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sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Joanna de Ângelis - Livro Autodescobrimento: Uma Busca Interior - Divaldo P. Franco - Cap. 2 - Equipamentos existenciais - Conflitos e doenças




Joanna de Ângelis - Livro Autodescobrimento: Uma Busca Interior - Divaldo P. Franco - Cap. 2 - Equipamentos existenciais


Conflitos e doenças


As reencarnações comuns, sem destaques missionários, invariavelmente são programadas pelos automatismos das leis, que levam em conta diversos fatores que respondem pelas afinidades ou desajustes entre os seres, assim como pelas realizações ético-morais, unindo-os ou não, de forma a darem cumprimento aos imperativos, responsáveis pela evolução individual ou dos grupos humanos. Em outras circunstâncias, são planejadas por técnicos no mister, que aproximam as criaturas, formando os clãs, nem sempre, porém, levando em consideração a afetividade existente entre eles, mas, também, situando-os próximos, na mesma consanguinidade, a fim de serem limadas as arestas, corrigidas as imperfeições morais, desenvolvidos os processos de resgates, próprios dos estágios em que permanecem. 

Encontros para primeiras experiências são organizados com o fito de facilitar a fraternidade, ampliando o círculo de afeições; reencontros são estabelecidos para realizações dignificadoras e também retificações impostergáveis. 

Por isso, são comuns os choques domésticos, os conflitos de ideias e de interesses, as preferências e os repúdios, os entendimentos e as reações familiares. 

Um Espírito que, na infância corporal, não recebe afeto no ninho doméstico, em face da sua historiografia perturbadora, e desenvolve futuros quadros de enfermidades psicológicas ou orgânicas, expia suavemente os delitos que não resgatou e agora são cobrados pela Vida, reestruturando a consciência do dever, ou despertando para ela. Quando se trata, porém, de gravame severo, são impressos pelo perispírito no ser em formação física os limites e anomalias de natureza genética, propiciadores da expiação compulsória, que funciona como recurso enérgico para a reabilitação do calceta. 

Nada ocorre na vida por acaso ou descuido da Consciência Cósmica impressa na individual. Assim sendo, adquirir consciência, no seu sentido profundo, é despertar para o equacionamento das próprias incógnitas, com o consequente compreender das responsabilidades que a si mesmo dizem respeito. 

O ser consciente é um indivíduo livre e realizador do bem operante, que tem por meta a própria plenitude através da plenificação da Humanidade. 

Alcançar esse nível de entendimento é todo um processo de crescimento interior, mediante constante vigilância e desdobramento das potencialidades adormecidas, que aguardam os estímulos que fomentam o seu despertar e a sua realização. 

Não conscientes das respostas da vida, obedecendo aos automatismos, muitas criaturas permanecem adormecidas em relação aos seus deveres, tornando-se instrumento de sofrimento para si mesmas, como para outros, que lhes experimentam a presença ou delas dependem. 

Uma das finalidades primaciais da reencarnação é a aquisição do amor (afetividade plena), para o crescimento espiritual e o autoaprimoramento (encontro com o Deus interno). 

Vitimado pelos atavismos do desamor, pelos caprichos do egoísmo, o ser fecha-se na rebeldia e passa a sentir dificuldades em espalhar a luz do sentimento do bem, permanecendo indiferente ao seu próximo, mesmo quando ele faz parte do grupo familial. O problema se apresenta mais complexo quando esse mesmo sentimento egoísta registra antipatia ou surda animosidade por alguém do grupo doméstico. Tal reação ocorre em forma de desamor dos pais pelos filhos, desses por aqueles, entre irmãos ou outros membros do ninho doméstico. 

A atitude injustificada faz-se responsável por inúmeros conflitos psicológicos - fobias, insegurança, instabilidade emocional, complexos de inferioridade ou superioridade, soberba, etc. -, e enfermidades orgânicas que aí se instalam. 

A criança tem necessidade de ser amada, protegida, nutrida, orientada, a fim de desenvolver os sentimentos da afetividade, da harmonia, da saúde, do discernimento. Esquecida, momentaneamente, desses valores, que o véu da carne abafa, deve receber de fora - dos pais, da família, da sociedade - os estímulos que lhe propiciem o despertamento desses tesouros para multiplicá-los através dos investimentos da evolução.
 
Quando se sente atendida nessas necessidades, logra com facilidade alcançar os objetivos da reencarnação, devolvendo aos grupos familial e social todas as conquistas ampliadas e felicitadoras. 

Ao experimentar carência, desenvolve quadros patológicos que assumem gravidade a partir da juventude, quando não se tornam pesadas cruzes da fase infantil, exigindo terapias psicossomáticas, espirituais, de natureza moral, a fim de libertar-se da opressão e do desespero que a estiolam. 

Desamada, a criança, o seu inconsciente chama a atenção através de distúrbios do sono — pesadelos, inquietação noturna, choro, insónia -, agressividade e rebeldia, medos e mau desenvolvimento psicofísico. 

O amor é alimento para a vida, que atua nos fulcros do ser e harmoniza os equipamentos eletrônicos do perispírito, responsáveis pela interação Espírito-matéria. A sua vibração acalma e dá segurança, ao mesmo tempo reabastece de forças e vitalidade insubstituíveis. 

Quando o indivíduo se identifica desamado - hoje ou no passado - faz, inconscientemente, um quadro regressivo e descobre que não foi necessariamente nutrido (alimentado pelo amor), passando a experimentar um sentimento de reação através da anorexia nervosa ou inapetência, que pode tornar-se um perigo para a sua saúde. O seu curso pode ser acidental, passageiro ou de largo tempo, gerando graves danos orgânicos. 

De outra forma, pode apresentar reação totalmente contrária e faz uma patologia de voracidade alimentar, a bulimia, em que a insatisfação leva a comer até a exaustão, propiciando perturbações digestivas e nervosas muito complexas. 

Ainda ocorrem, nesse capítulo, os casos de vômitos nervosos, em que o alimento é expelido por automáticas contrações do estômago e pelos distúrbios gástricos, levando o paciente ao enfraquecimento, à desnutrição... 

Indigestão, dispepsia nervosa, diarreia, prisão de ventre fazem parte dessa patogênese decorrente da ausência do amor, no capítulo da reencarnação do Espírito. 

A necessidade de cada um digerir os próprios problemas é indiscutível e inadiável, devendo fazer parte da agenda diária de todo aquele que desperta para a consciência de si, não se permitindo agasalhar conflitos, mesmo que sob hábeis camuflagens do inconsciente.
 
Mediante uma autoanálise honesta, na qual se dispensem o elogio, a condenação e a justificação, o indivíduo deve permitir-se a identificação do erro, do problema, e sem consciência de culpa digerir o acontecimento, buscando os meios para reparação e a libertação do sentimento perturbador.
 
Não são poucos os males orgânicos que defluem das emoções e sentimentos nas áreas da afetividade e do comportamento, que podem ser evitados e solucionados graças a uma atitude de boa vontade para consigo mesmo e para com os outros, permitindo-lhes o direito de serem como são e não conforme gostaria que fossem. 

A cuidadosa autoanálise, sem caráter exigente nem condenatório, abrirá possibilidades inúmeras para o equilíbrio e ajudará a desenvolver a tolerância em relação aos outros, produzindo harmonia interior.
 
Surgem, então, os desejos de recuperação pelo trabalho e bem orientada canalização das energias, que se transformam em dínamos geradores de força, que propiciam saúde, bem-estar e harmonia. 


Joanna de Ângelis








quarta-feira, 16 de junho de 2021

Joanna de Ângelis - Livro Autodescobrimento: Uma Busca Interior - Divaldo P. Franco - Cap 12 - Triunfo sobre o ego - Conquista do Si




Joanna de Ângelis - Livro Autodescobrimento: Uma Busca Interior - Divaldo P. Franco - Cap 12 - Triunfo sobre o ego


Conquista do Si


Todo o empenho humano para um correto amadurecimento psicológico objetiva a conquista do Si, a harmonia  do Eu profundo em relação à sua realidade, à compreensão  do divino e do humano nele existentes, descobrindo a sua  causalidade e entregando-se à fatalidade (de forma consciente) do processo de evolução, que não cessa.  

Trata-se de um imenso programa de conquistas plenificadoras, que foram iniciadas no período de consciência de  sono, passando pelos diversos níveis de progresso e autodescobrimento de forma gratificante e pacífica, sem qualquer  tipo de violência.

À medida que vão sendo fixados os patamares a alcançar, mais amplas perspectivas de triunfo se dilatam no ser, que se identifica com a vida e alça-se aos valores mais expressivos que passa a descobrir e a ter necessidade de vivenciar.  O ego é produção do estado de consciência, portanto,  transitório, impermanente.  

Abandonando as regiões sombrias dos conflitos degenerativos, nos quais o ser se demora por largo tempo, eis  que começa a fruir o bem-estar sem receio, e a alegria, sem  inseguranças, libertado dos conturbadores prêmios e castigos referentes aos atos praticados, a que estava condicionado  pelas imposições sociais e religiosas.

O ego, nesse comenos, cede lugar a outras conquistas,  que repartem júbilos enquanto compartem identificações  realizadoras, e a ausência de angústias como de incertezas  favorece a visão lúcida do sentido existencial da vida.  

Nesse processo de crescimento, de descobertas valiosas, podem ocorrer vários desvios e insucessos psicológicos,  como mecanismos de saudosismo dos dias de inquietação e  incertezas sobre os recentes avanços, como fenômenos naturais para a fixação das novas e relevantes conquistas,

A larga adaptação no vale produz choques desagradáveis quando o ser se instala na montanha, até que logre aclimatar-se. Essa é uma ocorrência comum a todas as formas  de vida, a todos os seres vivos.  

A ânsia de crescimento não tem limite.  

O desconhecimento dos potenciais que podem ser  movimentados para o tentame e para a realização, é que  constitui impedimento para os indivíduos inábeis e imaturos psicologicamente.  

Essa luta que o ego trava, no campo das paixões onde  se movimenta, alimenta-o e vicia o ser, que se compraz nas  imposições que se permite graças às sensações fortes, recheadas de compensações imediatas, características do período  primário da evolução.  

Dessa forma, não se dá conta, imediatamente, das  emoções luarizadoras, desacostumado às suas manifestações, adaptando-se ao psiquismo da mudança das planícies  constritivas para os planaltos refazentes.

Empreendimento de alto significado para o ser inteligente, propõe esforço e decisão para eleger entre o que se  tem e aquilo que se aspira, que pode ser alcançado, eliminando os condicionamentos inquietadores mediante a assimilação de novos, que os substituem, libertadores.  

O ser humano é herdeiro da sua história antropológica, fixado nos atavismos das experiências vivenciadas  durante as fases primevas do seu desenvolvimento. Por ser,  igualmente, psicológico, desdobra todos os potenciais que  possui em latência e arrebenta as amarras ancestrais, a fim  de libertar o Eu adormecido, escravizado aos instintos.

Impõe-se, para o cometimento, todo um curso largo de  realizações pessoais, íntimas, de análise e avaliação de conteúdos, para a eleição daqueles que são imprescindíveis à vitória, em detrimento dos demais, que se apresentam afligentes.  

Disciplinando-se a mente e a vontade, compreendendo-se que a proposta da Vida é a marcha para a Unidade  — sem perda de quaisquer valores conquistados -, o Si desenvolve-se, enquanto o ego desagrega-se.  

Nas fases primeiras, esse ego desempenha papéis relevantes, tais: o da preservação da vida, dos direitos ao prazer  (transitórios), do atendimento das necessidades (fisiológicas), dos valores pessoais. Infelizmente, fixa-se, constritor,  e passa à condição de algoz, dominando as paisagens do ser  e sombreando-as para permanecer em predomínio. Elastecendo-lhe a visão e apontando-lhe o Si, reage com violência  e estertora-se à medida que perde espaço psicológico, até ser  ultrapassado em vitória culminante.  

É semelhante ao heroico triunfo das pândavas sobre  os kauravas, cuja história mística narra o Mababarata, o incomparável poema da índia, constituído por duzentos mil  versos, dos quais apenas a metade é conhecida. Trata-se da  luta entre primos e parentes outros no campo de batalha da  consciência: as virtudes (poucas) e os vícios (muitos), em  sucessivas pelejas até o momento da vitória dos primeiros.  

O ser humano sempre buscou as cumeadas da sensibilidade altruística, conquistando o Espírito, nele real,  mediante a superação dos implementos materiais que lhe  servem de fator preponderante para o desenvolvimento  dos valores preciosos que nele dormem - herança transcendente da sua origem divina, espiritual.

A libertação do Eu profundo ocorre à medida que se  desenfeixa dos desejos - raga (as paixões) do conceito budista —, a fim de alcançar a realização interior.  

Preocupado com a etapa terminal do processo da evolução e com profunda visão psicológica, Allan Kardec interrogou os mensageiros nobres que o assistiam na elaboração  da Doutrina Espírita: 

- O que fica sendo o Espírito depois de sua última  reencarnação?  

E eles responderam: - Espírito bem-aventurado; puro  Espírito.  

O Si profundo, pleno, é semelhante à transparência  que o diamante alcança após toda a depuração transformadora que sofre no silêncio da sua sutilização molecular, libertando-se de toda imperfeição interna por que passa e de  toda a ganga que o reveste.  

Essa conquista é o imenso desafio da evolução dos seres.


Joanna de Ângelis 






VÍDEO:

Triunfo sobre o ego: Conquista de si, Auto Descobrimento de Joanna de Ângelis, cap. 12
Fraternidade Espirita Amor e Luz




Cap 12 do Livro de Divaldo P. Franco, palestra com Fatima de Sousa.


 

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Joanna de Ângelis - Livro Autodescobrimento: Uma Busca Interior - Divaldo P. Franco - Cap. 03 - Consciência e Vida - Item 3 - Consciência e Sofrimento




Joanna de Ângelis - Livro Autodescobrimento: Uma Busca Interior - Divaldo P. Franco - Cap. 03


Consciência e Vida 
Consciência e Sofrimento


O desabrochar da consciência é um trabalho lento e​ ​contínuo, que constitui o desafio do processo da evolução. Inscrevendo no seu âmago a Lei de Deus, desenvolve-se de​ ​dentro para fora a esforço da vontade concentrada, como meta essencial da vida.

Da mesma forma que, para atingir a finalidade, a semente d​e​ve morrer para libertar o vegetal que lhe dorme​ ​em latência, a consciência rompe a obscuridade na qual se​ ​encontra (a inconsciência), para conseguir a plenitude, a potencialidade do Si espiritual a que se destina.

Nesse desenvolvimento inevitável - que se dá durante​ ​a existência física nas várias etapas reencarnacionistas - o sofrimento apresenta-se como o meio natural da ocorrência​ ​evolutiva, constituindo o processus de maturação e de libertação do Espírito, o ser imortal. Enquanto esse fenômeno​ ​não ocorrer, o indivíduo permanecerá mergulhado em um estado de consciência coletiva amorfa, perdido no emaranhado dos instintos primitivos, das paixões primárias, em nível de sono sem sonhos, sem autoidentificação, sem conhecimento da sua realidade espiritual.

Para que possa refletir a luz, a gema experimenta a​ ​lapidação, que a princípio lhe arrebenta a aspereza, facultando-lhe a liberação da ganga até o âmago onde jaz toda​ ​pureza e esplendor.

Em face à sensibilidade de que é constituído, o ser humano também experimenta a purificação mediante a dor,​ ​que gera os sofrimentos psicológicos, físicos e morais, que o​ ​propelem ao aceleramento do esforço de sublimação na qual conseguirá a plenificação.

Diante da ignorância da necessidade de evoluir (estágio de adormecimento da consciência) o sofrimento se lhe apresenta agressivo e brutal, gerando revolta e alucinação.

A medida que aprimora a sensibilidade, ele se faz profundo, sutil, fomentador de crescimento e transformação interior.

Mergulhado na sombra da desidentificação de si mesmo, o ser (embrutecido) não sabe eleger as aspirações éticas e estéticas para a felicidade, perturbando-se na contínua busca do atendimento às necessidades fisiológicas (sensações) em detrimento das emoções psicológicas, que o capacitam​ ​para a conquista do belo, do nobre e do bom.

O despertar da consciência, saindo da obscuridade, do amálgama do coletivo, para a individuação, é acompanhado
pelo sofrimento, qual parto que proporciona o desabrochar​ ​da vida, porém, sob o guante ainda inevitável da dor.

Nesse mecanismo da evolução, cada ato gera um efeito equivalente, que interage em novos cometimentos de que ninguém se pode eximir.

Por ser parte do grupo social, no qual se movimenta​ ​e se desenvolve, influencia-o, querendo ou não, e com este produzindo um envolvimento coletivo, que responde pelo​ ​seu estacionamento ou progresso, conforme favorável ou perturbador seja o conteúdo da sua atividade. 

Como efeito, temos os sofrimentos sociais, dos grupamentos humanos que transitam na mesma faixa de aspirações e interesses.

A reencarnação é lei da vida, impositiva, inevitável,​ ​recurso de superior qualidade para o desenvolvimento do Espírito, esse arquiteto de si mesmo e do seu destino. Dispondo da livre opção ou arbítrio, ele trabalha em​ ​favor da rápida ou lenta ascensão, conforme o comportamento a que se entrega.

Como luz nos refolhos da consciência adormecida o​ ​que deve ou não fazer, cabe-lhe aplicar com correção os impulsos que o propelem ao avanço de acordo com o que deve​ ​ou não realizar, de forma a conseguir a harmonia (ausência​ ​de culpa). Toda vez que se equivoca ou propositadamente​ ​erra, repete a experiência até corrigi-la (provação) e, se insiste teimosamente no desacerto, expunge-o em mecanismos​ ​de dor sem alternativa ou escolha (expiação).

O sofrimento estrutura-se, portanto, nos painéis da​ ​consciência, conforme o nível ou patamar de lucidez em​ ​que se expressa. Do asselvajado, automático, ao martírio​ ​por abnegação; desde o grosseiro e instintivo ao profundo, racional, as tecelagens da noção de responsabilidade trabalham a culpa, que imprime o imperativo da reparação como recurso inalienável de recuperação.

Instalam-se então os conflitos - quando há consciência de culpa - que se transferem de uma para outra reencarnação, dando surgimento aos distúrbios psicológicos que​ ​aturdem e infelicitam; ou desarticulam as sutis engrenagens do corpo perispiritual - o modelo organizador biológico -​ ​propiciando as anomalias congênitas - físicas e psíquicas -, as enfermidades mutiladoras; ou se instalam no ser profundo, favorecendo com as rudes aflições morais, sociais, financeiras, em carmas perturbadores, que dilaceram com​ ​severidade o ser.

Nesse complexo de acontecimentos, o amor é o antídoto eficaz para todo sofrimento, prevenindo-o, diminuindo-o ou mudando-lhe a estrutura.

A fatalidade da Lei Divina é a perfeição do Espírito. Alcançá-la é a proposta da vida. Como conseguir é a opção​ ​de cada qual.

O amor é o sentimento que dimana de Deus e O vincula à criatura, aproximando-a ou distanciando-a de acordo com a resposta que der a esse impulso grandioso e sublime.

Nas suas manifestações iniciais, o amor confunde-se com​ ​os desejos e as paixões, tornando-se fisiológico ou do queixo para​ ​baixo. É egoístico, atormentante, imprevisível, apaixonado...

A medida que a consciência se desenvolve, sem que​ ​abandone as necessidades, torna-se psicológico - do queixo para cima -, mantendo os idealismos, diminuindo a posse,​ ​os arrebatamentos, e superando os limites egoístas. Lentamente ascende à escala superior, tornando-se humanitarista, libertador, altruísta...

Graças à sua ingerência nas ações, o que favorece o​ ​progresso constitui-lhe recurso para alterar as paisagens cármicas do Espírito, modificando os painéis dos sofrimentos​ ​futuros - prevenindo-os, diminuindo-os ou liberando-os - conforme a intensidade da sua atuação. Entretanto, à medida que o ser desperta para a sua realidade interior, o sofrimento muda de expressão e pode tornar-se um instrumento​ ​do próprio amor, ao invés de manter o caráter reparador, qual ocorreu com Jesus Cristo, Francisco de Assis e outros que, sem quaisquer débitos a ressarcir, aceitaram-no, a fim de ensinarem coragem, resignação e valor moral...

Uma atitude mental afável, amorosa é a melhor receita para o sofrimento, porquanto rearmoniza a energia espiritual que vitaliza o corpo, e desconecta as engrenagens das​ ​doenças, que nelas se instalam como efeito dos distúrbios da consciência de culpa, defluente dos atos pretéritos.

A postura amorosa desperta a consciência de si mesmo,​ ​anulando os fluidos perniciosos que abrem campo à instalação das doenças incuráveis, portanto, dos sofrimentos dilaceradores.

A energia gerada por uma consciência em paz, favorável ao desdobramento do sentimento de amor profundo, é responsável pela liberação do sofrimento. Mesmo que, momentaneamente, as suas causas permaneçam, ele se torna um estímulo positivo para maior crescimento íntimo, não​ ​se fazendo afligente, embora um espinho na carne, como asseverou o apóstolo Paulo, advertindo e guiando os movimentos na direção da meta final.

Desse modo, diante dos carmas extremos, o amor é​ ​o recurso exato para trabalhar a Lei de Compensação ou de Causa e Efeito, alterando-a para melhor ou dando-lhe o sentido da felicidade.


Joanna de Ângelis