segunda-feira, 7 de julho de 2025

Emmanuel - Livro Justiça Divina - Chico Xavier - Cap. 74 - Contrassensos



Emmanuel - Livro Justiça Divina - Chico Xavier - Cap. 74


Contrassensos


"Pela crença em o nada, o homem concentra todos os seus pensamentos, forçosamente, na vida presente; logicamente não se explicaria a preocupação de um futuro que se não espera. 

Esta preocupação exclusiva do presente conduz o homem a pensar em si de preferência a tudo; é, pois, o mais poderoso estímulo ao egoísmo, e o incrédulo é consequente quando chega à seguinte conclusão: Gozemos enquanto aqui estamos; gozemos o mais possível, pois que conosco tudo se acaba; gozemos depressa, porque não sabemos quanto tempo existiremos; ainda consequente é esta outra conclusão, aliás mais grave para a sociedade: Gozemos apesar de tudo, gozemos de qualquer modo, cada qual por si; a felicidade neste mundo é do mais astuto." Allan Kardec (O Céu e o Inferno - 1ª Parte - Cap. I - O Porvir e o Nada - Item 2.)

Quando a gota se viu semelhante a uma gema valiosa, na folhagem da primavera, insultou o rio em que se formara: Sai da frente, monstro do chão.

Quando o tronco se agigantou diante do firmamento, blasfemou contra a própria raiz: Não me sujes os pés.

Quando o vaso passou pela cerâmica em que nascera, gritou, revoltado: Não suporto essa lama.

Quando o ouro se ajustou ao palácio, indagou da terra que o produzira: Que fazes aí, barro escuro?

Quando a seda brilhou, na pompa da festa, disse à lagarta que lhe dera a existência: Não te conheço, larva mesquinha.

Quando a pérola fulgiu, soberana, exigiu da ostra em que se criara: Não te abeires de mim.

Quando o arco-íris se reconheceu admirado pelo pintor, acusou o sol de que se fizera: Não me roubes a luz.

Copiando esses contrassensos figurados da natureza, o homem insensato, quando erguido ao pedestal do orgulho pelos abusos da inteligência; costuma escarnecer de si próprio, afirmando jactancioso: A vida é poeira e nada, e Deus é ilusão.


Emmanuel








Reunião pública de 17-11-1961.

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