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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 38 - Faixas



Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 38


Faixas


258. Evocando-se reciprocamente, poderiam duas pessoas transmitir de uma a outra seus pensamentos e corresponder-se?

“Certamente, e essa telegrafia humana será um dia um meio universal de correspondência.”

a — Por que não será praticada desde já?

“É praticável para certas pessoas, mas não para toda gente. Preciso é que os homens se depurem, a fim de que seus Espíritos se desprendam da matéria e isso constitui uma razão a mais para que a evocação se faça em nome de Deus. Até lá, continuará circunscrita às almas de escol e desmaterializadas, o que raramente se encontra nesse mundo, dado o estado dos habitantes da Terra.” — (O Livro dos Médiuns, Telegrafia humana).


Comunicação espiritual não é privilégio da organização mediúnica.

O pensamento é idioma universal e, compreendendo-se que o cérebro ativo é um centro de ondas em movimento constante, estamos sempre em correspondência com o objeto que nos prende a atenção.

Todo Espírito, na condição evolutiva em que nos encontramos, é governado essencialmente por três fatores específicos, ou, mais propriamente, a experiência, o estímulo e a inspiração.

A experiência é o conjunto de nossos próprios pensamentos.

O estímulo é a circunstância que nos impele a pensar.

A inspiração é a equipe dos pensamentos alheios que aceitamos ou procuramos.

Tanto quanto te vês compelido, diariamente, a entrar na faixa das necessidades do corpo físico, pensando, por exemplo, na alimentação e na higiene, és convidado incessantemente a entrar na faixa das requisições espirituais que te cercam.

Um livro, uma página, uma sentença, uma palestra, uma visita, uma notícia, uma distração ou qualquer pequenino acontecimento que te parece sem importância, pode representar silenciosa tomada de ligação para determinado tipo de interesse ou de assunto.

Geralmente, toda criatura que ainda não traçou caminho de sublimação moral a si mesma assemelha-se ao viajante entregue, no mar, ao sabor das ondas.

Receberás, portanto, variados apelos, nascidos do campo mental de todas as inteligências encarnadas e desencarnadas que se afinam contigo, tentando influenciar-te, através das ondas inúmeras em que se revela a gama infinita dos pensamentos da Humanidade, mas, se buscas o Cristo, não ignoras em que altura lhe brilha a faixa.

Com a bússola do Evangelho, sabemos perfeitamente onde se localizam o bem e o mal, razão por que, dispondo todos nós do leme da vontade, o problema de sintonia corre por nossa conta.


Emmanuel









Reunião pública de 27-5-1960.
Questão n.º 285.


domingo, 16 de agosto de 2026

Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 24 - Alegas



Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 24


Alegas


16. Como pode um homem aperfeiçoar-se mediante o ensino dos Espíritos, quando não tem, nem por si mesmo, nem com o auxílio de outros médiuns, os meios de receber de modo direto esse ensinamento?

“Não tem ele os livros, como tem o cristão o Evangelho? Para praticar a moral de Jesus, não é preciso que o cristão tenha ouvido as palavras ao lhe saírem da boca.” (O Livro dos Médiuns - Cap. 17 - Questão n.º 220) 


Alegas descrença da vida celestial por ausência da comprovação que supões adequada, e viajas, ante a glória do firmamento, num gigantesco engenho cósmico de nome “Terra”, a girar sobre si mesmo, com imensa velocidade, em torno do Sol, e não pensas nisso.

Alegas que não compreendes como possam surgir irradiações do Espírito, e te equilibras, cada dia, sob a luz solar que se expande na imensidão do Espaço, a trezentos mil quilômetros por segundo, sem que lhe abordes a estrutura mais íntima.

Alegas que não ouves a voz das inteligências desencarnadas, e moras num reino de ondas, de que as maiores estações emissoras dosam apenas ínfima porção, transformando em sons articulados o que te parece solidão e silêncio.

Alegas que ninguém te explica por que processo se alimentam as almas, com os fluidos sutis, e vives no oceano aéreo, nutrindo-te em maior grau dos recursos imponderáveis da Natureza.

Alegas que a existência humana, fora da matéria física, é inaceitável por tornar-se invisível; entretanto, quanta coisa invisível consideras real!

Alegas a impossibilidade da materialização transitória dos amigos que já transpuseram as fronteiras do túmulo, e, apesar das notáveis observações da genética, desconheces como nasceste entre as formas carnais, tanto quanto ignoras os processos por que te desenvolves.

Não te lamentes, porém, quanto à falta de elementos mediúnicos para o levantamento das boas obras.

Não te condiciones a informes alheios para ajudar.

Todos possuímos vasta provisão de sementes e luzes do Conhecimento Superior e estamos convictos de que fomos chamados para servir.

O que Jesus ensinou, há quase dois milênios, tem força de verdade para todos os séculos, e a mensagem desse ou daquele arauto do Evangelho, aos ouvidos de alguém, é lição para todos nós.

Importa, acima de tudo, estender o bem, entendendo-se que o bem verdadeiro será sempre o bem que façamos aos outros.

Toma alguns grãos de trigo, achados na rua, a esmo… Não sabes de onde vieram, no entanto, se resolves plantá-los, inda hoje, com respeito e carinho, em breve as leis de Deus, sem que as vejas agindo, deles farão no solo, em teu próprio favor, vasto e belo trigal.


Emmanuel










Reunião pública de 25-3-1960.

terça-feira, 21 de abril de 2026

Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 49 - Tesouros ocultos



Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 49


Tesouros ocultos


"Porque onde está o teu tesouro, aí está também o teu coração." (Mateus 6:21).


30º — Podem os Espíritos fazer que se descubram tesouros?

“Os Espíritos superiores não se ocupam com essas coisas;  mas, os zombeteiros frequentemente indicam tesouros que não existem, ou se comprazem em apontá-los num lugar, quando se acham em lugar oposto. Isso tem a sua utilidade, para mostrar que a verdadeira riqueza está no trabalho. Se a Providência destina tesouros ocultos a alguém, esse os achará naturalmente; de outra forma, não.” (O Livro dos Médiuns)


Ainda existe quem se dirija aos companheiros desencarnados perguntando por tesouros ocultos.

Tais consulentes, guardando imaginação doentia, mentalizam recipientes encravados no subsolo ou no corpo de lodosas paredes, a vazarem moedas e preciosidades que lhes atendam aos pruridos de usura.

E martelam a mediunidade inexperiente e pedem sonhos reveladores…

Mas os amigos espirituais, realmente esclarecidos, tudo fazem para que os irmãos da escola física não encontrem semelhantes bombas douradas que, provavelmente, lhes explodiriam nas mãos, em forma de crime.

Entretanto, cada criatura humana surge do berço para descobrir os talentos que traz, independentemente da fortuna terrestre, a fim de ajudar aos outros, valorizando a si mesma.

A mulher e o homem aproveitam o amor que dimana gratuitamente de Deus e erguem o santuário do lar, em que se escondem imperecíveis tesouros da alma.

O professor emprega palavras que não têm preço amoedado e amontoa os tesouros da cultura e da inteligência.

O escritor respeitável utiliza as letras do alfabeto, ao alcance de todos, e estabelece os tesouros do livro nobre que estende consolação e assegura o progresso.

E o compositor apropria-se das sete notas musicais que desconhecem a existência do ouro e oferece indistintamente, ao mundo, os tesouros da melodia.

Somente o trabalho consegue formar os verdadeiros tesouros da vida.

Ainda assim, é indispensável saibamos distinguir a ação digna da exploração inferior.

Os cultivadores da coca e da papoula, que abusam dessas plantas medicinais, transformando-as em filões de dinheiro no mercado escuso da cocaína e do ópio, dizem que trabalham e apenas fazem os viciados e os infelizes.

É preciso saber o que produzimos, a fim de sabermos para onde nos dirigimos, porquanto o próprio Jesus afirmou, convincente: — “onde guardardes o vosso tesouro, tereis retido o coração”. 

E as palavras do Mestre Divino tanto se referem às claridades do bem quanto às sombras do mal.


Emmanuel











Reunião pública de 4-7-1960.
Questão n.º 295 - § 30.º


sábado, 18 de abril de 2026

Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 85 - Diante dos outros



Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 85


Diante dos outros


302. À espera de que a unidade se faça, cada um julga ter consigo a verdade e sustenta que o verdadeiro é só o que ele sabe, ilusão que os Espíritos enganadores não se descuidam de entreter. Assim sendo, em que pode o homem imparcial e desinteressado basear-se, para formar juízo?

“Nenhuma nuvem obscurece a luz mais pura; o diamante sem mácula é o que tem mais valor; julgai, pois, os Espíritos pela pureza de seus ensinos. A unidade se fará do lado onde ao bem jamais se haja misturado o mal; desse lado é que os homens se ligarão, pela força mesma das coisas, porquanto considerarão que aí está a verdade. Notai, ao demais, que os princípios fundamentais são por toda parte os mesmos e têm que vos unir numa ideia comum: o amor de Deus e a prática do bem. Qualquer que seja, conseguintemente, o modo de progressão que se imagine para as almas, o objetivo final é um só e um só o meio de alcançá-lo: fazer o bem. Ora, não há duas maneiras de faze-lo. Se dissidências capitais se levantam, quanto ao princípio mesmo da Doutrina, de uma regra certa dispondes para as apreciar, esta: a melhor doutrina é a que melhor satisfaz ao coração e à razão e a que mais elementos encerra para levar os homens ao bem. Essa, eu vo-lo afirmo, a que prevalecerá.” O Espírito de Verdade. (L.E.)


Na trilha humana, é indispensável consideres os problemas dos outros.

Há quem deseje seguir no ritmo de teus modos; contudo, tem os pés claudicantes.

Amigos vários tentam escutar determinada peça musical com a tua acuidade auditiva, mas carregam com eles os tímpanos semimortos.

Companheiros diversos quereriam ver a Terra com a precisão de teus olhos; no entanto, sofrem deficiências da miopia.

Esse pretende comer de teu prato suculento; entretanto, guarda o estômago doente, pedindo canja leve.

Outro aspira a partilhar-te o labor manual; todavia, mostra o braça hemiplégico, envolvido em tipoia.

Aquele outro procura recordar com a segurança de tuas reminiscências; contudo, traz o cérebro dominado pela amnésia.

Assim também, na caminhada espiritual, surpreenderás criaturas irmãs que não podem comungar-te, de pronto, a faixa de experiência.

Estimariam sentir como sentes e raciocinar como raciocinas; no entanto, respiram ainda nos começos difíceis ou nas provas regenerativas da inibição.

Tanto quanto não podes exigir passo firme a pernas enfermas, nem pensamento certo a cabeça louca, não deves esperar que o próximo te abrace a convicção ou te adote o ponto de vista.

Cada pessoa vê a paisagem da condição em que se coloca.

Conflito acalentado gera conflitos novos.

Discórdia mantida é processo de crueldade.

Indubitavelmente, a Doutrina Espírita, com a bênção de Jesus, não te pede aplaudir a ilusão dos outros, mas, em toda parte, é apelo vivo das Esferas Mais Altas a que aprendamos e trabalhemos, instruindo e servindo, para que a verdade, dosada em amor, se faça luz que auxilie os outros, desfazendo a ilusão.


Emmanuel









Reunião pública de 25-11-1960.
Questão n.º 302.


quarta-feira, 18 de março de 2026

Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 9 - No campo doutrinário



Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 9


No campo doutrinário


25. Não podemos omitir uma categoria a que chamaremos incrédulos por decepções. Abrange os que passaram de uma confiança exagerada à incredulidade, porque sofreram desenganos. Então, desanimados, tudo abandonaram, tudo rejeitaram. Estão no caso de um que negasse a boa-fé, por haver sido ludibriado.  —  (Allan Kardec - O Livro dos Médiuns - 1ª Parte - Capítulo III - Método).


Encontrarás no caminho os companheiros que não conseguiram guardar o talento mediúnico na altura que a responsabilidade lhes conferiu.

À maneira dos que não sabem viver retamente, quando chamados à mordomia do ouro ou ao cetro do poder, desequilibram-se mentalmente, criando para si próprios o labirinto em que se desvairam.

Começam abandonando a disciplina profissional, que julgam vexatória.

Debandam de pequeninos deveres familiares que, naturalmente cumpridos, formam o alicerce das tarefas maiores.

E transformam-se em joguete da fascinação que os inutiliza.

Julgam-se, então, mensageiros especiais.

Ausentam-se deliberadamente do estudo.

Abraçam exotismos contundentes.

Acreditam-se na condição de intérpretes das mais altas personalidades da História.

Não admitem advertências.

Supõem dominar o passado e o futuro.

Profetizam.

Pontificam.

Mas, detendo exagerada conceituação de si mesmos, não percebem que se fazem marginais, cristalizados em longos processos obsessivos, aos quais atraem amigos invigilantes para deslumbrá-los, a princípio, e arrojá-los, depois, à desilusão.

Em verdade, não podemos evitar que irmãos nossos se prendam a semelhantes situações perigosas e lastimáveis.

Se outras formações religiosas vivem juguladas pela autoridade terrestre que lhes frena os impulsos, encontramos na Doutrina Espírita o pensamento claro e espontâneo da fé viva, favorecendo sementeiras e searas preciosas do livre arbítrio.

Diante, pois, dos amigos que não souberam situar os compromissos medianímicos em lugar justo, observemos quão duro será, para nós, desertar do serviço constante no burilamento interior, aprendendo, ao mesmo tempo, nos desajustes que mostram, tudo aquilo que nos cabe evitar.

Em seguida, se possível, ajudemo-los com a palavra evangélica; entretanto, se essa medida não pode ser posta em prática, à face das circunstâncias que nos obrigam a emudecer, lembremo-nos de que é nossa obrigação trabalhar sempre mais, na expansão de nossos princípios, para que se faça luz nos corações e nas consciências.

E caminhemos adiante, no esforço de tudo melhorar cada dia, com a certeza de que, segundo o Cristo, cada criatura, hoje e sempre, onde estiver, receberá, invariavelmente, de acordo com as suas obras.


Emmanuel








Reunião pública de 1-2-1960.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 19 - Espíritos da Luz



Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 19


Espíritos da Luz


"Os bons Espíritos nunca ordenam; não se impõem, aconselham e, se não são escutados, retiram-se..." (O Livro dos Médiuns - Cap. 24 - Questão n.º 267 - § 10.º)


Parafraseando a luminosa definição do apóstolo Paulo, em torno da caridade, no capítulo treze da primeira epístola aos coríntios, ousaremos aplicar os mesmos conceitos aos Espíritos benevolentes e sábios que nos tutelam a evolução.

Ainda que falássemos a linguagem das trevas e não possuíssemos leve raio de entendimento, — não passaríamos para eles de pobres irmãos necessitados de luz.

Ainda que nos demorássemos na vocação do crime, caindo em todas as faltas e retendo todos os vícios, a ponto de arrojar-nos, por tempo indeterminado, nos últimos despenhadeiros do mal, para nosso próprio infortúnio, — não seríamos para eles senão criaturas infelizes, carecentes de amor.

Ainda que dissipássemos todas as nossas forças no terreno da culpa e dedicássemos a vida ao exercício da crueldade, sem a mínima noção do próprio dever, — isso seria para eles tão somente motivo a maior compaixão.

Os Espíritos da Luz são pacientes.

Em todas as manifestações são benignos.

Não invejam.

Não se orgulham.

Não mostram leviandade.

Não se ensoberbecem.

Não se portam de maneira inconveniente.

Não se irritam.

Não são interesseiros.

Não guardam desconfiança.

Não folgam com a injustiça, mas rejubilam-se com a verdade.

Tudo suportam.

Tudo creem.

Tudo esperam.

Tudo sofrem.

A caridade deles nunca falha, enquanto que para nós, um dia, as revelações gradativas terão fim, os fenômenos cessarão e as provas terminarão, por desnecessárias.

Por agora, de nós mesmos, conhecemos em parte e em parte imaginamos; entretanto, eles, os emissários do Eterno Bem, acompanham-nos com devotamento perfeito, sabendo que, em matéria de espiritualidade superior, quase sempre ainda somos crianças, falamos como crianças, pensamos quais crianças e ajuizamos infantilmente.

Estão certos, porém, de que mais tarde, quando nos despojarmos das deficiências humanas, abandonaremos, então, tudo o que vem a ser pueril.

Verificaremos, assim, a grandeza deles, como a víssemos retratada em espelho, confrontando a estreiteza de nosso egoísmo com a imensurabilidade do amor com que nos assistem.

Conforte-nos, pois, reconhecer que, se ainda demonstramos fé vacilante, esperança imperfeita e caridade caprichosa, temos, junto de nós, a caridade dos mensageiros do Senhor, que é sempre maior, por não esmorecer em tempo algum.


Emmanuel











Reunião pública de 7-3-1960.

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 35 - Caridade e tolerância



Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 35


Caridade e tolerância


Cap. XXXI - Dissertação XIII.


Milhares de criaturas esperavam-no coroado de louros, numa carruagem de glória.

Ele, o Grande renovador, deveria surgir numa apoteose de exaltação individual.

O trono dourado.

O cetro imponente.

O laurel dos triunfadores.

A túnica solar.

Os olhos injetados de orgulho.

O verbo supremo.

A exibição de riquezas.

Os espetáculos de poder.

A escolta angélica.

As sentenças inapeláveis.

Jesus, porém, caminha entre os homens, à maneira de servidor vulgar, de vilarejo em vilarejo.

Veste-se conforme as usanças dos que o cercam.

Apostoliza em lares e barcos emprestados.

Ouve atenciosamente mulheres consideradas desprezíveis.

Atende a homens conhecidos por malfeitores.

Serve-se à mesa de pessoas classificadas como indignas.

Abraça crianças desamparadas. Socorre doentes anônimos.

Acolhe a todos por amigos, a ponto de aceitar como discípulo aquele que desertaria, dominado pela ambição. Recebe remoques e injúrias de quantos lhe exigem sinais do espírito.

E parte do mundo, banido, entre ladrões, sob violência e sarcasmo; no entanto, em circunstância alguma condena ou amaldiçoa, mas sim suporta e ajuda sempre, respeitando nos seus ofensores filhos de Deus que o tempo renovará.

Também na Doutrina Espírita, indene de todo cárcere dogmático, a indagação campeia livremente.

Cristianismo redivivo, qual acontecia na época da presença direta do Senhor, junto dela hoje enxameiam, de mistura com os corações generosos que amam e auxiliam, as antigas legiões dos desesperados, dos escarnecedores, dos indecisos, dos investigadores contumazes, dos inquisidores da opinião, dos perseguidores gratuitos, dos gênios estéreis, dos cépticos frios e dos ignorantes sequiosos de privilégios, por doentes da alma…

Entretanto, se Jesus, que foi o Embaixador Divino, para manter-se ligado à Esfera Superior exerceu a caridade e a tolerância em todos os graus, como fugir delas, nós, Espíritos endividados perante a Lei, necessitados do perdão e do amparo uns dos outros?

É por isso que, em nossas atividades, precisamos todos de obrigação cumprida e atitude exata, humildade vigilante e fé operosa, com a caridade e a tolerância infatigáveis para com todos, sem desprezar a ninguém.


Emmanuel





*O Livro dos Médiuns - 2ª Parte - Das manifestações espíritas - Cap. 31 - Dissertações espíritas - Sobre os médiuns. Dissertação XIII.

Quando quiserdes receber comunicações de bons Espíritos, importa vos prepareis para esse favor pelo recolhimento, por intenções puras e pelo desejo de fazer o bem, tendo em vista o progresso geral. Porque, lembrai-vos, que o egoísmo é causa de retardamento a todo progresso. Lembrai-vos de que se Deus permite que alguns dentre vós recebam o sopro daqueles de seus filhos que, pela sua conduta, souberam fazer-se merecedores de lhe compreender a infinita bondade, é que ele quer, por solicitação nossa e atendendo às vossas boas intenções, dar-vos os meios de avançardes no caminho que a ele conduz. Assim, pois, médiuns! aproveitai dessa faculdade que Deus houve por bem conceder-vos. Tende fé na mansuetude do nosso Mestre; ponde sempre em prática a caridade; não vos canseis jamais de exercitar essa virtude sublime, assim como a tolerância. Estejam sempre as vossas ações de harmonia com a vossa consciência e tereis nisso um meio certo de centuplicardes a vossa felicidade nessa vida passageira e de preparardes para vós mesmos uma existência mil vezes ainda mais suave. Que, dentre vós, o médium que não se sinta com forças para perseverar no ensino espírita, se abstenha; porquanto, não fazendo proveitosa a luz que o ilumina, será menos escusável do que outro qualquer e terá que expiar a sua cegueira.

Pascal.



Reunião pública de 16-5-1960.

domingo, 5 de outubro de 2025

Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 37 - Dever espírita



Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 37


Dever espírita


137. Um Espírito pode encarnar a um tempo em dois corpos diferentes?

“Não, o Espírito é indivisível e não pode animar simultaneamente dois seres distintos.”


Com muita propriedade, afirmou Allan Kardec que os Espíritos elevados se ligam de preferência aos que procuram instruir-se.

E quem busca instruir-se, escolhe o caminho do esforço máximo.

Todo educandário é instituto de disciplina.

Entretanto, aqui e ali, aparecem alunos viciados em recreio e preguiça, suborno e cola.

Estes, contudo, podem obter as mais brilhantes situações, no jogo das aparências, mas nunca o respeito e a confiança dos professores dignos do título que conquistaram.

Na Doutrina Espírita, escola maternal de nossas almas, há mais de um século surgem aprendizes de todas as condições.

Aos que pediam fenômenos para alicerçar a convicção, foi concedida pelos instrutores da Humanidade a mais alta cópia de francas demonstrações da sobrevivência.

As pesquisas rigorosamente científicas de William Crookes e as respostas positivas do Plano Espiritual valeram por insofismável testemunho da verdade, a benefício de todo o orbe, e, porque os discípulos da Nova Revelação se espalhassem por toda parte, as experiências foram examinadas e são, até hoje, reexaminadas, sob variada nomenclatura, em todas as direções.

Os tarefeiros do ensinamento espírita, por isso, não podem esquecer a obrigação de preservá-lo a cavaleiro de todas as investidas dos alunos ociosos, que nada procuram senão divertir e polemizar.

Vê-los-emos, em todos os lugares, sempre dispostos a pentear as ocorrências e expor de público as caspas recolhidas, para o espetáculo das discussões sem proveito.

Resguardemos a mensagem edificante do Espiritismo contra aqueles que tomam o fruto da lição, perdendo tempo em repetidas e inúteis perquirições sobre a casca, com deliberado abandono da substância.

Há dois milênios se agita a opinião da Terra em torno do Cristo, organizando-se, em nome dele, guerras e conchavos, disputas e controvérsias, dietas e conselhos, interpretações e perseguições, mas o que permanece firme, através do tempo, é a palavra do Evangelho.

Armem-se os caçadores de fenômenos como desejem, e detenham, como puderem, os elementos que a vida endereça à necessária renovação.

Todo fenômeno edifica, se recebido para enriquecer o campo da essência.

Quanto a nós, porém, estejamos fiéis à instrução, desmaterializando o espírito, quanto possível, para que o Espírito se conheça e se disponha a brilhar.


Emmanuel





Reunião pública de 23-5-1960.

O Livro dos Espíritos 2ª Parte - Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos - Cap. II - Da encarnação dos Espíritos - A alma (Questão 134).



terça-feira, 9 de setembro de 2025

Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 6 - O argumento





O argumento


Reunião pública de 22 de Janeiro de 1960

Item n.° 29 de “O Livro dos Médiuns”


Ante os amados que te não compreendem, estimarias que todos cressem conforme crês.

Alguns jazem desesperados nas trevas do pessimismo.

Outros caem, pouco a pouco, no abismo da negação.

Há muitos que te lançam insulto em rosto, como se a tua convicção fosse passo à loucura.

E surpreendes, em cada canto, aqueles que te falam pelo diapasão da ironia.

Mergulhas-te, muitas vezes, no oceano revolto das palavras veementes que os opositores, de imediato, não podem admitir; em outras ocasiões, desejas acontecimentos inusitados, que lhes alterem o modo de pensar e de ser.

Entretanto, recordemos o Cristo.

Ninguém, quanto ele, deixou na retaguarda tantas demonstrações de poder celeste.

Deu nova estrutura à forma dos elementos.

Apaziguou as energias desvairadas da Natureza.

Reaqueceu corpos que a morte imobilizava.

Restituiu a visão aos cegos.

Restaurou paralíticos.

Limpou feridentos.

Curou alienados mentais.

Operou maravilhas, somente atribuíveis à ciência divina.

Contudo, não foi pelos deslumbramentos produzidos que se converteu em mentor excelso da Humanidade.

Jesus agiganta-se, na esteira dos séculos, pela força ao exemplo.

Anjo — caminhou entre os homens.

Senhor do mundo — não reteve uma pedra para repousar a cabeça.

Sábio — foi simples.

Grande — alinhou-se entre os pequenos.

Juiz dos juízes — espalhou a misericórdia.

Caluniado — lançou bênçãos.

Traído — não reclamou.

Acusado — humilhou a si mesmo.

Ferido — esqueceu toda ofensa.

Injuriado — silenciou.

Crucificado — pediu perdão para os próprios verdugos.

Abandonado — voltou para auxiliar.

Ação é voz que fala à razão.

Se aspiras, assim, a convencer os que te rodeiam, quanto à verdade, não olvides que, acima de todos os fenômenos passageiros e discutíveis, o único argumento edificante de que dispões é o de tua própria conduta, no livro da própria vida.


Emmanuel











terça-feira, 13 de maio de 2025

Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 51 - Bons Espíritos



Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 51


Bons Espíritos


Quando em dificuldade, assinalas, contente, a mão que te oferta auxílio espontâneo.

Se sofres, adquires ânimo novo, perante alguém que te reanima.

Doente, sabes ser reconhecido a quem te socorre.

Em erro, apresentas-te renovado, diante daquele que te apoia o reajuste, sem recorrer à condenação.

Solitário, encontras a presença do amor no companheiro que te dirige a boa palavra.

Sabes que te enganas muitas vezes, apesar do teu devotamento à verdade, e que, em muitas circunstâncias, pareces abraçar a ingratidão e a agressividade, não obstante o propósito de honrar a justiça, e, por esse motivo, dignificas todos aqueles que te estendam bondade e compreensão.

Respeitas quem te não dá prejuízo.

Admiras quem não te fere as convicções.

Estimas a quem te ajuda sem perguntar.

Abençoas a quem não te cria problemas.

Agradeces a quem te aprecia a nobre intenção.

Em suma, recolhes reconforto e felicidade junto de todo aquele que te aceita como és, amparando-te as necessidades sem exigir-te certificados de perfeição e exames de consciência.

Pelo auxílio que recebes, conheces, perfeitamente, o auxílio que podes prestar.

Identificarás, assim, facilmente, a condição do amigo desencarnado. Se ele deseja comunicar-te o bem a que aspira, em favor de si mesmo, não permitirá que faças ao próximo aquilo que não queres te seja feito.  

O bom Espírito, por isso, não é somente aquele que te faz bem, mas, acima de tudo, o que te ensina a fazer bem aos outros para que sejas igualmente um Espírito bom.


Emmanuel








Reunião pública de 11 de Julho de 1960.

Item n.° 267, §§ 1, 2 e 3 de “O Livro dos Médiuns”




quinta-feira, 8 de maio de 2025

Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 81 - Ondas



Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 81


Ondas


Ondas mentais enxameiam por toda parte.

Não é necessário te definas em tarefas especiais, nos círculos mediúnicos, para transmitires o pensamento de entidades outras.

Particularmente, quando falas, exprimes as inclinações e opiniões de inteligências diversas.

Sentes, pensas, ouves, lês e observas e, em qualquer desses estados de alma, assimilas influências alheias.

Medita, assim, na função da palavra que despedes.

Cada peça verbal pode ser comparada a certo veículo de essências mentais determinadas.

A preleção edificante é lâmpada acesa.

A conversa maledicente é prato de lama.

O reparo confortador é bálsamo de coragem.

A indicação caluniosa é poção corrosiva.

A nota de fraternidade é injeção de bom ânimo.

O gracejo inoportuno é dissolvente da responsabilidade.

O registo da compreensão é recurso calmante.

A anedota deprimente é coagulante do vício.

A frase amiga é copo de água pura.

O apontamento pessimista é drágea de veneno.

Cada vez que dizes algo, refletes, a teu modo, alguém ou alguma coisa.

Ideias inúmeras de Espíritos encarnados e desencarnados podem fazer ninho em tua boca.

A língua, de certa forma, é um alto-falante.

Repara a onda que sintonizas.


Emmanuel








Questão n.º 182 (O Livro dos Médiuns)

"Todo aquele que, tanto no estado normal, como no de êxtase, recebe, pelo pensamento, comunicações estranhas às suas ideias preconcebidas, pode ser incluído na categoria dos médiuns inspirados..."


Reunião pública de 4-11-1960.


domingo, 9 de fevereiro de 2025

Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 71 - Inspiração



Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 71


Inspiração


*Questão n.º 218.


Em qualquer consideração sobre a mediunidade, não te esquives à inspiração, campo aberto a todos nós e no qual todos podemos construir para o bem, assimilando o pensamento da Esfera Superior.

Não vale fenômeno sem proveito.

Um homem que enxergasse, num vale de cegos, sem diligenciar qualquer auxílio aos irmãos privados da luz, não passaria de uma lente importante, entregue a si mesma.

Aquele que conversasse numa província de mudos, fugindo de prestar-lhes concurso na reconquista da fala, assemelhar-se-ia tão somente a uma discoteca ambulante.

Quem se locomovesse à vontade, numa terra de paralíticos, negando-lhes apoio para que readquirissem a herança do movimento, seria para eles uma ave rara e anormal, agindo em forma humana.

A pessoa que ouvisse, numa ilha de surdos, desertando da cooperação fraterna para que reaprendessem a escutar, seria apenas uma registradora de sons.

A criatura que ensinasse lógica e conduta numa colônia de alienados mentais e não procurasse um meio, ainda que simples, de amparar-lhes o retorno à razão, estaria, entre eles, como arquivo de máximas inassimiláveis.

Não te asseveres incapaz de servir, porque te falte mais ampla incursão no inabitual,

Recurso psíquico, sem função no bem, é igual à inteligência isolada ou ao dinheiro morto, excelentes aglutinantes da vaidade e da sovinice.

De toda ocorrência, observa o préstimo.

E certos de que o pensamento é onda de força viva que nos coloca em sintonia com os múltiplos reinos do Universo, busquemos a inspiração do bem para o trabalho do bem que nos compete, conscientes de que as maravilhas mediúnicas, sem atividade no bem de todos, podem ser admiráveis motivos a preciosas conversações entre os esbanjadores da palavra, mas, no fundo, são sempre o exclusivismo de alguém, sem utilidade para ninguém.


Emmanuel








218. Encarnado, conserva o Espírito algum vestígio das percepções que teve e dos conhecimentos que adquiriu nas existências anteriores?

 “Guarda vaga lembrança, que lhe dá o que se chama idéias inatas.”

a) - Não é, então, quimérica a teoria das idéias inatas?

“Não; os conhecimentos adquiridos em cada existência não mais se perdem. Liberto da matéria, o Espírito sempre os tem presentes. Durante a encarnação, esquece-os em parte, momentaneamente; porém, a intuição que deles conserva lhe auxilia o progresso. Se não fosse assim, teria que recomeçar constantemente. Em cada nova existência, o ponto de partida, para o Espírito, é o em que, na existência precedente, ele ficou.”

b) - Grande conexão deve haver entre duas existências consecutivas?

“Nem sempre tão grande quanto talvez o suponhas, dado que bem diferentes são, muitas vezes, as posições do Espírito nas duas e que, no intervalo de uma e outra, pode ele ter progredido.” (O Livro dos Espíritos). 


Reunião pública de 26-9-1960.



quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 63 - Jesus e livre-arbítrio



Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 63


Jesus e livre-arbítrio


Em matéria de respeito ao livre-arbítrio, reparemos a conduta do Cristo, junto daqueles que lhe partilham a marcha.

Companheiro de João Batista, não lhe torce a vocação.

Em circunstância alguma encarcera espiritualmente os discípulos em atitudes determinadas.

Ajuda sem pedir adesões.

Ensina sem formular exigências.

Escarnecido em Nazaré, onde fixara moradia, não procura evidenciar-se.

Renova Maria de Magdala, sem constrangê-la.

Não ameaça Nicodemos, porque o doutor da lei não lhe compreenda de pronto a palavra. 

Não exibe poderes divinatórios para impressionar o Sinédrio. 

Permite que Pedro o renegue à vontade. 

Deixa que Judas deserte como deseja. 

Confere a Pilatos e Ântipas pleno direito de decisão.

Não impede que os amigos durmam no horto, enquanto ora em momento grave. 

O cireneu que se destaca, a fim de auxiliá-lo no transporte da cruz, é trazido pelo povo, mas não rogado por ele mesmo.

E, ainda depois da morte, volvendo ao convívio dos irmãos de ideal, não tem qualquer bravata de interventor.  

Entende as dúvidas de Tomé.  

E quando visita Saulo de Tarso, às portas de Damasco, aparece na condição de um amigo, sem qualquer intuito de violência.  

Onde surge, o Mestre define a luz e o amor em si mesmo, indicando, no próprio exemplo, o roteiro certo, mas sem coagir pessoa alguma nessa ou naquela resolução.

Quando quiseres verificar se os Espíritos comunicantes são bons e sábios, rememora o padrão de Jesus e perceberás que são realmente sábios e bons se te ajudam a realizar todo o bem com esquecimento de todo o mal, sem te afastarem da responsabilidade de escolheres o teu caminho e de seguires adiante com os próprios pés.


Emmanuel







Reunião pública de 29-8-1960.

Questão n.º 226 - § 3.º