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domingo, 25 de fevereiro de 2024

Manoel Philomeno de Miranda - Livro Sexo e Obsessão - Divaldo P. Franco - Cap. 2 - O poder da oração



Manoel Philomeno de Miranda - Livro Sexo e Obsessão - Divaldo P. Franco - Cap. 2


O poder da oração 


Quando o ser humano se aperceber das infinitas possibilidades de que dispõe através da oração, conceder-lhe-á mais atenção e cuidados.

Força dinâmica, responsável pelo restabelecimento de energias, é constituída de vibrações específicas que penetram o orante, mantendo-lhe a vinculação com as Fontes Inexauríveis de onde procedem os recursos vitais.

Em razão da intensidade e do hábito a que o indivíduo se permita, torna-se valioso instrumento para a conquista da paz e a preservação da alegria, nele instaurando um estado de receptividade permanente das vibrações superiores que se encontram espalhadas no Cosmo, preservando-lhe a saúde, gerando-lhe satisfação íntima e proporcionando-lhe inspiração nas mais variadas situações do caminho evolutivo.

Como consequência, nenhuma louvação, rogativa ou gratidão expressa através da prece fica sem resposta adequada, desde que os sentimentos acompanhem-lhe o curso oracional. 

(...)

Acercando-se o momento da partida, o diretor do grupo convidou-nos à oração, que ele próprio proferiu tocado de especial emoção:

“Senhor Jesus, Amigo dos desafortunados! No momento em que nos preparamos para mais uma experiência socorrista em Teu nome, exoramos a Tua proteção, a fim de que possamos manter a plena sintonia com os Teus propósitos de amor, realizando o melhor que nos esteja ao alcance. Sabemos que não será fácil a tarefa por executar, considerando as nossas limitações e deficiências. Nada obstante, confiamos na Tua inspiração e apoio, de modo que nos seja permitido executar o serviço com os mais santos propósitos de fraternidade e de amor, conforme Tu mesmo o realizaste quando estiveste conosco no Planeta.

“Mantém-nos confiantes na irrefragável misericórdia do Pai e dulcifica-nos, para que possamos sensibilizar aqueles Espíritos que ainda não Te conhecem, ou que, tendo travado contato contigo, se afastaram, revoltados e infelizes, negando-se à vinculação com o Teu inefável amor.

“Semelhantes a eles, já estivemos em situação equivalente, e Tu nos arrancaste das sombras e dos abismos a que nos arrojamos, equipando-nos de conhecimentos e de sentimentos para modificarmos a estrutura íntima de que somos constituídos.

“Faculta-lhes, também a eles, a mesma concessão com que nos honraste, utilizando-Te de nossa pequenez colocada em Tuas seguras e generosas mãos. Ampara-nos em todas as situações, enriquecendo-nos de inspiração e de caridade, para que sempre sejas Tu quem estejas presente e não nós, eliminando o nosso ego para que Te exaltemos o Espírito magnânimo e misericordioso.

“Segue, pois, conosco, Amigo de todas as horas!”

Ao concluir, estava com a voz embargada, e todos nos encontrávamos tocados de especial emotividade.

(...)

“Nenhuma solicitação ao Pai Amantíssimo fica sem resposta, seja qual for a natureza do seu conteúdo, recebendo-a de acordo com o propósito de que se reveste.“


Manoel Philomeno de Miranda












Trechos do Capítulo 2


terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Manoel Philomeno de Miranda - Livro Sexo e Obsessão - Divaldo P. Franco - Cap. 24 - Despedidas



Manoel Philomeno de Miranda - Livro Sexo e Obsessão - Divaldo P. Franco - Cap. 24


Despedidas


Madre Clara de Jesus não ocultava a satisfação ante o efeito da conferência de esclarecimento e o convite aos membros da Instituição que dirigia, face à necessidade de cumprimento do dever e da responsabilidade que lhes dizia respeito.

Acompanhamos o médium Ricardo, que agora se iria dedicar ao diálogo com as pessoas selecionadas pelo Atendimento fraterno, para o esclarecimento e o socorro que necessitavam. Embora houvesse proferido uma conferência sob a direção da Mentora, não apresentava qualquer sinal de cansaço físico ou mental, antes, pelo contrário, estava com imensa disposição íntima de servir e de atender os nautas que tombaram na travessia das ondas do encapelado oceano da existência ou que se encontravam em grave situação de risco. O sorriso jovial ornava-lhe os lábios e todo ele irradiava simpatia e bondade. Assim se deve atender às criaturas necessitadas, necessitados que, de alguma forma, somos todos nós ante os Celeiros de Bênçãos da Divindade.

A movimentação na Casa era grande, particularmente por Entidades espirituais, à medida que diminuía a presença das pessoas físicas, que retornaram ao ninho doméstico, exceção feita aos que continuavam no labor. Irmão Anacleto, que nos acompanhara à sala de atendimento espiritual em que se encontrava Ricardo, deu-me um sinal para que voltássemos ao recinto onde se procediam aos experimentos mediúnicos e que nos servira de laboratório para o programa que nos trouxera à Terra.

Informou-nos que, logo mais, deveriam ser encerrados os labores pertinentes ao programa de assistência ao padre Mauro, e que desencadeara todo o processo de atendimento a outros Espíritos que se lhe vinculavam.

Esclareceu-nos que aguardaria o encerramento total das atividades humanas na Instituição que nos albergava, a fim de estarem presentes o médium Ricardo e outros amigos que participaram dos labores abençoados, agora em fase final, enquanto o futuro se encarregaria de dar curso ao desdobramento das ações iluminativas a que todos se vinculavam. 

Permaneci com Dilermando, o companheiro discreto e quase silencioso que viera conosco, que também se encontrava emocionado ante as ocorrências felizes de que participara.

E enquanto aguardávamos o momento próprio para as despedidas e o encerramento do labor, resolvemos considerar o problema das perseguições que procedem de ambos os lados da Vida contra os espíritas.

– Penso de maneira segura – informou-me o amigo – que inúmeros espíritas atuais são muitos dos cristãos de ontem que se emaranharam em cipoais de desequilíbrio e de malversação de valores morais. Convidados ao Cristianismo através dos tempos, deixaram-se consumir pelas perplexidades e destrambelhes emocionais, resultantes dos instintos e do estado de primarismo em que ainda se encontravam. Assumiram compromissos com a Mensagem de Jesus e, ao invés de utilizá-la para dignificar as criaturas, tomaram-na como mecanismo de autopromoção e de vitória sobre os outros, criando situações muito embaraçosas para si mesmos. Não poucos buscaram os monastérios, conventos e o sacerdócio para melhor servirem, e, atormentados, estabeleceram critérios infelizes e leis arbitrárias para usurpar o poder temporal, que deixaram quando o corpo sucumbiu. Assumiram Paróquias e Ordens, Instituições e Entidades nas quais se consideravam inatingíveis, mas a morte não os poupou, arrebatando-os iludidos e enfermos, para posterior despertar no mundo espiritual em estado lastimável... Por nimiedade do amor de Jesus, foram recambiados ao corpo, com oportunidade de reencontrar a Mensagem que defraudaram, agora renovadora e lógica, a fim de se recuperarem dos gravames e servirem com abnegação, conseguindo a paz que atiraram fora.

“Ainda equivocados, vivendo o ressumar de memórias do passado, após o deslumbramento inicial com a lição espírita que buscaram assimilar, vêm tentando repetir os mesmos descalabros do pretérito, encarcerando-a em fórmulas e em métodos pessoais, a fim de se manterem acima dos demais, ou fazem-se intolerantes, exigentes, críticos contumazes uns dos outros, tornando-se, nas Sociedades Espíritas que dirigem, verdadeiros e arbitrários donos das Instituições, que pretendem sobrepor às demais, como ocorreu nas antigas Paróquias em que se comprometeram...

“Inevitavelmente, aqueles que lhes foram vítimas e que os não perdoaram, inspiram-nos à repetição da insensatez, tentam afastá-los do culto do dever, e quando são abnegados, insistindo no bem proceder e no desincumbir-se com fidelidade dos compromissos, agridem-nos, perseguem-nos, tentam obsediá-los, gerando clima insustentável à sua volta.”

Aquietou-se um pouco, repassou o olhar pela sala onde já se encontravam alguns convidados do irmão Anacleto, e prosseguiu:

– Não me cabe julgamento pejorativo ou depreciativo, mas uma análise em torno do que venho observando em determinados arraiais do Movimento Espírita, quando alguns amigos que deveriam pautar a conduta pela cordura e bondade, pelo devotamento e pela fraternidade, se afastam dessas diretrizes para se tornarem verdadeiros déspotas em relação àqueles que exigem se lhes submetam, ou opinam com ênfase de donos da verdade, exigindo sempre direitos e licenças que negam aos demais. São intolerantes em excesso, acusadores impiedosos, maledicentes contumazes e vivem sempre atormentados pelo mau humor, nesse estado emocional, não obstante divulgando a Doutrina da felicidade e da alegria de viver. É paradoxal que assim se comportem.

“Não é, portanto, de estranhar, que estejam sempre assessorados espiritualmente por Entidades vulgares, pois que se recusam ao conforto da oração, que consideram equipamento dispensável, perversas umas e vingadoras outras, com as quais sintonizam, já que não participam das atividades mediúnicas, que consideram ultrapassadas, e quando o fazem estão ainda buscando o que denominam como fatos de laboratório, tornando-se títeres das suas manobras infelizes.

“Normalmente compadeço-me desses companheiros que permanecem equivocados, divulgando as notícias do Mundo espiritual, em que parecem não acreditar, já que se comportam de maneira inadequada em torno da imortalidade da alma e da justiça das reencarnações. É como se ignorassem que irão despertar com o patrimônio acumulado e as conquistas realizadas, não se podendo furtar à presença da consciência que, então desperta, apresentará os fatos de maneira vigorosa, exigindo reparação, nesse momento impossível, abrindo espaço para a consciência de culpa, suplicando retorno à Terra imediatamente, o que já não será tão fácil de conseguir... Invariavelmente oro por esses amigos e confrades, tentando, não poucas vezes, despertá-los para a realidade que o Espiritismo lhes apresenta e convidando-os à renovação íntima, à humildade, à caridade, à misericórdia em relação ao seu próximo. A desencarnação desses irmãos é sempre dolorosa, porque, em muitas ocasiões, dão-se conta da ocorrência e gostariam de mudar, não havendo mais tempo para consegui-lo.

“Que lhe parece?”

Convidado diretamente ao assunto, não tergiversei em anuir ao pensamento do querido amigo, dizendo-lhe: – Não há muito, publicamos um livro [1] abordando um tema equivalente, em torno da desencarnação de alguns espíritas que não estavam preparados para o retorno.

“O conhecimento do Espiritismo aumenta a responsabilidade do indivíduo, porque dá-lhe os instrumentos hábeis para a transformação íntima para melhor, demonstrando-lhe a continuidade da vida após a morte física e os resultados que advêm da conduta mantida antes da desencarnação. Dessa maneira, a Doutrina tem por meta libertar o ser humano da ignorância e do mal, abrindo espaços para a instalação do bem e do conhecimento que felicita, ao tempo que impulsiona à ação dignificadora, através da qual é possível a paz com a própria consciência. Não basta saber, torna-se imprescindível aplicar de maneira útil o conhecimento que possa auxiliar o próprio como o progresso da sociedade.

Reflexionei um pouco, arrematando ideias, e continuei: 

– Também penso que a maioria de nós, os espíritas, encarnados ou desencarnados, transitamos tanto pela Igreja de Roma como por aquelas que se originaram na Reforma Luterana, nas quais deveríamos dignificar a mensagem de Jesus, havendo agido de maneira totalmente contrária. Utilizamo-nos da expansão da fé católica, assim como da protestante, para impor as nossas paixões pessoais e perseguir aqueles que tinham o direito e a liberdade de pensar diferente, acusando-os de hereges ou de adversários da fé, apenas para conseguirmos mais poder, que o túmulo consumiu. Não pequeno número de Espíritos, ao inverso, ali encontraram a oportunidade de crescimento e de iluminação, deixando marcas sublimes na História, vivendo incomparáveis lições de beleza, renúncia e amor, com que conquistaram a Humanidade. Aqueles que tombaram nos delitos foram vítimas de si mesmos, das suas arbitrárias posturas e falácias que nos enovelaram ao despotismo e à loucura que projetaram para o seu futuro espiritual efeitos dolorosos que hoje carpimos e sofremos, embora desejando realmente servir e acertar.

“Acredito também, que os companheiros mais empedernidos e exigentes, ainda enganados quanto à função do Espiritismo, que tem por meta prioritária iluminar aquele que lhe adere às proposituras, antes que cuidar de salvar os outros, são fracassados religiosos que se destacaram na Cúria ou na paróquia, no templo de fé que dirigiram e retornam com a ilusão de que ainda se encontram dominando as mesmas. Somente o tempo, esse trabalhador infatigável, para fazê-los despertar sob os camartelos do sofrimento purificador que a todos nos alcança.

“Merecendo-nos, todos eles, o melhor carinho e respeito, apenas lamentamos o fato de não se estarem beneficiando realmente da Doutrina Espírita, que é o Sol da Nova Era. Bem-aventurado, portanto, todo aquele que, tomando da charrua não olha para trás, conforme o ensinamento do Mestre. Envolvamo-los, a todos, em paz e confiança em Deus, aguardando o momento do despertar de cada um, qual ocorreu conosco mesmos, agora conscientes das responsabilidades que abraçamos em lúcido aproveitamento do tempo que urge...”

No silêncio, que se fez natural, comecei a repassar mentalmente a recente experiência terrena, quando, militando no Movimento Espírita, pude vivenciar as observações apresentadas pelo caro Dilermando. Aqueles eram dias heroicos, que denomino os dias das catacumbas, quando a adoção da Doutrina constituía um verdadeiro desafio às denominadas regras da sociedade, devendo-se pagar um alto preço de renúncia, de silêncio e de abnegação... Mesmo naqueles já distantes dias, em número reduzido que éramos, ao invés de uma legítima união grassava entre nós o escalracho destruidor e perigoso, as suspeitas e acusações infundadas, exigindo serenidade e amor em relação aos irmãos invigilantes. É o ônus que o ser humano paga pela honra de abraçar ideais de enobrecimento e de dignificação espiritual.

Hoje, mudaram, sim, os tempos, sob um aspecto, já não se sofrendo pública discriminação nem perseguição ostensiva, quando se abraça o Espiritismo, no entanto prosseguem os mesmos desafios, e torna-se indispensável a contribuição do testemunho, da fidelidade, por parte daqueles que, tocados pelo Espírito do Cristo e fascinados pela mensagem espírita, adotam a fé racional e pura que os comove e arrebata. Ainda, durante muito tempo, serão necessários os exemplos de coragem e de abnegação em todos os segmentos sociais e áreas do pensamento, por parte dos heróis e dos idealistas, para que as mensagens nobres se implantem nos corações humanos e transformem a sociedade que necessita de diretriz e de segurança para alcançar o objetivo da harmonia e do equilíbrio, da justiça e da paz.

As horas haviam-se passado com celeridade, e quase não me dera conta, face ao mergulho nas reflexões íntimas.

Fui despertado para a realidade, quando o irmão Anacleto esclareceu que ali estavam alguns dos membros do projeto a que nos afeiçoáramos nos últimos dias, tornando-se necessária a adoção de medidas finais para o cometimento. 

Madre Clara de Jesus trouxera o médium Ricardo, mediante o parcial desprendimento do corpo físico; Dona Martina se apresentava com o filho, exteriorizando grande alegria, enquanto o jovem padre Mauro expressava confiança em Deus, com o semblante asserenado após as tempestades que sofrera, também se encontrava o amigo Felipe e a nossa caravana.

Pairavam no ar doces harmonias e expectativas de paz. O irmão Anacleto tomou a palavra, e, sinceramente emocionado, agradeceu à veneranda Mentora da Instituição que nos servira de ninho de repouso e de oficina de trabalho. Suas palavras eram ungidas de vibrações de reconhecimento que nos tocavam profundamente o coração. A nobre Entidade sorriu, generosa, e disse-lhe:

– Esta é a Casa de Jesus na Terra, à semelhança de muitas outras, que está aberta para o bem e a caridade sem fronteiras, sem discriminação de crenças ou de ideais, desde que todos voltados para a verdade e para o progresso da Sociedade. Honrados pela oportunidade do serviço, somos nós aqueles que agradecemos, reconhecidos ao Mestre Infatigável que nos tem guiado, e ao Pai Excelso que nos ama. Constituir-nos-á sempre uma bênção poder receber os trabalhadores da última hora na tarefa do amor incondicional. Tenham aqui a continuação do seu lar, sempre aberto para todos os corações.

Dona Martina e Mauro acercaram-se, beijaram a mão do Benfeitor, e a doce genitora disse:

– Sei que muitas lutas aguardam pelo filho bem-amado no processo de restabelecimento interior e de renovação espiritual. No entanto, confiado no Senhor da Vida e na bondade dos Guias espirituais, ele há de alcançar a paz de que necessita para ser feliz. Deus o abençoe, nobre Mentor! 

O irmão Anacleto sorriu e passou-lhe a mão sobre a cabeça, por sua vez beijando também a sua destra. 

Mauro, sensibilizado até às lágrimas, não pôde traduzir as emoções. Foi o Guia espiritual quem lhe disse:

– Avance em paz, meu filho. Os caminhos da libertação multiplicam-se por toda parte. Jesus, porém, é o Caminho de segurança. Trilhe por ele, certo da vitória final. Não se deixe atormentar pelo que cometeu de errado, antes se inspire na alegria do bem que pode fazer em favor de si mesmo e daqueles a quem, por acaso, haja prejudicado. O Sol aparece após as sombras sempre novo e iridescente. A caridade será o seu celeiro de bênçãos, que você poderá multiplicar ao infinito. Não tenha medo e entregue-se com ardor ao dever. A altitude de uma alma é medida pela sua atitude perante a vida. Ascenda no rumo da Grande Luz, e alcançará a altitude máxima utilizando-se das atitudes saudáveis e nobres.

Sem mais delongas, o Mensageiro explicou:

– Aqui chegamos, há poucos dias, com um grave compromisso em pauta, que a misericórdia de Deus nos permitiu concluir com os melhores propósitos para o futuro. Todos aqueles que se encontravam envolvidos no programa de ação receberam o atendimento adequado e têm diante de si os descortines do futuro, que lhes cabem conquistar. Nunca lhes faltarão o socorro no momento próprio, nem as forças para o prosseguimento das realizações em marcha. O Senhor nunca nos abandona, e da mesma forma como nos tem assistido até hoje, oferece-nos o Seu auxílio para amanhã. Fitando o horizonte iluminado, avancemos todos da treva na direção do fulcro luminoso.  

Impedimentos, problemas e dificuldades fazem parte do processo de crescimento espiritual de todos nós, nunca devendo provocar-nos receio ou desvario. São eles que nos ajudam no desenvolvimento dos preciosos recursos que nos jazem adormecidos, esperando os estímulos próprios para se apresentarem. Portanto, agradeçamos-lhes a presença em nosso caminho e não nos detenhamos, quando venham a surgir, mesmo que de forma ameaçadora. Quem receia a luta e se detém a pensar demoradamente nela, já perdeu excelente oportunidade de avanço. Nem a intemperança, a precipitação, muito menos o excesso de cuidados para o combate ou o acúmulo de reflexões para a luta. Oportunidade é bênção que deve ser aproveitada com sabedoria.

“Aproxima-se o momento de retornar aos quefazeres habituais em outra Esfera de ação, porém sob o comando do Mestre Jesus. Agradecemos a todos que cooperaram conosco, oferecendo-nos apoio e bondade, serviço e companheirismo.”

Demonstrando emoção acentuada, na qual transpareciam a felicidade e o anseio por mais servir, o Mentor orou:

Mestre Incomparável!

Ensinaste-nos que tudo quanto pedíssemos ao Pai orando, Ele nos atenderia.

Pedimos e fomos atendidos. Agora, quando encerramos o compromisso que nos confiaste, tudo eram expectativas, embora a certeza dos resultados opimos.

Confiados no Teu auxílio, não receamos enfrentar o mal nas Trevas, nem nos afligimos ante as ameaças dos maus, que ainda não travaram contato contigo.

Investiste em nós, e apesar de sermos servos imperfeitos, procuramos corresponder à confiança, não obstante, reconhecemos, pudéssemos haver sido melhores servidores, conseguindo desobrigar-nos com respeito e devotamento do dever que nos foi conferido.

Os irmãos equivocados receberam o nosso melhor carinho, sem qualquer reproche, conforme Tu fazias, e agora estão sendo encaminhados para novos tentames no futuro corpo físico ou no prosseguimento da reencarnação em que alguns se encontram.

Em tudo, foi possível realizar o melhor, porque não Te afastaste de nós em momento algum, inspirando-nos e orientando-nos em todos os passos.

Agora, quando a tarefa que nos coube, se encerra, desejamos louvar-Te e agradecer-Te, suplicando-Te que prossigas amparando-nos nos programas do porvir, porque somente Tu possuis o poder, a glória e a vida eterna.

Despede-nos, pois, Amigo Excelso, abençoando-nos.

Quando silenciou, todos tínhamos os olhos orvalhados de lágrimas que não se atreviam a escorrer pela face. 

Despedimo-nos dos amigos queridos, e, após repassarmos os olhos pelo recinto onde coletamos muitas dádivas e aprendemos inolvidáveis lições, saímos na direção da porta principal acolitados pela Mentora e o seu médium, mais alguns outros amigos, e rumamos para a nossa Comunidade espiritual.

Olhando a Terra, que diminuía a distância, na proporção que avançávamos, podia ver a luz do Sol no outro hemisfério dando-lhe uma forma e um curioso aspecto lunar. Ali, no planeta querido, estavam as nossas aspirações futuras, permaneciam muitos afetos que a morte não diluíra e aguardavam em forma de expectativas para as nossas possibilidades de retorno futuro para o autoaprimoramento espiritual. 


Manoel Philomeno de Miranda   








[1] “Tormentos da Obsessão” - Divaldo P. Franco.





domingo, 28 de fevereiro de 2021

Manoel Philomeno de Miranda - Livro Sexo e Obsessão - Divaldo P. Franco - Introdução




Manoel Philomeno de Miranda - Livro Sexo e Obsessão - Divaldo P. Franco


Introdução
 

200. Têm sexo os Espíritos?

"Não como o entendeis, pois que os sexos dependem da organização. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na concordância dos sentimentos."(1)

201. Em nova existência, pode o Espírito que animou o corpo de um homem animar o de uma mulher e vice-versa?

"Decerto; são os mesmos os Espíritos que animaram os homens e as mulheres."(2)

202. Quando errante, que prefere o Espírito: encarnar no corpo de um homem, ou no de uma mulher?

"Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar."

Os Espíritos encarnam como homens ou como mulheres, porque não têm sexo. Visto que lhes cumpre progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, lhes proporciona provações e deveres especiais e, com isso, ensejo de ganharem experiência. Aquele que só como homem encarnasse só saberia o que sabem os homens. (3)


O sexo é departamento orgânico programado pela vida para a reprodução da espécie.

Assexuado, o Espírito renasce numa como noutra polaridade, afim de adquirir experiências e compreensão de deveres, que são pertinentes a ambos os sexos. A intrepidez masculina e a docilidade feminina são capítulos que dão ao Espírito equilíbrio e harmonia. 

Dessa forma, em uma reencarnação pode o Espírito tomar um corpo masculino e noutra um feminino, ou realizar um vasto programa de renascimento em um sexo para depois começar os processos experimentais em outro, sem qualquer prejuízo emocional para a sua estrutura íntima.

Fadado ao progresso, que é ilimitado, o Espírito deve vivenciar cada reencarnação enobrecendo as funções de que se constitui o seu corpo, de modo a desenvolver os valores que lhe dormem em latência.

Graças à conduta moral em cada polaridade, mais fácil se lhe torna, quando edificante, escolher o próximo cometimento. No entanto, quando se permite corromper ou desviar-se do rumo das suas funções, gera perturbações emocionais e psíquicas que lhe impõem duros processos de recuperação, de que não se pode furtar com facilidade.

A correta aplicação das forças genésicas propicia ao Espírito alegria de viver e entusiasmo no desempenho das tarefas que lhe dizem respeito, constituindo-se emulação para o progresso e a felicidade.

Nada obstante, o sexo é um dos capítulos mais complexos de algumas ciências psíquicas, tais a Psicologia, a Psicanálise, a Psiquiatria, em razão das disfunções e dos desconsertos que ocorrem em muitas vidas como resultado das experiências atormentadas próximas ou remotas, que lhes geraram desequilíbrios e inarmonias, hoje refletidos em seu comportamento. Valiosos capítulos da Medicina são dedicados às psicopatologias sexuais, que se apresentam como aberrações morfológicas e psicológicas, levando o indivíduo a estados graves de conduta e de vida.

Eminentes estudiosos da sexologia vêm procurando desmistificar as funções sexuais, que a ignorância medieval vestiu de fantasias e de pecados, gerando perturbações emocionais muito graves nas criaturas humanas. Como decorrência da nobre proposta, a liberação sexual, exagerando as suas licenças morais, vem trazendo transtornos graves e desarmonias profundas em muitos indivíduos que vivem conflitivamente em razão das dificuldades para se adaptarem às exigências comportamentais do momento.

É natural que, num momento de transição de valores, campeiem o absurdo e o fantasioso, tentando adquirir cidadania moral, ao tempo em que empurram os cidadãos na direção do fosso da promiscuidade e do desespero, da fuga pelo tabaco, pelo álcool, pelas drogas aditivas, pela alucinação, pelo suicídio...

Torna-se indispensável quão imediata uma nova ética moral, a fim de que os valores nobres granjeados pela sociedade no curso dos milênios, não se percam no chafurdar das paixões e no desprestígio das instituições, como o matrimônio, a família, a castidade, a saúde comportamental, o grupo social...

O matrimônio e a monogamia são conquistas valiosas logradas pelo ser humano após torpes experiências de convivência doentia através dos tempos. Tentar reduzi-los a lembranças do passado, é uma aventura macabra cujas consequências são imprevisíveis para a própria sociedade.

Vive-se, na Terra, a hora do sexo. O sexo vive na cabeça das pessoas, parecendo haver saído da organização genésica onde se sedia. Naturalmente, o pensamento é força atuante e desencadeadora da função sexual. Reduzir o indivíduo apenas às imposições reais ou estimuladas do sexo em desalinho, conforme vem acontecendo, é transformá-lo em escravo de uma função pervertida pela mente e atormentada pelas fantasias mórbidas.

O ser humano são os seus valores éticos, suas aspirações, seus sonhos, suas lutas, suas grandezas e também aprendizagens dolorosas. Graças a todos esses fenômenos do cotidiano, ele cresce e se aprimora, saindo dos limites em que se encarcera para os incomparáveis voos da amplidão. Sitiá-lo no gozo sexual e asfixiá-lo nos vapores da libido perturbada, constitui agressão injustificável às suas conquistas emocionais, psíquicas e intelectuais, que lhe dão sabedoria para discernir e para realizar.

Progredindo sempre, o Espírito jamais retrograda no seu processo reencarnatório. Nada obstante, em razão de conduta irregular pode estacionar, aguardando reparação dos erros graves cometidos, quando já não mais se deveria permiti-los. Nesse desenvolvimento intelecto-moral, vincula-se àqueles a quem ama ou de quem se distanciou pelo crime e pela iniquidade, experimentando o apoio dos afetos e a perseguição dos inimigos, que não o perdoam pelas ofensas de que foram vítimas.

É nesse campo de lutas que surgem as lamentáveis e dolorosas obsessões de graves consequências.

O sexo, mal conduzido, em razão do envolvimento emocional e das dilacerações espirituais que produz em outrem, como naquele que o utiliza mal, abre campo para terríveis conúbios obsessivos, ao mesmo tempo que, praticado de forma vil atrai Espíritos igualmente atormentados e doentes que se vinculam ao indivíduo, levando-o a processos de parasitose terrível e de difícil libertação.

Desvios sexuais, aberrações nas práticas do sexo, condutas extravagantes e desarticuladoras das funções estabelecidas pelas Leis da Vida, geram perturbações de longo curso, que não se recompõem com facilidade, senão ao largo de dolorosas reencarnações expungitivas e purificadoras.

Tormentos da libido e da função sexual têm suas matrizes nos comportamentos anteriores que o Espírito se permitiu, quando, em outras reencarnações, abusou da faculdade procriativa, aplicando-a para o prazer exorbitante, ou explorou pessoas que se lhe tornaram vítimas, estimulou abortamentos e se permitiu experiências perversas e anormais, ou derrapou nos excessos com exploração de outras vidas... Todas essas condutas arbitrárias fixaram-se nos tecidos sutis do perispírito, impondo necessidades falsas, que agora os pacientes procuram atender, ampliando o complexo campo de problemas íntimos.

O respeito e a consideração pelas funções sexuais constituem a melhor terapia preventiva para a manutenção da saúde moral, assim como o esforço para a recomposição do caráter, quando alguém já se permitiu corromper, ao lado da terapêutica especializada, fazem-se imprescindíveis para a conquista da harmonia.

Ninguém se engane quanto aos compromissos do sexo perante a vida e cuide de não enganar a outrem.

Cada um responde sempre pelo que inspira e pelo que faz.

O sexo não foi elaborado para o prazer vulgar, senão para as emoções superiores na construção das vidas, ou para as sensações compensativas quando amparado pelas dúlcidas vibrações do amor, mantendo a afetividade e a alegria de viver.

Neste livro, tentamos fazer um estudo cuidadoso sobre sexo e obsessão, baseado em fatos reais, que vimos acompanhando desde há vários anos. Procuramos suavizar o relato, evitando chocar alguns leitores menos avisados ou desconhecedores da Doutrina Espírita, porém evitamos disfarçar a realidade dos acontecimentos, tirando-lhes a legitimidade, de forma que a nossa mensagem possa alcançar as mentes e os corações desenovelando-os de diversos conflitos e despertando-os para algumas ocorrências de parasitose obsessiva em que talvez se encontrem envolvidos.

O padre Mauro ainda se encontra na Terra, havendo recebido os Espíritos que se reencarnaram para resgates imperiosos e inadiáveis conforme comprometera-se em nossa esfera de ação espiritual. O seu lar de crianças deficientes hoje hospeda inúmeras antigas vítimas suas, que lhe recebem carinho e afeto, recuperando-se das alucinações que se permitiram, ele mesmo estando em processo de refazimento espiritual, avançando, porém, para os anos da velhice com paz no coração e com a consciência tranquilizada em razão do bem que vem executando. A cidade perversa vem lentamente sendo esvaziada pelo amor de Deus, já que os seus habitantes, em número bastante expressivo, encontram-se reencarnados, desde há algumas dezenas de anos, dando curso às aberrações e hediondezes que se permitiam, quando lá estavam.

A denominada mudança de comportamento dos anos sessenta, com a liberação sexual, tem muito a ver com a inspiração e chegada desses Espíritos que estão retornando à Terra, afim de desfrutarem da oportunidade de renovação antes da grande depuração que experimentará o planeta, transferindo-se de mundo de
provas e de expiações para mundo de regeneração. A chance de que desfrutam é-lhes valiosa, porquanto não sendo aproveitada conforme deverá, cassar-lhes-á outros ensejos, que somente serão recuperados em outras penosas situações em Orbes inferiores...

Este é, pois, o grande momento para todos nós, que aspiramos por uma vida melhor e mais ditosa.

Reflexionar e agir de maneira correta em relação às funções sexuais é dever de todo ser que pensa e que compreende a finalidade da existência humana.

Nesta hora de conturbação moral e de violência, de agressividade, de aberrações sexuais, de descontrole geral e de sofrimentos de todo porte, cumpre-nos, a todos, somar esforços em favor dos princípios da dignidade humana e da honradez, do equilíbrio no comportamento e da educação das gerações novas, único meio de oferecer ao futuro uma sociedade menos conturbada e deslindada dos terríveis cipoais da obsessão. À educação moral cabe a tarefa de construir um novo homem e uma nova mulher, que formarão uma nova e saudável sociedade para o porvir.

Como doutrina de educação o Espiritismo oferece os melhores recursos e métodos para esse cometimento, colocando à disposição de todo e qualquer investigador o seu patrimônio de informações e o seu excelente laboratório mediúnico, para que ali encontrem o conforto e a coragem necessários para o enfrentamento que se apresenta em todos os instantes, no qual, por enquanto, têm predominado o vulgar e o perverso, embora os nobilíssimos exemplos de dignificação e nobreza de incontáveis cidadãos dedicados ao bem e ao dever.

Reconheço que alguns companheiros de lide espírita e outros vinculados a diferentes crenças religiosas e diversas filosofias de comportamento dirão que o nosso é um livro de fantasias e destituído de qualquer sentido literário ou cultural. Não entraremos no mérito da opinião, que todos têm o direito de sentir e mesmo de expressar. Cada qual fala daquilo de que está cheio o seu coração e iluminado o seu sentimento. Havendo fruído a oportunidade das experiências que aqui relatamos em síntese, sentimo-nos felicitados pelo imenso prazer de haver concluído este trabalho, e poder ofertá-lo aos que são simples e puros de coração, que anelam e trabalham por um mundo melhor e por uma sociedade muito feliz, vivendo, desde hoje, os dias venturosos do futuro, porque entregues aos ideais de plenificação sob a égide de Jesus Cristo, o Modelo e Guia da Humanidade.


Manoel Philomeno de Miranda
Salvador, 24 de junho de 2002





(1, 2 e 3) O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec - 2. Parte - Cap. IV. (Nota do Autor espiritual.)


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Manoel Philomeno de Miranda - Livro Sexo e Obsessão - Divaldo P. Franco - Cap. 20 - A ruidosa debandada




Manoel Philomeno de Miranda - Livro Sexo e Obsessão - Divaldo P. Franco - Cap. 20


A ruidosa debandada


Enquanto diligentes cooperadores socorriam os Espíritos que anelavam pela própria renovação e os Benfeitores tomavam outras providências, o grupo socorrista e Philomeno ouviram, de repente, uma atroada, em gritaria infrene e ruidosa movimentação, enquanto clarins e fanfarras emitiam ruídos estranhos, produzindo verdadeiro pandemônio na parte externa da Instituição. 

Percebendo-lhes a surpresa, o irmão Anacleto aproximou-se, e, com a sua habitual gentileza, informou, tranquilo e feliz: 

“Trata-se do retorno daqueles que não tiveram ensejo de participar das nossas atividades, assim como daqueloutros que se recusaram a autolibertação. 

“Desorientados, sem o comando a que se acostumaram, volvem, aturdidos uns e amedrontados outros, temendo-nos e acreditando que somos representantes da Divina Justiça e os ameaçamos com sortilégios e mágicas, para impedir-lhes o prosseguimento nos prazeres animalizantes a que se entregam. 

De certo modo, têm razão. Embora não nos consideremos como embaixadores da Corte Celeste, estamos a serviço do Bem, utilizando-nos dos sublimes sortilégios do amor para libertar aqueles que ainda se encontram escravizados às paixões dissolventes. 

“Já havíamos previsto esse efeito, perfeitamente natural, em se considerando o estado de profunda ignorância e primitivismo no qual estacionam alguns dos nossos irmãos que, embora infelizes, ainda não se dão conta da própria realidade. Inspiram-nos, por isso mesmo, mais compaixão e solidariedade, aguardando o momento próprio, quando lhes luzirá a ocasião para o recomeço e a busca de Deus”.

O generoso Mentor calou-se por um pouco, como a coordenar ideias, e logo prosseguiu: “A cidade perversa é comandada por célebre imperador romano, que se entregou a excessos de toda natureza, enquanto deambulou pelo corpo. Renascendo em situações deploráveis, que lhe eram impostas pela necessidade da evolução, manteve-se acumpliciado com alguns algozes da Humanidade, ele próprio, um impenitente tirano, sempre insaciável de sangue, que se permitia toda sorte de hediondez, inclusive nos desvarios sexuais. Foi, nesse período, que a sociedade do Império declinou, em razão do abastardamento dos valores éticos, abrindo espaço para a decadência e a desagregação dos costumes. Através dos séculos ergueu com outros infelizes perturbadores da paz da sociedade os alicerces da infeliz cidade que ora governa, tornando-a núcleo de punição para aqueles que lhes caem na sedução ou de reduto de prolongadas bacanais, que a matéria não mais permite realizar-se. Condensando sempre o pensamento servil nas expressões da animalidade primitiva, conseguiu realizar um símile em deboche e ultraje do que vivenciara quando governava Roma. Dali têm partido em direção da Terra inúmeros verdugos da Humanidade, que se encarregaram de perverter os costumes e disseminar a licenciosidade, ora sob o disfarce da hipocrisia, noutras vezes em deboche público, de que se tornaram célebres muitas cortes e culturas através da História. Antro de perdição, ali não luzem a liberdade nem a esperança, conforme a mitológica informação de Dante Alighieri, na entrada do seu Inferno. Não obstante, o amor de Jesus em nome do Soberano Pai, periodicamente favorece os seus residentes com a oportunidade de libertação, qual ocorre neste momento que atravessamos”.

Interrompendo, momentaneamente, os esclarecimentos, logo prosseguiu: 

– A cidade perversa é comandada por célebre imperador romano, que se entregou a excessos de toda natureza, enquanto deambulou pelo corpo. Renascendo em situações deploráveis, que lhe eram impostas pela necessidade da evolução, manteve-se acumpliciado com alguns algozes da Humanidade, ele próprio, um impenitente tirano, sempre insaciável de sangue, que se permitia toda sorte de hediondez, inclusive nos desvarios sexuais. Foi, nesse período, que a sociedade do Império declinou, em razão do abastardamento dos valores éticos, abrindo espaço para a decadência e a desagregação dos costumes. Através dos séculos ergueu com outros infelizes perturbadores da paz da sociedade os alicerces da infeliz cidade que ora governa, tornando-a núcleo de punição para aqueles que lhes caem na sedução ou de reduto de prolongadas bacanais, que a matéria não mais permite realizar-se. Condensando sempre o pensamento servil nas expressões da animalidade primitiva, conseguiu realizar um símile em deboche e ultraje do que vivenciara quando governava Roma. Dali têm partido em direção da Terra inúmeros verdugos da Humanidade, que se encarregaram de perverter os costumes e disseminar a licenciosidade, ora sob o disfarce da hipocrisia, noutras vezes em deboche público, de que se tornaram célebres muitas cortes e culturas através da História. Antro de perdição, ali não luzem a liberdade nem a esperança, conforme a mitológica informação de Dante Alighieri (1), na entrada do seu Inferno. Não obstante, o amor de Jesus em nome do Soberano Pai, periodicamente favorece os seus residentes com a oportunidade de libertação, qual ocorre neste momento que
atravessamos.

Interrompendo, momentaneamente, os esclarecimentos, logo deu curso:

“Com a libertação do marquês de Sade, começa uma fase nova para a cidade perversa, já que o seu governante irá tomar providências, que consideramos graves, especialmente contra aqueles que mourejam nas fileiras de O Consolador, que deverão experimentar o látego do desforço e da crueldade. Estamos em campo aberto de batalha, no qual a Treva se empenha por manter os seus domínios, ante a mirífica luz do amor que dilui toda sombra e abre espaço para o desenvolvimento dos seres humanos, por largo tempo retido na impulsividade e na ignorância. Não padecem quaisquer dúvidas que a vitória do Bem é inapelável, cabendo-nos a todos a desincumbência dos compromissos abraçados, com o pensamento vinculado ao Pai, que não cessa de ajudar-nos. 

“Desse modo, firmados nos objetivos elevados que nos unem, avancemos confiantes, trabalhando sem cessar e amando sempre, porque o reino de Deus está dentro de nós, aguardando poder exteriorizar-se em favor de todos os seres”. 

Com ordem, o salão foi sendo esvaziado, e as Entidades encaminhadas aos vários setores de socorro da Instituição Espírita, enquanto os Mentores ministravam as orientações finais. Logo após, o apóstolo Dr. Bezerra de Menezes despediu-se, havendo-se desincumbido da atividade que lhe competia, ficando ali somente aqueles que faziam parte do socorro a padre Mauro, agora acompanhados por madre Clara de Jesus, diretora do Núcleo socorrista que hospedava Manoel Philomeno. 

A Alva abria o seu suave manto de cor e de luz, arrancando da noite aqueles que se encontravam acobertados pelo seu véu de sombras. 

Assim, enquanto o irmão Anacleto prosseguia dando curso aos seus labores, Dilermando e Philomeno buscaram o necessário repouso, a fim de encetarem futuros compromissos na esteira da aprendizagem infinita.

Transcorreram poucas horas, quando eles foram despertados para ruidosa e intempestiva manifestação espiritual que se situava nas imediações da Casa Espírita. Dirigindo-se à entrada, foram colhidos pela estranha presença de alguns milhares de Entidades grosseiras, mascaradas umas, outras apresentando aspectos ferozes, evocando as hostes bárbaras que, no passado, invadiram a Europa, usando exóticos animais e preparadas para aguerrido combate que, certamente, por motivos óbvios, não teria curso. 

Apresentando toda a miséria espiritual do primarismo em que chafurdavam, aqueles Espíritos eram comandados por alguns conhecidos conquistadores do pretérito, que se mantinham nas mesmas condições de atraso e de inferioridade característicos dos seus dias transatos. Era como se o tempo não houvesse transcorrido, mantendo-os na mesma época e nas mesmas circunstâncias da sua infeliz celebridade. 

Belicosos e atrevidos, cercaram as dependências externas da Casa cristã, como se pudessem impedir-lhe o acesso. Instrumentos rudes, tambores e outros veículos de percussão soavam em perturbadora musicalidade, facultando aos desocupados observar o fluir da estranha agitação. Utilizando-se de aparelhos de projeção da voz, gritavam ameaças grosseiras e impertinentes, como se estivessem dispostos à destruição do conjunto de edifícios nos quais se realizavam os labores espíritas. 

Concomitantemente, as defesas foram reforçadas por Espíritos bem preparados com equipamentos especiais, que podiam emitir ondas eletromagnéticas, que, atingindo-os, produziam sensações semelhantes aos choques elétricos. E porque o atraso moral dos militantes fosse muito grande, guardavam as sensações da existência física, tornando-se alvo muito fácil para a preservação do ambiente

Alguns dos seus comandantes conheciam o efeito desses recursos, havendo-se decidido por manter uma distância especial, não obstante procurassem impedir que as vias de entrada para o Edifício central ficassem interditadas.

Aproximando-se do imenso portão material, madre Clara de Jesus abriu os braços em atitude de súplica e exorou o socorro divino. A sua voz, doce e vibrante, assinalada pela compaixão em favor dos agressores, exteriorizava-se em música de amor, suplicando o auxílio do Mestre Inconfundível e das Suas falanges abnegadas.

Ainda não terminara a exortação, quando um volumoso jato de luz, mais iridescente que a claridade do amanhecer, desceu de Regiões Elevadas, e, dentro dele, numerosos Espíritos de semblante grave chegaram, respondendo ao apelo da diretora preocupada. Lentamente avançaram na direção dos visitantes perturbadores, que lhes percebendo a superioridade moral e a força espiritual que irradiavam, em gritaria infrene debandaram novamente, atropelando-se uns aos outros, enquanto as animálias desorientadas tombavam umas sobre as outras, e a sombra densa que os acompanhava era clareada pela exteriorização dos recém-chegados.

À medida que se afastavam em desordem, qual ocorre nas batalhas terrestres com a retirada dos vencidos, eram estabelecidos limites bem guardados em torno da Casa de ação cristã, e voluntários espirituais se postavam, defendendo o acesso, que continuou sem qualquer problema. A sábia administradora entreteceu considerações oportunas, esclarecendo-nos a ignorância em torno de questão tão delicada, pertinente às Organizações espirituais inferiores.

– As tenazes do mal – começou, informando – são de perversa constituição. Quando os seus áulicos se percebem em confronto com os legionários da Verdade, equipam-se de recursos odientos e passam a ameaçar e agir, de forma que voltem ao poder, sem quaisquer prejuízos em torno das prerrogativas que se permitem na sua profunda estupidez ante as Leis da Vida, que pensam manter violadas por tempo indefinido. Especialmente, aqueles que são os inspiradores das desordens sexuais, por nutrirem-se das energias das suas vítimas de ambos os planos da existência, tornam-se furiosos e investem com toda audácia contra os que pensam poder vencer, firmados na alucinação do seu falso poder. Inúmeras vezes têm investido contra a Humanidade, utilizando-se da fraqueza moral dos seres humanos para envolvê-los em seduções nefastas, contagiando-os com os seus fluidos degenerados e levando-os, não poucas vezes, ao paul das orgias e loucuras onde chafurdam. Enfrentaram religiosos que, de início, se ofereceram à fé que abraçam forrados  por sentimentos nobres, mas que não resistiram às tentações, em razão do passado sombrio que ainda os governava e face às situações em que se viram colocados. Outras vezes, cidadãos portadores de reto proceder, quando amadurecem e se encontram próximos de concluírem a lide, à sua instância infeliz têm os apetites açulados e estimulados por outras pessoas devassas que servem de instrumento aos interesses inferiores dessas Entidades, que são atraídas, perturbando o programa de vida a que se vinculavam e impossibilitando-os de concluir os compromissos que lhes são essenciais à vitória sobre si mesmos.

“Não podemos negociar com o Mal nem imiscuir-nos com os maus. Por essa razão, o sábio Nazareno que lhes conhecia as urdiduras e o abismo de impiedade em que se atiraram, ensinou-nos a solicitar ao Pai amoroso que nos livre do mal, porque ainda não possuímos a necessária condição para enfrentá-lo com equilíbrio, sem o perigo de contágio. Porque os maus se utilizam de quaisquer recursos impróprios e os nossos são os do amor, levam momentânea vantagem, em se considerando que não nos permitimos competir mediante os mesmos escusos processos, contando invariavelmente com a bênção do tempo e a resolução da própria criatura a quem nos dispomos ajudar.”

Manteve-se em recolhimento rápido, e logo após deu prosseguimento aos seus lúcidos esclarecimentos:

– Seremos convocados a graves situações, nas quais o testemunho será o nosso sinal cristão, resistindo às forças cruéis da perseguição inclemente e ampliando os horizontes da lídima fraternidade que deve viger entre os indivíduos. Voltar-se-ão, esses irmãos enfermos, contra os bons trabalhadores da Seara de Jesus, criando situações embaraçosas e atirando pessoas sem escrúpulos, fáceis de conduzir, nos seus braços, a fim de os envolverem na urdidura das suas tramas, para depois os arrebanharem nas suas implacáveis proposições. Toda a vigilância e misericórdia que nos estejam ao alcance serão necessárias para uma boa aplicação, gerando recursos defensivos em caráter de prevenção, como também vitalizadores para romper com as ciladas que se apresentarão com frequência. Contaremos, todavia, sempre e sem cessar, com o auxílio do Mestre Jesus, que experimentou a crueza da hediondez humana, em sucessivas conspirações para colherem-NO impiedosamente. Ele sempre esteve em sintonia com o Pai, vencendo os Seus inimigos, que são os incontáveis e contumazes adversários da Humanidade que se liberta lentamente da animalidade, buscando a espiritualização.

“O sexo tem sido um espinho cravado nas carnes da alma humana, dilacerador e contundente espiculo que gera muito sofrimento. Gerações sucessivas de seres predispostos ao progresso têm experimentado derrocada,  face às exigências mal compreendidas do desejo e da utilização sexual. Perturbado, vezes sem conta, nas suas funções, responde por inúmeros destrambelhes da emoção, da mente e do organismo, gerando consequências afligentes ao largo das sucessivas reencarnações. Todavia, é o veículo da perpetuidade da espécie, gerador e estimulante de ideais de beleza, na Arte, no pensamento, na Ciência, na Tecnologia, como fonte de estímulos que impulsionam para a conquista do progresso. Deve, portanto, ser transformado em flor e fruto de bênçãos, sempre que direcionado para as magnas finalidades a que se destina, ficando, à margem, a brutalidade e o primitivismo que lhe deram origem nos recuados tempos das primeiras manifestações... Na Terra dos nossos dias, tem-se tornado trator vigoroso, utilizado de forma indevida quase sempre, por isso mesmo arrastando multidões que se bestializam intoxicadas pelos seus vapores e pelas promessas enganosas de gozo infindo.”

A longânime Benfeitora reflexionou por um pouco, e concluiu: 

– Hipnotizadas pela alucinação do prazer, centenas de milhões de criaturas humanas, ainda vivenciando as faixas da sensação sexual, deixam-se escravizar pelos impulsos mal direcionados e tornam-se vítimas de carrascos da sua paz, que as seviciam com os seus instrumentos de perversão, exercendo domínio sobre suas mentes e sentimentos. Reencarnam e desencarnam num vaivém que parece interminável, até quando expiações pungentes e martirizantes interrompem o ciclo do ir-e-vir quase sem proveito. É o que ocorrerá nos próximos anos com os irmãos ora recolhidos pelo amor de Jesus Cristo e dos Seus mensageiros que os recambiam ao corpo anatematizado pelas aflições, de modo a reajustarem o perispírito e volverem aos ideais de vida e de harmonia. Entretanto, legiões voluptuosas renascerão no mundo das criaturas terrestres, procurando retratar e repetir os excessos que se têm permitido e as estruturas sórdidas quão nefastas da cidade impiedosa, com que seduzirão os indecisos, dominarão os semelhantes e ameaçarão a estabilidade de muitos combatentes do Bem e do progresso.

“Cuidemos para não lhes cair nas ciladas nem nos deixarmos arrastar por seus encantos mentirosos e seduções venenosas, seguindo pela porta estreita, enquanto os nossos espinhos se arrebentarão em flores de caridade e de amor, de ação benemérita e de dever, como filhos biológicos, ideais de dignificação humana, realizações edificantes e de sabor eterno. Jesus é Vida, e com Ele a luta é honra que não podemos descurar.”

Concluídas as sábias informações, ficamos a considerar os volumosos desafios que estavam destinados aos bons trabalhadores do Evangelho, de forma que pudessem permanecer fiéis aos postulados do dever, vivenciando-os, de maneira a confirmar-lhes a excelência, recurso único eficaz para desbaratar as construções do Mal e dos seus pugnadores.
 
Podia considerar que durante muito tempo a nobre Instituição iria sofrer as investidas da crueldade e da astúcia, utilizando-se da fragilidade dos seus membros. Não ignorava, no entanto, conforme acabara de presenciar, que os recursos valiosos do Alto desceriam sempre quando necessários, a fim de que não faltassem o pão de luz nos seus celeiros de amor, nem as valiosas bênçãos da coragem e dos valores morais para os enfrentamentos inevitáveis. Podia também considerar que as reencarnações em massa iriam trazer aqueles infelizes ao proscênio terrestre, a fim de que tivessem chance de evoluir, arrastando, com as suas paixões, verdadeiras multidões afins, de cuja maneira sairiam das regiões do vandalismo para novos tentames que os conduziriam a outras Estâncias, onde dariam curso ao progresso. No momento da grande transição do planeta travar-se-ia a luta final em sucessivas batalhas, conforme a Lei de destruição, facultando a renovação inevitável.

Com a chegada do Sol e a movimentação de pessoas na via pública, as atividades convencionais da Casa Espírita se iniciavam e as orações que assinalavam os labores mantinham os vínculos com as Esferas elevadas. Em torno, no entanto, das fronteiras limítrofes do Refúgio educativo, os desordeiros se movimentavam, dando curso à programação de desforço e tentativas de invasão, que se prolongariam indefinidamente...

Era comovedor notar as sábias diretrizes da Mentora madre Clara de Jesus que, tomada pela consciência do dever, prosseguia no ministério como se nada houvesse acontecido digno de nota ou de preocupação.


Manoel Philomeno de Miranda





(1) Conforme lemos no clássico “DIVINA COMÉDIA” – N. D.



quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Manoel Philomeno de Miranda - Livro Sexo e Obsessão - Divaldo P. Franco - Cap. 8 - Atendimento fraterno




Manoel Philomeno de Miranda - Livro Sexo e Obsessão - Divaldo P. Franco - Cap. 8


Atendimento fraterno 


(...) As consultas tiveram o seu curso normal, e eu (Philomeno), não cabia em mim de contentamento. Ali estávamos em um Ambulatório de emergência espiritual para atendimento aos sofredores e desafortunados da Terra, sem complexidades nem exigências descabidas, nos quais o amor, a vera fraternidade, a compaixão e a caridade davam-se as mãos, em tentativas felizes de bem servir.

O irmão Anacleto acercou-se-me, sorridente, e acentuou: “Quando o amor dirige os sentimentos e o pensamento, as ações, inegavelmente, são corretas e dignificadoras. O Espiritismo é a chave que decifra os enigmas existenciais. Vivê-lo com simplicidade, desvesti-lo das complexidades com que algumas pessoas desejam envolvê-lo, por preferirem sempre as complicações ao equilíbrio, é dever de todos nós, encarnados e desencarnados, que lhe somos afeiçoados”.  

Aguardaremos a noite, a fim de acompanharmos o atendimento do nosso Ricardo, que deverá receber as pessoas que lhe foram encaminhadas.


Manoel Philomeno de Miranda