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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Emmanuel - Livro Plantão da Paz - Chico Xavier - Cap. 7 - Verdade em amor



Emmanuel - Livro Plantão da Paz - Chico Xavier - Cap. 7


Verdade em amor


Em nome da Verdade, poderia o Senhor ter ordenado medidas aos emissários celestes para que um berço de luz lhe fosse tecido nas culminâncias do mundo social de há vinte séculos; mas, em nome do amor, preferiu a Manjedoura para entrar na Esfera dos homens, de modo a servi-los sem ofuscar-lhes a pequenez.

Em verdade ser-lhe-ia lícito requisitar as escolas mais cultas para brilhar na meninice, entre as criaturas terrestres; mas, por amor, confiou-se ao rude trabalho na oficina de Nazaré.

Em verdade, poderia exigir do sacerdócio do seu tempo a cátedra de orientador a que tinha direito; entretanto, por amor, buscou velhos barcos de pescadores humildes para com eles argamassar a epopeia da Boa Nova nascente.

Em verdade, possuía recursos para excluir Madalena da assembleia dos seguidores, atirando-lhe ao rosto a sua condição de obsidiada por sete gênios sombrios; entretanto, por amor, destacou-lhe as sublimes qualidades ocultas, dela fazendo a mensageira de sua própria ressurreição.

Em verdade, poderia eliminar Simão Pedro do colégio de aprendizes, em face da deserção de que o amigo vacilante fornecera testemunho, à frente do martírio que significava aparente derrota; no entanto, por amor, erige no apóstolo inesquecível o luzeiro do Evangelho renovador.

Em verdade, poderia fugir aos tormentos da cruz, negando-se à condenação descabida que o categorizava à conta de malfeitor vulgar; mas, por amor, aceita a flagelação e a morte para guiar-nos à construção da verdadeira felicidade.

Em verdade, nada mais cabível do que afastar-se, em definitivo, dos amigos frágeis e dos beneficiários indiferentes do mundo, depois da morte, e desfrutar nas Esferas Superiores os talentos da Ventura Perfeita; mas, por amor, retorna ao ambiente das criaturas que o haviam abandonado, para afirmar-lhes que seria o companheiro constante e o amigo incondicional até o fim dos séculos.

Se procuras acender a luz da verdade, não te esqueças que o amor é o único veículo capaz de convertê-la em alegria e alimento de nossas almas na ascensão para a Vida Maior.


Emmanuel











terça-feira, 22 de abril de 2025

Emmanuel - Livro Plantão da Paz - Chico Xavier - Cap. 4 - Liberdade



Emmanuel - Livro Plantão da Paz - Chico Xavier - Cap. 4


Liberdade


A liberdade é a raiz da vida consciente; no entanto, a cada passo urdimos entraves e impedimentos para nós mesmos.

Não nos reportamos à clausura de pedra, que funciona à guisa de hospital para as inteligências envenenadas na delinquência, e sim aos grilhões invisíveis a que milhares de criaturas jazem escravizadas.

Prisões sem grades dos elos consanguíneos, em que os adversários de outras eras se defrontam, dia a dia, entre as paredes imponderáveis do tempo, no abraço compulsório da assistência recíproca, em nome dos compromissos familiares…

Cubículos de vermina, limitados pela epiderme, nos quais os desertores do dever expiam culpas sob a longa constrição de moléstias irreversíveis no corpo físico…

Ferretes de inibição, geometricamente fixados em certos órgãos e membros do veículo físico, retificando aspirações ou frenando impulsos…

Grilhetas de pauperismo, circunscritas aos marcos da condição social, em que se corrigem antigos e festejados malfeitores da fortuna amoedada…

Calabouços de obsessão, em cujo clima de ansiedade se reajustam sentimentos transviados ao peso de estranhos desequilíbrios…

Esses obstáculos e masmorras, entretanto, são entretecidos simplesmente por nós, sempre que nomeamos o egoísmo e a vaidade, a intemperança e o vício para a função de carcereiros de nossas almas.

Mesmo assim, sobre semelhantes cadeias, a liberdade brilha vitoriosa.

E consola-nos reconhecer que todo Espírito em cativeiro é intimamente livre para recuperar a própria liberdade, porquanto, no ângulo mais escuro do mais escuro cárcere, todos somos livres no pensamento para refazer o destino, obedecendo à justiça e praticando o bem.


Emmanuel










sábado, 2 de março de 2024

Emmanuel - Livro Plantão da Paz - Chico Xavier - Cap. 14 - Companheiro novato



Emmanuel - Livro Plantão da Paz - Chico Xavier - Cap. 14


Companheiro novato


Integrado numa agremiação da Doutrina Espírita, você, confiantemente, pede esclarecimentos e diretrizes.

Sentimo-nos, porém, embaraçados para fazê-lo.

Que trabalhador de nossa indicação estará bastante habilitado para aconselhar com segurança?

Quem não terá infantilidades no coração?

Mas, se você está realmente comungando os ideais da Doutrina que nos é preciosa, nela própria você encontrará o roteiro de que necessita.

O Espiritismo, descerrando a pesada cortina que velava, até agora, os segredos da vida no Além, não é somente a academia edificante de sábios e heróis, mas também a escola abençoada de pais e mães, pensadores e artistas, condutores e artífices, formando missionários do bem e do progresso.

Atendendo-lhe aos ensinamentos, poderá galgar múltiplos degraus da alta ascensão.

Entretanto, pássaro embriagado de liberdade, ante o horizonte infinito, você poderá comprometer o trabalho do próprio burilamento espiritual, se não souber manejar, simultaneamente, as asas do entusiasmo e da prudência.

Nesse sentido, se algo posso rogar a você, não menospreze a experiência dos mais idosos.

Já sei a qualidade de suas objeções.

“Nem sempre os maduros são os melhores”, dirá em suas reflexões sem palavras, “tenho visto anciães desprezíveis e viciados.”

Não julguemos apressadamente.

Considere que os pioneiros da luta, encontrados por você no grande caminho da vida, talvez não tenham recebido as oportunidades que brilham em suas mãos.

Ainda que lhe pareçam inconsistentes ou contraditórios, duros ou exigentes, ouça, com respeito e serenidade, o que digam ou ensinem.

Que seria de nós, sem o esforço de quem nos antecede?

Invariavelmente, aprendemos alguma coisa de útil ou de belo, alicerçando-nos na lição de quem lutou antes de nós.

Acima de tudo, lembre-se de que fomos chamados para auxiliar.

Idosos e novos já possuem críticos em excesso.

O mundo está repleto de espinheiros, e raras criaturas aparecem dispostas ao cultivo da boa semente.

É possível que não possa concordar com todos em certas particularidades da experiência comum; no entanto, o silêncio é o melhor remédio onde não podemos melhorar.

Se você também, ramo promissor, pretende adquirir os defeitos dos galhos decadentes, confiando-se aos vermes do sarcasmo ou da rebelião, que será do tronco venerável da vida?

Em todos os climas, o nosso concurso ativo na extensão do bem é o serviço mais apreciável que podemos prestar à Humanidade e ao Mundo.

E, além disso, saiba que a existência na Terra se assemelha à travessia de longa avenida, onde os transeuntes ocupam lugares diferentes, no espaço e no tempo.

Hoje, você começa a palmilhá-la; todavia, dentro de algum tempo, atingirá a posição dos que já amadureceram na jornada, exibindo alterações no corpo e carregando inesperados impulsos de sentimento.

Cultiva a afabilidade com todos e não olvide que a Lei lhe restituirá o que você houver semeado.

Não inveje a prosperidade dos homens inescrupulosos e indiferentes. A ilusão temporária pode ser dos ímpios; contudo, a verdadeira paz é patrimônio dos simples e dos bons…

Estude e trabalhe, incessantemente.

O estudo favorece o crescimento espiritual.

O trabalho confere grandeza.

Conseguirá você ostentar os mais belos títulos na galeria dos novos espiritualistas, mas, se foge ao livro e à observação e se lhe desagradam o serviço e a disciplina, não passará de um menino irrequieto e desarvorado, para quem os dias reservam amargos ensinamentos.

Quanto ao mais, se você deseja partilhar, com sinceridade, a experiência cristã, comece a viver, entre as paredes de sua própria casa, segundo os princípios renovadores que abraçou com Jesus.

Quem puder fazer a boa vizinhança com os parentes consanguíneos ou souber merecer o apoio legítimo dos amigos e conhecidos, terá conquistado elogiáveis habilitações, no campo da vida.

Mas, se você está também conversando no bem, com receio de praticá-lo, gastando o tesouro do tempo em vão, prepare-se, convenientemente, para receber dos companheiros novos de amanhã a mesma desconfiança e a mesma ironia com que são tratados os idosos menos felizes de hoje.


Emmanuel











sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Emmanuel - Livro Plantão da Paz - Chico Xavier - Cap. 9 - Nossa parte




Emmanuel - Livro Plantão da Paz - Chico Xavier - Cap. 9


Nossa parte


No Universo, em magnificente expansão, vibra a esfera da Eterna Sabedoria, em expressões e condições, por agora, inabordáveis às nossas humildes possibilidades de entendimento. Dentro dessa esfera de ação infinita, cada Inteligência se caracteriza por determinada função.

Toda individualidade humana é peça importante na engrenagem da Obra Divina. Em face de tal impositivo, cada criatura é um centro de ligação com todas as criaturas e coisas que a rodeiam.

Temos, desse modo, os contatos da família e do campo social, do dever e da profissão, do ideal e da afinidade, nos círculos variados das manifestações particulares e coletivas.

Influenciamos e somos influenciados.

O ambiente que nos é próprio reage, segundo as nossas ações, e cada força do caminho responde na pauta dos nossos desejos.

A Doutrina Espírita acorda-nos, por isso, para o sentido de missão que a existência assume para nós, compelindo-nos a governar as rédeas dos nossos próprios destinos, conscientes qual nos coloca, no trato das responsabilidades que nos dizem respeito, de vez que a pessoa é situada no âmbito das obrigações a que foi convocada pela Direção da Vida ou que atraiu para si mesma, perante a Lei.

Diariamente, estamos localizados no âmago das circunstâncias que nos compõem a tela de trabalho, para a execução do qual a Providência Divina nos favorece com os tesouros do tempo e com as bênçãos multiformes da Natureza.

Fujamos, pois, de exigir, incessantemente, que Deus nos substitua nas tarefas a que somos chamados.

O sol é o glorioso gerador da vitalidade terrestre, mas não atende às atribuições do raio de luz que lhe nasce do seio.

O mar é dos mais amplos reservatórios de energias do mundo, mas não toma o papel da gota d’água que lhe verte imensidão.

Deus nos concede tudo aquilo de que necessitamos para realizar o melhor, onde estivermos; no entanto, de nossa parte, é imperioso abraçar, voluntariamente, o serviço que nos cabe fazer.


Emmanuel






terça-feira, 19 de maio de 2020

Emmanuel - Livro Plantão da Paz - Chico Xavier - Cap. 1 - Fruto e exemplo



Emmanuel - Livro Plantão da Paz - Chico Xavier - Cap. 1


Fruto e exemplo


Revela-se a árvore na gleba em que se desenvolve por valioso conjunto de utilidades, quais sejam:

a seiva de que se nutre;

as frondes que albergam ninhos;

a flor que perfuma;

a sombra que ameniza;

o aspecto que balsamiza;

o lenho que reaquece.

Todavia, se não estende o fruto que lhe assinala a espécie, no socorro às criaturas que lhe observam o crescimento, terá desertado do objetivo fundamental a que se destina, reprovando a si mesma na solidão e na esterilidade.

Assim também o homem, no campo da luta em que se estagia, destaca-se por toda uma equipe de qualidades que lhe marcam a rota, como sejam:

a força com que se eleva;

a inteligência com que domina;

as ligações afetivas com que se associa a outros seres;

o ideal que se inflama;

o verbo que o manifesta;

a compreensão com que se orienta;

o entusiasmo de sonhar e realizar que lhe distingue os impulsos.

Entretanto, se foge à ação construtiva do exemplo nobre com que se exprimirá no edifício do progresso de todos, em favor dos irmãos que lhe buscam inspiração e modelo, em verdade terá perdido o ensejo divino para que foi trazido à existência, sentenciando-se à frustração.

No reino vegetal, todo o paciente esforço da árvore, sob o império das estações, tende à produção do fruto com que se desincumbirá do compromisso máximo, à frente da natureza; e no campo humano todas as atividades laboriosas do espírito, sob o domínio da experiência, visam à demonstração do exemplo renovador com que enriquecerá a economia da vida, através dos valores físicos ou espirituais.

Vigiemos as nossas próprias ações no santuário das horas de cada dia, porque para todos nós prevalece o aviso de Jesus quando asseverou, convincente: — “Pelos frutos conhecê-los-eis.”


Emmanuel








Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano