quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 87 - Por que dormis?



Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 87


Por que dormis?


“E disse-lhes: Por que estais dormindo? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação.” — (LUCAS, 22.46)


Nos ensinos fundamentais de Jesus, é imperioso evitar as situações acomodatícias, em detrimento das atividades do bem.

O Evangelho de Lucas, nesta passagem, conta que os discípulos “dormiam de tristeza”, enquanto o Mestre orava fervorosamente no Horto.

Vê-se, pois, que o Senhor não justificou nem mesmo a inatividade oriunda do choque ante as grandes dores.

O aprendiz figurará o mundo como sendo o campo de trabalho do Reino, onde se esforçará, operoso e vigilante, compreendendo que o Cristo prossegue em serviço redentor para o resgate total das criaturas.

Recordando a prece em Getsêmani, somos obrigados a lembrar que inúmeras comunidades de alicerces cristãos permanecem dormindo nas convivências pessoais, nos mesquinhos interesses, nas vaidades efêmeras. 

Falam do Cristo, referem-se à sua imperecível exemplificação, como se fossem sonâmbulos, inconscientes do que dizem e do que fazem, para despertarem tão só no instante da morte corporal, em soluços tardios.

Ouçamos a interrogação do Salvador e busquemos a edificação e o trabalho, onde não existem lugares vagos para o que seja inútil e ruinoso à consciência.

Quanto a ti, que ainda te encontras na carne, não durmas em espírito, desatendendo aos interesses do Redentor. Levanta-te e esforça-te, porque é no sono da alma que se encontram as mais perigosas tentações, através de pesadelos ou fantasias.


Emmanuel








Emmanuel - Livro Material de Construção - Chico Xavier - Cap. 5 - Doação e atitude



Emmanuel - Livro Material de Construção - Chico Xavier - Cap. 5


Doação e atitude


Coloca o próprio coração na dádiva que fizeres.

Reveste de amor as tuas ações de bondade a fim de que os irmãos, caídos em penúria, se levantem ao toque de tua influência e nunca se vejam ofuscados ou deprimidos, diante das virtudes que, porventura, possas demonstrar.

Foi o apóstolo Paulo quem proclamou com sabedoria:

— “E ainda que eu distribua todos os meus bens, entre os necessitados, se não tiver caridade, nada disso me aproveitará.” (1, Coríntios 13.3)


Emmanuel











Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 179 - Entendamos servindo



Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 179


Entendamos servindo


“Porque também nós éramos noutro tempo insensatos.” — Paulo. (TITO, 3.3)


O martelo, realmente, colabora nos primores da estatuária, mas não pode golpear a pedra, indiscriminadamente.

O remédio amargo estabelece a cura do corpo enfermo, no entanto, reclama ciência na dosagem.

Nem mais, nem menos.

Na sementeira da verdade, igualmente, é indispensável não nos desfaçamos em movimento impensado.

Na Terra, não respiramos num domicílio de anjos.

Somos milhões de criaturas, no labirinto de débitos clamorosos do passado, suspirando pela desejada equação.

Quem ensina com sinceridade, naturalmente aprendeu as lições, atravessando obstáculos duros.

Claro que a tolerância excessiva resulta em ausência de defesa justa, entretanto, é inegável que para educarmos a outrem, necessitamos de imenso cabedal de paciência e entendimento.

Paulo, incisivo e enérgico, não desconhecia semelhante realidade.

Escrevendo a Tito, lembra as próprias incompreensões de outra época para justificar a serenidade que nos deve caracterizar a ação, a serviço do Evangelho Redentor.

Jamais atingiremos nossos objetivos, torturando chagas, indicando cicatrizes, comentando defeitos ou atirando espinhos à face alheia.

Compreensão e respeito devem preceder-nos a tarefa em qualquer parte.

Recordemos nós mesmos, na passagem pelos círculos mais baixos, e estendamos braços fraternos aos irmãos que se debatem nas sombras.

Se te encontras interessado no serviço do Cristo, lembra-te de que Ele não funcionou em promotoria de acusação e, sim, na tribuna do sacrifício até à cruz, na condição de advogado do mundo inteiro.


Emmanuel












Emmanuel - Livro Paz - Chico Xavier - Cap. 13 - Benevolência em ação



Emmanuel - Livro Paz - Chico Xavier - Cap. 13


Benevolência em ação


Usa a benevolência tanto quanto puderes, recordando que todos somos necessitados de tolerância.

Ainda mesmo em se tratando de nós outros, os companheiros desencarnados, estamos ainda em áspera luta, por dentro de nós mesmos, buscando a luz do autoaperfeiçoamento.

Muito longe da condição angélica, todos nos amontoamos no pátio das necessidades espirituais, contando com o amparo e a compreensão uns dos outros, a fim de conseguirmos atingir a solução de nossos problemas.

Por isto mesmo, conscientes de nossas próprias realidades, quando estivermos com a palavra em casa, na rua, nos diálogos de serviço ou nos cenáculos da fé, aprendamos a esquecer o mal semeando o bem, para que o bem se fixe entre nós.

Não te reportes a conflitos, a fim de que a paz se estabeleça.

Não condenes os irmãos que suponhas caídos na estrada, porque não sabes se amanhã estarás nas dificuldades em que se encontram.

Desfaze-te de qualquer ideia de racismo e separação, para que a fraternidade te ilumine os pensamentos.

Abstém-te de cultivar ressentimentos e ódios, para que o amor não se te mantenha distante do próprio ambiente.

Evita salientar a delinquência e a crueldade, de modo a que não se te transforme o verbo nessa ou naquela indução infeliz, em algum dos cérebros que te escutam.

Sejamos irmãos uns dos outros, respeitando os opositores que, porventura, não nos compreendam.

E se observarmos irmãos positivamente errados, anotemos as qualidades nobres que já possuem e procuremos vê-los ou interpretá-los através do melhor que nos apresentem, lembrando-nos de que o amor infinito de Deus nos tolera a todos, doando-nos, a cada um, a bênção do tempo, dentro da qual, seguindo de prova em prova e de experiência em experiência, ser-nos-á possível adquirir o passo firme e certo na conquista da perfeição.


Emmanuel











Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 35 - Caridade e tolerância



Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 35


Caridade e tolerância


Cap. XXXI - Dissertação XIII.


Milhares de criaturas esperavam-no coroado de louros, numa carruagem de glória.

Ele, o Grande renovador, deveria surgir numa apoteose de exaltação individual.

O trono dourado.

O cetro imponente.

O laurel dos triunfadores.

A túnica solar.

Os olhos injetados de orgulho.

O verbo supremo.

A exibição de riquezas.

Os espetáculos de poder.

A escolta angélica.

As sentenças inapeláveis.

Jesus, porém, caminha entre os homens, à maneira de servidor vulgar, de vilarejo em vilarejo.

Veste-se conforme as usanças dos que o cercam.

Apostoliza em lares e barcos emprestados.

Ouve atenciosamente mulheres consideradas desprezíveis.

Atende a homens conhecidos por malfeitores.

Serve-se à mesa de pessoas classificadas como indignas.

Abraça crianças desamparadas. Socorre doentes anônimos.

Acolhe a todos por amigos, a ponto de aceitar como discípulo aquele que desertaria, dominado pela ambição. Recebe remoques e injúrias de quantos lhe exigem sinais do espírito.

E parte do mundo, banido, entre ladrões, sob violência e sarcasmo; no entanto, em circunstância alguma condena ou amaldiçoa, mas sim suporta e ajuda sempre, respeitando nos seus ofensores filhos de Deus que o tempo renovará.

Também na Doutrina Espírita, indene de todo cárcere dogmático, a indagação campeia livremente.

Cristianismo redivivo, qual acontecia na época da presença direta do Senhor, junto dela hoje enxameiam, de mistura com os corações generosos que amam e auxiliam, as antigas legiões dos desesperados, dos escarnecedores, dos indecisos, dos investigadores contumazes, dos inquisidores da opinião, dos perseguidores gratuitos, dos gênios estéreis, dos cépticos frios e dos ignorantes sequiosos de privilégios, por doentes da alma…

Entretanto, se Jesus, que foi o Embaixador Divino, para manter-se ligado à Esfera Superior exerceu a caridade e a tolerância em todos os graus, como fugir delas, nós, Espíritos endividados perante a Lei, necessitados do perdão e do amparo uns dos outros?

É por isso que, em nossas atividades, precisamos todos de obrigação cumprida e atitude exata, humildade vigilante e fé operosa, com a caridade e a tolerância infatigáveis para com todos, sem desprezar a ninguém.


Emmanuel





*O Livro dos Médiuns - 2ª Parte - Das manifestações espíritas - Cap. 31 - Dissertações espíritas - Sobre os médiuns. Dissertação XIII.

Quando quiserdes receber comunicações de bons Espíritos, importa vos prepareis para esse favor pelo recolhimento, por intenções puras e pelo desejo de fazer o bem, tendo em vista o progresso geral. Porque, lembrai-vos, que o egoísmo é causa de retardamento a todo progresso. Lembrai-vos de que se Deus permite que alguns dentre vós recebam o sopro daqueles de seus filhos que, pela sua conduta, souberam fazer-se merecedores de lhe compreender a infinita bondade, é que ele quer, por solicitação nossa e atendendo às vossas boas intenções, dar-vos os meios de avançardes no caminho que a ele conduz. Assim, pois, médiuns! aproveitai dessa faculdade que Deus houve por bem conceder-vos. Tende fé na mansuetude do nosso Mestre; ponde sempre em prática a caridade; não vos canseis jamais de exercitar essa virtude sublime, assim como a tolerância. Estejam sempre as vossas ações de harmonia com a vossa consciência e tereis nisso um meio certo de centuplicardes a vossa felicidade nessa vida passageira e de preparardes para vós mesmos uma existência mil vezes ainda mais suave. Que, dentre vós, o médium que não se sinta com forças para perseverar no ensino espírita, se abstenha; porquanto, não fazendo proveitosa a luz que o ilumina, será menos escusável do que outro qualquer e terá que expiar a sua cegueira.

Pascal.



Reunião pública de 16-5-1960.

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 93 - Alegria cristã



Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 93


Alegria cristã

 
“Mas a vossa tristeza se converterá em alegria.” — Jesus. (JOÃO, 16.20)


Nas horas que precederam a agonia da cruz, os discípulos não conseguiam disfarçar a dor, o desapontamento. Estavam tristes. Como pessoas humanas, não entendiam outras vitórias que não fossem as da Terra. 

Mas Jesus, com vigorosa serenidade, exortava-os: “Na verdade, na verdade, vos digo que vós chorareis e vos lamentareis; o mundo se alegrará e vós estareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria.”

Através de séculos, viu-se no Evangelho um conjunto de notícias dolorosas — um Salvador abnegado e puro conduzido ao madeiro destinado aos infames, discípulos debandados, perseguições sem conta, martírios e lágrimas para todos os seguidores…

No entanto, essa pesada bagagem de sofrimentos constitui os alicerces de uma vida superior, repleta de paz e alegria. 

Essas dores representam auxílio de Deus à terra estéril dos corações humanos. 

Chegam como adubo divino aos sentimentos das criaturas terrestres, para que de pântanos desprezados nasçam lírios de esperança.

Os inquietos salvadores da política e da ciência, na Crosta Planetária, receitam repouso e prazer a fim de que o espírito chore depois, por tempo indeterminado, atirado aos desvãos sombrios da consciência ferida pelas atitudes criminosas. 

Cristo, porém, evidenciando suprema sabedoria, ensinou a ordem natural para a aquisição das alegrias eternas, demonstrando que fornecer caprichos satisfeitos, sem advertência e medida, às criaturas do mundo, no presente estado evolutivo, é depor substâncias perigosas em mãos infantis. 

Por esse motivo, reservou trabalhos e sacrifícios aos companheiros amados, para que se não perdessem na ilusão e chegassem à vida real com valioso patrimônio de estáveis edificações.

Eis por que a alegria cristã não consta de prazeres da inconsciência, mas da sublime certeza de que todas as dores são caminhos para júbilos imortais.


Emmanuel










terça-feira, 21 de outubro de 2025

Emmanuel - Livro Taça de Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 30 - Nós e os outros



Emmanuel - Livro Taça de Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 30


Nós e os outros


Separa a pompa do acervo de concessões que o Senhor te empresta à vida temporária no mundo…

O corpo sadio por templo valioso às manifestações do Espírito…

O raciocínio justo e brilhante…

A cultura relativa de que podes utilizar na sustentação da própria tranquilidade…

O lar precioso e farto, ainda mesmo quando não disponhas dos recursos excessivos que presidem a mesa desassisada…

Os parentes robustos…

Os amigos generosos…

A dignidade social que o mundo te garante…

O progresso na direção das nobres experiências que te preparam a madureza coroada de bênçãos…

E lembra-te de que o corpo equilibrado te serve todos os dias…

de que o cérebro te ajuda sem fadiga e sem pausa, preservando-te a integridade do pensamento…

de que podes repetir a alegria da refeição tantas vezes quantas desejes…

de que a conversação edificante ou recreativa é patrimônio de carinho constante em tua comunhão com os laços domésticos…

de que possuis a teu favor as leis que mantém a harmonia das classes em que te situas…

Com semelhante inventário da própria situação, reconhecerás que desfrutas privilégios soberanos num mundo em que tantos padecem ainda mais graves dificuldades que as nossas, compreendendo, por fim, que a migalha da boa vontade em favor dos outros, — sejam esses outros ricos ou pobres, amigos ou adversários, — a expressar-se em desculpa incansável para as fraquezas de que se façam portadores ou a exprimir-se na fatia de pão e reconforto para as necessidades a que se aprisionam, é mero dever nosso, — obrigação pura e simples de quem recebeu de Deus os tesouros da Vida para aprender com o Cristo que somente em plena doação de nós mesmos à glória do amor é que atingiremos a suspirada ressurreição para a Imortalidade Vitoriosa.


Emmanuel








Psicografia em Reunião Pública.
Data — 1958.
Local — Centro Espírita Luiz Gonzaga, na cidade de Pedro Leopoldo, Minas.