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quarta-feira, 1 de maio de 2024

Léon Denis - Livro O Problema do Ser, do Destino e da Dor - 3ª Parte - As Potências da Alma - Cap. 23 - O pensamento



Léon Denis - Livro O Problema do Ser, do Destino e da Dor - 3ª Parte - As Potências da Alma - Cap. 23


O pensamento


O pensamento é criador. Assim como o pensamento do Eterno projeta sem cessar no espaço os germens dos seres e dos mundos, assim também o do escritor, do ora­dor, do poeta, do artista, faz brotar incessante flores­cência de idéias, de obras, de concepções, que vão influenciar, impressionar para o bem ou para o mal, se­gundo sua natureza, a multidão humana.

Aqui a missão dos obreiros do pensamento é ao mesmo tempo grande, temível e sagrada. Grande e sagrada, porque o pensamento dissipa as sombras do caminho, resolve os enigmas da vida e traça o caminho da Humanidade; é a sua chama aquece as almas e ilumina os desertos da existência. temível, porque seus efeitos são poderosos tanto para a descida como para a ascensão.

Mais cedo ou mais tarde todo produto do espírito reverte para seu autor com suas conseqüências, acarre­tando-lhe, segundo o caso, o sofrimento, uma diminuição, uma privação de liberdade, ou, então, satisfações íntimas, uma dilatação, uma elevação do ser.

A vida atual é, como se sabe, um simples episódio de nossa longa história, um fragmento da grande cadeia que se desenrola para todos através da imensidade. E constantemente recaem sobre nós, em brumas ou clari­dades, os resultados de nossas obras. A alma humana percorre seu caminho cercada de uma atmosfera brilhan­te ou turva, povoada pelas criações de seu pensamento. isto, na vida do Além, sua glória ou sua vergonha.

Para dar ao pensamento toda a força e amplitude, nada há mais eficaz do que a investigação dos grandes problemas.

Por bem dizer, é preciso sentir com veemência; para saborear as sensações elevadas e profundas, é necessário remontar à nascente de que deriva toda a vida, toda a harmonia, toda a beleza.

O que há de nobre e elevado no domínio da inteli­gência emana de uma causa eterna, viva e pensante. Quanto mais largo é o voo do pensamento para essa causa, tanto mais alto ela paira, tanto mais radiosas também são as claridades entrevistas, mais inebriantes as alegrias sentidas, mais poderosas as forças adquiridas, mais geniais as inspirações! Depois de cada voo, o pensamento torna a descer vivificado, esclarecido para o campo terrestre, a fim de prosseguir a tarefa pela qual continuará a desenvolver-se, porque é o trabalho que faz a inteligência como é a inteligência que faz a beleza, o esplendor da obra acabada.

Eleva teu olhar, ó pensador, ó poeta! Lança teu brado de apelo, de aspiração e prece! Diante do mar de reflexos variáveis, à vista de brancos cimos longínquos ou do infinito estrelado, não passaste nunca horas de êxtase e embriaguez, em que a alma se sente imersa num sonho divino, em que a inspiração chega poderosa como um relâmpago, rápido mensageiro do Céu à Terra?

Escuta bem! Nunca ouviste, no fundo de teu ser, vibrarem as harmonias estranhas e confusas, os rumores do mundo invisível, vozes de sombra que te acalentam pensamento e o preparam para as intuições supremas?

Em todo poeta, artista ou escritor há germens de mediocridade inconsciente, incalculáveis, e que desejam desabrochar; por eles o obreiro do pensamento entra com o manancial inexorável e recebe sua parte de revelação. Esta revelação de estética, apropriada à sua natureza, ao gênero de seu talento, tem ele por missão exprimi-la em obras que farão penetrar na alma das multidões uma vibração das forças divinas, uma radiação das verdades eternas.

É na comunhão frequente e consciente com o mundo dos Espíritos que os gênios do futuro hão de encontrar os elementos de suas obras. Desde hoje, a penetração dos segredos de sua dupla vida vem oferecer ao homem socorros e luzes que as religiões desfalecidas já lhe não podem proporcionar.

Em todos os domínios, a ideia espírita vai fecundar o pensamento em atividade.

A Ciência dever-lhe-á a renovação completa de suas teorias e métodos. Dever-lhe-á a descoberta de forças incalculáveis e a conquista do universo oculto. 

A Filo­sofia obterá um conhecimento mais extenso e preciso da personalidade humana. Esta, no transe e na exterioriza­ção, é como uma cripta que se abre, cheia de coisas estra­nhas e onde está escondida a chave do mistério do ser.

As religiões do futuro hão de encontrar no Espiritismo as provas da sobrevivência e as regras da vida no Além, ao mesmo tempo que o princípio de uma união das duas humanidades, visível e invisível, em sua ascensão para o Pai comum.

A Arte, em todas as suas formas, descobrirá nele mananciais inexauríveis de inspiração e emoção.

O homem do povo, nas horas de cansaço, beberá nele a coragem moral. Compreenderá que a alma pode desen­volver-se tanto pela lide humilde como pela obra majes­tosa e que não se deve desprezar dever algum; que a inveja é irmã do ódio e que, muitas vezes, o ser é menos feliz no luxo que na mediocridade. O poderoso aprenderá nele a bondade com o sentimento da solidariedade que a todos liga através de nossas vidas e pode obrigar-nos voltar pequenos para adquirirmos as virtudes modes­tas. O céptico achará nele a fé; o desanimado as espe­ranças duradouras e as resoluções viris; todos os que sofrem encontrarão a ideia profunda de que uma lei de justiça preside a todas as coisas, de que não há, em nenhum domínio, efeito sem causa, parto sem dor, vitó­ria sem combate, triunfo sem rudes esforços, mas que, acima de tudo, reina uma perfeita e majestosa sanção e que ninguém está abandonado por Deus, de que é uma parcela.

Assim, vagarosamente se operará a renovação da Humanidade, tão nova ainda, tão ignorante de si mesma, mas cujos desejos se dirigem pouco a pouco para a com­preensão de sua tarefa e de seu fim, ao mesmo tempo que se alarga seu campo de exploração e a perspectiva de um futuro ilimitado. E em breve eis que ela avançará mais consciente de si mesma e de sua força, consciente de seu magnífico destino. A cada passo que transpõe, vendo e querendo mais, sentindo brilhar e avivar-se o foco que arde em si, vê também as trevas recuarem, fun­direm-se, resolverem-se os sombrios enigmas do mundo e iluminar-se o caminho com um raio poderoso.

Com as sombras, desvanecem-se pouco a pouco os preconceitos, os vãos terrores; as contradições aparentes do Universo dissipam-se; faz-se a harmonia nas almas nas coisas. Então, a confiança e a alegria penetram­-lhe e o homem sente desenvolver-se-lhe o pensamento e o coração. E de novo avança pelo caminho das idades para o termo de sua obra; mas, esta não tem termo. Porque, de cada vez que a Humanidade se eleva para um novo ideal, julga ter alcançado o ideal supremo, quando, na realidade, só atingiu a crença ou o sistema correspondente ao seu grau de evolução. Mas, de cada vez também, de seus impulsos e de seus triunfos decorrem­-lhe felicidades e forças novas, e ela encontra a recom­pensa de seus labores e angústias no próprio labor, na alegria de viver e progredir, que é a lei dos seres, comunhão mais íntima com o Universo, numa posse mais completa do Bem e do Belo.

Os, poetas, vós, cujo número au­menta todos os dias, cujas produções se multiplicam e sobem como a maré, belas muitas vezes pela forma, mas fracas no fundo, superficiais e materiais, quanto talento não gastais com coisas medíocres! Quantos esforços des­perdiçados e postos ao serviço de paixões nocivas, de volúpias inferiores e interesses vis!

Quando vastos e magníficos horizontes se desdo­bram, quando o livro maravilhoso do Universo e da alma se abre de par em par diante de vós e o Gênio do pensa­mento vos convida para nobres tarefas, para obras cheias de seiva, fecundas para o adiantamento da Humanidade, vós vos comprazeis bastas vezes com estudos pueris e estéreis, com trabalhos em que a consciência se estiola, em que a inteligência se abate e definha no culto exage­rado dos sentidos e dos instintos impuros.

Quem de vós dirá a epopeia da alma lutando pela conquista de seus destinos no ciclo imenso das idades e dos mundos, suas dores e alegrias, suas quedas e levan­tamentos, a descida aos abismos da vida, o bater de asas para a luz, as imolações, os holocaustos que são um res­gate, as missões redentoras, a participação cada vez maior das concepções divinas!

Quem dirá também as poderosas harmonias do Uni­verso, harpa gigantesca vibrando ao pensamento de Deus, o canto dos mundos, o ritmo eterno que embala a gênese dos astros e das humanidades! Ou, então, a lenta elabo­ração, a dolorosa gestação da consciência através dos estádios inferiores, a construção laboriosa de uma indi­vidualidade, de um ser moral!

Quem dirá a conquista da vida, cada vez mais com­pleta, mais ampla, mais serena, mais iluminada pelos raios do Alto, a marcha, de cimo em cimo, em busca da felicidade, do poder e do puro amor? Quem cantará a obra do homem, lutador imortal, erguendo, através de suas dúvidas, dilaceramentos, angústias e lágrimas o edi­fício harmônico e sublime de sua personalidade pensante e consciente ? Sempre para a frente, para mais longe e para mais alto! Responderão: Não sabemos. E perguntam: Quem nos ensinará essas coisas?

Quem? As vozes interiores e as vozes do Além. Aprendei a abrir, a folhear, a ler o livro oculto em vós, o livro das metamorfoses do ser. Ele vos dirá o que fostes e o que sereis, ensinar-vos-á o maior dos mistérios, a criação do "eu" pelo esforço constante, a ação sobe­rana que, no pensamento silencioso, faz germinar a obra e, segundo vossas aptidões, vosso gênero de talento, far-vos-á pintar as telas mais encantadoras, esculpir as mais ideais formas, compor as sinfonias mais harmonio­sas, escrever as páginas mais brilhantes, realizar os mais belos poemas.

Tudo está aí, em vós, em roda de vós. Tudo fala, tudo vibra, o visível e o invisível, tudo canta e celebra a glória de viver, a ebriedade de pensar, de criar, de associar-se à obra universal. Esplendores dos mares e do céu estrelado, majestade dos cimos, perfumes das flores­tas, melodias da terra e do espaço, vozes do invisível que falam no silêncio da noite, vozes da consciência, eco da voz divina, tudo é ensino e revelação para quem sabe ver, escutar, compreender, pensar, agir!

Depois, acima de tudo, a Visão Suprema, a visão sem formas, o Pensamento incriado, verdade total, harmonia final das essências e das leis que, desde o fundo de nosso ser até a estrela mais distante, liga tudo e todos em sua unidade resplandecente. A cadeia de vida, que se eleva e desenrola no Infinito, escada das potências espirituais que levam a Deus os apelos do homem pela oração e trazem ao homem as respostas de Deus pela inspiração.

Agora, uma última pergunta. Por que é que, no meio do imenso labor e da abundante produção intelectual que caracterizam nossa época, se encontram tão poucas obras viris e concepções geniais? Porque deixamos de ver as coisas divinas com os olhos da alma! Porque deixamos de crer e amar!

Remontemos, pois, às origens celestes e eternas; é o único remédio para nossa anemia moral. Dirijamos pensamento para as coisas solenes e profundas. Ilumi­ne-se e complete-se a Ciência com as intuições da consciência e as faculdades superiores do espírito. O Espiri­tualismo moderno a auxiliará.


Léon Denis














domingo, 9 de outubro de 2022

Marco Prisco - Livro Diretrizes para uma Vida Feliz - Divaldo P. Franco - Cap. 5 - O pensamento



Marco Prisco - Livro Diretrizes para uma Vida Feliz - Divaldo P. Franco - Cap. 5


O pensamento


O que você pensa define a qualidade do que você é.

Seus clichês mentais constituem a sua realidade, demonstrando as conquistas que lhe exornam o processo de evolução.

Conforme você pense, a vida assim se lhe apresentará.

Se cultiva alegria e confia na Divindade, a sua mente equipa-o com valores morais que o ajudam a enfrentar os inevitáveis fenômenos existenciais.

Se prefere o apego ao pessimismo e à queixa, os impulsos mentais produzem energias compatíveis com a sua aspiração, enfermando-o e infelicitando-o.

O pensamento é dínamo gerador de energias que se exteriorizam conforme a frequência vibratória em que se movimenta.

Quando você estabelece parâmetros edificantes definidores de conduta, eles emitem ondas de resistências fisiológicas e mentais mediante as quais você atua com serenidade e com segurança.

O pensamento realiza o que você cultiva.

Se você perdoa ofensas e compreende a debilidade moral do ofensor, não se permitindo vibrar na mesma onda nefasta em que ele se hospeda, o seu pensamento reveste-o de energia especial que impede a sua sintonia com as emissões perturbadoras que lhe são dirigidas.

O pensamento é força poderosa.

Se você o projeta com fins enobrecidos, procurando auxiliar alguém enfermo ou em desespero, ele se agiganta e alcança aquele a quem é enviada a sua mensagem.

O pensamento produz conforme é elaborado.

Quando Deus programou o universo, utilizou-se do pensamento e criou a Vida, o cosmo, e as criaturas.

Quando você se desequilibra através da ira, da inveja, de qualquer paixão inferior, as emoções se desgovernam e você passa a vivenciar conflitos e insegurança que o tornam desvairado.

Pense e viverá dentro da esfera emocional elaborada.

Pelo pensamento você pode ser feliz ou desventurado, reviver a felicidade ou voltar ao infortúnio.

Pense bem e oriente-se, porque pensamento é Vida.


Marco Prisco












sexta-feira, 2 de julho de 2021

Léon Denis - Livro O Problema do Ser do Destino e da Dor - 3ª Parte - As Potências da Alma - Cap. 23 - O pensamento




Léon Denis - Livro O Problema do Ser do Destino e da Dor - 3ª Parte - As Potências da Alma - Cap. 23


O pensamento


O pensamento é criador. Assim como o pensamento do Eterno projeta sem cessar no espaço os germens dos seres e dos mundos, assim também o do escritor, do orador, do poeta, do artista, faz brotar incessante florescência de idéias, de obras, de concepções, que vão influenciar, impressionar para o bem ou para o mal, segundo sua natureza, a multidão humana.

É por isso que a missão dos obreiros do pensamento é ao mesmo tempo grande, temível e sagrada; é grande e sagrada porque o pensamento dissipa as sombras do caminho, resolve os enigmas da vida e traça o caminho da humanidade; é a sua chama que aquece as almas e ilumina os desertos da existência; e é temível porque seus efeitos são poderosos tanto para a descida como para a ascensão.

Mais cedo ou mais tarde todo produto do Espírito reverte para seu autor com suas consequências, acarretando-lhe, segundo o caso, o sofrimento, a diminuição, a privação da liberdade, ou então as satisfações íntimas, a dilatação, a elevação do ser.

A vida atual é, como se sabe, um simples episódio de nossa longa história, um fragmento da grande cadeia que se desenrola para todos através da imensidade. E constantemente recaem sobre nós, em brumas ou claridades, os resultados de nossas obras. A alma humana percorre seu caminho cercada de uma atmosfera brilhante ou turva, povoada pelas criações de seu pensamento. É isso, na vida do Além, sua glória ou sua vergonha.

Para dar ao pensamento toda a força e amplitude, nada há mais eficaz do que a investigação dos grandes problemas.

Por bem dizer, é preciso sentir com veemência; para saborear as sensações elevadas e profundas é necessário remontar à nascente de onde deriva toda a vida, toda a harmonia, toda a beleza.

O que há de nobre e elevado no domínio da inteligência emana de uma causa eterna, viva e pensante. Quanto mais largo é o vôo do pensamento para essa causa, tanto mais alto ele paira, tanto mais radiosas também são as claridades entrevistas, mais inebriantes as alegrias sentidas, mais poderosas as forças adquiridas, mais geniais as inspirações!

Depois de cada vôo, o pensamento torna a descer vivificado, esclarecido para o campo terrestre, a fim de prosseguir a tarefa pela qual continuará a desenvolver-se, porque é o trabalho que faz a inteligência, como é a inteligência que faz a beleza, o esplendor da obra acabada.

Eleva teu olhar, ó pensador, ó poeta! Lança teu brado de apelo, de aspiração e prece!

Diante do mar de reflexos variáveis, à vista de brancos cimos longínquos ou do infinito estrelado, não passaste nunca horas de êxtase e embriaguez, em que a alma se sente imersa num sonho divino, em que a inspiração chega poderosa como um relâmpago, rápido mensageiro do Céu à Terra?

Escuta bem! Nunca ouviste, no fundo de teu ser, vibrarem as harmonias estranhas e confusas, os rumores do mundo invisível, vozes de sombra que te acalentam o pensamento e o preparam para as intuições supremas?

Em todo poeta, artista ou escritor há germens de mediunidade inconsciente, incalculáveis, e que desejam desabrochar; por eles o obreiro do pensamento entra com o manancial inexorável e recebe sua parte de revelação. Essa revelação de estética, apropriada à sua natureza, ao gênero de seu talento, tem ele por missão exprimir em obras que farão penetrar na alma das multidões uma vibração das forças divinas, uma radiação das verdades eternas.

É na comunhão freqüente e consciente com o mundo dos Espíritos que os gênios do futuro hão de encontrar os elementos de suas obras. Desde hoje, a penetração dos segredos de sua dupla vida vem oferecer ao homem socorros e luzes que as religiões desfalecidas já lhe não podem proporcionar.

Em todos os domínios, a idéia espírita vai fecundar o pensamento em atividade. A Ciência dever-lhe-á a renovação completa de suas teorias e métodos, assim como a descoberta de forças incalculáveis e a conquista do universo oculto.

A Filosofia obterá um conhecimento mais extenso e preciso da personalidade humana. Esta, no transe e na exteriorização, é como uma cripta que se abre, cheia de coisas estranhas e onde está escondida a chave do mistério do ser.

As religiões do futuro hão de encontrar no Espiritismo as provas da sobrevivência e as regras da vida no Além e, ao mesmo tempo, o princípio de uma união das duas humanidades, visível e invisível, em sua ascensão para o Pai comum.

A Arte, em todas as suas formas, descobrirá nele mananciais inexauríveis de inspiração e emoção.

O homem do povo, nas horas de cansaço, beberá nele a coragem moral. Compreenderá que a alma pode desenvolver-se tanto pela lide humilde como pela obra majestosa e que não se deve desprezar dever algum; que a inveja é irmã do ódio e que, muitas vezes, o ser é menos feliz no luxo que na mediocridade.

O poderoso aprenderá nele a bondade com o sentimento da solidariedade que a todos liga através de nossas vidas e pode obrigar-nos a retornar pequenos para adquirirmos as virtudes modestas.

O céptico achará nele a fé; o desanimado as esperanças duradouras e as resoluções viris; todos os que sofrem encontrarão a ideia profunda de que uma lei de justiça preside a todas as coisas, de que não há, em nenhum domínio, efeito sem causa, parto sem dor, vitória sem combate, triunfo sem rudes esforços, mas que, acima de tudo, reina uma perfeita e majestosa sanção e que ninguém está abandonado por Deus, do qual é uma parcela.

Assim, vagarosamente se operará a renovação da humanidade, tão nova ainda, tão ignorante de si mesma, mas cujos desejos se dirigem pouco a pouco para a compreensão de sua tarefa e de seu fim, ao mesmo tempo em que se alarga seu campo de exploração e a perspectiva de um futuro ilimitado. E, em breve, eis que ela avançará mais consciente de si mesma e de sua força, consciente de seu magnífico destino. A cada passo que transpõe, vendo e querendo mais, sentindo brilhar e avivar-se o foco que arde em si, vê também as trevas recuarem, fundirem-se, resolverem-se os sombrios enigmas do mundo e iluminar-se o caminho com um raio poderoso.

Com as sombras, desvanecem-se pouco a pouco os preconceitos, os vãos terrores; as contradições aparentes do universo dissipam-se; faz-se a harmonia nas almas e nas coisas. Então, a confiança e a alegria penetram-lhe e o homem sente desenvolver-se-lhe o pensamento e o coração. E de novo avança pelo caminho das idades para o termo de sua obra; mas esta não tem termo, porque de cada vez que a humanidade se eleva para um novo ideal, julga ter alcançado o ideal supremo, quando, na realidade, só atingiu a crença ou o sistema correspondente ao seu grau de evolução. Mas de cada vez, também, de seus impulsos e de seus triunfos decorrem-lhe felicidades e forças novas, e ela encontra a recompensa de seus labores e angústias no próprio labor, na alegria de viver e progredir, que é a lei dos seres, comunhão mais íntima com o universo, numa posse mais completa do bem e do belo.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Léon Denis - Livro O Problema do Ser e do Destino - Cap. 23 - O pensamento



Léon Denis - Livro O Problema do Ser e do Destino - Cap. 23


O pensamento


O pensamento é criador. Assim como o pensamento eterno projeta, ininterruptamente, no Espaço, os germens dos seres e dos mundos, também o do escritor, do orador, do poeta, do artista, faz brotar um incessante florescer de ideias, de obras, de concepções, que vão influenciar, impressionar, para o bem ou para o mal, segundo sua natureza, a imensa multidão humana.

É por isso que a missão dos operários do pensamento é, ao mesmo tempo, grande, perigosa e sagrada. Grande e sagrada, pois o pensamento dissipa as sombras do caminho, resolve os enigmas da vida e traça a rota da Humanidade; é sua chama que aquece as almas e embeleza os desertos da existência. É, também, perigosa, porque seus efeitos são tão poderosos para a descida quanto para a ascensão.

Cedo ou tarde, todo produto do espírito retorna a seu autor com suas consequências, acarretando para este, segundo o caso, o sofrimento, um apequenar-se, uma privação de liberdade, ou, então, satisfações íntimas, uma dilatação, uma elevação de seu ser.

A vida presente é, como se sabe, um simples episódio de nossa longa história, um fragmento da longa cadeia que se desenrola, para todos, através da imensidão. E, constantemente, recaem sobre nós, em brumas ou em claridades, os resultados de nossas obras. A alma humana percorre seu caminho, envolta numa atmosfera radiosa ou sombria, povoada pelas criações de seu pensamento. E ali está, na vida do Espaço, sua glória ou sua vergonha.

Para dar ao pensamento toda sua força e sua amplitude, nada é mais eficaz que a pesquisa dos grandes problemas. Para bem exprimir, é preciso sentir intensamente; para apreciar as sensações elevadas e profundas, é necessário remontar à fonte de onde se originam toda vida, toda harmonia, toda beleza.

O que há de nobre e de elevado, no domínio da inteligência, emana de uma causa eterna, viva e pensante. Quanto maior é a impulsão do pensamento em direção a esta causa, mais alto ele paira, mais radiosas são, também, as claridades entrevistas, mais inebriantes as alegrias sentidas, mais poderosas as forças adquiridas, mais geniais as inspirações! Depois de cada voo, o pensamento retorna, vivificado, esclarecido, ao campo terrestre, para retomar a tarefa, através da qual continuará crescendo, pois é o trabalho que faz a inteligência, como é a inteligência que faz a beleza, o esplendor da obra concluída.

Ergue teu olhar, ó pensador, ó poeta! Lança teu grito de apelo, de aspiração, de prece! Diante do mar de múltiplos reflexos, à vista de brancos picos longínquos ou do infinito estrelado, nunca experimentaste estas horas de êxtase e de enlevo, em que a alma se sente mergulhada em um sonho divino, em que chega a inspiração, poderosa, como um relâmpago, rápido mensageiro do Céu à Terra?

Aguça teus ouvidos! Nunca ouviste, no fundo de teu ser, vibrarem estas vagas harmonias, estes rumores do mundo invisível, vozes da sombra que embalam teu pensamento e o preparam para as intuições supremas?

Em todo poeta, artista, escritor, há germens de mediunidade, inconscientes, insuspeitos, e que só querem eclodir; por eles, o operário do pensamento entra em relação com a fonte inesgotável e recebe sua parcela de revelação. Esta revelação de estética apropriada à sua natureza, a seu gênero de talento, ele tem por missão exprimi-la em obras que farão penetrar, na alma das multidões, uma vibração das forças divinas, uma radiação das verdades eternas.

É na comunhão frequente e consciente com o mundo dos espíritos que os gênios do futuro haurirão os elementos de suas obras. Desde já, a penetração nos segredos de sua dupla vida vem oferecer ao homem os auxílios e os esclarecimentos que as religiões decadentes não lhe poderiam proporcionar. Em todos os domínios, a ideia espírita vai fecundar o pensamento atuante.

A Ciência ficará devendo a ela uma renovação completa de suas teorias e de seus métodos. Ficar-lhe-á devendo a descoberta de forças incalculáveis e a conquista do universo oculto. Com ela, a Filosofia adquirirá um conhecimento mais extenso e mais preciso da personalidade humana. Esta, no transe e na exteriorização, é como uma cripta que se abre, repleta de coisas estranhas, e onde se esconde a chave do mistério do ser.

As religiões do futuro encontrarão, no Espiritismo, as provas da sobrevivência e as regras da vida no Além, ao mesmo tempo que o princípio de uma união estreita das duas humanidades, visível e invisível, em sua ascensão para o Pai comum. A arte, sob todas as suas formas, nele descobrirá fontes inesgotáveis de inspiração e de emoção.

O homem do povo, nas horas de cansaço, nele encontrará a coragem moral. Compreenderá que a alma pode crescer, tanto pelo labor humilde, quanto pela obra altiva, e que nenhum dever é desprezível; que a inveja é irmã do ódio e que, com frequência, somos menos felizes no luxo do que na mediocridade. Nele, o poderoso aprenderá bondade, com o sentimento desta solidariedade que nos liga a todos, através de nossas vidas, e pode constranger-nos a voltar pequenos, para adquirir as virtudes modestas.

O cético nele encontrará a fé; o desencorajado, as grandes esperanças e as resoluções enérgicas. Todos os que sofrem encontrarão a ideia profunda de que uma lei de justiça preside a todas as coisas; de que, no que quer que seja, não há efeito sem-causa, parto sem dor, vitória sem combate, triunfo sem rudes esforços, mas que, acima de tudo, reina uma perfeita e majestosa sanção, e de que nenhum ser é abandonado por Deus, sendo dele uma parcela.

Assim, lentamente, operar-se-á a renovação da Humanidade, ainda tão jovem, tão desconhecedora de si mesma, mas, cujo desejo se orienta, pouco a pouco, na direção da compreensão de sua tarefa e de seu objetivo, ao mesmo tempo que se amplia seu campo de exploração e a perspectiva de um porvir infinito. E, em breve, ei-la que avança, mais consciente de si mesma e de sua força, consciente de sua magnífica destinação. A cada etapa vencida, vendo e querendo mais, sentindo brilhar e avivar-se o foco que traz em si, vê, também, recuarem as trevas, os sombrios enigmas do mundo se desmantelarem e serem resolvidos e o caminho ser iluminado por um poderoso raio de luz. Com as sombras, pouco a pouco, vão-se desfazendo os preconceitos, os temores infundados; as contradições aparentes do Universo se dissipam e, em tudo, se faz a harmonia. Então, a confiança e o entusiasmo penetram nessas almas; o homem sente que seu pensamento e seu coração se expandem. E, novamente, ele avança, na estrada dos tempos, em direção ao termo de sua obra; sua obra, porém, não tem fim. Cada vez que a Humanidade se empenha por um novo ideal, acredita ter atingido o ideal supremo, embora, na realidade, só tenha conquistado a crença ou o sistema correspondentes a seu grau de evolução. Mas, também, cada vez que, de  seus avanços e de seus sucessos, decorrem-lhe prazeres e forças novas e ela encontra a recompensa de seus labores e de suas angústias no próprio trabalho, na alegria de viver e progredir, que é a lei dos seres, em uma comunhão mais íntima com o Universo, na conquista, um pouco mais completa, do Bem e do Belo.

Ó escritores, ó artistas, ó poetas! Vós, que sois mais numerosos a cada dia; vós, cujas produções se multiplicam e crescem, como uma onda que se eleva, produções muitas vezes belas, na forma, mas fracas, no fundo, superficiais e materiais, quanto talento não despendeis por causas medíocres! Quantos esforços desperdiçados ou postos a serviço de paixões doentias, de volúpias inferiores e interesses vis!

Enquanto vastos e magníficos horizontes se desdobram, enquanto o livro maravilhoso do Universo e da alma se abre, grandioso, diante de vós e enquanto o gênio do pensamento vos convida para nobres tarefas, para obras cheias de substância, fecundas para o adiantamento da Humanidade, frequentemente, vós vos comprazeis em pueris e estéreis estudos em que a consciência se debilita, a inteligência se prostra e se enlanguesce, no culto exagerado dos sentidos e dos instintos impuros.

Quem de vós vai narrar a epopeia da alma, lutando pela conquista de seus destinos, no ciclo imenso das eras e dos mundos; suas dores e suas alegrias, suas quedas e seus reerguimentos, a descida aos abismos da vida, os voos em direção à luz, os sacrifícios, os holocaustos que são um resgate, as missões redentoras, a participação crescente das concepções divinas?

Quem descreverá, ainda, as poderosas harmonias dom Universo, harpa gigantesca que vibra ao pensamento de Deus;  o canto dos mundos; o ritmo eterno que embala a gênese dos astros e das humanidades? 

Ou, ainda, a lenta elaboração, a dolorosa gestação da consciência, através dos estágios inferiores, a construção laboriosa de uma individualidade, de um ser moral? Quem relatará a conquista da vida, sempre mais plena, mais abrangente, mais serena, mais esclarecida pelos fachos de luz do Alto, a marcha, de topo em topo, em busca da felicidade, da força e do puro amor? Quem cantará a obra do homem, lutador imortal, erguendo, através de suas dúvidas, suas dilacerações, suas angústias e suas lágrimas, o edifício harmônico e sublime de sua personalidade pensante e consciente? Sempre avante, sempre mais longe, sempre mais Alto!

Vão responder: Não sabemos! E perguntam: Quem nos ensinará tais coisas?

Quem? As vozes interiores e as vozes do Além! Aprendei a abrir, a folhear e a ler o livro oculto em vós, o livro das metamorfoses do ser. Ele vos dirá o que fostes e o que sereis. Ensinar-vos-á o maior dos mistérios, a criação do eu, pelo esforço constante, pela ação soberana que, no pensamento silencioso, faz germinar a obra e, segundo vossas aptidões, vosso tipo de talento, far-vos-á pintar as mais belas telas, esculpir as formas mais ideais, compor as sinfonias mais harmoniosas, escrever as mais belas páginas, criar os mais belos poemas.

Tudo aí está, em vós, em torno de vós! Tudo fala, tudo vibra, o visível e o invisível, tudo canta e celebra a glória de viver, o enlevo de pensar, de criar, de associar-se à obra universal. Esplendores dos mares e do céu estrelado, majestade dos cimos, perfumes das flores, eflúvios e raios, ruídos misteriosos das florestas, melodias da Terra e do Espaço, vozes do invisível que falam no silêncio da noite, voz da consciência, eco da voz divina, tudo é ensinamento e revelação para quem sabe ver, escutar, compreender, pensar, agir!

Depois, acima de tudo, a Visão suprema, a visão sem-formas, o Pensamento incriado, verdade total, harmonia final das essências e das leis, que, do fundo de nosso ser até a mais longínqua estrela, reúne tudo e todos em sua unidade resplandecente. E a corrente de vida, que se escalona e se desenrola no Infinito, graduação das potências espirituais que conduzem a Deus os apelos do homem, através da prece, e, ao homem, a resposta de Deus, através da inspiração.

E agora, uma última questão. Por que, em meio ao imenso labor e à abundante produção intelectual que caracterizam nossa época, encontram-se tão poucas obras fortes e concepções geniais? Porque deixamos de ver as coisas divinas com os olhos da alma! Porque deixamos de crer e de amar!

Remontemos, então, às fontes celestes e eternas: é o único remédio para nossa anemia moral. Voltemos nosso pensamento para as coisas solenes e profundas. Que a Ciência se esclareça e se complete com as intuições da consciência e as faculdades superiores do espírito. Para tanto, o espiritualismo moderno nos ajudará.


Léon Denis








Fonte: O Problema do Ser e do Destino-pdf