sábado, 13 de junho de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Rumos Libertadores - Divaldo Pereira Franco - Cap. 2 - Entusiasmo e ação consciente



Joanna de Ângelis - Livro Rumos Libertadores - Divaldo Pereira Franco - Cap. 2


Entusiasmo e ação consciente
 

(Estudo: *Cap. I — Item 10.)

O êxito que te explode n'alma em canção de alegria, não te constitua fermento de vaidade. Recorda o ensino de Jesus, quando afirma: "Digno é o trabalhador do seu salário", estimulando-te a produzir mais.

Os comovedores resultados que se te manifestam, em razão do dever bem cumprido, não se te transformem em perniciosa autossuficiência. Medita no conceito do Mestre, ao asseverar: "Mais se pedirá àquele que mais recebeu".

Os aplausos que te servem de medida para avaliação do labor que ofertas, não se te transformem em emulação à soberbia. Tem em mente a lição do Cristo, quando esclarece: "Os primeiros serão os últimos".

A emoção dos amigos que te cercam de carinho, mimoseando tua alma em face dos compromissos retamente atendidos; não devem conduzir-te à invigilância. Atenta para a palavra do Divino Amigo, quando adverte: "Quem desejar ser o maior, faça-se o servo do menor entre todos".

As palavras encomiásticas que soam aos teus ouvidos, expressando o entusiasmo daqueles que participam da tua realização cristã, não se te transformem em bafio pestilento ou morbo anestesiante da razão. Fixa a sábia palavra do Excelso Benfeitor, a esclarecer: "Quando eu for erguido (na cruz) atrairei todos a mim".

A excitação, que decorre dos primeiros tentames bem sucedidos, não te sirvam de impulso para a precipitação intempestiva, através de labores que estão acima das tuas possibilidades. Reflexiona na grave advertência do Filho de Deus, quando exclama: "A cada dia bastam os seus males".

A aparente chegada ao ápice das atividades abraçadas não te expresse o momento de parar para o falso justo repouso. Aprofunda-te na oportuna mensagem do Construtor sublime, quando afiança: "O Pai até hoje trabalha e eu também trabalho".

Os elogios, com que comentam os teus feitos, não se convertam em pressupostas verdades para ti. Pensa no lapidar ensinamento do Senhor, quando acentua: "Estreito é o caminho da salvação e apertada é a porta".

Na alegria ou na tristeza consulta os "ditos de Jesus", a fim de que não te equivoques, nem enganes a ninguém.

O investimento em favor da tua libertação espiritual é para toda a vida.

O êxito passa, os aplausos cessam, os júbilos transitam, os encómios se transferem de ídolos, a emoção exacerbada cansa, as alturas atemorizam, porém, a ação incessante e silenciosa do bem não produz amargura nem decepciona jamais, prosseguindo como termômetro capaz de medir a temperatura moral do bom servidor e dar-lhe a necessária qualidade do seu esforço.

Se te sentes ligado ao bem em favor do teu próximo, não te deixes corromper pelas transitórias fantasias, nem induzas pessoa alguma ao erro, mediante as técnicas da mentira ou da insinuação infeliz.

Cumpre com o teu dever, ignorando as bajulações equivocadas e insistindo em reconhecer que sem o Cristo nada és, nada significas, n'Ele tudo podendo, conforme Paulo declarava com formosa humildade e convicção.


Joanna de Ângelis










*O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. I — Não vim destruir a Lei

10. Um dia, Deus, em sua inesgotável caridade, permitiu que o homem visse a verdade varar as trevas. Esse dia foi o do advento do Cristo. Depois da luz viva, voltaram as trevas. Após alternativas de verdade e obscuridade, o mundo novamente se perdia. Então, semelhantemente aos profetas do Antigo Testamento, os Espíritos se puseram a falar e a vos advertir. O mundo está abalado em seus fundamentos; reboará o trovão. Sede firmes!

O Espiritismo é de ordem divina, pois que se assenta nas próprias leis da natureza, e estai certos de que tudo o que é de ordem divina tem grande e útil objetivo. O vosso mundo se perdia; a ciência, desenvolvida à custa do que é de ordem moral, mas conduzindo-vos ao bem-estar material, redundava em proveito do espírito das trevas. Como sabeis, cristãos, o coração e o amor têm de caminhar unidos à ciência. O reino do Cristo, ah! passados que são dezoito séculos e apesar do sangue de tantos mártires, ainda não veio. Cristãos, voltai para o Mestre, que vos quer salvar. Tudo é fácil àquele que crê e ama; o amor o enche de inefável alegria. Sim, meus filhos, o mundo está abalado; os bons Espíritos vo-lo dizem sobejamente; dobrai-vos à rajada que anuncia a tempestade, a fim de não serdes derribados, isto é, preparai-vos e não imiteis as virgens loucas, que foram apanhadas desprevenidas à chegada do esposo.

A revolução que se apresta é antes moral do que material. Os grandes Espíritos, mensageiros divinos, sopram a fé, para que todos vós, obreiros esclarecidos e ardorosos, façais ouvir a vossa voz humilde, porquanto sois o grão de areia; mas, sem grãos de areia, não existiriam as montanhas. Assim, pois, que estas palavras “Somos pequenos” — careçam para vós de significação. A cada um a sua missão, a cada um o seu trabalho. Não constrói a formiga o edifício de sua república e imperceptíveis animálculos não elevam continentes? Começou a nova cruzada. Apóstolos da paz universal, e não de uma guerra, modernos São Bernardos, olhai e marchai para frente; a lei dos mundos é a do progresso.

11. Santo Agostinho é um dos maiores vulgarizadores do Espiritismo. Manifesta-se quase por toda parte. A razão disso, encontramo-la na vida desse grande filósofo cristão. Pertence ele à vigorosa falange dos Pais da Igreja, aos quais deve a cristandade seus mais sólidos esteios. Como vários outros, foi arrancado ao paganismo, ou melhor, à impiedade mais profunda, pelo fulgor da verdade. Quando, entregue aos maiores excessos, sentiu em sua alma aquela singular vibração que o fez voltar a si e compreender que a felicidade estava alhures, que não nos prazeres enervantes e fugitivos; quando, afinal, no seu caminho de Damasco, também lhe foi dado ouvir a santa voz a clamar-lhe: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” exclamou: “Meu Deus! Meu Deus! perdoai-me, creio, sou cristão!” E desde então tornou-se um dos mais fortes sustentáculos do Evangelho. Podem ler-se, nas notáveis confissões que esse eminente Espírito deixou, as características e, ao mesmo tempo, proféticas palavras que proferiu, depois da morte de Santa Mônica: Estou convencido de que minha mãe me virá visitar e dar conselhos, revelando-me o que nos espera na vida futura. Que ensinamento nessas palavras e que retumbante previsão da doutrina porvindoura! Essa a razão por que hoje, vendo chegada a hora de divulgar-se a verdade que ele outrora pressentira, se constituiu seu ardoroso disseminador e, por assim dizer, se multiplica para responder a todos os que o chamam.

Erasto, discípulo de S. Paulo.
Paris, 1863.










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