sábado, 31 de janeiro de 2026

Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 172 - Manjares



Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 172


Manjares

 
“Os manjares são para o ventre, e o ventre para os manjares; Deus, porém, aniquilará tanto um como os outros.” — PAULO. (1 Coríntios, 6:13)


O alimento do corpo e da alma, no que se refere ao pão e à emoção, representa meio para a evolução e não o fim da evolução em si mesma.

Há criaturas, no entanto, que fazem do prato e do continuísmo simplista da espécie, únicas razões de ser em toda a vida. Trabalham para comer e procriam sem pensar.

Quando se lhes fala do Espírito ou da eternidade, bocejam despreocupadas, quando não trocam, aflitivamente, de assunto.

Efetivamente, a satisfação dos sentidos fisiológicos é para a alma o amparo que o solo e o adubo constituem para a semente. Todavia, se a semente persiste em reter-se na cova para gozar as delícias do adubo, contrariando a Divina Lei, nunca se lhe utilizará a colaboração preciosa.

Valioso e indispensável à experiência física é o estômago.

Veneráveis e sublimes são as faculdades criadoras.

Urge, contudo, entender as necessidades do Espírito imperecível.

Esclarecimento pelo estudo, crescimento mental pelo trabalho e iluminação pela virtude santificante são imperativos para o futuro estágio dos homens.

Quem gasta o tempo consagrando todas as forças da alma às fantasias do corpo, esquecendo-se de que o corpo deve permanecer a serviço da alma, cedo esbarrará na perturbação, na inutilidade ou na sombra.

Para a comunidade dos aprendizes aplicados e prudentes, todavia, brilha no Evangelho o eloquente aviso de Paulo: — “Os manjares são para o ventre e o ventre para os manjares; Deus, porém, aniquilará tanto um como os outros.”


Emmanuel










Emmanuel - Livro Religião dos Espíritos - Chico Xavier - Cap. 34 - Responsabilidade e destino



Emmanuel - Livro Religião dos Espíritos - Chico Xavier - Cap. 34


Responsabilidade e destino


470. Os Espíritos, que ao mal procuram induzir-nos e que põem assim em prova a nossa firmeza no bem, procedem desse modo cumprindo missão? E, se assim é, cabe-lhes alguma responsabilidade?

“A nenhum Espírito é dada a missão de praticar o mal. Aquele que o faz, fá-lo por conta própria, sujeitando-se, portanto, às consequências. Pode Deus permitir-lhe que assim proceda, para vos experimentar; nunca, porém, lhe determina tal procedimento. Compete-vos, pois, repeli-lo.” (O Livro dos Espíritos)


O Criador, que estabelece o bem de todos como lei para todas as criaturas, não cria Espírito algum para o exercício do mal.

A criatura, porém, na Terra ou fora da Terra, segundo o princípio de responsabilidade, ao transviar-se do bem, gera o mal por fecundação passageira de ignorância que ela mesma, atendendo aos ditames da consciência, extirpará do próprio caminho, em tantas existências de abençoada reparação, quantas se fizerem indispensáveis.

Deus concede ao homem os agentes da nitroglicerina e da areia e inspira-lhe a formação da dinamite, por substância explosiva capaz de auxiliá-lo na construção de estradas e moradias, mas o artífice do progresso, quase sempre, abusa do privilégio para arrasar ou ferir, adquirindo dívidas clamorosas em sementeiras de ódio e destruição; 

empresta-lhe a morfina por alcalóide beneficente, a fim de acalmar-lhe a dor, entretanto, enfermo amparado, em muitas ocasiões escarnece do socorro divino, transformando-o em corrosivo entorpecente das próprias forças, com que prejudica as funções de seu corpo espiritual em largas faixas de tempo; 

galardoa-o com o ferro, por elemento químico flexível e tenaz, de modo a ajudá-lo na indústria e na arte, todavia, o servo da experiência, em muitas circunstâncias, converte-o no instrumento da morte, a desajustar-se em compromissos escusos, que lhe reclamam agonia e suor, em séculos numerosos;

dá-lhe o ouro por metal nobre, suscetível de enriquecer-lhe o trabalho e desenvolver-lhe a cultura, mas o mordomo da posse nele talha, frequentemente, o grilhão de sovinice e miséria em que se amesquinha a si mesmo;

e confere-lhe a onda radiofônica para os serviços da verdadeira fraternidade entre os povos, mas o orientador do intercâmbio, por vezes, nela transmite notas macabras, em que promove o aniquilamento de populações indefesas, agravando-se em débitos aflitivos para o futuro.

É assim que o Supremo Senhor nos cede os dons inefáveis da vida, como sejam as bênçãos do corpo e da alma e os tesouros do amor e da inteligência.

Do uso feliz ou infeliz de semelhantes talentos, resultam para nós vitória ou derrota, felicidade ou infortúnio, saúde ou moléstia, harmonia ou desequilíbrio, avanço ou retardamento nos caminhos da evolução.

Examina, pois, a ti mesmo e encontrarás a extensão e a natureza de tua dívida, pela prova que te procura ou pela tentação que padeces, porque o bem verte, puro, de Deus, enquanto que o mal é obra que nos pertence — transitório fantasma de rebeldia e ilusão que criamos, ante as leis do destino, por conta própria.


Emmanuel







Reunião pública de 15-5-1959.

Bezerra de Menezes - Livro Recados da Vida - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 32 - Oração



Bezerra de Menezes - Livro Recados da Vida - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 32


Oração


Senhor Jesus:

Conserva-nos em tua simplicidade, para que te possamos atender aos desígnios.

Faze-nos compreender que todos na Terra — Espíritos encarnados ou desencarnados — somos irmãos em teu Infinito Amor.

Não nos consintas olvidar a prestação de serviço que devemos a todos aqueles que se encarceram nas indagações da inteligência, mas não nos deixes afastados de quantos se sustentam na fé pura, buscando-te no trabalho e na restauração de si mesmos, nas vias da humildade e do sofrimento.

Quantas vezes, Senhor, o ânimo se nos aflige, ante os labirintos que se formam, diante de nós, com os pensamentos obscuros dos que se inclinam para a ilusão e quantas vezes tomados pela fome de teus ensinos, ansiamos por mais luz para desfazer as sombras que se adensam nos caminhos!…

É por isto, amado Jesus, que te pedimos a bênção da paz, aquela paz que o mundo não possui ainda para dar e que receberemos, por enquanto, unicamente de ti.

Orienta-nos os corações para o bem aos nossos semelhantes e não nos permitas senão entender para auxiliar, a fim de que a vaidade ou o desequilíbrio não nos dominem os corações.

Ajuda-nos a sermos nós mesmos, com as nossas esperanças e necessidades, tarefas regeneradoras e provas educativas, sendo tutelados de teu Amor, sem a pretensão de substituir-te no comando de nossas vidas.

Senhor!

Despede-nos em paz e abençoa-nos!

E que a tua Bondade nos faça simples de coração, a fim de conseguirmos acompanhar-te e obedecer-te, hoje e sempre.

Assim seja.


Bezerra de Menezes












sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Miramez - Livro Saúde - João Nunes Maia - Pág. 138 - O mar e a vida



Miramez - Livro Saúde - João Nunes Maia - Pág. 138


O mar e a vida


O mar é remanso fecundo onde Deus semeou a vida em variadas dimensões. Sabia o Senhor que dali iriam sair as diversificações de todos os corpos, servindo, assim, de instrumentos para uma gama imensurável de almas, no reino do espírito.

Moisés nos diz que o espírito de Deus pairava sobre as águas, na formação da casa terrestre. No período de transição da Terra, choveu intensamente anos a fio, descarregando assim a pressão atmosférica e consubstanciando as energias divinas com os elementos materiais, para que pudesse se formar o berço do princípio da vida, na floração do planeta.

A operação do Criador sobre as águas subentende-se como através de uma falange sobremaneira grandiosa de entidades puras, sob o comando de Nosso Senhor Jesus Cristo. Era um verdadeiro laboratório espiritual, rente ao chão que acabara de surgir, por bênção do Pai Celestial.

Os elementos de vida se expandiam em todas as direções, com fome de crescimento e em busca da grandeza da própria existência. Os corpos físicos têm sua gênese nas profundezas dos oceanos, compreendendo-se, por isso, a afinidade que tendes com o mar. Verdadeiramente, ele é uma fonte de curas, onde trabalham milhares de espíritos em missões diferentes, objetivando a harmonia entre as criaturas. Se os homens pudessem ver com os olhos físicos o imenso trabalho realizado dentro e na atmosfera dos oceanos, ficariam maravilhados com a grandeza e a bondade do Senhor, que de nada esqueceu para o bem-estar de seus filhos.

Nada ficou esquecido pela Onisciência Universal. Eis porque convidamos sempre os homens de boa vontade para se instruírem amando, porque os arcanos da natureza os irão ajudando a rasgar os véus que dificultam o conhecimento de determinadas verdades do espírito. O mar ainda tem muitos segredos que os homens do futuro irão compreender e desfrutar, por já se encontrarem preparados para tais eventos, que se manifestam através da própria vida.

Há espíritos angélicos que comandam as águas do mar e removem periodicamente os tesouros fluídicos nelas depositados, para que circule a vida em todas as suas divisões. Esse mutirão de almas, sob o comando maior, cuida de que nada se perca do divino trabalho do Criador, e de que tudo se renove sob o olhar magnânimo do Cristo.

O sol despeja energia viva nos lençóis sensíveis das águas dos mares e estas, ao acasalarem-se com os elementos químicos, enriquecem-nos na computação dos valores que vicejam na atmosfera do planeta e na força estuante do espírito, marcada pela presença de Deus.

Ao chegardes à beira mar, amai-o, que ele vos entenderá, entregando-vos as ondas como se fossem braços das águas, onde seus olhos de luz não deixam nenhuma gratidão ou afeto ficar sem resposta.

Compete a todos inteirarem-se da sabedoria da natureza e conscientizarem-se da bondade de Deus que nos cerca a todos.

O mar é uma farmacopéia exuberante; é a mais alta concentração energética de vida, que nos fala dos seus segredos no repassar das ondas, no rugir do seu peso descomunal e nas extensões de luzes que se inter-cruzam nas profundezas.

Esse colosso da natureza cura as enfermidades e tem o condão de harmonizar todos os corpos, deixando o espírito respirar na atmosfera da alegria. Nós também, os desencarnados, usamos esses recursos para o equilíbrio das nossas emoções.

Verdadeiramente, Deus paira sobre as águas; buscai-o na inspiração que verte do vosso amor e sede feliz.


Miramez








Fonte: Saúde-pdf

Emmanuel - Livro Mãos Marcadas - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 25 - Entre hoje e amanhã



Emmanuel - Livro Mãos Marcadas - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 25


Entre hoje e amanhã


Reflete no companheiro que chega cansado e desiludido a esmolar-te simpatia e consolo.

Sabes talvez, nas mínimas particularidades, tudo o que lhe terá ocorrido. Provavelmente conheces que se trata de alguém, carregando os grilhões da culpa. Alguém que sobraça pesada carga de remorsos a lhe atenazarem o coração.

Mentaliza, no entanto, o que faria Jesus se procurado por ele: ouvi-lo-ia com generoso interesse, descobrir-lhe-ia algum tópico de bondade ou saberia destacar-lhe essa ou aquela qualidade elogiável, de modo a descerrar-lhe alguma porta mental de bom-ânimo, auxiliando-o a caminhar para a frente.

Diante dos irmãos que te busquem solicitando conforto depois de quedas e desenganos, não te disponhas à condenação ou censura.

Pensa no bem que haverão feito, nos impulsos nobres que lhes presidiram os atos e renova-lhes a confiança em si mesmos.

Compadece-te sobretudo daqueles que se demoram nos problemas da culpa sem possibilidades imediatas de solução. 

Não necessitas reprovar-lhes diretriz e conduta. Eles já se reconhecem marcados por dentro a fogo de angústia e não te procuram para que lhes agraves a dor. Suplicam-te paz e refazimento, auxílio e apoio à própria libertação.

Recorda em quantas ocasiões teremos sido amparados pela bondade do Cristo de Deus que frequentemente nos toma o leve fio da intenção correta para transformá-lo em vigoroso apetrecho de socorro a nós próprios e não menospreze, seja a quem seja.

Importa, ainda, considerar que muitas vezes no campo da ocorrência que se reprove presentemente, nascerá o acontecimento que nos colherá louvor no futuro.

Além disso, nós todos, os Espíritos em evolução nos climas da Terra, somos ainda portadores de imperfeições e deficiências por vencer, de permeio com obstáculos íntimos a serem necessariamente transpostos, com créditos e débitos, erros e acertos no livro da própria vida. E, por isso mesmo, em matéria de apoio espiritual, se hoje é o nosso momento de compreender e de dar, amanhã será talvez o nosso dia de pedir e de receber.


Emmanuel











Emmanuel - Livro Canais da Vida - Chico Xavier - Cap. 13 - A primeira pedra



Emmanuel - Livro Canais da Vida - Chico Xavier - Cap. 13


A primeira pedra


"Como eles perseveravam em fazer-lhe perguntas, ergueu-se e disse-lhes: Quem dentre vós estiver sem pecado, atire-lhe a primeira pedra." (João, 8:7)


Há, sim, muitos companheiros errados. Ninguém nega.

Esse, que te protegia a confiança, desabou, à maneira de tronco pesado, sobre a plantação, ainda frágil, de tua fé.

O outro, que te parecia invulnerável no desassombro, acovardou-se e fugiu.

Conheceste os que pregavam generosidade, agarrando-se à avareza, e notaste os que falavam em virtude, a tombarem no vício.

Situavas a fonte do consolo em vários amigos que acabaram no desespero e recolhias orientação de outros tantos, que se afundaram na corrente das sombras, quais barcos à matroca.

Em muitos casos, trocaste entusiasmo por desalento e admiração por repugnância.

Diante de semelhantes problemas, é natural te sintas entre a mágoa e a revolta.

No entanto, entra no santuário de ti mesmo procurando compreender a nossa obrigação de auxiliar e servir, e reflete nas exigências da evolução.

Coloca-te no lugar da criatura em dificuldade e enumera quantas vezes tens sido providencialmente auxiliado, para não caíres em tentação.

Medita nas horas em que os pensamentos infelizes te dominam a alma; nos momentos em que tropeças e cais; nas ocasiões em que te enganas e sofres; nos instantes em que lastimas as faltas que não desejarias cometer; e se te sentes longe da possibilidade de errar e integralmente livre de toda culpa, poderás, então, ouvir, de novo, a lição de Jesus e atirar a primeira pedra.


Emmanuel









quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 27 - Amar os inimigos



Joanna de Ângelis - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 27


Amar os inimigos


Nunca será demasiado advertir-se que, ao mal que se receba, não se deve o mal repartir.

Devolver ao agressor o petardo da sua violência, revidar o mal com o mal, é nivelar-se àquele que se encontra infeliz ou padece de enfermidade ultriz que o devora, e ele ainda não se deu conta.

O mal é um estado de desarmonia que irrompe açulado por sequazes que o dirigem. Surge sob o estímulo da felonia, da inveja, do despeito, da crueldade, da antipatia, do ciúme, do ódio, todos refletindo o estágio de primarismo daquele que se lhe faz instrumento.

Pode manifestar-se no indivíduo de cultura, assim como no bruto, no civilizado quanto no selvagem, porquanto a posição social e intelectiva não reflete, por si só, estado de elevação, como se poderia, a princípio, supor.

O ser nobre é aquele que reúne ao conhecimento o sentimento superior, à cultura o amor, de modo que, os impulsos do primitivismo que nele remanescem, sejam conduzidos pela bondade e contornados pela grandeza das conquistas morais. Por isso, não cria situações embaraçosas, não perturba, nem persegue, não se faz inimigo de outrem.

Quando alguém se transforma em adversário, reflete o estágio de paixão dissolvente em que se combure.

O inimigo é, portanto, alguém que necessita de compreensão, passo primeiro para o perdão, que nunca deve ser negado.

Defrontarás inimigos pelo caminho, quer os produzas ou não.

Eles surgem como escalracho asfixiador no meio do trigo feliz, ameaçando a plantação.

Invejosos, sorriem e tornam-se cruéis.

Dizendo-se detentores da verdade, brandem as armas da mentira para aturdir-te e eliminar-te.

Competidores magoados, que se sentem prejudicados nas suas aspirações, infligem-te duras provas, sem perceberem que te ajudam na elevação, se souberes suportá-los.

Se erraste e te acusam, aproveita o ensejo para te recuperares.

Se são injustos e mentem, alegra-te e ascende na escala evolutiva.

Se te ameaçam a honra e seguem os teus passos, implacáveis, não os temas. Prossegue, sem lhes dares a satisfação de te atingirem.

Seja qual for a forma ou a circunstância, o fato, verdadeiro ou não, que te atiram para mortificar-te e sentirem-se felizes, perdoa-os.

O perdão é bênção para quem o doa.

Não suponhas ser inatacável, de conduta ímpar, de valor incontestável.

Ninguém passa pelo mundo sem experimentar o acúleo de inimigos no círculo das afeições ou fora dele.

A galeria das suas vítimas nobres ostenta os mais admiráveis membros da humanidade.

De Sócrates a Gandhi, de Jesus a Martin Luther King Jr., desfilaram inúmeros heróis, perseguidos por inimigos desventurados.

As tragédias, nas quais se fizeram vítimas, são fulgurantes mensagens de amor que iluminam a consciência humana na Terra.

Ama, pois, os teus inimigos, desculpando-os, perdoando-os, porquanto eles são muito infelizes e solitários, atormentados e insatisfeitos.

A morte, que a ninguém poupa, também chegará para eles e despertarão sobrecarregados de culpas e dores, que hoje colocam espontaneamente sobre os próprios ombros.


Joanna de Ângelis










André Luiz - Livro Opinião Espírita - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 7 - O espírita deve ser



André Luiz - Livro Opinião Espírita - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 7


O espírita deve ser


843. Tem o homem o livre arbítrio de seus atos?

“Pois que tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar. Sem o livre arbítrio, o homem seria máquina.” (O Livro dos Espíritos)


O espírita deve ser verdadeiro, mas não agressivo, manejando a verdade a ponto de convertê-la em tacape na pele dos semelhantes.

Bom, mas não displicente que chegue a favorecer a força do mal, sob o pretexto de cultivar a ternura.

Generoso, mas não perdulário que abrace a prodigalidade excessiva, sufocando as possibilidades de trabalho que despontam nos outros.

Doce, mas não tão doce que atinja a dúbia melifluidade, incapaz de assumir determinados compromissos na hora da decisão.

Justo, mas não implacável, em nome da justiça, impedindo a recuperação dos que caem e sofrem.

Claro, mas não desabrido, dando a ideia de eleger-se em fiscal de consciências alheias.

Franco, mas não insolente, ferindo os outros.

Paciente, mas não irresponsável, adotando negligência em nome da gentileza.

Tolerante, mas não indiferente, aplaudindo o erro deliberado em benefício da sombra.

Calmo, mas não tão sossegado que se afogue em preguiça.

Confiante, mas não fanático que se abstenha do raciocínio.

Persistente, mas não teimoso, viciando-se em rebelar-se.

Diligente, mas não precipitado, destruindo a si próprio.

“Conhece-te a ti mesmo” (1) — diz a filosofia — e para conhecer a nós mesmos, é necessário escolher atitude e posição de equilíbrio, seja na emotividade ou no pensamento, na palavra ou na ação, porque, efetivamente, o equilíbrio nunca é demais.


André Luiz








(1) Conhece-te a ti mesmo, (do grego antigo: γνῶθι σεαυτόν, transl. gnōthi seauton; também conhecido pela tradução em latim, nosce te ipsum) é um aforismo grego que segundo a tradição estaria inscrito nos pórticos do Oráculo de Delfos, originalmente de Pítia, em Delfos, na Antiga Grécia. Segundo algumas fontes a frase é atribuída à primeira pitonisa deste oráculo, Femonoe. É uma pedra-angular da filosofia de Sócrates e do seu método, a maiêutica, e é muito citado pelo filósofo nos relatos de Platão (Alcibíades, 128d-129) e Xenofonte (Memoráveis, IV, II, 26). O oráculo do templo teria proclamado Sócrates o homem mais sábio na Grécia, ao que Sócrates terá respondido com a célebre frase: “Só sei que nada sei.”



quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 153 - Não tropecemos




Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 153


Não tropecemos


“Jesus respondeu: Não há doze horas no dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo.” — (JOÃO, 11:9)


O conteúdo da interrogativa do Mestre tem vasta significação para os discípulos da atualidade.

“Não há doze horas no dia?”

Conscientemente, cada qual deveria inquirir de si mesmo em que estará aplicando tão grande cabedal de tempo.

Fala-se com ênfase do problema de desempregados na época moderna. Entretanto, qualquer crise nesse sentido não resulta da carência de trabalho e, sim, da ausência de boa vontade individual.

Um inquérito minucioso nesse particular revelaria a realidade. Muita gente permanece sem atividade por revolta contra o gênero de serviço que lhe é oferecido ou por inconformação, em face dos salários.

Sobrevém, de imediato, o desequilíbrio.

A ociosidade dos trabalhadores provoca a vigilância dos mordomos e as leis transitórias do mundo refletem animosidade e desconfiança.

Se os braços estacionam, as oficinas adormecem.

Ocorre o mesmo nas esferas de ação espiritual.

Quantos aprendizes abandonam seus postos, alegando angústia de tempo? Quantos não se transferem para a zona da preguiça, porque aconteceu isso ou aquilo, em pleno desacordo com os princípios superiores que abraça?

E, por bagatelas, grande número de servidores vigorosos procuram a retaguarda cheia de sombras. Mas aquele que conserva acuidade auditiva ainda escuta com proveito a palavra do Senhor: — “Não há doze horas no dia? Se alguém andar de dia não tropeça.”


Emmanuel











Emmanuel - Livro Segue-me - Chico Xavier - Cap. 74 - Do lado de Deus



Emmanuel - Livro Segue-me - Chico Xavier - Cap. 74


Do lado de Deus

 
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” — JESUS (João, 3:16)

Ainda que muita gente haja adicionado parcelas do mal, na definição desse ou daquele acontecimento menos feliz, não sigas a corrente condenatória e faze por tua conta o lançamento do bem.

Por muito se atribua à Divina Providência juízos fulminativos, ante os erros dos homens, e embora nos reconheçamos retificados em nossos desvios pela Justiça Perfeita, Deus é o Perfeito Amor, garantindo-nos segurança e equilíbrio.

Basta ligeiro olhar no campo humano para certificar-nos quanto a isso.

Escolas dissipam as trevas da ignorância.

Trabalho suprime tédio e insipiência.

Máquinas diminuem esforços.

Veículos eliminam distâncias.

A Ciência, a cada dia novo, reduz cada vez mais o poder da enfermidade, neutralizando o sofrimento.

E, tanto quanto possível, conforme os desígnios da lei das reparações necessárias, essa mesma Ciência, mobilizando recursos diversos, afasta a cegueira e a surdez, extingue inibições, oferece agentes mecânicos aos mutilados e corrige, pela plástica cirúrgica, certos tipos de expiação quando os interessados já fazem por merecer a cessação da prova que os aflige.

Assim como vemos o Sol atuando continuamente na massa planetária, tudo reconstituindo em louvor da harmonia e da evolução, igualmente encontramos o Amor Onipresente que dirige o Universo, tudo refazendo a benefício do burilamento e da felicidade de todas as criaturas.

Em qualquer circunstância, aparentemente desfavorável, não te fixes no mal, seja ele qual for. Reconhecendo que Deus está ao lado de todos, procura o bem, faze o bem, salienta o bem e segue o bem, porquanto somente assim estaremos nós realmente do lado de Deus.


Emmanuel







(Reformador, julho 1970, p. 147)

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Emmanuel - Livro Pronto Socorro - Chico Xavier - Cap. 7 - Violência e remédio



Emmanuel - Livro Pronto Socorro - Chico Xavier - Cap. 7


Violência e remédio


Onde haja desamparo, instala, quanto se te faça possível, algum sinal de presença da simpatia e da solidariedade que nos devem enlaçar uns aos outros.

Não enfatizes qualquer problema de raça ou de crença, de preconceito ou separatividade, buscando, ao invés disso, cooperar pela união que a todos nos cabe conquistar perante Deus.

Alivia a carga das privações de algum enfermo largado às dificuldades;

atenua as aflições das mães desvalidas;

suporta com calma e paciência as alegações injuriosas desse ou daquele amigo desorientado; 

e, quanto puderes, protege as crianças sem apoio e sem rumo.

Sê o discernimento que compreende e o braço que auxilia.

Não lances a lenha do azedume ou da crítica na fogueira das tribulações coletivas.

Ninguém espera que possas apagar, unicamente por ti, o incêndio do desespero que se alastra na Terra.

Em favor de nós todos, oferece o teu jarro de água fria.

Não te limites a registrar os surtos de violência que se estendem no Plano Físico.

Faze algo para que o amor restabeleça a harmonia entre as criaturas.

Compadece-te, perdoa e serve.

Não dramatizes o desequilíbrio e a discórdia com destaques suscetíveis de ampliá-los onde te encontres.

Investe os valores da palavra na construção do bem apontando os ângulos mais nobres das questões que se te apresentem.

Evita salientar as impressões negativas desse ou daquele acontecimento infeliz.

Preenche os minutos disponíveis com trabalho que signifique socorro, mesmo diminuto, em auxílio aos irmãos que atravessam labirintos de penúria e sofrimento.

Não atires condenação sobre os companheiros da Humanidade, caídos em erro, que nos requisitam respeito pelo infortúnio que carregam.


Emmanuel









André Luiz - Livro Ideal Espírita - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 21 - Mágoa



André Luiz - Livro Ideal Espírita - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 21


Mágoa


Se a mágoa lhe bate à porta, entorpecendo-lhe a cabeça ou paralisando-lhe os braços, fuja dessa intoxicação mental enquanto pode.

Se você está doente, atenda ao corpo enfermiço, na convicção de que não é com lágrimas que você recupera um relógio defeituoso.

Se você errou, busque reconsiderar a própria falta, reajustando o caminho sem vaidade, reconhecendo que você não é o primeiro e nem será o último a encontrar-se numa conta desajustada que roga corrigenda.

Se você caiu em tentação, levante-se e prossiga adiante, na tarefa que a vida lhe assinalou, na certeza de que ninguém resgata uma dívida ao preço de queixa inútil.

Se amigos desertaram, pense na árvore que, por vezes, necessita da poda, a fim de renovar a própria existência.

Se você possui na família um ninho de aflições, é forçoso anotar que o benefício da educação pede a base da escola.

Se sofreu prejuízos materiais, recorde que, em muitas ocasiões, a perda do anel é a defesa do braço.

Se alguém lhe ofendeu a dignidade, olvide ressentimentos, ponderando que a criatura de bom senso jamais enfeitaria a própria apresentação com uma lata de lixo.

Se a impaciência lhe marca os gestos habituais, acalme-se, observando que os pequeninos desequilíbrios integram, por fim, as grandes perturbações.

Seja qual seja o seu problema, lembre-se de que toda mágoa é sombra destrutiva e de que sombra alguma consegue permanecer no coração que se acolhe ao trabalho, procurando servir.


André Luiz









Joanna de Ângelis - Livro Luz Viva - Divaldo P. Franco - Cap. 16 - Dificuldades e Impedimentos



Joanna de Ângelis - Livro Luz Viva - Divaldo P. Franco - Cap. 16


Dificuldades e Impedimentos


1009. "Gravitar para a unidade divina, eis o fim da Humanidade. Para atingi-lo, três coisas são necessárias: a Justiça, o Amor e a Ciência. Três coisas lhe são opostas e contrárias: a ignorância, o ódio e a injustiça." (O Livro dos  Espíritos - Pt. 4 - Cap. II, Paulo, apóstolo) 

"O Espírito precisa ser cultivado como um campo. Toda a riqueza futura depende do labor atual, que vos granjeará muito mais do que bens terrenos: a elevação gloriosa." — Lázaro. (Paris, 1862.) (E.S.E - Cap. XI, Item 8)

Ao amigo, independente e sem problemas econômicos, doas mimos e presentes de custos variados, sem cogitares da sua desnecessidade, embora sabendo que os mesmos irão atulhar gavetas e armários onde ficam esquecidos, sem qualquer utilidade.

Ao estranho, socialmente bem projetado, ofertas prendas delicadas e caras, apesar de não ignorares que pessoas outras também lhe dão objetos mais valiosos, que serão olhados por um momento e guardados sem emoção ou passados adiante sem consideração.

A pessoas bem situadas, ofereces gentilezas, envolvendo-as em palavras bem selecionadas, entre sorrisos e atitudes cuidadas, produzindo impressões que te favoreçam no seu relacionamento.

Preparas lautas refeições e confeitos saborosos para serem deliciados por paladares finos, em festas sem sentido, convidando personalidades que têm, à disposição, cardápios caprichosos com sobremesas extravagantes, sem te preocupares com os gastos.

Recebes, com recato ou com ostentação, convidados que sabes exigentes e vãos, não relacionando problemas nem dificuldades para tê-los, por um momento, no lar, desperdiçando alimentos caros e somas altas para convívios rápidos sem maior utilidade.

Diante, porém, do próximo em necessidade, o teu comportamento é bem diverso.

Do que te sobra, muitos se beneficiariam.

Quanto é desperdiçado, poderia arrancar algumas vidas da miséria e do crime.

A abundância no teu lar é escassez noutra residência.

O excesso que não consideras, responde pela ausência que domina noutro lugar.

Soubesses repartir, e enriquecer-te-ias de paz, sem preocupações com carestia nem disputas de promoções sociais destituídas de legitimidade.

Reconsidera as tuas atitudes perante a vida, enquanto te correm favoráveis os dias.

Libera-te dos impedimentos mentirosos ante a necessidade real do teu próximo.

Pessoas bem alimentadas e cuidadosamente vestidas elaboram programas de socorro à dor, no ministério do auxílio, propondo exigências e fiscalizações severas, com que pensam evitar explorações.

Criaturas tidas como bem formadas, que desconhecem a fome e a nudez, estabelecem diretrizes de serviço social junto à necessidade, esquecidas de colocar o sal do amor, como se agissem com máquinas ou clientes insensíveis.

Cristãos dispostos ao auxílio fraterno recomendam sindicância junto ao necessitado, esgaravatando as paisagens íntimas do aflito com as lâminas aguçadas da indiferença, resolvendo-se a ajudar, quando já é quase tarde para o socorro que pretendem oferecer...

Não padece dúvida, que se fazem necessárias a prudência e a previdência moral, quando se está a serviço do bem, ao lado da necessidade humana de vário porte. Todavia, a carência sócio-econômica evidencia-se facilmente, pela forma óbvia como se apresenta em quem lhe padece a injunção.

Dialoga com os necessitados e convive com os menos favorecidos, a fim de melhor socorrê-los e não com o objetivo, apenas, de encontrares na sua dificuldade, impedimentos que te justifiquem a negação.

Jesus aceitou o repasto na casa rica do fariseu, para melhor auxiliá-lo, conforme o fez, mais de uma vez, no lar humilde de Lázaro ou na residência rústica de Pedro...

Ao saber, após a pregação, que a massa que O ouvira tinha fome, não apresentou nenhuma dificuldade ou impedimento algum para todos alimentar, mas repartiu pães e peixes que, não obstante a farta distribuição, excedeu aos que os necessitavam.


Joanna de Ângelis











segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Emmanuel - Livro Plantão da Paz - Chico Xavier - Cap. 7 - Verdade em amor



Emmanuel - Livro Plantão da Paz - Chico Xavier - Cap. 7


Verdade em amor


Em nome da Verdade, poderia o Senhor ter ordenado medidas aos emissários celestes para que um berço de luz lhe fosse tecido nas culminâncias do mundo social de há vinte séculos; mas, em nome do amor, preferiu a Manjedoura para entrar na Esfera dos homens, de modo a servi-los sem ofuscar-lhes a pequenez.

Em verdade ser-lhe-ia lícito requisitar as escolas mais cultas para brilhar na meninice, entre as criaturas terrestres; mas, por amor, confiou-se ao rude trabalho na oficina de Nazaré.

Em verdade, poderia exigir do sacerdócio do seu tempo a cátedra de orientador a que tinha direito; entretanto, por amor, buscou velhos barcos de pescadores humildes para com eles argamassar a epopeia da Boa Nova nascente.

Em verdade, possuía recursos para excluir Madalena da assembleia dos seguidores, atirando-lhe ao rosto a sua condição de obsidiada por sete gênios sombrios; entretanto, por amor, destacou-lhe as sublimes qualidades ocultas, dela fazendo a mensageira de sua própria ressurreição.

Em verdade, poderia eliminar Simão Pedro do colégio de aprendizes, em face da deserção de que o amigo vacilante fornecera testemunho, à frente do martírio que significava aparente derrota; no entanto, por amor, erige no apóstolo inesquecível o luzeiro do Evangelho renovador.

Em verdade, poderia fugir aos tormentos da cruz, negando-se à condenação descabida que o categorizava à conta de malfeitor vulgar; mas, por amor, aceita a flagelação e a morte para guiar-nos à construção da verdadeira felicidade.

Em verdade, nada mais cabível do que afastar-se, em definitivo, dos amigos frágeis e dos beneficiários indiferentes do mundo, depois da morte, e desfrutar nas Esferas Superiores os talentos da Ventura Perfeita; mas, por amor, retorna ao ambiente das criaturas que o haviam abandonado, para afirmar-lhes que seria o companheiro constante e o amigo incondicional até o fim dos séculos.

Se procuras acender a luz da verdade, não te esqueças que o amor é o único veículo capaz de convertê-la em alegria e alimento de nossas almas na ascensão para a Vida Maior.


Emmanuel











domingo, 25 de janeiro de 2026

Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 96 - Diversidade



Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 96


Diversidade

 
“E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.” — PAULO. (1 Coríntios, 12:6)


Sem luz espiritual no caminho, reduz-se a experiência humana a complicado acervo de acontecimentos sem sentido.

Distantes da compreensão legítima, os corações fracos interpretam a vida por mera penitência expiatória, enquanto os cérebros fortes observam na luta planetária desordenada aventura.

A peregrinação terrena, todavia, é curso preparatório para a vida mais completa. Cada Espírito exercita-se no campo que lhe é próprio, dilatando a celeste herança de que é portador.

A Força Divina está operando em todas as inteligências e superintendendo todos os trabalhos.

É indispensável, portanto, guardarmos muito senso da obra evolutiva que preside aos fenômenos do Universo.

Não existem milagres de construção repentina no Plano do Espírito, como é impossível improvisar, de momento para outro, qualquer edificação de valor na Zona da matéria.

O serviço de iluminação da mente, com a elevação dos sentimentos e raciocínios, demanda tempo, esforço, paciência e perseverança. Daí, a multiplicidade de caracteres a se aprimorarem na oficina da vida humana, e, por isso mesmo, a organização de classes, padrões e esferas em número infinito, obedecendo aos superiores desígnios do Pai.

É necessário, pois, que os discípulos da Revelação Nova, com o Cristianismo redivivo, aprendam a valorizar a oportunidade do serviço de cada dia, sem inquietudes, sem aflições.

Todas as atividades terrestres, enquadradas no bem, procedem da orientação divina que aproveita cada um de nós outros, segundo a posição em que nos colocamos na ascensão espiritual.

Toda tarefa respeitável e edificante é de origem celeste. Cada homem e cada mulher, pode funcionar em campos diferentes, no entanto, em circunstância alguma deveremos esquecer a indiscutível afirmação de Paulo, quando assevera que “há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos”.


Emmanuel










Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 51 - Não se envergonhar



Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 51


Não se envergonhar


“Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do Homem.” — JESUS. (Lucas, 9:26)


Muitos aprendizes existem satisfeitos consigo mesmos tão somente em razão de algumas afirmativas quixotescas. 

Congregam-se em grandes discussões, atrabiliários e irascíveis, tentando convencer gregos e troianos, relativamente à fé religiosa e, quando interpelados sobre a fúria em que se comprazem, na imposição dos pontos de vista que lhes são próprios, costumam redarguir que é imprescindível não nos envergonharmos do Mestre, nem de seus ensinamentos perante a multidão.

Todavia, por vezes, a preocupação de preservar o Cristianismo não passa de posição meramente verbal.

Tais defensores do Cristo andam esquecidos de que, antes de tudo, é indispensável não esquecer-lhe os princípios sublimes, diante das tarefas de cada dia.

A vida de um homem é a sua própria confissão pública.

A conduta de cada crente é a sua verdadeira profissão de fé.

Muito infantis o trovão da voz e a mímica verbalista, filhos da vaidade individual, junto de ouvintes incompreensivos e complacentes, com pleno esquecimento dos necessários testemunhos com o Mestre, na oficina de trabalho comum e no lar purificador.

Torna-se indispensável não se envergonhar o aprendiz de Jesus, não em perlengas calorosas, das quais cada contendor regressa mais exasperado, mas sim perante as situações, aparentemente insignificantes ou eminentemente expressivas, em que se pede ao crente o exemplo de amor, renúncia e sacrifício pessoal que o Senhor demonstrou em sua trajetória sublime.


Emmanuel











André Luiz - Livro Evolução em Dois Mundos - Chico Xavier / Waldo Vieira - 2ª Parte - Cap. 8 - Matrimônio e divórcio



André Luiz - Livro Evolução em Dois Mundos - Chico Xavier / Waldo Vieira - 2ª Parte - Cap. 8


Matrimônio e divórcio


— Poderíamos receber algumas noções acerca do matrimônio, bem como do divórcio no Plano Físico, examinados espiritualmente?

— Nas Esferas elevadas, as almas superiores identificam motivo de honra no serviço de amparo aos companheiros menos evolvidos que estagiam nos Planos inferiores.

Não podemos olvidar que, na Terra, o matrimônio pode assumir aspectos variados, objetivando múltiplos fins. Em razão disso, acidentalmente, o homem ou a mulher encarnados podem experimentar o casamento terrestre diversas vezes, sem encontrar a companhia das almas afins com as quais realizariam a união ideal. Isso porque, comumente, é preciso resgatar essa ou aquela dívida que contraímos com a energia sexual, aplicada de maneira infeliz ante os princípios de causa e efeito.

Entretanto, se o matrimônio expiatório ocorre em núpcias secundárias, o cônjuge liberado da veste física, quando se ajuste à afeição nobre, frequentemente se coloca a serviço da companheira ou do companheiro na retaguarda, no que exercita a compreensão e o amor puro.  

Quanto à reunião no Plano Espiritual, é razoável se mantenha aquela em que prevaleça a conjunção dos semelhantes, no grau mais elevado da escala de afinidades eletivas.

Se os viúvos e as viúvas das núpcias efetuadas em grau menor de afinidade demonstram sadia condição de entendimento, são habitualmente conduzidos, depois da morte, ao convívio do casal restituído à comunhão, desfrutando posição análoga à dos filhos queridos junto dos pais terrenos, que por eles se submetem aos mais eloquentes e multifários testemunhos de carinho e sacrifício pessoal para que atendam, dignamente, à articulação dos próprios destinos.

Contudo, se a desesperação do ciúme ou a nuvem do despeito enceguecem esse ou aquele membro da equipe fraterna, os cônjuges reassociados no Plano superior amparam-lhe a reencarnação, à maneira de benfeitores ocultos, interpretando-lhes a rebelião por sintoma enfermiço, sem lhes retirar o apoio amigo, até que se reajustem no tempo.

Ninguém veja nisso inovação ou desrespeito ao sentimento alheio, porquanto o lar terrestre enobrecido, se analisado sem preconceitos, permanece estruturado nessas mesmas bases essenciais, de vez que os pais humanos recebem, muitas vezes, no instituto doméstico, por filhos e filhas, aqueles mesmos laços do passado, com os quais atendem ao resgate de antigas contas, purificando emoções, renovando impulsos partilhando compromissos ou aprimorando relações afetivas de alma para alma. 

É nessa condição que em muitas circunstâncias surgem nas entidades renascentes sem que o véu da reencarnação lhes esconda de todo a memória, as psiconeuroses e fixações infanto-juvenis, cuja importância na conduta sexual da personalidade é exagerada em excesso pelos sexólogos e psicanalistas da atualidade, carentes de mais amplo contato com as realidades do Espírito e da reencarnação, que lhes permitiriam ministrar aos seus pacientes mais efetivo socorro de ordem moral.

Quanto ao divórcio, segundo os nossos conhecimentos no Plano Espiritual, somos de parecer não deva ser facilitado ou estimulado entre os homens, porque não existem na Terra uniões conjugais, legalizadas ou não, sem vínculos graves no princípio da responsabilidade assumida em comum.

Mal saídos do regime poligâmico, os homens e as mulheres sofrem-lhe ainda as sugestões animalizantes e, por isso mesmo, nas primeiras dificuldades da tarefa a que foram chamados, costumam desertar dos postos de serviço em que a vida os situa, alegando imaginárias incompatibilidades e supostos embaraços, quase sempre simplesmente atribuíveis ao desregrado narcisismo de que são portadores. 

E com isso exercem viciosa tirania sobre o sistema psíquico do companheiro ou da companheira mutilados ou doentes, necessitados ou ignorantes, após explorar-lhes o mundo emotivo, quando não se internam pelas aventuras do homicídio ou do suicídio, espetaculares, com a fuga voluntária de obrigações preciosas.

É imperioso, assim, que a sociedade humana estabeleça regulamentos severos a benefício dos nossos irmãos contumazes na infidelidade aos compromissos assumidos consigo próprios, a benefício deles, para que se não agreguem a maior desgoverno, e a benefício de si mesma, a fim de que não regresse à promiscuidade aviltante das tabas obscuras, em que o princípio e a dignidade da família ainda são plenamente desconhecidos.

Entretanto, é imprescindível que o sentimento de humanidade interfira nos casos especiais, em que o divórcio é o mal menor que possa surgir entre os grandes males pendentes sobre a fronte do casal, sabendo-se, porém, que os devedores de hoje voltarão amanhã ao acerto das próprias contas.


André Luiz









Pedro Leopoldo, 18/5/1958.