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segunda-feira, 5 de julho de 2021

Isabel Cintra - Livro Relicário de Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 95 - Do lar para o mundo




Isabel Cintra - Livro Relicário de Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 95


Do lar para o mundo


Minha amiga: O jardim do mundo continua repleto de possibilidades divinas, mas nem sempre conseguimos colher as rosas de nossa plantação. Comumente, é imprescindível saber aguardar.

A terra da experiência é sempre a mesma, onde nossas esperanças foram semeadas um dia, para recebermos, hoje, a fé que nos revigora os corações.

Tenhamos paciência e bom ânimo. A mais santa qualidade do amor é a de saber esperar sem desesperar.

Nossos filhos são sempre os mais lindos rebentos da árvore de nosso ideal. Entretanto, não lhe formamos a vida terrestre para nós.

À maneira do escultor que alça a argila informe à condição de vaso inapreciável para servir no mundo, pela graça de Deus, assumimos o papel de mães, na vida que nos pede os filhos do coração; para que integrem as legiões de sua glória.

Louvado seja o Senhor.

Maria, a nossa Mãe Santíssima, não recebeu Jesus para dele orgulhar-se, qual se fora o nosso Divino Mestre uma orquídea celestial, a nutrir-se, invariavelmente, da seiva de sua alma sublime. Alentou-o e preparou-o para a Humanidade, entregando, aos homens, um berço de luz na manjedoura e recebendo, em retribuição, o madeiro escuro da morte.

Saibamos, pois, superar nossas mágoas e indecisões com a certeza de que a união imperecível nos aguarda, além de todos os espinheiros da separação.

O Espiritismo, felizmente, não nos plasma o ideal religioso para a imobilidade dogmática.

Confere-nos o conhecimento superior, habilitando-nos ao serviço da comunidade. Com ele descobrimos, finalmente, que a nossa família não está circunscrita às fronteiras do templo doméstico. 

Somos a esposa de um companheiro de luta e a mãe de nossos filhinhos; mas, igualmente, a irmã de todos e a serva do progresso, do progresso geral, em cujas linhas encontramos as nossas ocupações de fraternidade redentora.

Religião, para nós, significa atividade e diligência no bem, de vez que sabemos o Mestre Divino à nossa espera na pessoa de nossos semelhantes necessitados. Em razão disso, a morte do corpo, para nós outras, constitui abençoada porta de libertação para o trabalho maior.

Realmente, os nossos continuam sendo o canteiro perfumado de nosso carinho, o oásis fechado de nossa devoção particular; mas a Terra se nos afigura a bendita lavoura de nosso enriquecimento novo e o trabalho, exigente, luminoso e fecundo, nos arrebata a novos horizontes, em que a nossa mente cresce, feliz, no rumo dos mais altos interesses de nosso Espírito.

Nesse critério, louvemos, agora, as dificuldades que nos distanciam de certos círculos de ternura feminina. Exaltemos as dores que nos renovam, agradeçamos a Deus os açoites invisíveis que nos vergastam a alma sensível. Com semelhante auxílio, erguer-nos-emos, sem tropeços, para a vida superior.


Isabel Cintra








terça-feira, 4 de agosto de 2020

Isabel Cintra - Livro Cartas do Coração - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 56 - Lutemos servindo



Isabel Cintra - Livro Cartas do Coração - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 56


Lutemos servindo


Na Terra, tudo é realmente frágil, escuro, ilusório, com exceção do amor com que nos unimos diante da vida. 

Pouca coisa podemos retirar do mundo com a desencarnação e, dentre os raros tesouros que trazemos, a amizade pura é um deles. E, nesses fios de luz que nos imantam as almas ao mesmo objetivo, continuamos na comunhão de todos os dias.

Nas tempestades do coração, conhecemos a grandeza do ideal que nos sustenta e, com o suave alimento da esperança, obtemos a graça de prosseguir caminhando…

Quando já nos despojamos da pesada armadura dos ossos, a dor bem vivida e bem aceita, iluminada ao clarão da confiança no Céu, está cheia de uma beleza misteriosa — a beleza dos que encontram o acesso ao Plano superior, por intermédio das lágrimas vertidas sobre o coração, à maneira de chamas que purificam o Espírito imperecível.

O sentimento aqui é, antes de tudo, o nosso clima. Se realizamos o que pensamos, pensamos o que sentimos.

Por mais se acentuem as claridades do grande roteiro, nós, as mães, não nos sentimos animadas ao grande avanço. Permanecemos na condição da ave, que deve limitar os voos, a fim de não perder o próprio ninho. Os apelos do Alto são grandes e fascinantes. 

É a missão mais ampla a convidar-nos a mais vasto raio de ação. É o painel dos mundos felizes, que se descerra magnificamente aos nossos olhos. São as imensas sugestões do serviço que nos conclamam a maiores círculos de atividade.

Entretanto, a fé, por mais sublime, não nos libera o coração. Os filhos são doces algemas de nossa alma. E, por isso, procuramos viver ao lado de nossos antigos tutelados — os sofredores e os aflitos — de modo a sustentar-nos ao pé dos entes queridos, que precedemos na grande viagem.

Difícil expressar-nos com respeito às nossas esperanças. Todas as mães, ainda mesmo além da morte, sonham com divinas realizações, para aqueles que se lhes anexaram ao destino, na posição de rebentos dos seus próprios sonhos.

Continuamos dessa forma trabalhando e amando sempre. O prêmio da Bondade Divina aos poucos e insignificantes grãos de boa vontade, que semeamos na gleba do mundo carnal, transcende o nosso entendimento.

Em razão disso, a nossa primeira sensação, na Esfera espiritual, é de acanhamento e vergonha. Reconhecemos que a nossa incúria olvidou sublimes oportunidades na Terra.

As faltas por omissão doem profundamente em nosso Espírito. Desejaríamos voltar e mais fazer, no entanto, o ensejo passou, guardamos na nossa alma, quase sempre, a atitude do servidor que perdeu a enxada, perante os dias mais promissores.

Muitas vezes, teremos a honra de ser condecorados com a incompreensão e com a dor. Nossos recursos cerebrais serão gastos na grande luta. Veremos, de perto, os monstros da sombra, que nos perseguirão a tranquilidade. 

Peregrinaremos na triste estrada de obstáculos sentimentais, os mais variados, muita vez, depois de grandes e longas aspirações, laboriosamente sustentadas… Mas renderemos graças ao Senhor por não havermos desanimado na luta purificadora.

Quando encontramos a lama, não receemos. Há pântanos que fornecem adubo.

Muito vale a dor pela Causa que esposamos.

Espiritismo bem sentido e bem vivido é luz que nos compete estender. E quanto mais extensa se fizer a nossa tarefa, maior será a nossa família, perante a Eternidade.

Não nos prendamos aos laços pequeninos com que o sofrimento procura acorrentar-nos ao campo inferior. Libertemos nosso coração, cada vez mais, usando os recursos do Cristo, o Nosso Divino Amigo.

Não nos confiemos ao trabalho de disputar a consideração e o reconhecimento daqueles que amamos na Terra. O socorro de Deus basta-nos à felicidade pessoal.

Não acreditemos que a nossa paz venha do concurso dos outros, porque, na realidade, somente nós mesmos detemos, no centro da própria alma, a fonte de luz capaz de aquietar-nos o espírito, na senda redentora.

Desdobremo-nos, no serviço a todos. Somente o trabalho e a caridade são as forças vivas do Céu a nos ampararem no mundo.

Devemos infinitamente e a carne é o manto amigo e providencial que nos conserva a oportunidade de tudo pagar e tudo redimir, em nome de Jesus, nosso Mestre e Senhor.

Lutemos servindo, valorosamente, até o fim.


Isabel Cintra











Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano