quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Emmanuel - Livro Intervalos - Chico Xavier - Cap. 8 - Fé, trabalho e merecimento



Emmanuel - Livro Intervalos - Chico Xavier - Cap. 8


Fé, trabalho e merecimento


A fé vitoriosa é aquela que procura no trabalho o merecimento indispensável à realização que pretende atingir.

Esperança ociosa é simples divagação.

Vejamos o ensinamento expressivo da Natureza, a fim de que não nos demoremos sob a neblina das fantasias e dos sonhos, retardando o próprio passo, indefinidamente, no vale escuro da indecisão.

A semente decerto guarda consigo o plano precioso da árvore veneranda que será um dia, mas, para isso, aceita a humilhação de si mesma na intimidade do solo, e, desde a própria germinação, não perde tempo em digressões descabidas, de vez que aproveita o sol e a chuva, o orvalho e o vento para crescer, florir e frutificar, sem repouso.

A fonte, sem dúvida, conserva em seu nascedouro o projeto sublime de arrojar-se à excelsitude do oceano, entretanto, para equacionar semelhante problema, não se imobiliza no viciado espelho do charco. Avança, humilde e resignada, beneficiando montes e planícies, plantas e animais, aderindo aos ribeiros e aos rios, em cujo seio abençoado e fecundo atinge a serenidade gloriosa do mar imenso.

Tudo, na vida universal, é harmonia que decorre do trabalho vivido, em sua mais elevada expressão.

Todos os seres irmanam-se, uns aos outros, no plano gigantesco da perfeição que nos escapa, por agora, em sua visão magnificente de conjunto, e, para escalarmos os domínios da felicidade e da luz, é imprescindível atender à função que nos compete, no mecanismo da existência.

Se procuras, assim, entesourar a fé, não acredites possas fazê-lo, namorando altares de pedra ou cultivando exclusivismo que será sempre adoração a nós mesmos nas linhas congeladas do menor esforço.

Busquemos o lugar de serviço que o mundo nos reserva.

Esqueçamos conveniências pessoais e apelos inferiores que nos compelem a viver entre os tóxicos letais do tempo perdido.

Lembremo-nos de que a vela acesa dentro da noite é infinitamente mais valiosa que o lustre de ouro e diamantes, lamentavelmente apagado.

Trabalhemos hoje para merecer amanhã.

E, nesse programa de crescimento espiritual para a eternidade, a fé viva será luz do Senhor brilhando no templo de nossa alma, valendo-se do divino combustível de nosso próprio coração.


Emmanuel












Meimei - Livro Deus Aguarda - Chico Xavier - Cap. 17 - Toque de luz



Meimei - Livro Deus Aguarda - Chico Xavier - Cap. 17


Toque de luz


Talvez não saibas que, em plena luz do dia, inúmeros irmãos nossos se movimentam de alma em sombra.

Observa.

Dialogarás com eles e perceberás que, psicologicamente, se mostram longe.

No entanto, às vezes, não são simplesmente monossilábicos, mas também duramente agressivos.

Renteando com eles, recorda que, em muitas ocasiões, na Terra, nos sentimos divididos entre o apreço que devemos aos outros e o sofrimento que carregamos em nós. 

A noite na alma decorre de causas diversas. Em alguns companheiros, procede do pessimismo com que rejeitam as provações que se lhe fazem precisas; em outros, nasce dos conflitos que sustentam consigo próprios.

Terás pessoas amigas que te ouvem, atendendo à cortesia, mas trazendo os sentimentos em tribulações inconfessáveis; e surpreenderás, ainda outras, que te respondem a essa ou aquela questão proposta, sem a mínima percepção dos temas aos quais te vinculas, em vista de se acharem completamente votadas ao desespero.

Às vezes, semelhantes companheiros, quebrados de dor, a dentro deles próprios, permanecem junto de ti.

Localizar-se-ão, provavelmente, entre aqueles que mais amas.

Quando te vejas à frente de criaturas assim desoladas, a se esforçarem para que não lhes anotes os processos de angústia, não lhes revolvas o fel com perguntas e apontamentos desnecessários.

Ouve-lhes as confidências sofridas e silencia quando não lhes possas doar alguma frase de esperança e consolo.

E seja qual for o quadro de provações em que se debatam, oferece-lhes um gesto de amizade e compreensão, acrescido pela bênção de um sorriso, porque para dissipar as sombras de um coração atormentado, muitas vezes, basta isso, porque um sorriso de simpatia é sempre um toque de luz.


Meimei












Emmanuel - Livro No Portal da Luz - Chico Xavier - Cap. 18 - Corpo físico



Emmanuel - Livro No Portal da Luz - Chico Xavier - Cap. 18


Corpo físico


Alguns daqueles que abordam a luz renovadora dos princípios espíritas, deslumbram-se diante das perspectivas do Universo, enternecem-se com as revelações da imortalidade, capacitam-se da grandeza da vida e, quase sem perceber, se alheiam do corpo físico que lhes serve de bendito instrumento ao desempenho de valiosos encargos na estância terrestre. 

Há mesmo quem chegue a desprezá-lo, no pressuposto de que semelhante comportamento lhes abrevia o trabalho de burilamento moral.

Simples ilusão dos que se ausentam da lógica que orienta os processos da natureza.

Antes que o pão abrilhante a mesa, o trigo que lhe deu forma passou pelo claustro materno da terra benfazeja, a fim de constituir-se.

No mesmo sentido, que adiantaria ao aluno de letras primárias frequentar a universidade, claramente sem bases para assimilar as lições dos cursos superiores?

A cela física, na escola do planeta, é a carreira de estudo ou o cubículo de retificação que nos patrocina o progresso. Abençoá-la, conservá-la, auxiliá-la e preservá-la, através de hábitos baseados em equilíbrio e retidão, nos quais os recursos da existência sejam usados sem excessos, é simples dever.

Geralmente, muitos de nós somente nos aperceber-nos da preciosidade de uma bênção depois que essa mesma bênção nos escapa das mãos.

É assim que, muito comumente, apenas quando caímos na enfermidade irreversível ou após ultrapassar as fronteiras da desencarnação é que atribuímos ao corpo físico a importância de que ele se reveste.

Não esperes o sofrimento para bendizer a felicidade perdida. Trabalha, realiza, procura o bem e aperfeiçoa-te agora. É pelo corpo físico que entesouramos experiências de subido valor para a eternidade.

Ampara teu corpo para que teu corpo te ampare. Se robusto, não lhe dissipes em vão as energias e agradece-lhe o equilíbrio de que desfrutas. Se doente ou mutilado, defeituoso ou inibido, agradece-lhe o ensejo de reajuste.

Teu corpo é o livro em que aprendes na escola da vida. Não lhe fujas ao apoio do trabalho, nem à luz da lição.


Emmanuel














terça-feira, 29 de setembro de 2026

Emmanuel - Livro Vereda de Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 17 - Fé



Emmanuel - Livro Vereda de Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 17


Fé


"Porque onde está o teu tesouro, aí está também o teu coração." (Mateus, 6:21).


A fé vive na base das nossas mínimas operações de cada dia e, por isso mesmo, amplia os horizontes de nossa alma, na medida de nosso esforço dentro da sublimação íntima.

O homem confia nas vias gástricas e alimenta-se com êxito. Apoia-se nos pés e caminha desassombrado. Espera o concurso das mãos e trabalha com habilidade. Conhece o valor do pensamento e influencia milhões de pessoas com a palavra falada ou escrita. Atende às leis naturais, que lhe orientam a experiência no corpo, e consegue estabilidade física por muitos anos.

Tudo na existência é serviço da fé viva em poderes que não vemos e em cousas que podemos analisar.

É por essa razão que, além da Terra, cada criatura encontra aquilo que cultivou.

O avarento, exclusivamente entregue ao dinheiro, receberá em miragens de ouro, a sua desventura infernal.

O viciado, que se consagrou a sensações mentirosas da carne, achará no desejo insatisfeito a tortura de cada instante.

O criminoso, que se rendeu à violência, viverá entre os quadros escuros em que fixou os pensamentos delituosos.

O espírito inerte, que se devotou à ociosidade, reconhecer-se-á na paisagem fria e desolada dos que se relegaram à retaguarda de preguiça ou desânimo.

Não te canses de procurar a bondade e a beleza, a virtude e a sabedoria, a luz e o amor, cultivando-os sem descansar, porque o homem, que procura os cimos da montanha, domina a paisagem, compreendendo o infinito em que nos movemos na direção do Senhor, criando visão nova para novos surtos de espiritualidade santificante, de vez que, no bem ou no mal, na Terra ou fora dela, viveremos onde, pela fé, estivermos situando o próprio coração. 


Emmanuel














Emmanuel - Livro Mãos Unidas - Chico Xavier - Cap. 31 - Paciência e trabalho



Emmanuel - Livro Mãos Unidas - Chico Xavier - Cap. 31


Paciência e trabalho


Auxílio se baseia na comunicação e toda comunicação a fim de expressar-se roga caminho. Isso transparece dos processos mais simples da vivência comum.

O medicamento, via de regra, pede veículo para alcançar os mais entranhados redutos da vida orgânica.

Fontes garantem cidades reclamando redes de canalização.

A força elétrica para ser alavanca de atividade e progresso exige fios transmissores.

E até mesmo o próprio pensamento materializado, no Plano Físico, para atingir a mente alheia necessita acomodar-se em estruturas verbais.

O amparo do Mundo Superior não foge ao sistema.

Paciência com trabalho é o clima indispensável à intervenção da Providência Divina pelos meios imprevisíveis e múltiplos em que a Divina Providência se manifesta.

Observa semelhante lição por ti mesmo.

Ante problemas que aparecem se te perdes no desespero sem pausa ou se recolhes obstáculos cozinhando-os indefinidamente na queixa, nada mais consegues senão tumultuar a própria experiência, impedindo a presença da tranquilidade imprescindível ao apoio da Vida Maior.

Quando sofrimentos e provações te batam à porta, refugia-te na paciência e no trabalho e verificarás que agentes ocultos colaboram eficientemente contigo na supressão de quaisquer dificuldades e sombras.

Lembremo-nos disto: sem paciência com trabalho nenhuma obra de elevação se consolida, mas é importante salientar que o trabalho sem a paciência pode induzir a desequilíbrio, tanto quanto a paciência sem trabalho pode favorecer a ociosidade.

Em todas as circunstâncias, serve e espera sempre sem reclamar e adquirirás a certeza de que com a paciência conjugada ao trabalho oferecerás constantemente o melhor de ti mesmo em louvor do próximo para receber o melhor dos outros, sem nunca atrapalhar o concurso de Deus.


Emmanuel














Lancellin - Livro Cirurgia Moral - João Nunes Maia - Cap. 27 - Sê Amável



Lancellin - Livro Cirurgia Moral - João Nunes Maia - Cap. 27


Sê Amável


É nosso dever, em todas as horas das nossas conversações com os outros, demonstrar educação. O modo de falar denuncia o que somos para quem nos ouve. Sejamos amáveis no que devemos dizer, e quem nos escuta irá nos devolver a mesma harmonia que ofertamos através da cordialidade com que o tratamos.

O homem estouvado é sempre relegado ao esquecimento pelos companheiros e recebe o preço da sua ignorância pela solidão. Não queiras ser um destes sofredores que estimulam instintos inferiores no trato com os outros. Aprende a conversar amavelmente com quem te procura ou com aqueles que te amam. Se tu não fazes força para melhorar moralmente, nem te esforças para o aprimoramento da tua conduta, permaneces morto, e essa morte é das piores, um suicídio que praticas conscientemente.

Nós somos todos enfermos e poucos têm vontade de curar-se. Alegam a cruz pesada nos ombros, porém, permanecem parados, e aí ela pesa mais. O movimento é princípio de libertação. Andemos com os nossos fardos sem reclamar, que eles se tornarão leves. Mesmo que as dores nos imobilizem em cima de um catre, mostremos fortaleza espiritual e deixemos, nas nossas conversações, transparecer o amor e a gratidão por todos os que estão nos ajudando a melhorar.

A dor, os problemas, enfim, todos os tipos de infortúnios, vêm nos provar o que aprendemos. Estamos constantemente com a cabeça cheia de teorias de todas as formas.

Estamos com os ouvidos carregados de conceitos e com a consciência amontoando um celeiro de advertências. Entretanto, esquecemo-nos da melhor parte: a vivência. E quando ela demora a aparecer, surge na pauta da nossa vida a dor, com inúmeras modalidades, para que despertemos o jovem dentro do ancião. Se alguém te serve um copo de água que seja, agradece amavelmente, porque, naquele ato de servir e ser servido há trocas de energias sutis que passam despercebidas pela razão, mas que a intuição aprimorada registra.

Demonstrar educação para com os nossos amigos não é muita vantagem; é dever, pelas reverências deles para conosco. A grandeza da disciplina é testada diante daqueles que nos ofendem e nos desagradam. Amplia o teu poder de tolerar, mas sem chegares à conivência. O bom senso te indicará os limites a que podes chegar sem desestimular o desequilíbrio.

Desfruta da alegria, pois esse dom não precisa ser comprado; ele pode despertar em teu coração. Faze da tua mente uma força a desvendar mistérios, mas aqueles mistérios que ajudam a viver melhor. Não te esqueças da gentileza em todos os aspectos que refletem o Amor, porque cada conquista, em se tratando de virtudes, é uma operação moral que estás fazendo no teu mundo interno e cada passo que deres neste sentido será um reflexo de luzes que se acendem no teu universo interior, buscando e harmonizando com a criação e vivendo a mesma paz que vive o Senhor de todos nós.

Se, por vezes, a educação te faltar na comunicação com os teus semelhantes, é preferível que cales a boca, sem deixar de trabalhar por dentro para desfazeres os impulsos de inferioridade. Não deves esquecer a oração, nestes momentos. Ela ajuda a serenar todas as tempestades que possam nos arruinar.


Lancellin

















Emmanuel - Livro Bênção de Paz - Chico Xavier - Cap. 5 - Mudança e proveito



Emmanuel - Livro Bênção de Paz - Chico Xavier - Cap. 5


Mudança e proveito


“… Assim também andemos nós em novidade de vida.” — PAULO (Romanos, 6:4)

Criaturas existem que se confessam dedicadas ao espírito de mudança que a vida exige de cada um, e tão somente por se referirem a isso alteram obrigações assumidas, logo ao se sentirem incomodadas por singelos motivos de feição pessoal.

Mal começam ação determinada, ou em meio da empresa edificante a que se consagraram, se experimentam o impacto de pequeninos contratempos, asseveram que é preciso mudar para progredir, relegando a outrem problemas e encargos que lhes competem.

Semelhante atitude, porém, resulta simplesmente de insatisfação e imaturidade.

Renovação não é alterar o caminho, porque estejamos sob as consequências de ajustes e decisões abraçados por nós mesmos, com vistas à nossa melhoria espiritual; muito mais que isso, é aceitar varonilmente as ocorrências adversas, os golpes da estrada, os desafios da prova e as crises da existência, incluindo as mudanças a que penúria, abandono, enfermidade ou desencarnação nos constranjam, procurando servir mais e melhor no plano de evolução e trabalho em que a Providência Divina nos colocou.

Transformação permanente por dentro, metamorfose da alma que encerra consigo bastante poder para transfigurar dificuldade em lição e sombra em luz.

Paulo de Tarso, que tanta vez nos impele à renovação, converteu cada dia em trilha mais alta de acesso à confiança no Senhor e ao serviço em favor do próximo, sem renunciar aos sacrifícios pessoais que a obra esposada lhe impunha.

Reformemos sentimento, ideia, observação, expressão e discernimento, descerrando portas e janelas sempre novas em nosso mundo íntimo, para que a vida nos acrescente os recursos de conhecimento, receptividade, visão e interpretação — mas sejamos fiéis aos nossos compromissos até ao fim.


Emmanuel












(Reformador, janeiro 1965, página 2)