre muitas, surgiram as cruzes grega, de Tau, heráldica, em trevo, bifurcada, da igreja ortodoxa, de Jerusalém...

Na gloriosa História do Cristianismo, aturdido no Getsêmani, Pedro tomou de uma espada e decepou a orelha de Malco, que Jesus curou, advertindo-o para que a embainhasse, porque todo aquele que a usa para ferir, torna-se-lhe vítima do afiado gume.

Por sua vez, a cruz, na qual Ele foi supliciado até a morte, deixou de ser vista apenas com a finalidade para matar, tornando-se instrumento liberador para a vida sublime e perene.

Antes, Ele já lhe havia diminuído o caráter punitivo no qual era utilizada, ao propor que cada qual deveria tomá-la sobre os ombros, a fim de segui-lO.

Sucede que há também espadas destrutivas não metálicas ou de confecção material, porém, simbólicas e de efeitos danosos.

A língua humana resguardada na boca é uma lâmina embainhada, que tanto pode edificar, favorecer, como ferir, amargurar, destruir.

A calúnia é urdida na mente, mas verbalizada consegue roubar a paz, tisnar a harmonia do ser e até ceifar vidas honoráveis.

A maledicência é responsável por conflitos inomináveis, gerando animosidades que se convertem em tragédias.

A intriga e a censura perversa são verdadeiras espadas afiadas que se encarregam de aniquilar belas florações dos sentimentos, que despertam a inveja e a malquerença dos enfermos morais.

Por sua vez, a cruz invisível dos sofrimentos, quando conduzida com resignação alça o indivíduo às regiões da plenitude, enquanto a espada o degrada.

O crucificado pode converter-se em magnífica vítima do martírio, tornando-se uma ponte espiritual entre os abismos do mundo material e grotesco e o de natureza espiritual transcendente.

Fitando-se Jesus na cruz, pode-se ver além do espetáculo chocante, um Vencedor de braços abertos, caído, porém, de pé, alçando-se ao infinito num voo de incomparável doação, a fim de que toda a Humanidade pudesse segui-lO.

Aqueles que utilizaram a espada contra Ele e a vida, sucumbiram na loucura e no desconforto moral, ficando suas vidas assinaladas pela crueldade e infâmia.

Foi Ele quem transformou a cruz em bênção e a espada em veículo para a sublimação.

Na Sua infância em Nazaré, Ele conheceu a rebelião judaica armada contra os romanos que o general Varus esmagou, adornando a estrada de Séforis, que ficava próxima do seu modesto lar sete quilômetros, com dois mil galileus crucificados, expostos de um e do outro lado.

Mais tarde, no ano 70 depois de Sua morte, Tito acabou com as florestas de Israel, crucificando mais de uma centena de milhar dos que resistiram na Jerusalém insubmissa e que foi arruinada de tal forma que a fez desaparecer, dando lugar, algo mais tarde, à construção da cidade de Aélia Capitolina.

Hoje, ei-la ainda vítima pelas lutas sangrentas em que predomina a espada.

Toma a tua cruz e embainha a tua espada na atual existência carnal.

Sê simples e puro de coração, triunfando interiormente adornando-te das condecorações sublimes: as cicatrizes morais dos testemunhos.

Não ergas a espada para ferir em revide ao golpe que sofreste, mas antes perdoa.

Seja decorrente da acusação indébita, da infame traição, da perversa injustiça, não reajas, cultivando o perdão, porque o outro, aquele que mal procede, não sabe realmente o que está fazendo.

Não importa que ele seja teu amigo ou teu familiar, que a miopia espiritual cegou ou se é declarado adversário que se compraz afligindo-te.

Tem em mente que ele está doente e que já passaste pelo mesmo caminho, agora em processo de recuperação.

Perdoa sempre, a fim de viveres em paz.

Reflexiona que hoje segues ao som das bem-aventuranças, cuja musicalidade permanece ressoando desde há vinte séculos e somente agora a ouviste, encantando-te.

Supera-te através do perdão e faze da tua espada um instrumento que, cravado no solo, tome a aparência de uma cruz através da qual te redimas e arraste na direção do Mestre aquele que te amaldiçoa e apunhala.

Perdoa, portanto, com alegria e paz.


Joanna de Ângelis














Nota: Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica da noite de 28.8.2013, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Tesouros Libertadores - Divaldo Pereira Franco - Cap. 1 - Renovadas esperanças



Joanna de Ângelis - Livro Tesouros Libertadores - Divaldo Pereira Franco - Cap. 1


Renovadas esperanças


A esperança esvanecia-se nos corações aflitos e nas vidas sobrecarregadas pelas injunções penosas, sendo substituída lentamente pela amargura e pelo desencanto.

Mais uma vez a opressão asfixiava Israel, reduzindo o seu povo à situação de hilota, sob a poderosa força das legiões romanas.

O governo, tão imoral quão perverso de Herodes, o Grande, espalhava o terror por todo o país, embora subserviente ao imperador desde quando o Senado romano nomeou-o como Rei dos judeus.

Jerusalém era um covil de criminosos a soldo da impunidade, desde que protegidos pelo Sinédrio ou pelo déspota, que passaria à História como um dos mais perversos do seu tempo.

O silêncio das revelações que se prolongava por alguns séculos demonstrava a decadência moral que dominara o reino sob severas provações.

De um lado, a Torre Antônia vigiava os passos de todos quantos se movimentavam na velha urbe, e, do outro, o suntuoso Templo, no qual os serviços religiosos perderam totalmente o significado espiritual, substituído pelo comercio de toda ordem, dominavam as consciências e sufocavam as parcas esperanças de melhores dias.

A traição, as calúnias, a bajulação disputavam soberania nos palácios do sumo sacerdote e do cruel dominador, enquanto Roma vigiava-os com rigor, sempre pronta a interferir nas tricas intermináveis entre os rabinos ambiciosos, assim como entre as castas dos fariseus, saduceus, publicanos e proletários reduzidos à quase miséria total.

A justiça cedera lugar à astúcia e à perversidade em campeonato de insensibilidade moral e emocional.

A pessoa humana valia quase menos que uma animália.

Ao mesmo tempo, a ignorância em torno do sentido existencial e da busca moral de evolução predominava em toda parte.

Os fraudadores, os agiotas e os mercadores mantinham as suas bancas e os animais para o sacrifício no santuário que deveria ser dedicado aos objetivos do espírito, sem qualquer consideração pela dignidade.

A preocupação dos fariseus com as fórmulas e a aparência exterior, em terrível hipocrisia, assustava as massas em desgoverno emocional.

O formalismo substituía a legitimidade dos sentimentos e os rabinos aproveitavam-se da situação para o enriquecimento ilícito e o luxo exorbitante, em detrimento dos sofredores e miseráveis que enxameavam nas cidades, especialmente Jerusalém.

Foi nesse clima histórico de hediondez que nasceu Jesus numa noite estrelada, após deixar o sólio do Altíssimo.

Esse acontecimento sublime dividiu os fastos históricos da Humanidade e nunca mais a desfaçatez, a insensibilidade emocional e a dureza dos corações encontrariam apoio na sociedade, embora ainda permaneçam em predominância.

Ele veio traçar a linha divisória entre a verdade e a mentira, o poder político e o espiritual, o amor e a misericórdia em lugar da astúcia e da selvageria...

Suave e nobre como uma réstia, que diminuiu a escuridão aparvalhante, Ele inaugurou o período da fraternidade sem jaça, do trabalho honorável, da imaculada justiça sob a proteção do amor até a abnegação e o sacrifício.

Jamais a Humanidade conheceu alguém do porte de Jesus. Nunca houve alguém à Sua semelhança, que vivenciasse todos os postulados que enunciava, amparando e convivendo com aqueles que eram considerados excluídos, pelo simples fato de serem infelizes.

Ele abriu os braços e envolveu os desventurados em doce amplexo de ternura incomum, atendeu as criancinhas ingênuas, os enfermos desditosos, as mulheres equivocadas e todos aqueles que tinham fome e sede de justiça e de misericórdia.

Por isso, a Sua é a vida mais bela e grandiosa que passou pela Terra, deixando pegadas luminosas, a fim de que, através dos séculos, os transviados pudessem identificar o caminho que os pode conduzir com segurança à meta anelada, que é a plenitude, o Reino de Deus no próprio coração.

Ao escolher um monte nas cercanias do mar da Galileia como cenário de beleza ímpar, ele cantou as Bem-aventuranças, o mais perfeito código de ética moral e de comportamento que prossegue ressoando através dos últimos dois milênios nas mentes e nos sentimentos humanos.

Quem reflexione sinceramente no seu conteúdo, nunca mais voltará às paisagens ermas e terríveis do egoísmo, da insensatez, da indiferença pelos valores elevados da existência.

Suas mãos cariciosas dedicaram-se a limpar os leprosos, a abrir os olhos aos cegos, a descerrar os ouvidos dos moucos, a restituir movimentos aos paralisados, mas, sobretudo, a guiar como pastor dedicado o rebanho pela trilha de segurança, fazendo-se, Ele próprio, o Caminho para a Verdade e para a Vida.

A Sua voz canora narrou as extraordinárias parábolas, sintetizando todas as necessidades humanas e as soluções nessas narrativas fecundas e inolvidáveis, hoje transformadas em recursos psicoterapêuticos para os depressivos, os atormentados, os perdidos no país de si mesmos.

Nunca mais se ouviria o canto nem o encanto desse Homem incomparável que se negou a ser rei dos judeus, por ser o Senhor das estrelas...

Lembra-te de Jesus na celebração do Natal, evocando-Lhe a vida incomum, o amor inefável de que se fez portador, aplicando na conduta as lições insuperáveis que legou à Humanidade.

Não te deixes perturbar pelos ruídos das propagandas da ilusão, mantém o silêncio interno e a visão clara para identificar os necessitados aos quais Ele denominou como Filhos do Calvário, e quanto possível, em memória d’Ele, atenua-lhes as dificuldades e os padecimentos atrozes que os vergastam.

Permanece vigilante, a fim de que neste Natal Jesus deixe de ser confundido com o mercado dos presentes e retorne ao convívio do povo como a esperança de felicidade que se converte em realidade.


Joanna de Ângelis