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quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Joanna de Ângelis - Livro Atitudes Renovadas - Divaldo P. Franco - Cap. 1 - Convidados...



Joanna de Ângelis - Livro Atitudes Renovadas - Divaldo P. Franco - Cap. 1


Convidados...


Todo o Evangelho de Jesus é um hino de louvor à vida, uma canção de alegria, uma apoteose ao amor.

Suas parábolas de sabor atemporal, apropriadas a todas as épocas, são música sinfônica narrando a epopeia de Espíritos ora famintos de luz que se fartam, noutros momentos aflitos na escuridão da ignorância e das autopunições em processo de libertação, que se reencontram e se tornam felizes.

A sua dúlcida voz, enunciando os paradigmas da felicidade, penetra o âmago do ser humano, como um raio de luz que vara a treva e a vence de um golpe...

Todas as lições que oferece encontram-se ricas de atualidade como instrumento de edificação moral irrepreensível ou qual diretriz segura para o encontro com o bem-estar, com a saúde real.

Em a narração complexa em torno de um rei que, desejando celebrar as bodas do filho, mandou preparar um banquete e, de imediato, convidar as pessoas gradas que constituíam a sociedade distinta do país.

Desinteressados do que ocorria no palácio, esses eleitos maltrataram os emissários e não deram importância à invitação.

Foram cuidar dos próprios interesses subalternos.

Surpreso com essa reação do seu povo, o monarca enviou novos mensageiros a outro grupo de cidadãos que igualmente desconsideraram a gentileza honorável. Cada qual se foi, como de hábito, atender aos objetivos que lhe diziam respeito, não considerando a oferenda que lhe era apresentada.

Além dessa indiferença ficaram revoltados com a insistência e maltrataram os emissários, ultrajaram-nos e os mataram.

Irritou-se o rei e mandou suas tropas exterminarem os rebeldes e ingratos...

Apesar dos insucessos, insistiu o monarca junto aos seus servos, esclarecendo: - As bodas estão preparadas, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, às encruzilhadas dos caminhos e chamai para as bodas a quantos encontrardes.

Os servidores foram e arrebanharam maus e bons, ociosos e trabalhadores, ficando a sala nupcial cheia de convivas.

Jubiloso, o rei passeou pelo recinto e foi tomado de surpresa quando identificou um convidado que não vestia a roupagem nupcial, a quem indagou: - Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial?

Ele, porém, emudeceu, empalidecendo constrangido.

Então o rei disse aos seus servos: "Atai-o de pés e de mãos e lançai-o às trevas exteriores; ali haverá o choro e o ranger de dentes. Pois muitos são chamados, mas poucos escolhidos" (Mateus 22:13-14).

A um leitor pouco atento, pode parecer paradoxal a atitude real, punindo um convidado que viera ao banquete de surpresa, conforme se encontrava no momento da invitação.

Sem dúvida, na extraordinária narrativa simbólica, decodificamos a mensagem partindo da proposta divina, na qual o Pai Celestial prepara a boda do seu Filho Jesus com a humanidade e toma todas as providências.

Através dos séculos o rei organizou o banquete das bodas com o povo que se acreditava eleito, dizendo-se-lhe fiel, informando respeitá-lo e homenageá-lo como único e Soberano. No entanto, em face da soberba, assim como das mesquinhas aspirações, ao ter notícia da ocorrência, indiferente às lições recebidas, desprezou os profetas que vieram anunciar o momento grandioso e os matou, rebelde, insensato, permanecendo no amanho da terra das suas paixões.

O Grande Rei enviou então o próprio Filho, o noivo de luz, que não recebeu qualquer consideração, nem mesmo daqueles que lhe foram comensais constantes, beneficiários do Seu amor, e desdenharam-no, crucificando-o entre sarcasmo e desprezo...

O Rei misericordioso, então compadecido da suprema ignorância dos seus súditos de melhor condição, optou por enviar o convite a todos aqueles que eram destituídos de privilégios, de comodidades, os que eram considerados excluídos, bons e maus, que perambulavam pelas ruas e encruzilhadas do destino incerto, a fim de que participassem da festa especial.

Viviam em lugares de torpeza moral, em situações sórdidas e deploráveis, com as vestes rasgadas e os pés descalços.

O sapato era, então, símbolo de posição social de destaque, objeto de muito valor, que expressava a situação econômica do usuário...

Foram esses os convidados que aceitaram estar presentes no banquete de bodas.

Pode-se considerar que eles representam a moderna sociedade aflita, que deambula de um para outro lugar, buscando solução para os problemas, sem orientação nem sentido existencial.

Para esses veio O Consolador que os introduz na sala dos festejos, oferecendo-lhes todos os acepipes valiosos para nutri-los, recuperá-los e libertá-los do caos interior...

No entanto, o traje nupcial que não se constitui de indumentária exterior, mas de valores internos, é desprezado por diversos daqueles que se utilizam dos bens preciosos sem qualquer consideração para com o ato nupcial que deve ser consumado entre eles e o Filho dileto do Rei.

É natural que padeçam o efeito do desrespeito a que se permitem, deslizando para as regiões sombrias e profundas de sofrimentos, atados pés e mãos às fortes algemas da rebeldia e da desfaçatez.

A culpa neles se encontra em forma de tormento, como remorsos, insegurança de dignidade e complexos outros afligentes.

Sem qualquer relutância, a mensagem alcança hoje multidões; trombeteada pelas Vozes do Céu, incontáveis a ouvem, aceitam-lhe o convite, no entanto, somente aqueles que se investirem das insígnias das núpcias, ostentando as condecorações dos sofrimentos, as comendas da abnegação, distinguir-se-ão e serão escolhidos.

Na atualidade do pensamento científico, tecnológico, sociológico e cultural, o convite para o banquete incomparável da plenitude alcança as mentes e os corações que estão despertos para a alegria de viver e de servir.

Repetem-se as invitações sonoras e gráficas, em músicas sublimes e em pergaminhos de luz, inundando o pensamento de sabedoria e o sentimento de paz, no entanto, a ufania e o utopismo, a arrogância e as vãs concepções desdenham, zombam, e não lhes dão importância.

Nesse concerto que poderia ser de beleza e harmonia a patética do sofrimento espalha inquietação e incerteza, angústia e sombras, chamando à renovação, conclamando ao atendimento, tentando o despertar das consciências adormecidas.

A pouco e pouco, o entendimento em torno da responsabilidade imortal favorece-lhes a aceitação do convite e eles optam por se fazer presentes no banquete de bênçãos da imortalidade em triunfo.

Convidados!...

Autoeleger-se para ser escolhido em face da autodoação e da entrega ao amor incondicional, é a fatalidade apresentada pela lei de progresso.

Em que classe de convidado te encontras?

Reflexiona e decide, porque o banquete de núpcias já começou...

Cuida de renovar as tuas atitudes.


Joanna de Ângelis










quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Joanna de Ângelis - Livro Atitudes Renovadas - Divaldo P. Franco - Cap. 27 - A outra face



Joanna de Ângelis - Livro Atitudes Renovadas - Divaldo P. Franco - Cap. 27


A outra face


Considerando-se o estágio moral em que transitam incontáveis criaturas humanas pelos caminhos do planeta terrestre, ainda vivenciando os instintos agressivos, é compreensível que os relacionamentos nem sempre se realizem de maneira pacífica.

Predominando a natureza animal em detrimento da espiritual, o orgulho se arma de mecanismos de defesa resultantes da prepotência e da argúcia para reagir ante os acontecimentos ameaçadores ou que sejam interpretados como tais...

A ação decorrente do raciocínio e da lógica cede lugar aos impulsos agressivos e estabelecem-se os conflitos quando deveriam vicejar entendimentos e compreensão.

Em razão da fase mais primitiva que racional, qualquer ocorrência desagradável assume proporções inadequadas, que não se justificam, porque os recursos morais da bondade sucumbem ante a cólera que se instala e leva à alucinação.

De certa maneira, remanescendo os comportamentos arbitrários de existências pregressas que não foram domados, facilmente a ira rompe o envoltório delicado da gentileza e acontecem os lamentáveis atritos que devem e podem ser evitados.

A educação equivocada, que estimula o forte à governança, ao destaque, contribui para que a mansidão e a humildade sejam deixadas à margem, catalogadas como fraqueza do caráter e debilidade moral.

O território, no qual cada indivíduo se movimenta, após apropriar-se, é defendido com violência, como se a posse tivesse duração infinita, o que se constitui lamentável equívoco.

Essa debilidade do sentimento se manifesta na conduta convencional do ser humano que opta por ser temido, quando a finalidade da sua existência é tornar-se amado.

Multiplicam-se, indefinidamente, as pugnas, que passam de uma para outra existência até que as Soberanas Leis imponham a submissão e o reequilíbrio através de expiações afligentes.

A lei é de progresso e, por consequência, a todos cabe o esforço de libertação das heranças enfermiças, dos hábitos primitivos, experiênciando conquistas íntimas que se irão acumulando na estrutura emocional que se apresentará em forma de paz e de concórdia.

O conhecimento espírita, porque iluminativo, é o mais eficiente para a edificação moral, defluente da conscientização de que o avanço é inevitável e a repetição das atitudes infelizes constitui estagnação e fracasso...

As dificuldades, portanto, as diferenças de opinião, os insultos e agravamentos devem ser considerados como experimentos, como testes ao aprimoramento espiritual, ao aprendizado das novas condutas exaradas no Evangelho de Jesus.

Quando isso não ocorre, fica-se sujeito à influência maléfica dos Espíritos inferiores que se comprazem em gerar situações embaraçosas, responsáveis por essas condutas lamentáveis.

Indispensável vigiar-se as nascentes do coração, a fim de dominarse a ira, essa fagulha elétrica responsável por incêndios emocionais de resultados danosos.

Considere-se, ademais, a ocorrência de uma parada cardíaca, de um acidente vascular cerebral de consequências irreversíveis, não programados, mas que sucedem quase sempre por falta de controle emocional, provocados pela raiva...

Aprende a dominar os impulsos da ira, porque a existência terrestre não é uma viagem deliciosa ao país róseo da alegria infinita...

Esforça-te por compreender o outro lado, a forma como os outros encaram as mesmas ocorrências...

Luta por vencer a arrogância, porque todos os Espíritos que anelam pela paz e pela vitória das paixões têm, como primeiro desafio, a superação dos sentimentos inferiores, aqueles que devem ser substituídos pelos de natureza dignificante.

Se alguém te aflige, é porque se encontra necessitado de ajuda e não de combate, é a sua forma de chamar a atenção para a sua solidão e angústia.

Fogo com fogo aumenta o incêndio devorador.

Treina colocar no braseiro a água da paz e se apagarão as labaredas ameaçadoras.

Não foi por outra razão que Jesus propôs: — Não resistais ao homem mau, mas a qualquer que vos bater na face direita, oferecei-lhe também a outra, conforme anotou Mateus, no capítulo 5, versículo 39 do seu Evangelho (Mt 5:39).

Esbordoado, no Pretório, Ele exemplificou o ensinamento verbal, sem reagir às agressões, quando os soldados tecendo uma coroa de espinhos, puseram-Lhe sobre a cabeça... mantendo-se em silêncio...

Oferecer a outra face é mais do que expor o lado contrário, a fim de sofrer nova investida da perversidade.

Trata-se da face moral, nobre, que se encontra oculta, aquela rica de sentimentos elevados que distingue uma de outra criatura.

Ninguém é o que apresenta exteriormente. Tanto existem conteúdos cruéis ocultos pela educação, pela dissimulação e hipocrisia, como sentimentos relevantes e bons.

Ao seres alcançado por qualquer ocorrência desagradável que te golpeie a emoção, ferindo a delicadeza das tuas reservas íntimas, ao invés de reagires, desvela a outra face, a do amor, da compaixão, da misericórdia, agindo com serenidade.

A outra face é o anjo adormecido nas paisagens luminescentes do teu mundo interior.

Ali possuis tesouros de amizade e de ternura que desconheces.

Com essa, a brutal, a reagente, a defensiva, já estás identificado, devendo encontrar-te cansado de vivenciá-la.

Imerge, desse modo, no rio de águas silenciosas do teu mundo íntimo e refresca-te com o seu contributo. Logo depois, deixa que os tesouros do amor do Pai que se encontram adormecidos fluam suavemente e se incorporem aos conteúdos habituais, substituindo-os ao longo do tempo e predominando por fim.

À medida que tal aconteça, renascerás dos escombros como a Fênix da mitologia, que se renovava e renascia das cinzas que a consumiam...

O bem é a meta que todos devemos alcançar.

Não te permitas, portanto, perturbar pelas emoções doentias e viciosas que te consomem, destruindo as tuas mais caras realizações espirituais.

Es responsável pelos teus atos, qual semeador que avança, seara dentro, atirando os grãos que irão germinar com o tempo.

Certamente muitos se perderão, outros, no entanto, produzirão multiplicadamente, ensejando colheita superior ao volume ensementado.

Necessário cuidar do tipo das sementes que serão distribuídas pelas tuas mãos.

Semeia bondade e colherás alegria de viver, nunca revidando mal por mal.

Uma faísca, um raio que atinja um depósito de combustível, e logo se apresentará a destruição.

Controla-os, na corrente das tuas reflexões, gerando a disciplina da contenção da sua carga poderosa de energia, canalizando-a para os labores enobrecidos que te exornam a luta, as conquistas já logradas que te honorificam.

A outra face encontra-se coberta por camadas de experiências desastrosas.

Retira esse lixo mental e permite que se apresente irisada de sol espiritual a outra face, para que o amor real seja a marca do teu comportamento em qualquer circunstância ou ocorrência difícil.


Joanna de Ângelis







Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica do Centro Espírita Caminho da Redenção, na noite de 15.4.2009, em Salvador, Bahia.

sábado, 12 de outubro de 2024

Joanna de Ângelis - Livro Atitudes Renovadas - Divaldo P. Franco - Cap. 26 - Sempre o equilíbrio



Joanna de Ângelis - Livro Atitudes Renovadas - Divaldo P. Franco - Cap. 26


Sempre o equilíbrio


O equilíbrio é a postura ideal em todas as circunstâncias e situações da vida.

As lutas e tribulações da existência terrestre quase sempre induzem ao desencanto e à amargura. Isto porque o ser humano sempre aguarda resultados excelentes de todas as tentativas de realização, desinformado quanto às finalidades da existência terrestre.

As utopias e as ilusões convidam-no ao otimismo exagerado, sem as reflexões em torno dos valores reais que devem ser buscados em todos os empreendimentos.

Numa como noutra situação existe uma defasagem em relação à realidade, caracterizando desequilíbrio e imaturidade do indivíduo.

Quando a reflexão faz parte do hábito existencial, as medidas do equilíbrio se expressam confortadoras, orientando na conquista dos objetivos superiores e da harmonia íntima que deve viger em todos os momentos, por mais desafiadores se apresentem.

Por outro lado, a insensatez que predomina no comportamento humano se encarrega de conduzir a pessoa à busca da felicidade louçã, feita de sonhos e engodos, que passam deixando o vazio existencial em prevalência.

Em algumas circunstâncias, emula ao entusiasmo excessivo, que termina em frustração e amargura.

O ser humano, porém, encontra-se programado para alcançar o paraíso, que nele reside em germe, aguardando o desenvolvimento que as experiências da vida se encarregam de liberar.

Filosofias imediatistas, trabalhadas na futilidade, no entanto, fascinam-no e conduzem-no pelo caudaloso rio das distrações materiais, sem lhe produzirem a harmonia indispensável para o autoencontro.

Em face dessa opção equivocada, cria-se a expectativa de felicidade apenas no comportamento sensorial de efêmera duração.

A conscientização da realidade é desafio que somente poucos interessados em aprofundar os objetivos existenciais conseguem identificar, entregando-se-lhes com alegria.

Crê-se, indevidamente, que são incompatíveis os objetivos do progresso material em relação àqueles de natureza transcendental.

Sem dúvida, os compromissos terrenos, aqueles que fomentam o progresso da sociedade, também fazem parte integrante das altas responsabilidades morais do Espírito imortal.

Desse modo, é necessário refletir em torno da conduta, não se entregando de forma afanosa e exagerada ao labor material, como se fosse o único dever a cumprir, tampouco abandonando tudo, com desprezo pelas tarefas sociais e humanas, a fim de cuidar da vida espiritual.

O equilíbrio consiste no trânsito pelo caminho do meio, mediante o discernimento que promove a vida material, ao tempo que ilumina a consciência com o combustível do amor e da ação dignificante.

As experiências vividas no corpo físico são de vital importância para o desenvolvimento do Espírito que alarga os horizontes do conhecimento e do sentimento, lentamente penetrando nos arcanos da vida.

Vagarosa, porém, seguramente, a marcha de quem pretende alcançar as alturas espirituais é feita de pequenas realizações no círculo humano onde se encontra.

O céu ambicionado e que parece distante encontra-se ao alcance do primeiro passo, onde têm lugar as suas fronteiras.

A conquista real da felicidade somente se torna factível quando se compreende o de que se constitui.

Os fogos-fátuos do prazer apresentados pelo materialismo e pelas doutrinas religiosas de ocasião diluem-se, à medida que a realidade se apresenta.

O vir a ser, a que todos aspiram, deve constituir-se pelos conceitos da beleza, da harmonia e da autorrealização que se firmam nos ideais enriquecedores.

Todos anelam pela conquista do paraíso. Nada obstante, poucos se entregam ao afã de encontrá-lo, derrapando nos abismos infernais do desequilíbrio.

Há aqueles que assim procedem por elegerem os caminhos da obstinação perversa, da conduta irrefletida, das ambições desmedidas. E outros existem que, embora se encontrem nos roteiros do bem, utilizam-se negativamente das suas diretrizes para autopromover-se, afligindo e ignorando os demais carentes que encontram pelo caminho...

Desse modo, seguem aos infernos trilhando os roteiros do céu, isto é, da bondade, da fé, da solidariedade que não sabem ou não desejam vivenciar.

Comprometidos com o mal desde antes, conhecem a maneira de triunfar, porém demoram-se estacionados nos ancoradouros do vício em que se comprazem, da comodidade que os agrada...

Quando se acende uma luz, na razão direta que a claridade se esparze, os objetos que estão em frente produzem sombra. E valiosa por fora, sem dúvida. Todavia, quando alguém se autoilumina, à semelhança de uma lâmpada gloriosa, faz-se todo claridade.

O esforço empregado para emboscar no coração a luz da verdade é o compromisso de todo ser inteligente durante a vilegiatura carnal.

Cada passo dado adiante faculta a conquista de mais alto patamar de ascensão, superando as aspirações mantidas e desenhando novos anelos que promovem para cima.

Nunca te detenhas, portanto, no já conseguido, tendo em vista que não existem limites para quem se entrega à luta evolutiva.

Vestindo a indumentária da humildade e revestindo-te com a couraça da fé em Deus, todos os teus esforços se coroarão de bênçãos e as tuas pegadas ficarão na retaguarda como setas de luz apontando o rumo seguro para aqueles que virão depois.

A tua é a missão de construir a Terra melhor e mais feliz, iniciando o labor em teu mundo íntimo e ampliando-o além das fronteiras que te limitam.

Nesse empreendimento encontrarás as dificuldades colocadas pelos anões morais que te buscarão cercear o passo, que lutarão por desanimar-te ou que te tentarão envolver nas suas malhas da bajulação, do encantamento, caso não te consigam derrubar.

Mantém o equilíbrio em todas as situações em que te depares.

Para e reflexiona, a fim de avançares com segurança.

Nunca desistas dos ideais que engrandecem a vida e dignificam a existência.

Todo empreendimento que objetiva a transformação moral do indivíduo e da comunidade enfrenta dificuldades e lutas.

Permanece confiante no teu esforço e no auxílio que receberás de Deus através dos seus mensageiros, se te voltares para Ele.

Assim, nunca percas o equilíbrio quando te encontres no meio da batalha.

Rei solar, Jesus desceu ao vale sombrio do planeta, mergulhando nas densas vibrações, de modo a libertar por definitivo todos aqueles que ainda se encontravam aprisionados na ignorância e na selvageria.

O seu equilíbrio durante a transfiguração gloriosa em que foi homenageado por Moisés e Elias permaneceu inalterado, com os mesmos significados quando na cruz de infâmia e de punição indevida...

Esse é o equilíbrio máximo: na elevação do amor sublime e no momento de adentrar-se na esplêndida e permanente madrugada luminosa da imortalidade através da ressurreição.


Joanna de Ângelis  











quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Joanna de Ângelis - Livro Atitudes Renovadas - Divaldo P. Franco - Introdução



Joanna de Ângelis - Livro Atitudes Renovadas - Divaldo P. Franco


Introdução


Afirma-se, com certo pessimismo, que o ser humano é o único animal que não aprendeu a viver.

A generalidade do conceito peca por exagero, considerando-se as admiráveis exceções a essa regra.

Sucede que o ser humano é, por sua vez, o único animal que pensa, e nem sempre reflexiona antes de agir corretamente, vitimado pelos atavismos defluentes das atitudes enfermiças que procedem das multifárias reencarnações, especialmente quando no trânsito das experiências primárias.

Profundamente marcado por hábitos, insalubres uns, perturbadores outros, todos eles são manifestação dos instintos em predomínio nas fases primevas, os seus reflexos condicionados automaticamente ainda se expressam em prejuízo da razão, que se insinua suavemente no processo evolutivo.

A medida, porém, que se lhe desenvolvem a capacidade do raciocínio, o hábito de pensar com equilíbrio, apresentam-se-lhe novos horizontes propiciadores de ações dignificantes.

Ao mesmo tempo, a contribuição do sofrimento, que lhe trabalha o Espírito, propõe diferentes costumes, que se fixarão como futuros condicionamentos libertadores das paixões grosseiras a que se encontra habituado, ensejando-lhe as alegrias do bem-estar consciente.

Os hábitos constituem fenômenos psicológicos e sociológicos que a boa educação canaliza em favor da saúde integral e do progresso moral do indivíduo.

Em face do estágio em que se encontra, é compreensível que se manifestem com maior frequência os costumes inferiores pertencentes à sua natureza animal, em detrimento da espiritual.

O estudo sério e o interesse pela transformação moral e pela aquisição da harmonia encarregam-se de produzir a mudança do comportamento, fenômeno que ocorre com segurança e relativa lentidão.

Não são poucos os distúrbios de conduta que resultam dos hábitos agressivos, desconfiados, temerários... Em sequência, agridem o organismo físico e perturbam-lhe a estrutura, mediante somatização inevitável, que se transforma em tormento na área da saúde. Assim, o sistema imunológico é vitimado pelas descargas mentais mórbidas, que lhe alteram as resistências, tornando-o vulnerável à agressão de bactérias, vírus e outros agentes de destruição... Instalam-se, em consequência, algumas doenças que poderiam ser evitadas, caso fosse mantida a conduta saudável.

A mudança dos hábitos mórbidos e da acomodação emocional contribui para a renovação e a alegria de viver, proporcionando satisfações indescritíveis que fazem parte do processo existencial.

Enquanto o indivíduo não desperte para a sua realidade de ser integral que é — Espírito, perispírito e matéria — responsabilizando-se pelas mudanças que devem operar em seu mundo íntimo, a fim de modificar o comportamento, ninguém poderá auxiliá-lo no mister, que é exclusivamente seu. Desse modo, a renovação moral é pessoal e intransferível.

A estatística das reações humanas agressivas e perniciosas nos relacionamentos expressa a ideia do estágio evolutivo que predomina entre os indivíduos terrestres.

Conversações obscenas e eróticas, vulgaridades e pessimismo, censuras contumazes e reclamações, observações injustas e perversas, comentários deprimentes e venenosos são os mais comuns, com lamentável exaltação do chulo e do extravagante, nivelando-se as pessoas pelos valores depreciativos e infelizes do primarismo.

O ser humano está fadado à plenitude, e o seu processo de iluminação é inevitável, cabendo-lhe o dever de estruturar-se nos princípios éticos e morais que proporcionam harmonia interior e bem-estar emocional, de forma a sentir-se estimulado pela necessidade do desenvolvimento das faculdades superiores que o caracterizam como herança do amor sublime de Deus.

Esse esforço é impostergável, impondo-se como necessidade para que ocorra a mudança de comportamento, para melhor.

Certamente não será por efeito miraculoso, nem por golpe de sorte ou de ocasião, mas através do esforço combinado entre a vontade e a razão, que oferecem os benefícios de grande importância para a saúde pessoal e a felicidade de viver.

Tendo-se em vista os desafios para a marcha ascensional, o Senhor da Vida oferece a bênção das sucessivas reencarnações, mediante as quais, em cada etapa, o Espírito desenvolve uma faculdade e uma aptidão, ou diversas simultaneamente, a depender dos seus esforços pessoais, superando aquelas negativas e vivenciando aqueloutras saudáveis e libertadoras.

O erro, a ilusão do prazer, os comprometimentos são quase sempre inevitáveis, fazem parte do próprio processo; no entanto, ao percebê-los, devem ser superados e logrados outros patamares, de modo que não interfiram nas ações novas que se devem tornar hábitos edificantes e enriquecedores.

As atitudes renovadas abrem espaço para novas aspirações e futuras conquistas, que aguardam o indivíduo que aspira à paz e ao encontro com a perfeita identificação com os objetivos gloriosos que a vida lhe propõe.

Pensando nessa problemática afligente que transtorna os indivíduos e as multidões desvairadas, elaboramos trinta temas de atualidade, que se referem aos conflitos humanos, às ocorrências sociais, políticas, comportamentais e religiosas, enfocando a necessidade de ser operada a modificação dos hábitos doentios que devem ser substituídos pelos saudáveis.

Analisamos esses fenômenos humanos sob a visão espírita e oferecemos os recursos próprios para a sua identificação e superação do seu jugo mórbido, ampliando a área de conduta daqueles que já compreendem a imperiosa necessidade de transformação moral e de conquistas internas.

Não se trata de contribuições fantasiosas ou utópicas, mas de colaboração racional e significativa, fruto da larga experiência vivencial no trânsito pelas existências pretéritas, de que nos fomos libertando sob as bênçãos de Jesus e dos esforços empregados.

Algumas dessas páginas foram publicadas oportunamente por alguns órgãos da imprensa espírita e profana.

Reaparecem aqui enfeixadas no presente livro, com algumas breves considerações, a fim de manterem a harmonia do conjunto e do tema a que nos propusemos.

Esperamos que possam contribuir em favor da aquisição da harmonia, produzindo hábitos novos, alterados para melhor.

Não se trata de um vade-mécum salvacionista e milagroso, com regras de boa conduta, mas de modesta cooperação de nossa parte, resultado de demoradas reflexões em torno do Evangelho de Jesus à luz da Doutrina Espírita, no seu mais belo e profundo significado.


Joanna de Ângelis















Salvador, 06 de julho de 2009

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Joanna de Ângelis - Livro Atitudes Renovadas - Divaldo P. Franco - Cap. 3 - A benção da reencarnação



Joanna de Ângelis - Livro Atitudes Renovadas - Divaldo P. Franco - Cap. 3


A benção da reencarnação 


Considera o teu estágio na Terra, no corpo físico, uma oportunidade especial para o teu crescimento espiritual. 

Esforça-te por aproveitar cada momento da superior experiência evolutiva, a fim de poderes amealhar valores imperecíveis que te acompanharão para sempre. 

Tem em mente que o processo evolutivo é realizado através  de etapas  formosas que proporcionam o aperfeiçoamento moral, a liberação dos atavismos perturbadores, a conquista de bens internos intransferíveis.

Não malbarates os ensejos de aprendizagem através do jogo ilusório do prazer insaciável, mantendo a certeza de que o tempo é amigo daquele que o utiliza com sabedoria, tornando-se adversário silencioso de quem o gasta na inutilidade. 

A viagem corporal constitui recurso de alta valia para a aquisição da plenitude, o que equivale dizer, da autorrealização, que se converte em paz interior e em sentimento de felicidade. 

O corpo é instrumento do Espírito que o deverá comandar seguramente com disciplina e amor. 

Dotado de impulsos resultantes do fatalismo biológico, a razão e a consciência devem constituir-lhe   orientação   segura   e   recurso   de   sabedoria   para   a   solução   dos   desafios   e   o enfrentamento das dificuldades que são naturais. 

Não desgastes futilmente, porquanto ele te responderá conforme a maneira com que utilizes a sua vitalidade. 

De acordo com a forma como te conduzas mentalmente, ele refletirá os teus anseios e necessidades de maneira gentil ou através de inquietações e sofrimentos contínuos. 

Engajado   na   organização   material,   o   Espírito   tem   portos,   desenvolver   as   emoções superiores, a fim de conseguir a compreensão legítima da finalidade existencial. 

Reserva as tuas reflexões para o desempenho das tarefas que terás de atender, porque todos aqueles que retornam à vida física estão comprometidos com a retaguarda. 

Mesmo os missionários do amor, da caridade, da ciência, da religião, da política e das realizações humanas aceitaram a experiência do retorno, por gratidão às conquistas passadas, oferecendo-se para auxiliar todos aqueles que se encontram na retaguarda, à semelhança de estrelas em noite escura...

Recebe o retorno das tuas ações, como quer que se apresentem na atualidade, modificando a estrutura daquelas que te afligem e sublimando aqueloutras que te alegrem. 

O Espírito é sempre o construtor dos projetos evolutivos dentro das Leis vigentes no Universo. 

De acordo com as suas reflexões mentais, palavras e atos, desenha os planos para o futuro que o aguarda silenciosamente, mas inflexível. 

Ninguém, por   isso   mesmo   pode   evadir-se   da   consciência,   dos   deveres   relevantes,   do crescimento espiritual. 

As Leis Divinas estabelecem que o progresso é irrefragável, e nada o detém. Pode-se estacioná-lo no caminho por algum tempo. No entanto, momento chega em que o amor de Deus enseja a expiação ao calceta, e ele, encarcerando-se no corpo, impossibilitado de complicar o processo de evolução, reeduca-se, desperta para a realidade. 

Seja qual for a situação em que te encontres hoje na jornada física, agradece a Deus a oportunidade ímpar, por oferecer-te os instrumentos de libertação e de felicidade.  

Se defrontas sofrimentos e inquietações, reserva-te a serenidade, e continua agindo com equilíbrio, de forma a fruíres mais tarde a paz que ora te falta. 

Se te encontras algemado a limites e a dores excruciantes, mantém a paciência, porque esse fenômeno logo passará, facultando-te emoções grandiosas. 

Se experimentas solidão e desconforto, guarda a confiança em Deus e avança, mesmo que chorando, na expectativa dos reencontros felizes  e das alegrias inefáveis. 

Se te atormentaram alguns Espíritos inferiores, que te inspiram ideias perturbadoras e te exploram  as  resistências,  ora  por eles  e  ama-os   quanto  possas.  São os  irmãos  que  deixaste desafortunados em dias não muito distantes. 

Se encontras adversidades por onde deambulas, recolhe as lições delas defluentes, porque as semeaste ontem, tendo agora o ensejo de recolhê-las e superá-las. 

Se sofres humilhações e adversidades em toda parte, não recalcitres contra o aguilhão, antes compreende   que   essas   experiências   irão   fortalecer-te   interiormente,   da   mesma   forma   que   os vendavais enrijecem as árvores que lhes sofrem a violência. 

Tudo tem uma razão de ser no Universo. Mesmo aquilo que não entendas, está vinculado a causas legítimas que desencadearam esses efeitos afligentes. 

As Leis Morais que vigem em toda parte, emanadas de Deus, são soberanas em sua justiça e alcançam   todos   os   Espíritos:   bons   e   maus,   superiores   e   inferiores,   angélicos   e   perversos, naturalmente de acordo com o seu nível de evolução. 

Se permaneceres confiante e trabalhando pelo próprio crescimento espiritual, fruirás alegrias desde o momento em que te entregues ao mister. O fato de estares a serviço do bem e da verdade, do dever e da dignidade, já constitui divina dádiva, que estás transformando em sabedoria. 

Ninguém transita na Terra sem experienciar o resultado dos seus atos anteriores, o que é perfeitamente compreensível. 

Grande número de queixos afirma que não se lembra do momento em que delinquiu, o que lhe serviria de justificativa para não resgatar afrontas nem crimes. 

Deus concede o parcial olvido do passado, por compreender que as lembranças boas ou más não se restringem apenas ao indivíduo, mas ao grupo no qual se movimentou, facultando-lhe, então, caso recordasse, tomar conhecimento das ocorrências que foram praticadas pelos demais da esfera fraternal. 

Todavia,   esse   olvido   não   é   total,   porquanto,   através   dos   impulsos   emocionais,   das tendências, das ocorrências, todos têm conhecimento de como devem ter sido. 

Ademais, graças à mediunidade, às recordações espontâneas, quando necessárias, a alguns sonhos, volvem as cenas felizes ou desventuradas, ressurgem os afetos ou os adversários na paisagem mental. 

O importante, portanto, é o hoje, não o que se foi, aquilo que desencadeou a ocorrência que agora vives. 

Desse modo, aquieta os sentimentos doridos, procura compreender os objetivos existenciais e atua no bem tanto quanto te seja possível. 

Faze um pouco mais: vai além dos teus limites...

Inscreve-te, de imediato, emocionalmente, nos compromissos de iluminação interior, e trabalha para que a luz divina de onde procedes desenvolva-se no âmago do teu ser, clareando-te totalmente e tornando-te uma chama que esparze caridade e alegria. 

A reencarnação é tesouro de elevado significado e grandioso valor. 

Vive-a com serenidade e júbilo, burilando-te espiritualmente e avançando pela estrada que Jesus percorreu, nela deixando Suas pegadas luminíferas. 

Também Ele, que não tinha dívidas, experienciou amarguras e incompreensões, sofreu perseguições inclementes e dolorosas, prosseguindo, porém, afável e gentil, mesmo com aqueles que tentavam dificultar-Lhe o ministério divino. 

Se malbaratas esta chance, ao te poderás queixar nem aspirar por nova oportunidade com rapidez, porque a marcha do progresso obedece a códigos que não podem ser desconsiderados. 

Abençoa, desse modo, a atual existência, com as lições do Evangelho de Jesus, vivendo-as no dia-a-dia, feliz e agradecido a Deus com as tuas atitudes renovadas.


Joanna de Ângelis










segunda-feira, 7 de março de 2022

Joanna de Ângelis - Livro Atitudes Renovadas - Divaldo P. Franco - Cap. 05 - Considerações sobre a tristeza




Joanna de Ângelis - Livro Atitudes Renovadas - Divaldo P. Franco - Cap. 05


Considerações sobre a tristeza


Os sentimentos humanos expressam-se de variada forma, com flutuações que determinam o equilíbrio, a saúde mental e emocional ou os estados patológicos, necessitados de tratamento.

A tristeza não é o inverso da alegria, mas a sua ausência momentânea.

É um estado que conduz à reflexão e não ao desinteresse pela vida, à contemplação dos valores vividos e não à melancolia, mas à análise das necessidades reais ainda não expressadas..
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Ante a temerária depressão generalizou-se o conceito de que a tristeza, a melancolia e a antiga acédia ou acídia são todas a mesma expressão do sentimento.

A tristeza, porém, é um fenômeno natural que ocorre com todas as pessoas, mesmo aquelas que vivenciam os mais extraordinários momentos de alegria. Pode ser considerada como uma pausa para a compreensão da existência, avançando no rumo do júbilo.

A melancolia é um estado de saudade de algo conhecido e perdido ou desconhecido e não experimentado que, em se prolongando, pode transformar-se em depressão.

Enquanto a tristeza convida à viagem interior, propondo avaliação de comportamento e consideração de valores aceitos, a melancolia normalmente é resultado de algum ser querido. No início, é natural que ocorra, no entanto, em se prolongando por algumas semanas converte-se em transtorno depressivo, que necessita de competente tratamento.

A sociedade contemporânea estabeleceu que a alegria deve ser um estado constante de todos os indivíduos, significando êxito, realização nos relacionamentos, triunfo social e econômico, conquista de posição relevante. Em consequência, há um estereótipo representando alegria, mesmo quando o coração chora e o espírito se debate em conflitos e dores não exteriorizados.

Ninguém pode viver em alegria permanente, o que seria igualmente patológico, uma forma de alienação da realidade, que sempre exige seriedade, esforço e trabalho, a fim de ser vivida em forma edificante.

A frivolidade apresenta-se, quase sempre, em alegria leviana, irresponsável, porque desvia a pessoa das responsabilidades que lhe dizem respeito, flutuando na indiferença entre os deveres e os prazeres.

Não se pode nem se deve afivelar a máscara da alegria televisiva na face, demonstrando um júbilo que não é real, porque o próprio organismo, a cada momento passa por alterações que modificam o humor, convidam ao silêncio, à reflexão, ao refazimento de atitudes.

(...) Pode acontecer, igualmente, que, de um instante para o outro, perceba-se que aquilo que se está fazendo não é exatamente o que se gostaria de realizar, abrindo espaço para uma certa tristeza, que irá contribuir para refazer experiências e viver-se conforme os novos padrões emocionais.

A felicidade expressa-se no conjunto tristeza-alegria, na condição de ponte que une distâncias aparentemente opostas.

Não são poucos aqueles que possuem os preciosos recursos econômicos, os triunfos sociais e políticos, religiosos e artísticos, ou de outro tipo, experimentando solidão e vazio existencial, que têm origem em reencarnações anteriores.

Não possuindo estrutura moral segura, esse paciente foge para os alcoólicos, as drogas aditivas, o sexo apressado, mantendo o riso e a falsa alegria, parecendo realizado, para logo tombar em estados dolorosos de melancolia e depressão.

Na cultura grega a melancolia era considerada, ora como punição dos deuses, noutras circunstâncias, como condição necessária para receber-lhes a inspiração.

Aristóteles, por exemplo, narra que Sócrates e Platão periodicamente experimentavam-na, sendo então por eles inspirados.

Consideramos, neste texto, a melancolia como a tristeza, o recolhimento, a necessidade de silêncio interior, por cujo estado mais facilmente sintonizavam com o pensamento espiritual procedente das Esferas superiores, dos Espíritos nobres que os orientavam.

Leon Tolstoi, o célebre escritor russo, vivenciou uma grande tristeza, que lhe exigiu reflexões profundas em torno do existir, do porvir, do viver. Encontrando-se na melhor fase da sua carreira de escritor, amado por uma família feliz e conhecido praticamente em todo o mundo, respeitado e rico, repentinamente começou a contestar a própria existência, tendo impulsos quase suicidas, que lutou para evitar e corajosamente superou.

Não chegou a entrar em depressão, mas a considerar que os valores até então aceitos e disputados eram vazios, não lhe conseguindo mais preencher o íntimo com reais alegrias.

Depois de grande interiorização, leu o Evangelho de Jesus e nele encontrou a resposta, a verdadeira alegria, mudando o modus vivendi, repartindo a fortuna, os bens, assumindo postura simples e o comportamento de cidadão modesto, tornando-se irmão do seu próximo e dando lugar a uma verdadeira revolução, em face daqueles que o seguiram nessa decisão.

Perseguido pela religião dominante na Rússia, como herege, declarou sua crença no Deus justo, de amor, de misericórdia e de justiça, Pai de todas as criaturas que tinham o mesmo direito de ser felizes na Terra.

Quando o Espírito, que tem sede de paz e de plenitude, descobre que está engessado nos compromissos sociais, atrelado ao relógio que lhe comanda todos os momentos, obrigado a comportar-se de maneira padronizada, livre, mas escravo das imposições dos multiplicadores de opinião da mídia mercantilizada, mais interessada nos mecanismos do consumo do que na criatura em si mesma, desperta desse letargo, dessa ilusão que se permite, experimenta tristeza pelo tempo malconduzido.

Trata-se de uma tristeza saudável e enriquecedora, essa que se manifesta, não como infelicidade, mas como terapia para o excesso de risos e de aparências...

A preocupação que toma conta da sociedade contemporânea em parecer, é tão grande, que se estabeleceram padrões para a beleza, o comportamento, a alimentação, os relacionamentos, as posturas do triunfo e a conquista dos minutos de holofotes...

A tristeza, portanto, tem vez em qualquer comportamento moral, social, religioso, individual, trabalhando o indivíduo para a renovação interior e a conquista de valores mais profundos e significativos do que os existentes e consumidores.

Nada obstante, não se deve cultivar a tristeza como necessária para o discernimento a cada instante ou em toda parte.

Fenômeno psicológico transitório, deve ceder lugar à reflexão, ao despertamento e à valorização dos tesouros morais, culturais e espirituais.

A tristeza sem lamentação, sem queixas, sem ressentimentos, é, pois, psicoterapêutica, de vez em quando, para a conquista real do equilíbrio, com discernimento do que é lícito e deve ser conquistado.

Muitas vezes Jesus chorou de tristeza contemplando a loucura humana, o seu desequilíbrio, o desinteresse pelo verdadeiro e a ambição pelo mentiroso.

Sorriu, também, quando choraram aqueles que O foram ver no sepulcro, então ressuscitado, como houvera antes muitas vezes chorando.

Mergulhou em tristezas, em muitas ocasiões, quando, por exemplo, buscou o deserto para meditar, quando incompreendido pelos exploradores do povo, quando encontrou o Templo transformado em mercado de interesses inferiores, quando no Horto das Oliveiras...

A tristeza era-Lhe familiar, embora Ele houvesse trazido as boas novas de alegrias para a humanidade.

Não cultives a tristeza nem fujas dela, aceitando-a, quando se te apresentar e retirando o melhor resultado da oportunidade de reflexão que te proporcione.

Com esse comportamento estarás experienciando atitudes renovadas.


Joanna de Ângelis