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sexta-feira, 27 de março de 2026

Emmanuel - Livro Caderno de Mensagens - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 60 - Eminências



Emmanuel - Livro Caderno de Mensagens - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 60


Eminências


Cautela com as eminências em que te colocam no mundo.

Podes observar, na própria Terra, que toda altura, quando escalada, sem segurança, expõe ao risco de queda em resvaladouro correspondente.


Emmanuel










domingo, 28 de dezembro de 2025

Irmã Scheilla - Livro Caderno de Mensagens - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 65 - Os parentes falecidos



Irmã Scheilla - Livro Caderno de Mensagens - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 65


Os parentes falecidos


Tu que hoje recebes o consolo e a orientação do ensino redivivo do Senhor, em espírito e verdade, lembra-te amorosamente dos companheiros que retornaram, antes de ti, à Pátria Espiritual, muitos deles presentemente em amargurosos conflitos consigo mesmos.

Legiões de irmãos desencarnados somente conseguem renovar o próprio destino, pejado de sombra, com as vibrações mentais de carinho e de apoio que lhes são endereçadas pelos corações que lhes iluminam a memória na esfera dos homens.

O teu próximo igualmente vive do lado de cá…

O parente e o amigo que já partiram não despareceram…

Encasulado que ainda te encontras na carne, não sigas indiferente à vida diversa em que te aguardam, necessitados de simpatia.

Quantos deles te ensinaram! Quantos te serviram!…

Muitas das tuas brilhantes conquistas de agora foram levantadas na base das vigílias, das aflições, do suor e das lágrimas que sofreram…

Agradece-lhes a solicitude e o devotamento.

Sê reconhecido à boa vontade daqueles que te instruíram.

Falta eventual de notícias não exprime constante ausência.

Entre os que ficam na Terra e os que demandam o Além, as relações pessoais continuam. 

Todas as almas afins já viveram milênios em comunhão afetiva e prosseguirão vivendo reunidas na Eternidade, que, aliás, nos expressa o caminho para a ascensão comum.

Reencontrarás, proximamente, todos os que se foram…

Não lhes removas a presença do templo íntimo.

Não só as ondas emocionais de recriminação ou sarcasmo lhes torturam a vida, mas também, o esquecimento e a frieza lhes martirizam as fibras da alma.

Através da lembrança, envia-lhes motivações de estímulo e coragem que se lhes soergam as forças!…

Tua mensagem mental de ternura e gratidão ser-lhes-á abençoada luz no nevoeiro, porta aberta à libertação, vigorosa energia ao refazimento.

Reconfortam-se em tuas meditações.

Socorrem-se no culto de amor que lhes consagras.

Aliviam-se em tuas preces.

Mentaliza construtivamente todos aqueles que relacionas como sendo os teus queridos finados, os teus entes inesquecíveis, os mortos imaginários que te encharcam a alma de fel e pranto, fazendo que a tua saudade possa render bons pensamentos, em favor deles, por intermédio das boas obras.

Se hoje não lhes consegues ver a forma nem auscultar-lhes as dores íntimas, tanto quanto ontem, podes amparar e atender aos desventurados que te renteiam os passos na existência diária, por eles considerados qual nova família do coração.

Faze da caridade incansável o ponto marcado de reencontro ideal, cada dia, com todos eles.

E interroga a ti mesmo: — De quantos não sou cúmplice dos enganos e das quedas que neste momento os fazem chorar?


Irmã Scheilla









[1] Essa mensagem foi publicada no jornal NOTÍCIAS POPULARES (sem data, década de 1970/80) na seção “MENSAGEM DO DIA — de Chico Xavier”. O caderno com os recortes jornalísticos encontra-se sob a custódia do Dr. Eurípedes Higino, filho adotivo do Chico.


terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Bezerra de Menezes - Livro Caderno de Mensagens - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 13 - Mensagem de União



Bezerra de Menezes - Livro Caderno de Mensagens - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 13


Mensagem de União


Solidários, seremos união.

Separados uns dos outros, seremos pontos de vista.

Juntos, alcançaremos a realização de nossos propósitos.

Distanciados entre nós, continuaremos à procura do trabalho com que já nos encontramos honrados pela Divina Providência.


Bezerra de Menezes










(FEB, Federação Espírita Brasileira, “Unificação”  nov./dez. 1980.)
Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Meimei - Livro Caderno de Mensagens - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 86 - Mundo e vida




Meimei - Livro Caderno de Mensagens - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 86


Mundo e vida


Foge do verbo infecundo
Que exalte a guerra e o terror;
Deus cura os males do mundo
Usando a bênção do amor.


Meimei







quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Espírito Padre Germano - Livro Caderno de Mensagens - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 5 - Recordações do Padre Germano




Espírito Padre Germano - Livro Caderno de Mensagens - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 5


Recordações do Padre Germano


Formosas recordações das noites de minha aldeia longínqua!… Ainda hoje, revolvo a cinza dos séculos para buscar as tuas lembranças, que me envolvem a alma de encantamento e poesia! Noites de primavera, de luar alvíssimo, em que eu rociava com o meu pranto as flores do jardim modesto do presbitério, quando confiava a Deus as minhas orações de sacerdote católico, alma exilada dentro da vida, ramo fenecido nos vergéis ditosos dos homens da Terra. Dolorosas meditações, em que meu coração, ávido de carinho e de afeto, interrogava a abóbada celeste sobre os porquês do seu magoado destino.

Porque o sacerdote não poderia amar como as outras criaturas? Porque todos possuiriam a ventura de um lar ridente, onde brilhassem os sorrisos da esposa e o amor dos filhos, e o homem que se consagrasse aos labores da igreja haveria de viver isolado, quando o seu coração desejava viver?

Chorava, então, copiosamente, ouvindo no silêncio das flores e das estrelas, vozes apagadas que apenas ecoavam no íntimo do meu ser: — “Ingrato! Ao sacerdote foi confiada a mais sublime missão de amor. Não tens esposa? Ama a pobreza desvalida, ao teu irmão sofredor da humanidade. Não tens filhos? Consagra-te aos infelizes! Sê-lhes o pai amoroso e compassivo, lenindo-lhes os padecimentos, confortando-os na desgraça. 

Tens sede de amor e existe uma infinidade de seres que se sentem arrasados nessa sede devoradora: orfãozinhos abandonados, mendigos sem pão e sem lar, olhos sem luz, multidões de desprezados que imploram, com a alma toda nos lábios, uma esmola de amor! Procura-os e reparte com eles o teu coração. Amar é plantar a felicidade na Terra! Ama e seguirás fielmente os luminosos passos de Jesus.”

Lastimava, então, longamente os meus minutos de fraqueza na árdua tarefa a que me devotara voluntariamente e consolava-me, sonhando um canto estrelado, depois da existência terrena, ao lado de uma jovem pálida de cabelos negros, que sorria divinamente.

Foi numa dessas noites enluaradas, repletas de variegados perfumes da primavera, quando, após as minhas meditações, acariciava a cabeça de Sultão [nome de seu cão]; que fui surpreendido por insistentes chamados.

Era um antigo criado do castelo de M…, que eu muito bem conhecia, a exclamar lacrimosamente:

— “Padre, vinde comigo, que o conde de M… quer entregar-vos os seus derradeiros pensamentos…”

— Como? O conde Enoque, que vi ontem gozando de invejável saúde?

— Sim, Padre. Foi acometido de um mal súbito e ninguém espera pela vida do senhor conde, que já se acha agonizante.

Sultão me dirigiu seu olhar inteligente, como a dizer: “Vamos!” E eu lá me fui, seguindo as passadas do mensageiro, mergulhado nos mais atrozes pensamentos.

Se houve na minha vida de padre católico algo que me repugnasse, era por certo o trabalho penosíssimo de ocupar o tribunal da confissão, devassando as consciências alheias; o que sempre considerava um crime. Apavoravam-me os segredos que todos guardavam avaramente e que não se vexavam de trazer-me, quando somente a Deus deveriam confiá-los. 

Que me poderia dizer na hora extrema o conde Enoque? Conhecia-o desde rapaz, por homem honesto e bom, justo e generoso. Desposara, havia pouco tempo, uma rapariga das cercanias, de nome Margarida, muito garrida e bela, um tanto frívola e vaidosa. Sabia que viviam felizes, amando-se com a mesma afeição dos primeiros dias do matrimônio, que eu abençoara ao pé do altar modesto da capela da aldeia.

Mas, ia eu vagarosamente, com um véu de tristeza infinita a cobrir-me o espírito, que se sentia absorvido por amargos pressentimentos. Implorei o amparo das forças invisíveis naquele transe e senti-me reanimado para levar avante a tarefa que adivinhava penosa.

Nessa disposição de espírito, penetrei nos aposentos luxuosos do conde, que se achava com os olhos semicerrados, parecendo dormir.

A condessa ali estava, agitada, com o aspecto de grande aflição. Pedi-lhe que se afastasse por momentos, para que eu permanecesse a sós com o agonizante, em quem já rareavam os movimentos de respiração.

Chamei-o, de mansinho, como quem receia despertar uma criança.

Enoque abriu os grandes olhos tristes. Uma grossa lágrima lhe deslizou pelas faces descoradas, ao ver-me, e murmurou em voz quase imperceptível — Padre Germano… Morro com a consciência tranquila… e com a certeza… de que Margarida me envenenou: Descobri a sua traição ao juramento conjugal e algumas gotas de um tóxico infalível… me levam para o túmulo!… O médico…”

Não terminou, porém, o infeliz. Prolongado soluço lhe rebentou do peito e a voz se lhe extinguiu. Um suave palor cobriu-lhe a fronte, gotas álgidas de suor lhe inundaram as faces, ensopando os travesseiros. Compreendi que era chegada a hora de seu desprendimento. 

Com a alma fundamente sensibilizada, falei-lhe aos ouvidos, abraçando-o: “Filho, não guardes ressentimento de quem quer que seja. É preferível mil vezes sermos a vítima a sermos os algozes! Tua alma, limpa das máculas do delito, partirá para as mansões de Deus, buscando o quinhão de felicidade que lhe pertence com justiça, enquanto os teus assassinos carregarão as algemas do remorso talvez durante séculos… Parte, filho amado! Que Jesus receba em seus braços amorosos e tutelares o teu Espírito bondoso!…”

Um sorriso divino pairou nos lábios do cadáver.

Intensa emoção fazia vibrar todas as fibras do meu coração; não pude reter as lágrimas. Parecia-me que aquela alcova enfeitada se iluminava de outras luzes mais formosas e sutis; afigurava-se-me divisar entidades radiosas, deslizando sobre os tapetes dourados, algumas em atitude de prece ao Criador, outras estendendo as mãos compassivas e ternas à alma do esposo infeliz, ungindo-a de consolações.

Após orar com fervor ao Senhor do Universo, abri a porta do aposento. A condessa, então, se precipitou sobre aquele cadáver pálido e triste, que parecia dormir.

Beijou-o e abraçou-o freneticamente, pedindo-me, angustiada, que lhe repetisse as últimas vontades.

Oh! A miséria humana!… Uma dor mais profunda dominou-me totalmente. Sem coragem para lhe reproduzir as derradeiras palavras do conde, murmurei contristado:

— “Adeus, senhora. Julgo haver cumprido os meus deveres sacerdotais junto ao vosso nobre esposo, que expirou em meus braços, sem poder dirigir-me, porém, uma única frase. Essa alma bondosa levou consigo para o túmulo os seus últimos desejos.”

A Condessa de M…, ao ouvir-me, mudou de semblante, parecendo que lhe haviam arrancado toneladas de aflição de sobre o peito. Despedi-me do castelo com a morte na alma, comovido com o sofrimento daquele homem justo, que sucumbira aos golpes das perfídias mundanas.

Nunca mais regressei àqueles sítios e durante muitas noites consecutivas orei pela alma do seu proprietário, pensando no mistério daquela morte repentina que a todos impressionara profundamente. O segredo, que permanecia em meu peito, dolorosamente oculto no meu coração, fazia-me quase enlouquecer de angústia; jamais conhecê-lo-ia o mundo.

O que mais me penalizava, porém, era o endurecimento e a hipocrisia do espírito de Margarida, que após um ano de formalidades em luxos espetaculosos e pomposas exéquias, saiu a campo, desposando daí a dois anos o médico que diagnosticara a “enfermidade” do desventurado Enoque.

O novo esposo da condessa assenhoreou-se de toda a imensa fortuna do condado de M…, esbanjando grandes haveres em prazeres fáceis, acompanhado da fútil e cruel Margarida, que ia descendo de abismo em abismo.

Muitos anos tinham decorrido sobre os fatos relatados, quando, um dia, os dois esposos apareceram na aldeia, após longo tempo de permanência nas ruidosas capitais do mundo europeu, onde se entregaram a todas as dissipações, com a fortuna totalmente reduzida.

A condessa, já na idade madura, buscou a sombra da árvore da religião para abafar o fogo devorador dos remorsos que a acabrunhavam.

Assim era que, todos os dias comparecia pontualmente ao sacrifício da missa humilde de minha igreja modestíssima, jamais, porém, se dirigiu ao confessionário, onde eu também não a desejava, porque se a muitos pecadores acolhera com benevolência e carinho, receava usar de aspereza para com aquela mulher sem entranhas, que não trepidara em manchar suas mãos em horrorosos delitos!

Nas minhas práticas aos fieis, escolhia sempre assuntos que pudessem tocar-lhe o coração empedernido no crime e várias vezes, durante o tempo em que, já no fim dos seus dias terrenos, expandia, tarde, a sua fé, via-a, prosternada diante do Senhor Crucificado, a derramar pranto doloroso, da mais profunda contrição.

Regozijava-me, intimamente ao vê-la em tal atitude, pois reconhecia o regresso de uma ovelha tresmalhada ao rebanho de Jesus.

Alguns anos assim se passaram, até que, certa manhã, vieram buscar-me, a seu pedido, para confessá-la, sentindo que se lhe aproximava o instante da morte.

Era a primeira vez que eu voltava à sua casa senhorial, após o falecimento do inesquecível Enoque. Lá, porém, encontrei somente o cadáver da condessa. A ruptura dos vasos do coração ocasionara-lhe a morte, depois de alguns dias de padecimentos físicos. Seus olhos ficaram desmesuradamente abertos, fixos talvez nalguma visão fatídica e horrorosa! Ah! por certo aquela alma se confessaria a Deus, pedir-lhe-ia perdão para os seus grandes pecados.

Uma boa porção de tempo ainda vivi na minha aldeia querida, em meio das crianças que eu adorava, a quem amava como pai, adornando de flores uma campa no cemitério, enfeitando os altares modestos do meu templo carcomido e quase em ruínas com os primores da natureza, cercado pelo respeito dos meus paroquianos afetuosos, amado mais particularmente por alguns seres que me eram profundamente queridos ao coração, desde as épocas remotas de outras existências já transcorridas, elevando hosanas ao Senhor, que se dignava bondosamente conceder tantas alegrias ao seu servo imperfeito.

Inúmeras vezes, quando me dirigia com os meninos à Fonte da Saúde, situada no caminho que conduzia ao antigo castelo de M…, recordava-me de Enoque e Margarida e rogava a Deus por aqueles dois Espíritos que, certamente, já se haviam defrontado no limiar da Eternidade. 

Afinal, com o organismo combalido pelas lutas da Terra, também parti, em demanda do firmamento luminoso, que povoara de encantadoras esperanças os meus sonhos de alma exilada.

Quando me vi rodeado de amigos caros, que me haviam precedido no Além, notei que Enoque era um dos primeiros que vinham, sorridentes, ao meu encontro.

Reavivou-se, então, no meu espírito o doloroso drama de sua existência e abracei-o, emocionado; agradeceu-me comovido, o interesse que eu sempre manifestara por ele durante os meus dias planetários e, junto a outros desvelados mentores e amigos espirituais, sentindo-nos todos envoltos nos santos eflúvios do amor divino, desfrutamos intensamente a realização dos mais belos sonhos que os sofredores da Terra apenas vislumbram, em meio dos seus agros padecimentos.

Deslumbrado por tantas e tão imensas maravilhas que o Pai concede a todos os seus filhos que o queiram buscar pelo cumprimento dos deveres, esqueci por grande lapso de tempo as coisas terrenais, para meditar somente em Deus e em Deus viver.

Mais tarde, porém, vim a saber, por intermédio de Enoque, a situação angustiosa do Espírito infeliz de Margarida. Sofria atrozmente com os remorsos que a perseguiam como chicotes de chamas, fazendo-lhe viver um horroroso inferno onde imperavam imensas trevas e imensas dores reunidas.

Em meio dos seus padecimentos, não conseguia ouvir a voz consoladora dos seus amigos redimidos, escutando apenas os gemidos, as clamorosas blasfêmias, os soluços prolongados dos seus companheiros de tormento.

Um quarto de século passou, antes que a alma da ex-condessa de M… conseguisse escutar nossos conselhos, que a incitavam a suplicar ao Criador uma nova existência de lutas.

Margarida havia derramado muito pranto remissor, filho de sincero e fundo arrependimento; mas, era preciso voltar à Terra e conquistar no sofrimento a sua felicidade futura. 

Afinal, sem que nunca se houvesse encontrado com Enoque, seu antigo companheiro de existência planetária, reencarnou numa aldeia paupérrima da Ístria,  localizada na região triestina [do golfo de Trieste].

Deixemos correr alguns anos…

Acompanhemos uma pobre mulher, vagabunda e andrajosa, que se aproxima da velhíssima aldeia de A…, no litoral do Adriático. As crianças se espantam ao vê-la, apesar de ser moça ainda.

Todos se riem, impiedosamente, ao contemplar aquele rosto monstruoso. Cabelos curtos, em revoada na cabeça, pele terrivelmente grossa, nariz horripilante, olhos vesgos, voz ininteligível, corpo hediondo, lá vai caminhando ao acaso, triste e pensativa.

Onde nasceu? Ninguém o sabia.

Como se chamava? Ninguém a entendia, pois que a sua voz era um composto de sons guturais, indecifráveis. Os populares, divertidos e brincalhões, a cognominaram Fera, nome pelo qual a conheciam todos agora.

Naquela aldeia, a mulher misteriosa entrou pacificamente numa cabana humílima; que ela própria construíra sob frondoso olmeiro: Era aí que sempre a viam com as mãos no rosto, de olhos fitos na abóbada celeste, como se no espaço infinito estivesse toda a grandeza de seus ideais.

Era nesse pobre e medonho corpo deformado que habitava agora, para remissão de suas culpas, a alma da vaidosa Margarida de antanho.

O generoso Enoque, condoído profundamente da sorte amarga de sua ex-companheira, pediu fervorosamente ao Senhor dos Séculos que lhe permitisse voltar ao planeta terráqueo, para se associar aos padecimentos daquele Espírito mergulhado em ásperas expiações.

Foi-lhe concedida essa graça pelo Eterno e Enoque regressou ao mundo como filho da Fera. 

Quando a infeliz recebeu nos seus braços de monstro aquela dádiva celeste, os populares a perseguiram a pedradas, amaldiçoando o pequenino ser, como rebento imundo do hálito dos ébrios.

A mãe desditosa correu muitas milhas, com o pequenino a gemer em seus braços, trazendo o coração ululando de dor selvagem.

Vagando por aldeias desconhecidas, foi como o menino se desenvolveu. Tudo nele era diferente da sua genitora. Seus cabelos eram quase louros, graciosamente encaracolados, lindos traços fisionômicos, belos olhos, revelando inteligência profunda e extraordinária vivacidade.

Fera o tomava nos braços e lhe dava muitos beijos, pois aquela criança, que mais se assemelhava a um anjo do Céu corporificado na Terra, era o único tesouro de sua desventurada vida… 

Ao atingir os quatro anos, o pequenino era tão formoso, que toda gente se admirava de que uma mulher-monstro tivesse um filho em quem fulguravam tantas perfeições.

Mas, ah!, por esse tempo revelou-se no organismo daquela criatura nômade, sem pátria e sem lar, uma moléstia terrível, a morfeia.  

Todos começaram a escorraçá-la e o pequeno, como por uma secreta intuição, qual a que recebem os seres evoluídos, compreendeu a dor imensa de sua mãe, a quem amava verdadeiramente.

Vendo de dia para dia o progresso que a horrível enfermidade realizava naquele corpo defeituoso, fez-se o seu guia, de povoação em povoação, implorando o pão quotidiano às almas caridosas, pois a Fera, além do mal que lhe cobria o corpo de feridas tremendas, se achava quase cega.

Suas amarguras culminavam, nos extremos de todas as angústias humanas.

Não conhecera pais, não sabia onde nascera, não podia transmitir seus pensamentos e agora se lhe fechavam os olhos também e não mais veria o rosto adorado do seu anjo formoso, a quem idolatrava com todas as ternuras e arroubos dos corações maternos. Seus semelhantes lhe fugiam com receio do contágio da perigosa moléstia, que a minava…

O filho tudo compreendia, com os seus sentimentos de alma acrisolada nos embates dos grandes sacrifícios.

Aquela mulher sofredora, porém, aprendeu a chorar na oração e era assim que, quando tentava fitar o céu azul, se sentia pungida de intensa dor, que não sabia donde poderia vir-lhe; eram ainda os resquícios do remorso dos erros perpetrados em sua existência anterior, eivada de numerosas faltas e longos desvios.

Recordava-se vagamente de que havia infringido de maneira grave as leis divinas e sentia que todas as punições eram necessárias ao cinzelamento de seu Espírito maculado. 

Nesses momentos, a falange dos desvelados amigos espirituais de Enoque dirigia as mais fervorosas preces ao Senhor dos Mundos, implorando misericórdia para aquelas duas almas abandonadas na Terra, batidas pelo furacão indomável de todos os infortúnios.

Um bem-estar indefinível banhava então aqueles dois companheiros expatriados nas sombras terrenas; o pequenito se sentia mergulhado em sonhos e visões angélicas e sua mãe mais confortada para conduzir a pesada cruz das provações redentoras.

Nos dias em que mais penoso se tornava o seu abatimento, a criança acercava-se da mãe desditosa, passava-lhe os braços com ternura pelo pescoço chagado, osculava-lhe as faces que se desfaziam aos pedaços, dizendo-lhe, influenciada pelos bafejos imperceptíveis que lhe vinham de Entidades lúcidas:

“Mãezinha querida, não desanimes! Todas as noites sonho com uma aldeia muito linda, onde existem aves de luz, cantando nos ramos verdes das árvores, que são muito belas, carregadas de frutos e de flores! Às vezes, vejo que essa aldeia formosa está cheia de anjos que sorriem, de mães que amam e de velhos que abençoam! Os homens me estendem os braços e nos chamam para esse canto luminoso e sempre, ao despertar, ainda lhes ouço os cânticos, cheios de beleza e de luz!… Ah! minha mãe, andemos um pouco mais e havemos de encontrá-la. Acho que está para ali. Vamos!”

E lá se iam ambos, abraçados um ao outro, buscando esse recanto divino que o pequeno entrevia nas suas aspirações.

A Fera se sentia mais encorajada para caminhar, seguindo aquela criancinha idolatrada, o único ser que lhe ofertava amor neste mundo, o único afeto pelo qual ela podia saber que Deus existe e se lembra de seus filhos mais humildes e mais infelizes.

Mas, até na existência dos seres mais ínfimos há dores incontáveis. O vendaval do sofrimento campeia na Terra em todas as direções. Numa tarde de rigoroso inverno, em que se sentia frio intensíssimo em toda a península da Ístria, o pequenino deixou sua mãe sob um velho olmeiro, próximo de uma povoação que ele não conhecia, a fim de mendigar um pedaço de pão para ambos. As ruas todas estavam desertas, todas as portas cerradas. Uma tempestade de neve começava a cair impiedosamente. Flocos brancos, alvíssimos, batiam sobre a terra, formando camadas superpostas.

O menino foi colhido por essa avalanche. No dia seguinte, a pobre mãe, à feição de louca, bradava a sua angústia, em dolorosa algaravia a todos os transeuntes e, após algumas horas de procura, veio-lhe aos braços, já roídos pelas chagas, um cadaverzinho pálido, da cor da neve que o guardara.

Fera gritou furiosamente como leoa ferida. Estreitou ao coração aquele alvo corpo minúsculo, que lhe não era dado ver na sua cegueira. Cobriu-o de lágrimas dolorosas, até o momento em que mãos caridosas o entregaram à terra benfazeja.

A Fera foi reconhecida. Aquela aldeia era a mesma onde vira a luz, pela vez primeira, o seu anjo amado. Deram-lhe, generosamente, a cabana arruinada em que outrora vivera, para passar o resto de seus dias.

Ninguém se associou à sua dor íntima; ninguém buscou consolá-la em seus pesares e raras foram as mãos bondosas que lhe mitigaram a fome com uma côdea de pão. A infeliz, agoniada e só, tinha tão somente o pranto e os mais acerbos padecimentos.

Nas suas orações parecia ver a figura angélica do filhinho, que lhe vinha trazer pão, água para lhe saciar a sede e gotas aromatizadas de bálsamos puros para atenuar a dor cruciante das feridas pustulentas que lhe dilaceravam as carnes, a se partirem intumescidas.

Sim! Via-o aproximar-se e oscular-lhe ternamente a fronte; sentia que seus braços carinhosos a envolviam e lhe ouvia a voz suave, dizendo: 

 “Mãezinha querida! não desanimes! caminha pela dor e me encontrarás, aqui na aldeia formosa que eu via nos meus sonhos, onde existem rouxinóis de luz, cantando nas frondes de árvores maravilhosas, repletas de frutos e de flores! Aqui há anjinhos que sorriem, mães que amam e anciãos que abençoam… Hás de vir também para ouvires comigo as harmonias celestes que os artistas do Céu sabem compor. São preces formosas, que se elevam como hosanas de glória ao Senhor, o Pai Celestial ! Vem, querida mãezinha, para orares também conosco!…”

Era Enoque, que confortava aquela alma sofredora, nos últimos tempos de provas ríspidas e agudas. A Fera chorava, comovida, presa de intensa emotividade, quando ouvia essas doces advertências, que lhe caíam na alma como perfumes celestes de flores resplandecentes. Não experimentava tormentos físicos nesses instantes. Sua alma parecia eterizar-se, elevando-se aos páramos de luz do firmamento constelado.

Certa noite, chegaram ao auge suas profundas dores. Achava-se abandonada, sentindo que ia morrer. Reviu toda a sua acidentada existência, fértil de amarguras e dissabores. Lembrou-se da alma querida de seu filho idolatrado e sentiu que mãos vigorosas pareciam querer apartá-la daquele monte de carnes doloridas.

Sofrimentos rudes azorragavam todo o seu corpo, quando lobrigou uma entidade lúcida, com uma auréola fúlgida a lhe brilhar na fronte impoluta, dirigindo-se até onde se achava ela, colocando-lhe as mãos benévolas sobre o corpo asqueroso, erguendo ao Pai uma oração vibrante em seu favor:

 “Senhor do Universo, apiedai-vos desta pobre alma que necessita do vosso auxílio sacrossanto! Permiti possa libertar-se dos últimos liames que a prendem à matéria apodrecida e alar-se às regiões de luz sublime, onde a aguardam os seus dedicados amigos espirituais! Ela já não é, Senhor, a criatura delinquente e infeliz de outro tempo, mas um espírito acendrado em inenarráveis torturas!… Dignai-vos de olhá-la compassiva e misericordiosamente, concedendo-lhe, segundo os seus méritos, a liberdade, a fim de que possa evadir-se do pesado cárcere de sombras terrenas!…”

Fera nada mais ouviu. Seu pobre Espírito se viu numa região feliz, de repouso e venturas. Afigurava-se-lhe que o sono viera abrandar-lhe os sofrimentos corporais, mergulhando-a num ambiente de sonhos maravilhosos.

Lágrimas de emoção banhavam-lhe a alma toda e um só pensamento dominou-a: buscar o consolo em Deus, que tem para todas as suas criaturas o bálsamo do amor e do perdão.

Rompeu-se afinal o último grilhão que a retinha na Terra e a alma da ex-condessa, redimida pela dor, partiu, amparada por uns braços de névoa esplendorosa, em demanda da aldeia formosíssima, onde existem pássaros brilhantes, árvores encantadas, anjos que sorriem, mães que amam e anciãos que abençoam…


Espírito Padre Germano





Esta mensagem foi publicada na Revista de Espiritismo Cristão - Reformador, da Federação Espírita Brasileira, nas edições de 16/02, 01/03 e 16/03 de 1932, e transcrita para o livro de Clóvis Tavares “Trinta anos com Chico Xavier”, das Edições Calvário, e mais recentemente editado também pelo Instituto de Difusão Espírita.

mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier, em 1931 foi inserida ao final da obra Memórias do Padre Germanopublicado, por primeira vez, pela Federação Espírita Brasileira – FEB, no ano de 1909, traduzido por Manuel Quintão.

Trata-se de vários ditados do Espírito Padre Germano ao médium sonâmbulo Eudaldo Pagés, do Centro Espírita A Boa Nova, da ex-vila de Grácia, atual bairro em Barcelona, registrados por Amália Domingo Soler que, em abril de 1880, começou a publicá-los, no Jornal Espírita A Luz do Porvir, sob a forma de novela.

Padre Germano foi um sacerdote da Igreja Católica que viveu, provavelmente, entre os séculos XVIII e XIX, na região norte da Espanha e/ou sudoeste da França, próximo ao litoral do Mediterrâneo. Nessa existência quis, por dever, viver o sacerdócio do Cristo.

Consagrou-se à consolação dos humildes e oprimidos, ao mesmo tempo que desmascarava os hipócritas e falsos religiosos da Igreja Romana.

Tal procedimento lhe causou muitos dissabores e perseguições sem trégua, e até ameaças de morte. Vítima dos superiores hierárquicos, assim viveu desterrado em obscura aldeia, ele que, pelo talento, bondade e predicados especiais, poderia ter conduzido a seguro porto, sem perigo de soçobro, a arca de São Pedro.

O livro compreende trinta e três capítulos, nos quais o Espírito relata situações vividas em seu apostolado sacerdotal, suas observações e os ensinamentos que retirou de cada uma delas. Retrata a postura de um Espírito cônscio de seu dever. Segundo ele, evitou mais de quarenta suicídios. Isso porque, com sua sensibilidade, conseguia libertar jovens que eram internadas em conventos, obrigadas a tomar votos religiosos, simplesmente por não desejarem determinado consórcio que lhes fora arranjado.

São histórias de um sacerdote que honrou o Evangelho e, sem pensar em si, salvou vidas. Acolheu órfãos e os guiou na jornada terrena.




segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Bezerra de Menezes - Livro Caderno de Mensagens - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 6 - Unificação




Bezerra de Menezes - Livro Caderno de Mensagens - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 6


Unificação


O serviço da unificação em nossas fileiras é urgente mas não apressado.

Uma afirmativa parece destruir a outra. Mas não é assim. É urgente porque define objetivo a que devemos todos visar; mas não apressado, porquanto não nos compete violentar consciência alguma.

Mantenhamos o propósito de irmanar, aproximar, confraternizar e compreender, e, se possível, estabeleçamos em cada lugar, onde o nome do Espiritismo apareça por legenda de luz, um grupo de estudo, ainda que reduzido, da Obra Kardequiana, à luz do Cristo de Deus. 

Nós que nos empenhamos carinhosamente a todos os tipos de realização respeitável que os nossos princípios nos oferecem, não podemos esquecer o trabalho do raciocínio claro para que a vida se nos povoe de estradas menos sombrias. 

Comparemos a nossa Doutrina Redentora a uma cidade metropolitana, com todas as exigências de conforto e progresso, paz e ordem. 

Indispensável a diligência no pão e no vestuário, na moradia e na defesa de todos; entretanto, não se pode olvidar o problema da luz. 

A luz foi sempre uma preocupação do homem, desde a hora da furna primeira. Antes de tudo, o fogo obtido por atrito, a lareira doméstica, a tocha, os lumes vinculados às resinas, a candeia e, nos tempos modernos, a força elétrica transformada em clarão.

A Doutrina Espírita possui os seus aspectos essenciais em configuração tríplice. 

Que ninguém seja cerceado em seus anseios de construção e produção. 

Quem se afeiçoe à ciência que a cultive em sua dignidade, quem se devote à filosofia que lhe engrandeça os postulados e quem se consagre à religião que lhe divinize as aspirações, mas que a base kardequiana permaneça em tudo e todos, para que não venhamos a perder o equilíbrio sobre os alicerces em que se nos levanta a organização.

Nenhuma hostilidade recíproca, nenhum desapreço a quem quer que seja. 

Acontece, porém, que temos necessidade de preservar os fundamentos espíritas, honrá-los e sublimá-los, senão acabaremos estranhos uns aos outros, ou então cadaverizados em arregimentações que nos mutilarão os melhores anseios, convertendo-nos o movimento de libertação numa seita estanque, encarcerada em novas interpretações e teologias, que nos acomodariam nas conveniências do plano inferior e nos afastariam da Verdade.

Allan Kardec, nos estudos, nas cogitações, nas atividades, nas obras, a fim de que a nossa fé não faça hipnose, pela qual o domínio da sombra se estabelece sobre as mentes mais fracas, acorrentando-as a séculos de ilusão e sofrimento.

Libertação da palavra divina é desentranhar o ensinamento do Cristo de todos os cárceres a que foi algemado e, na atualidade, sem querer qualquer privilégio para nós, apenas o Espiritismo retém bastante força moral para se não prender a interesses subalternos e efetuar a recuperação da luz que se derrama do verbo cristalino do Mestre, dessedentando e orientando as almas. 

Seja Allan Kardec, não apenas crido ou sentido, apregoado ou manifestado, a nossa bandeira, mas suficientemente vivido, sofrido, chorado e realizado em nossas próprias vidas. Sem essa base é difícil forjar o caráter espírita-cristão que o mundo conturbado espera de nós pela unificação.

Ensinar, mas fazer; crer, mas estudar; aconselhar, mas exemplificar; reunir, mas alimentar.

Falamos em provações e sofrimentos, mas não dispomos de outros veículos para assegurar a vitória da verdade e do amor sobre a Terra. 

Ninguém edifica sem amor, ninguém ama sem lágrimas.

Somente aqui, na vida espiritual, vim aprender que a cruz do Cristo era uma estaca que Ele, o Mestre, fincava no chão para levantar o mundo novo. 

E para dizer-nos em todos os tempos que nada se faz de útil e bom sem sacrifícios, morreu nela.

Espezinhado, batido, enterrou-a no solo, revelando-nos que esse é o nosso caminho — o caminho de quem constrói para Cima, de quem mira os continentes do Alto.

É indispensável manter o Espiritismo, qual foi entregue pelos Mensageiros Divinos a Allan Kardec, sem compromissos políticos, sem profissionalismo religioso, sem personalismos deprimentes, sem pruridos de conquista a poderes terrestres transitórios.

Respeito a todas as criaturas, apreço a todas as autoridades, devotamento ao bem comum e instrução do povo, em todas as direções, sobre as verdades do espírito, imutáveis, eternas.

Nada que lembre castas, discriminações, evidências individuais injustificáveis, privilégios, imunidades, propriedades.

Amor de Jesus sobre todos, verdade de Kardec para todos.

Em cada templo, o mais forte deve ser escudo para o mais fraco, o mais esclarecido a luz para o menos esclarecido, e sempre e sempre seja o sofredor o mais protegido e o mais auxiliado, como entre os que menos sofram seja o maior aquele que se fizer o servidor de todos,  conforme a observação do Mentor Divino.

Sigamos para frente, buscando a inspiração do Senhor.


Bezerra



(Esta mensagem foi recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em reunião da Comunhão Espírita Cristã, em 20-4-1963, em Uberaba-MG e publicada na Revista de Espiritismo Cristão - Reformador, Rio de Janeiro: FEB, Federação Espírita Brasileira, na edição n° 1999 do ano 113, em outubro de 1995)


quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Emmanuel - Livro Caderno de Mensagens - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 32 - Página de coragem




Emmanuel - Livro Caderno de Mensagens - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 32


Página de coragem
 

Tempo de provação — horas de resistência. Não esmoreças.

Terás tido lutas ou estarás dentro delas, qual ocorre a tantos outros companheiros.

Observas lares numerosos em dificuldade para assegurar a própria sobrevivência.

Notaste a desvinculação violenta de almas queridas.

Acompanhaste a desencarnação imprevista de criaturas inolvidáveis.

Por outro lado, novas telas de sofrimento se te desdobram perante os olhos comovidos.

Acidentes com resultados amargos.

Processos obsessivos de variada expressão.

Experiências estranhas;

Desajustes psicológicos.

Combates silenciosos entre a deserção e o dever.

Entretanto, não te deixes abater e caminha para diante.

Hoje é sempre o tempo de se realizar o melhor.

O que te pareça fracasso ou desencanto é preparação de um mundo novo.

Obstáculos são, por si, movimentos de renovação e progresso.

O que possa parecer fracasso ou desencanto é preparação de um mundo novo.

Não existem corações transviados e sim companheiros em transformação.

Não existe pessoa alguma a quem o trabalho não melhore.

A esperança é uma luz que não se apaga.

Ninguém retrocede, todos prosseguimos no encalço de uma Terra melhor.

Lembra-te, sobretudo, que nunca é tarde para que alguém seja feliz e que o Reino de Deus está dentro de nós e, com semelhante luz no coração ser-nos-á sempre possível esquecer quaisquer provações e quaisquer agravos, situando-nos, desde agora, a caminho da Vida Superior.


Emmanuel





Uberaba, 18 de Março de 1977.

domingo, 4 de outubro de 2020

Emmanuel - Livro Caderno de Mensagens - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 32 - Página de coragem




Emmanuel - Livro Caderno de Mensagens - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 32


Página de coragem 


Tempo de provação — horas de resistência. Não esmoreças.

Terás tido lutas ou estarás dentro delas, qual ocorre a tantos outros companheiros.

Observas lares numerosos em dificuldade para assegurar a própria sobrevivência.

Notaste a desvinculação violenta de almas queridas.

Acompanhaste a desencarnação imprevista de criaturas inolvidáveis.

Por outro lado, novas telas de sofrimento se te desdobram perante os olhos comovidos.

Acidentes com resultados amargos.

Processos obsessivos de variada expressão.

Experiências estranhas;

Desajustes psicológicos.

Combates silenciosos entre a deserção e o dever.

Entretanto, não te deixes abater e caminha para diante.

Hoje é sempre o tempo de se realizar o melhor.

O que te pareça fracasso ou desencanto é preparação de um mundo novo.

Obstáculos são, por si, movimentos de renovação e progresso.

O que possa parecer fracasso ou desencanto é preparação de um mundo novo.

Não existem corações transviados e sim companheiros em transformação.

Não existe pessoa alguma a quem o trabalho não melhore.

A esperança é uma luz que não se apaga.

Ninguém retrocede, todos prosseguimos no encalço de uma Terra melhor.

Lembra-te, sobretudo, que nunca é tarde para que alguém seja feliz e que o Reino de Deus está dentro de nós e, com semelhante luz no coração ser-nos-á sempre possível esquecer quaisquer provações e quaisquer agravos, situando-nos, desde agora, a caminho da Vida Superior.


Emmanuel





Uberaba, 18 de Março de 1977.

sábado, 18 de julho de 2020

Bezerra de Menezes - Livro Caderno de Mensagens - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 13 - Mensagem de União



Bezerra de Menezes - Livro Caderno de Mensagens - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 13


Mensagem de União


Solidários, seremos união.

Separados uns dos outros, seremos pontos de vista.

Juntos, alcançaremos a realização de nossos propósitos.

Distanciados entre nós, continuaremos à procura do trabalho com que já nos encontramos honrados pela Divina Providência.


Bezerra de Menezes










(FEB, Federação Espírita Brasileira, “Unificação”  nov./dez. 1980.)
Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

quinta-feira, 23 de abril de 2020

.Emmanuel - Livro Caderno de Mensagens / Mediunidade e Coração - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 28 - Recado de Natal




Emmanuel - Livro Caderno de Mensagens / Mediunidade e Coração - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 28


Recado de Natal 




Um recado de servidor a cada coração amigo, ante o Natal de Jesus.

Nunca te deixes vencer pelo desânimo.

Acende a luz da fé no próprio íntimo e segue adiante, trabalhando e servindo.

Diante das dificuldades que te desafiem, recorda aquelas outras que te figuravam inarredáveis e que superaste, sem conhecer as forças que te sustentaram nos transes amargos.

Considerando as crises que provavelmente surjam à frente de teus passos, rememora os perigos que te ameaçaram e dos quais te descartaste, ignorando de que modo conseguiste preservar a própria vida.

Suportando inquietações que se te agigantem aos olhos, no cotidiano, lembra-te das aflições que passaste perante os sofrimentos de pessoas que se te fazem especialmente queridas, atiradas ao desequilíbrio e que regressaram à tranquilidade, socorridas por energias que desconheces.

Se a provação te visita, asserena-te no amparo da fé e aguarda o auxílio imponderável da Espiritualidade Maior, que nem sempre registras.

Em qualquer tribulação, deixa que os teus sentimentos se acalmem e espera a intervenção da Providência Divina.

Não temas e serve sempre. Os Mensageiros do Bem jamais nos abandonam.

Ainda mesmo nos dias em que a enfermidade do corpo te desajuste o campo orgânico, não te amedrontes e conta com o Amor da Vida Espiritual que jamais desfalece.

Seja qual for a prova ou a dor em que te vejas, serve e confia-te a Jesus, porque Jesus é a presença da Bondade Infinita de Deus, diante da qual não existe o impossível.



Emmanuel







[1] O manuscrito psicografado dessa mensagem encontra-se sob a custódia do Dr. Eurípedes Higino, filho adotivo do Chico; ela foi recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier no “Centro Espírita Jésus Gonçalves”, Vila São João, Colônia Santa Marta em 18/12/1984, na cidade de Goiânia / Estado de Goiás.

Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Bezerra de Menezes - Livro Caderno de Mensagens - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 6 - Unificação




Bezerra de Menezes - Livro Caderno de Mensagens - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 6


Unificação




O serviço da unificação em nossas fileiras é urgente mas não apressado.

Uma afirmativa parece destruir a outra. Mas não é assim. É urgente porque define objetivo a que devemos todos visar; mas não apressado, porquanto não nos compete violentar consciência alguma. 

Mantenhamos o propósito de irmanar, aproximar, confraternizar e compreender, e, se possível, estabeleçamos em cada lugar, onde o nome do Espiritismo apareça por legenda de luz, um grupo de estudo, ainda que reduzido, da Obra Kardequiana, à luz do Cristo de Deus.

Nós que nos empenhamos carinhosamente a todos os tipos de realização respeitável que os nossos princípios nos oferecem, não podemos esquecer o trabalho do raciocínio claro para que a vida se nos povoe de estradas menos sombrias. 

Comparemos a nossa Doutrina Redentora a uma cidade metropolitana, com todas as exigências de conforto e progresso, paz e ordem.

Indispensável a diligência no pão e no vestuário, na moradia e na defesa de todos; entretanto, não se pode olvidar o problema da luz. 

A luz foi sempre uma preocupação do homem, desde a hora da furna primeira. Antes de tudo, o fogo obtido por atrito, a lareira doméstica, a tocha, os lumes vinculados às resinas, a candeia e, nos tempos modernos, a força elétrica transformada em clarão.

A Doutrina Espírita possui os seus aspectos essenciais em configuração tríplice. 

Que ninguém seja cerceado em seus anseios de construção e produção. 

Quem se afeiçoe à ciência que a cultive em sua dignidade, quem se devote à filosofia que lhe engrandeça os postulados e quem se consagre à religião que lhe divinize as aspirações, mas que a base kardequiana permaneça em tudo e todos, para que não venhamos a perder o equilíbrio sobre os alicerces em que se nos levanta a organização.

Nenhuma hostilidade recíproca, nenhum desapreço a quem quer que seja. 

Acontece, porém, que temos necessidade de preservar os fundamentos espíritas, honrá-los e sublimá-los, senão acabaremos estranhos uns aos outros, ou então cadaverizados em arregimentações que nos mutilarão os melhores anseios, convertendo-nos o movimento de libertação numa seita estanque, encarcerada em novas interpretações e teologias, que nos acomodariam nas conveniências do plano inferior e nos afastariam da Verdade.

Allan Kardec, nos estudos, nas cogitações, nas atividades, nas obras, a fim de que a nossa fé não faça hipnose, pela qual o domínio da sombra se estabelece sobre as mentes mais fracas, acorrentando-as a séculos de ilusão e sofrimento.

Libertação da palavra divina é desentranhar o ensinamento do Cristo de todos os cárceres a que foi algemado e, na atualidade, sem querer qualquer privilégio para nós, apenas o Espiritismo retém bastante força moral para se não prender a interesses subalternos e efetuar a recuperação da luz que se derrama do verbo cristalino do Mestre, dessedentando e orientando as almas. 

Seja Allan Kardec, não apenas crido ou sentido, apregoado ou manifestado, a nossa bandeira, mas suficientemente vivido, sofrido, chorado e realizado em nossas próprias vidas. Sem essa base é difícil forjar o caráter espírita-cristão que o mundo conturbado espera de nós pela unificação.

Ensinar, mas fazer; crer, mas estudar; aconselhar, mas exemplificar; reunir, mas alimentar.

Falamos em provações e sofrimentos, mas não dispomos de outros veículos para assegurar a vitória da verdade e do amor sobre a Terra. 

Ninguém edifica sem amor, ninguém ama sem lágrimas.

Somente aqui, na vida espiritual, vim aprender que a cruz do Cristo era uma estaca que Ele, o Mestre, fincava no chão para levantar o mundo novo. 

E para dizer-nos em todos os tempos que nada se faz de útil e bom sem sacrifícios, morreu nela. 

Espezinhado, batido, enterrou-a no solo, revelando-nos que esse é o nosso caminho — o caminho de quem constrói para Cima, de quem mira os continentes do Alto.

É indispensável manter o Espiritismo, qual foi entregue pelos Mensageiros Divinos a Allan Kardec, sem compromissos políticos, sem profissionalismo religioso, sem personalismos deprimentes, sem pruridos de conquista a poderes terrestres transitórios.

Respeito a todas as criaturas, apreço a todas as autoridades, devotamento ao bem comum e instrução do povo, em todas as direções, sobre as verdades do espírito, imutáveis, eternas.

Nada que lembre castas, discriminações, evidências individuais injustificáveis, privilégios, imunidades, propriedades.

Amor de Jesus sobre todos, verdade de Kardec para todos.

Em cada templo, o mais forte deve ser escudo para o mais fraco, o mais esclarecido a luz para o menos esclarecido, e sempre e sempre seja o sofredor o mais protegido e o mais auxiliado, como entre os que menos sofram seja o maior aquele que se fizer o servidor de todos, conforme a observação do Mentor Divino.

Sigamos para frente, buscando a inspiração do Senhor.




Bezerra








(Esta mensagem foi recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em reunião da Comunhão Espírita Cristã, em 20-4-1963, em Uberaba-MG.)

Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano