Miramez - Livro Cristos - João Nunes Maia - Cap. 22
Cristo-Bondade
"Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram." — PAULO (Romanos, 12:15)
A bondade é sinal de elevação espiritual, entretanto, carece de alguns reparos, quando demonstra exagero, por tudo ceder sem examinar.
A justiça é ponto alto diante de todas as virtudes, pois, pesa erros e qualidades para decidir, procurando o equilíbrio, como o fiel da balança.
Cristo pedia para alegrarmos, quando deparávamos com pessoas alegres, mas recomendou detestar o mal, pela boca de Paulo.
A alegria que devemos multiplicar é aquela provinda de fontes cristãs, assim como o choro, que devemos partilhar com aqueles que choram de prazer no bem, de amor a Deus e a tudo, que choram de felicidade interior pelo dever cumprido.
Se queremos ser um apóstolo da bondade, precisamos estudar e meditar os meios de fazer os outros felizes, nas normas da felicidade verdadeira, aquela que ama não somente aos seus parentes e amigos, mas que estende esse amor a humanidade inteira.
Se desejamos beneficiar, pela nossa bondade, todos os povos, não deixemos que a tristeza invada nosso coração, pois ela irradia força negativa mais poderosa que as modernas bombas.
Se queremos espalhar indulgências por todo o mundo, vejamos nos outros somente o bem, e propaguemos as virtudes que os nossos semelhantes possuem.
Se interessamos pela afabilidade entre os homens, cultivemos a delicadeza sem a estreiteza da escolha, e avancemos como um sol a iluminar a todos, como a chuva e o vento, que não escolhem quem vai ser o beneficiado...
A bondade é capaz de transformar um inimigo em amigo, um ambiente depressivo em clima de luz, desde que ela seja regulada pelo bom senso.
Todo espírito bom tem algo dentro de si que faz lembrar o céu, e quando essa bondade é cultivada no desapego, ela se transmuta em amor, pela força da alquimia divina deste mesmo amor.
A cortesia é o embrião da caridade, que traz por natureza, o perfume do Evangelho de Jesus e aquele que a esplende todos os dias tomar-se-á um gigante na condescendência, ajudando criaturas e ampliando fatos.
Cristo-Bondade está em todas as religiões do mundo, filosofias e ciências da Terra, trabalhando em silêncio, procurando entrar nos corações que já apresentam maturidade e não escolhem lugares apropriados para manifestar seus valores espirituais.
Abramos pequena fresta que seja da porta do nosso palácio interno e veremos que por ela entrará o Mestre da bondade, que nos ensinará a beneficência mais alta, pela brandura dos modos de viver e pela complacência de uma Alma que já alcançou a tranquilidade dos santos.
A bondade é mansidão expelindo estrelas vivas do próprio céu da boca, é energia educada que sustenta a alegria confiante.
Para ser bom, nos diz a experiência, é imprescindível o começo.
Começar por atos simples, mas elevados, que dignificam o labor.
O quadro de pintura mais perfeito do mundo foi feito de pincelada a pincelada, de minuto a minuto de dedicação, consumindo horas e mais horas de esforços, e nesta sequência, surgiu o fenómeno da imagem idealizada pelo artista.
Eis que a bondade cristã não foge a regra, obedecendo as mesmas leis: comecemos a falar coisas boas todos os dias, e cada vez mais, que os minutos, horas, dias e anos, levar-nos-ão ao milagre que, para o sábio, é comum, de somente conversar coisas agradáveis, que a consciência aprova, com que o coração se alegra, pelo amor que é doado com satisfação.
E nesta naturalidade do bem em nós, poderemos cumprir esse pedido do apóstolo aos Romanos:
Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram.
Miramez
Fonte: Cristos

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