Mostrando postagens com marcador Ante a reencarnação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ante a reencarnação. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

André Luiz - Livro Entre a Terra e o Céu - Chico Xavier - Cap. 29 - Ante a reencarnação



André Luiz - Livro Entre a Terra e o Céu - Chico Xavier - Cap. 29


Ante a reencarnação


Na noite imediata, atendendo-nos a solicitação, Clarêncio conduziu-nos ao domicílio do ferroviário, para observações.

Penetramos respeitosamente o quarto em que Odila nos recebeu, contente e gentil.

Tudo lhe parecia desdobrar-se com segurança.

Júlio dormia.

Não mais acordara, informou a guardiã, feliz. Tinha a impressão de que o reencarnante desaparecia pouco a pouco, na constituição orgânica de Zulmira, como se a futura mãezinha fosse um filtro miraculoso a absorvê-lo.

A genitora desencarnada mostrava-se satisfeita e esperançosa. Preferia ver o filhinho confiado ao sono profundo. As aflições e os gemidos dele lhe haviam dilacerado o coração.

O renascimento, por esse motivo, representava uma bênção para as inquietantes responsabilidades maternais de que se via detentora.

Observamos que Júlio se caracterizava por enorme diferença.

O corpo sutil do menino denotava espantosa transformação. Adelgaçara-se de maneira surpreendente.

Tive a ideia de que ele e Zulmira, alma com alma, se fundiam um no outro. A moça ganhara em plenitude física e vivacidade espiritual quanto perdia o menino na apresentação exterior. Júlio adormecera aliviado, ao passo que a jovem senhora demonstrava admirável despertamento para a vida. 

A segunda esposa de Amaro modificara-se de modo sensível. Como as pessoas felicitadas por novos títulos de confiança no trabalho, revelava-se mais alegre e mais cônscia das obrigações que lhe competiam.

A transfusão fluídica era ali evidente.

O organismo materno assemelhava-se a um alambique destinado a sutilizar as energias do reencarnante para restituí-las, decerto, a ele mesmo, na formação do novo envoltório.

Registrando-nos o assombro, o instrutor explicou com a sua habitual gentileza:

— A reencarnação, tanto quanto a desencarnação, é um choque biológico dos mais apreciáveis. 3 Unido à matriz geradora do santuário materno, em busca de nova forma, o perispírito sofre a influência de fortes correntes eletromagnéticas, que lhe impõem a redução automática. 

Constituído à base de princípios químicos semelhantes, em suas propriedades, ao hidrogênio, a se expressarem através de moléculas significativamente distanciadas umas das outras, quando ligado ao centro genésico feminino experimenta expressiva contração, à maneira do indumento de carne sob carga elétrica de elevado poder. 

Observa-se, então, a redução volumétrica do veículo sutil pela diminuição dos espaços intermoleculares. Toda matéria que não serve ao trabalho fundamental de refundição da forma é devolvida ao Plano etereal, oferecendo-nos o perispírito esse aspecto de desgaste ou de maior fluidez.

— Quer dizer então… — Aventurou Hilário, em sua curiosidade construtiva.

— Quero dizer que os princípios organogênicos essenciais do perispírito de Júlio já se encontram reduzidos na intimidade do altar materno, e, à maneira de um ímã, vão aglutinando sobre si os recursos de formação do novo vestuário de carne que lhe será o vaso próximo de manifestação.

— E a forma a rarefazer-se sob nossos olhos? — Inquiriu meu colega, espantado.

— Está em ativo processo de dissolução.

E, com a bela serenidade que lhe assinala o espírito, continuou elucidando:

— Também o corpo físico parece dormir na desencarnação, quando, na realidade, começa a restituir as unidades químicas que o compõem à Natureza que lhos emprestou a título precário, apenas com a diferença de que a alma desencarnada, ainda mesmo quando em deploráveis condições de sofrimento e inferioridade, avança para a libertação relativa, ao passo que, em nos reencarnando, sofremos o processo de volta às teias da matéria densa, não obstante orientados por nobres objetivos de evolução.

É por isso que, conduzidos à reconstituição orgânica, revivemos, nos primeiros tempos da organização fetal, embora apressadamente, todo o nosso pretérito biológico. Cada ser que retoma o envoltório físico revive, automaticamente, na reconstrução da forma em que se exprimirá na Terra, todo o passado que lhe diz respeito, estacionando na mais alta configuração típica que já conquistou, para o trabalho que lhe compete, de acordo com o degrau evolutivo em que se encontra.

A maneira simples pela qual Clarêncio esflorava problemas tão complexos, induzia-nos a sublimados pensamentos, quanto à magnitude das Leis Universais.

Ali, diante de um caso comum de reencarnação, auxiliado apenas pelas nossas preces no culto à fraternidade, obtínhamos vastas elucidações sobre o plano geral da existência.

Inspirado talvez na mesma faixa de reflexões que me preocupavam o espírito, Hilário inquiriu:

— Os princípios que analisamos funcionam em igualdade de circunstâncias para os animais?

— Como não? — Replicou o nosso orientador, paciente, — todos nos achamos na grande marcha de crescimento para a imortalidade. 

Nas linhas infinitas do instinto, da inteligência, da razão e da sublimação, permanecemos todos vinculados à lei do renascimento como inalienável condição de progresso. 

Atacamos experiências múltiplas e recapitulamo-las, tantas vezes quantas se fizerem necessárias, na grande jornada para Deus. 

Crisálidas de inteligência nos setores mais obscuros da Natureza evolvem para o plano das inteligências fragmentárias, onde se localizam os animais de ordem superior que, por sua vez, se dirigem para o reino da consciência humana, tanto quanto os homens, pouco a pouco, se encaminham para as gloriosas Esferas dos anjos.

O instrutor, entretanto, voltou-se para o leito em que mãe e filho jaziam, intimamente associados, e sentenciou:

— Preocupemo-nos, porém, com o serviço da hora presente. Estudemos o caso sob nossa observação para que o nosso dever de solidariedade seja bem cumprido.

O apontamento reajustou-nos.

Hilário que, tanto quanto eu, se mostrava interessado em aproveitar a lição, fixando o quadro sob nossos olhos, pediu uma explicação tão simples quanto possível acerca da comunhão fisiopsíquica de Zulmira e Júlio naquele instante, ao que Clarêncio respondeu, após refletir alguns momentos:

— Imaginemos um pêssego amadurecido, lançado à cova escura, a fim de renascer. Decomposto em sua estrutura, restituirá aos reservatórios da Natureza todos os elementos da polpa e dos demais envoltórios que lhe revestem os princípios vitais, reduzindo-se no imo do solo ao embrião minúsculo que se transformará, no espaço e no tempo, em novo pessegueiro.

O ensinamento não podia ser mais lógico, mais preciso.

— Então, por isso, — acrescentou Hilário, estudioso, — é que as crianças desencarnadas reclamam período de tempo mais ou menos longo para demonstrarem crescimento mental, como ocorre na existência comum…

— Isso acontece com a maioria, — informou o Ministro, — de vez que há exceções na regra. Em muitas circunstâncias, semelhante imposição não existe. 

Quando a mente já desenvolveu certas qualidades, aprimorando-se em mais altos degraus de sublimação espiritual, pode arrojar de si mesma os elementos indispensáveis à composição dos veículos de exteriorização de que necessite em Planos que lhe sejam inferiores. Nesses casos, o Espírito já domina plenamente as leis de aglutinação da matéria, no campo de luta que nos é conhecido e, por esse motivo, governa o fenômeno da própria reencarnação sem subordinar-se a ele.

Fitávamos o semblante calmo de Zulmira, que respirava serena, feliz.

— O problema de Júlio, no entanto, — considerei, — afigura-se-nos bastante doloroso…

— Doloroso mas educativo, quanto o de milhares de criaturas, cada dia, na Terra, — ponderou Clarêncio, imperturbável. — Nosso companheiro vencido e enfermo, em razão de compromissos adquiridos na carne, na carne encontrará caminho ao próprio reajuste.

— E a questão da hereditariedade? — Indagou meu companheiro, reverente. — Júlio, perdendo o corpo sutil em que chorava atormentado, ressurgirá na existência física sem a moléstia que o apoquentava, por herdar fatalmente os característicos biológicos dos pais?

O orientador sorriu, de maneira expressiva, e asseverou:

— A hereditariedade, qual é aceita nos conhecimentos científicos do mundo, tem os seus limites. 

Filhos e pais, indubitavelmente, ainda mesmo quando se cataloguem distantes uns dos outros, sob o ponto de vista moral, guardam sempre afinidade magnética entre si; desse modo, os progenitores fornecem determinados recursos ao Espírito reencarnante, mas esses recursos estão condicionados às necessidades da alma que lhes aproveita a cooperação, porque, no fundo, somos herdeiros de nós mesmos. 

Assimilamos as energias de nossos pais terrestres, na medida de nossas qualidades boas ou más, para o destino enobrecido ou torturado a que fazemos jus, pelas nossas conquistas ou débitos que voltam à Terra conosco, emergindo de nossas anteriores experiências.

— Somos então levados a crer que Júlio transportará consigo a enfermidade que sofria em nosso Plano, à maneira de alguém que, em se mudando de domicílio, não modifica o quadro orgânico… — Observou Hilário, com sensatez.

— Isso mesmo, — elucidou o Ministro, satisfeito, — o problema é de natureza espiritual. Durante a gravidez de Zulmira, a mente de Júlio permanecerá associada à mente materna, influenciando, como é justo, a formação do embrião. 

Todo o cosmo celular do novo organismo estará impregnado pelas forças do pensamento enfermiço de nosso irmão que regressa ao mundo. Assim sendo, Júlio renascerá com as deficiências de que ainda é portador, embora favorecido pelo material genético que recolherá dos pais, nos limites da lei de herança, para a constituição do novo envoltório.

Depois de breve pausa, concluiu:

— Como vemos, na mente reside o comando. A consciência traça o destino, o corpo reflete a alma. Toda agregação de matéria obedece a impulsos do Espírito. Nossos pensamentos fabricam as formas de que nos utilizamos na vida.

Calou-se o instrutor.

Odila tomou a palavra comentando as suas esperanças para o futuro.

Conversamos de novo, animadamente.

E, logo após, uma prece do Ministro encerrava para nós a deliciosa reunião.


André Luiz





VÍDEO:

Entre a Terra e o Céu - Capítulo 29 - Ante a reencarnação
O Espírito da Letra

Apresentação: André Luiz Ruiz



O Espírito da Letra - Analisando a obra de André Luiz Entre a Terra e o Céu - Psicografia de Chico Xavier


Participe! Inscreva-se no canal, compartilhe, deixe o seu joinha e comentário neste vídeo! FACEBOOK: https://www.facebook.com/tvalvoradaes... Produção - TV Alvorada Espírita - http://www.tvalvoradaespirita.com.br 

Realização - TV Mundo Maior - http://www.tvmundomaior.com.br



sábado, 6 de agosto de 2022

Cornélio Mylward - Livro Instruções Psicofônicas - Espíritos Diversos/Chico Xavier - Cap. 12 - Ante a reencarnação




Cornélio Mylward - Livro Instruções Psicofônicas - Espíritos Diversos/Chico Xavier - Cap. 12


Ante a reencarnação


Nas tarefas da noite de 27 de maio de 1954, consoante as informações dos nossos Benfeitores Espirituais, e, segundo deduzimos das diversas comunicações obtidas de entidades sofredoras, nosso Grupo achava-se repleto de companheiros desencarnados, sequiosos de reencarnação, muitos deles implorando a volta à carne como único recurso de solução aos problemas que lhes torturavam a alma.

Primeiramente Emmanuel, o nosso instrutor de sempre, incorporou-se ao médium e transmitiu-nos o apontamento que passamos a transcrever:

“Meus amigos, a paz do Senhor seja conosco.

“Enquanto a Escola Espiritual na Terra prepara as criaturas reencarnadas para o fenômeno da morte, em nosso Plano de ação essa mesma Escola prepara as criaturas desencarnadas para o aprendizado da existência no corpo físico.

“Atento a este programa, nosso irmão Cornélio tomará hoje o equipamento mediúnico a fim de dirigir-se, por alguns momentos, à grande assembleia de companheiros que se achegam ao nosso recinto, suspirando pelo retorno ao templo de luta na matéria mais densa.

“Passemos, desse modo, a palavra ao nosso amigo e que Jesus nos abençoe.

Emmanuel


Logo após, o irmão Cornélio Mylward, que foi generoso médico em Minas Gerais e que frequentemente nos assiste com a sua dedicação fraterna, tomou o campo mediúnico e, em voz grave e pausada, dirigiu aos desencarnados presentes o apelo a seguir:

Sim, disputais novos recursos de esclarecimento e redenção no precioso santuário da carne…

Muitos de vós aguardais para breve essa dádiva, através de petições que não nos é lícito examinar.

Indubitavelmente, na maioria das vezes, nosso regresso ao trabalho no mundo físico exprime verdadeiro prêmio de luz…

Para que obtenhamos tal concessão, porém, é indispensável nosso concurso com a Lei Divina, obedecendo-lhe aos regulamentos que definem o Bem Infinito, em todas as suas manifestações.

É preciso modificar os nossos “clichês” mentais para que a nossa volta à escola terrestre signifique recomposição e refazimento. Essa transformação, contudo, não será levada a efeito apenas à força de preces, meditações e conclusões em torno do passado. Faz-se imprescindível a dinâmica da ação.

O serviço será sempre o grande renovador de nossa vida consciencial, habilitando-nos à experiência reconstrutiva, sob a inspiração de nosso Divino Mestre e Senhor.

Não conquistaremos o vestuário carnal entre os homens sem aquisição de simpatia entre eles. É necessário gerar no espírito daqueles nossos associados do pretérito, que se encontram no educandário humano, a atitude favorável à solução dos nossos problemas.

Templos religiosos, estabelecimentos hospitalares, círculos de assistência moral, domicílios angustiados, cárceres de sofrimento, palcos de tortura expiatória… eis nosso vasto setor de concurso fraterno!

Nessas esferas de regeneração e corrigenda, companheiros encarnados e desencarnados, padecentes e aflitos, expressam o material de nossa preparação.

A fim de esquecer velhas provas, aliviemos as provas alheias.

Para desobstruir o caminho de nossa consciência culpada, devemos favorecer a libertação dos que suportam fardos mais pesados que os nossos, porque ajudando aos nossos semelhantes angariaremos o auxílio deles, fazendo-nos, ao mesmo tempo, credores do amparo daqueles Irmãos Maiores que nos estendem próvidos braços da Vida Superior.

Pacifiquemos o espírito, oferecendo mãos amigas aos que peregrinam conosco, e construiremos o trilho de acesso à preciosa luta de que carecemos na própria reabilitação.

Somente a atividade em socorro ao próximo conseguirá renovar-nos a fonte do pensamento, traçando-nos seguras diretrizes, pois sob o guante de nossas lembranças constringentes o esforço da reencarnação redundará impraticável, de vez que nossas reminiscências infelizes são fatores desequilibrantes de nosso mundo vibratório, impedindo-nos a formação de novo instrumento fisiológico suscetível de conduzir-nos à reorganização do próprio destino.

Expurguemos a mente, apagando recordações indesejáveis e elevando o nível de nossas esperanças, porque, na realidade, somos arquitetos de nossa ascensão.

Somente ao preço de uma vontade vigorosa e pertinaz, situada no bem comum, é que lograremos conquistar o interesse dos Grandes Instrutores em prol da concretização de nossas aspirações mais nobres.

Regenerando a química de nossos sentimentos, o que decerto nos custará renunciação e sacrifício, atingiremos mais clara visão para reencontrar os laços de nosso pretérito, e, então, segundo os dispositivos da hereditariedade, que traduz parentesco de inclinações e compromissos, seremos requisitados pelas criaturas que se afinam conosco, tanto quanto, desde agora, estão elas sendo requisitadas por nossos anseios.

Reaproximar-nos-emos, desse modo, de quantos se harmonizam com a experiência em que nos demoramos, e, aderindo-lhes à existência, seremos defrontados pelas provas condizentes com a nossa natureza inferior, comungando-lhes o pão de luta, indispensável à recuperação de nossa felicidade.

Mas, se nos abeiramos de nossos futuros pais e de nossos futuros lares, envoltos na tempestade da incompreensão e da indisciplina, apenas espalharemos, ao redor de nós, desarmonia e frustração, porquanto, em verdade, o nosso caminho na vida será sempre a projeção de nós mesmos.

Purifiquemo-nos por dentro quanto seja possível, olvidando todo o mal!

Lançar sobre os elementos genésicos a energia viciada dos lamentáveis enganos que nos precipitaram à sombra, será prejudicar o corpo que a herança terrena nos reserva, reduzindo-nos as possibilidades de vitória no combate de amanhã.

Só existe, portanto, para nós um remédio eficaz: — o trabalho digno com que possamos erguer o Espírito ao Plano superior que presentemente buscamos. Trabalho que nos corrija e nos aproxime de Deus.


Cornélio Mylward











Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Cornélio Mylward - Livro Instruções Psicofônicas - Espíritos Diversos/Chico Xavier - Cap. 12 - Ante a reencarnação



Cornélio Mylward - Livro Instruções Psicofônicas - Espíritos Diversos/Chico Xavier - Cap. 12


Ante a reencarnação


Nas tarefas da noite de 27 de maio de 1954, consoante as informações dos nossos Benfeitores Espirituais, e, segundo deduzimos das diversas comunicações obtidas de entidades sofredoras, nosso Grupo achava-se repleto de companheiros desencarnados, sequiosos de reencarnação, muitos deles implorando a volta à carne como único recurso de solução aos problemas que lhes torturavam a alma.

Primeiramente Emmanuel, o nosso instrutor de sempre, incorporou-se ao médium e transmitiu-nos o apontamento que passamos a transcrever:

“Meus amigos, a paz do Senhor seja conosco.

“Enquanto a Escola Espiritual na Terra prepara as criaturas reencarnadas para o fenômeno da morte, em nosso Plano de ação essa mesma Escola prepara as criaturas desencarnadas para o aprendizado da existência no corpo físico.

“Atento a este programa, nosso irmão Cornélio tomará hoje o equipamento mediúnico a fim de dirigir-se, por alguns momentos, à grande assembleia de companheiros que se achegam ao nosso recinto, suspirando pelo retorno ao templo de luta na matéria mais densa.

“Passemos, desse modo, a palavra ao nosso amigo e que Jesus nos abençoe.

Emmanuel


Logo após, o irmão Cornélio Mylward, que foi generoso médico em Minas Gerais e que frequentemente nos assiste com a sua dedicação fraterna, tomou o campo mediúnico e, em voz grave e pausada, dirigiu aos desencarnados presentes o apelo a seguir:

Sim, disputais novos recursos de esclarecimento e redenção no precioso santuário da carne…

Muitos de vós aguardais para breve essa dádiva, através de petições que não nos é lícito examinar.

Indubitavelmente, na maioria das vezes, nosso regresso ao trabalho no mundo físico exprime verdadeiro prêmio de luz…

Para que obtenhamos tal concessão, porém, é indispensável nosso concurso com a Lei Divina, obedecendo-lhe aos regulamentos que definem o Bem Infinito, em todas as suas manifestações.

É preciso modificar os nossos “clichês” mentais para que a nossa volta à escola terrestre signifique recomposição e refazimento. Essa transformação, contudo, não será levada a efeito apenas à força de preces, meditações e conclusões em torno do passado. Faz-se imprescindível a dinâmica da ação.

O serviço será sempre o grande renovador de nossa vida consciencial, habilitando-nos à experiência reconstrutiva, sob a inspiração de nosso Divino Mestre e Senhor.

Não conquistaremos o vestuário carnal entre os homens sem aquisição de simpatia entre eles. É necessário gerar no espírito daqueles nossos associados do pretérito, que se encontram no educandário humano, a atitude favorável à solução dos nossos problemas.

Templos religiosos, estabelecimentos hospitalares, círculos de assistência moral, domicílios angustiados, cárceres de sofrimento, palcos de tortura expiatória… eis nosso vasto setor de concurso fraterno!

Nessas esferas de regeneração e corrigenda, companheiros encarnados e desencarnados, padecentes e aflitos, expressam o material de nossa preparação.

A fim de esquecer velhas provas, aliviemos as provas alheias.

Para desobstruir o caminho de nossa consciência culpada, devemos favorecer a libertação dos que suportam fardos mais pesados que os nossos, porque ajudando aos nossos semelhantes angariaremos o auxílio deles, fazendo-nos, ao mesmo tempo, credores do amparo daqueles Irmãos Maiores que nos estendem próvidos braços da Vida Superior.

Pacifiquemos o espírito, oferecendo mãos amigas aos que peregrinam conosco, e construiremos o trilho de acesso à preciosa luta de que carecemos na própria reabilitação.

Somente a atividade em socorro ao próximo conseguirá renovar-nos a fonte do pensamento, traçando-nos seguras diretrizes, pois sob o guante de nossas lembranças constringentes o esforço da reencarnação redundará impraticável, de vez que nossas reminiscências infelizes são fatores desequilibrantes de nosso mundo vibratório, impedindo-nos a formação de novo instrumento fisiológico suscetível de conduzir-nos à reorganização do próprio destino.

Expurguemos a mente, apagando recordações indesejáveis e elevando o nível de nossas esperanças, porque, na realidade, somos arquitetos de nossa ascensão.

Somente ao preço de uma vontade vigorosa e pertinaz, situada no bem comum, é que lograremos conquistar o interesse dos Grandes Instrutores em prol da concretização de nossas aspirações mais nobres.

Regenerando a química de nossos sentimentos, o que decerto nos custará renunciação e sacrifício, atingiremos mais clara visão para reencontrar os laços de nosso pretérito, e, então, segundo os dispositivos da hereditariedade, que traduz parentesco de inclinações e compromissos, seremos requisitados pelas criaturas que se afinam conosco, tanto quanto, desde agora, estão elas sendo requisitadas por nossos anseios.

Reaproximar-nos-emos, desse modo, de quantos se harmonizam com a experiência em que nos demoramos, e, aderindo-lhes à existência, seremos defrontados pelas provas condizentes com a nossa natureza inferior, comungando-lhes o pão de luta, indispensável à recuperação de nossa felicidade.

Mas, se nos abeiramos de nossos futuros pais e de nossos futuros lares, envoltos na tempestade da incompreensão e da indisciplina, apenas espalharemos, ao redor de nós, desarmonia e frustração, porquanto, em verdade, o nosso caminho na vida será sempre a projeção de nós mesmos.

Purifiquemo-nos por dentro quanto seja possível, olvidando todo o mal!

Lançar sobre os elementos genésicos a energia viciada dos lamentáveis enganos que nos precipitaram à sombra, será prejudicar o corpo que a herança terrena nos reserva, reduzindo-nos as possibilidades de vitória no combate de amanhã.

Só existe, portanto, para nós um remédio eficaz: — o trabalho digno com que possamos erguer o Espírito ao Plano superior que presentemente buscamos. Trabalho que nos corrija e nos aproxime de Deus.


Cornélio Mylward











Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano