quinta-feira, 31 de julho de 2025

Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 67 - Adiante de vós



Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 67


Adiante de vós


“Mas ide dizer a seus discípulos, e a Pedro, que ele vai adiante de vós para a Galileia.” — (MARCOS, 16.7)


É raro encontrarmos discípulos decididos à fidelidade sem mescla, nos momentos que a luta supera o âmbito normal.

Comumente, em se elevando a experiência para maiores demonstrações de coragem, valor e fé, modifica-se-lhes o ânimo, de imediato. Converte-se a segurança em indecisão, a alegria em desalento.

Multipliquem-se os obstáculos e surgirá dolorosa incerteza.

Os aprendizes, no entanto, não devem olvidar a sublime promessa do princípio, quando o pastor recompunha o rebanho disperso.

Quando os companheiros, depois da Ressurreição, refletiam no futuro, oscilando entre a dúvida e a perplexidade, eis que o Mensageiro do Mestre lhes endereça aviso salutar, assegurando que o Senhor marcharia adiante dos amigos, para a Galileia, onde aguardaria os amados colaboradores, a fim de assentarem as bases profundas do trabalho evangélico no porvir.

Não nos cabe esquecer que, nas primeiras providências do apostolado divino, Jesus sempre se adiantou aos companheiros nos testemunhos santificantes.

E assim acontece, invariavelmente, no transcurso dos séculos.

O Mestre está sempre fazendo o máximo na obra redentora, contando com o esforço dos cooperadores apenas nas particularidades minúsculas do celeste serviço…

Não vos entregueis às sombras da indecisão quando permanecerdes sozinhos ou quando o trabalho se agrave na estrada comum. Ide, confiantes e otimistas, às provações salutares ou às tarefas dilacerantes que esperam por nosso concurso e ação. 

Decerto, não seremos quinhoados por facilidades deliciosas, num mundo onde a ignorância ainda estabelece lamentáveis prisões, mas sigamos felizes no encalço das obrigações que nos competem, conscientes de que Jesus, amoroso e previdente, já seguiu adiante de nós…


Emmanuel










Emmanuel - Livro Seguindo Juntos - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 22 - Companheiros vacilantes



Emmanuel - Livro Seguindo Juntos - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 22


Companheiros vacilantes
 

Nas ocasiões de crise espiritual, será talvez a fé aquela qualidade mais intensivamente examinada no âmago das criaturas.

Se conservas contigo os valores da confiança, habilita-te a servir e a suportar.

Quando a guerra se manifesta no Plano físico, embora a característica sempre lamentável que assume, os resquícios de animalidade ainda arquivados em nós outros — os Espíritos em evolução na Terra — desbordam da personalidade, estendendo as ruínas que nos atestam a inferioridade.

No entanto, nos embates íntimos, quando as nossas concepções e pontos de vista se entrechocam, adentro da própria alma, tremem as forças em que se nos estrutura o teto mental e nem todos contam com a energia suficiente para se garantirem na própria segurança.

Estabelecido o desequilíbrio das ideias e emoções que nos registram o modo de ser, surgem aos montes aqueles que se marginalizam em desalento e ceticismo, ante as lutas de que se sentem objeto, no círculo de negações que se lhes afiguram irreversíveis, associando-se-nos aos desajustes, como que no propósito de ampliá-los.

Esse padeceu desilusões com afetos que lhe eram extremamente queridos e caiu em desconfiança pela impossibilidade de sustentar a própria fé, acima das contingências e fragilidades humanas; 

aquele entrou em tribulações no lar e bandeou-se para a descrença, admitindo-se sem necessidade de lágrimas em favor do próprio burilamento; 

outro varou empeços que lhe pareceram humilhações, estirando-se espiritualmente em desespero e revolta, por desconhecer-lhes a função educativa; 

e outros muitos, mergulhados na saudade dos entes queridos que os precederam na Grande Mudança, se fixam em pessimismo e negação ante as sugestões da morte, sem recursos para encontrarem na morte o renascimento da vida.

Onde encontres os nossos irmãos caídos em descrença e desânimo, compadece-te deles.

São companheiros que adoeceram de angústia, sob o impacto da renovação apressada imposta pela própria vida nos tempos de crise espiritual.

Ao invés de acusá-los, estende-lhes braços amigos a fim de que se refaçam. E mesmo que te recusem o apoio fraterno, alucinados ou desfalecentes de dor, que muitos deles se encontram, abençoa-os com a prece de simpatia e continua para diante, nas tarefas nobilitantes que a existência te deu.

Eles todos são enfermos queridos que se magoaram na batalha da evolução e se localizam nas retaguardas do serviço, para as quais as ambulâncias do socorro de Deus, se ainda não chegaram, estão inevitavelmente a caminho.


Emmanuel








Joanna de Ângelis - Livro Após a Tempestade - Divaldo P. Franco - Cap. 2 - Desprezo da Fé



Joanna de Ângelis - Livro Após a Tempestade - Divaldo P. Franco - Cap. 2


Desprezo da Fé


Aos múltiplos séculos de obscurantismo e prepotência da "fé cega", somam-se as graves transformações que ora se verificam no comportamento humano, embora as exuberantes conquistas da inteligência que parece haver solucionado os magnos problemas da vida. Como decorrência, talvez, das aquisições tecnológicas dos últimos tempos, no fantástico esforço de vencer os obstáculos ao conforto e resolver as dificuldades comuns no processo de evolução a que a ignorância concedia títulos de sobrenatural, o ceticismo irrompeu e ora se manifesta em ditadura de consequências insuspeitadas, merecendo terapêutica ética preventiva capaz de estancar a onda avassaladora de cinismo e despautérios que se alastra, soberana.

Incapazes de estimular as conquistas da razão, pelo receio de perderem a supremacia do controle que mantinham e aferrados a princípios espúrios, religiosos imprevidentes acreditaram ser mais eficiente engendrar o temor do que cultivar o amor nos corações.

Inconscientes e dúbios quanto às verdades que ensinavam, por serem destituídos de fé legítima os dogmas que impunham, infundindo receios, supunham que a vida prosseguiria sob sua tutela, qual nau a matroca em proceloso oceano desconhecido...

Dessa forma não podiam conceber que Deus em momento próprio, enviaria à Terra os Seus emissários, a fim de libertá-la do jugo arbitrário da ignorância dominante, comprazendo-se, então, em prolongar indefinidamente a vigência absurda do caos da inteligência...

Quando, porém, se aperceberam do grave erro, fulguravam já as estrelas da razão e da lógica, laboravam os dínamos da investigação científica, destruindo os "mistérios", enquanto o bisturi da cirurgia avançada, dissecando corpos, retirando peças anatômicas para exames e órgãos para transplantes, procuravam nos organismos ora cadaverizados, ora pulsantes, a alma, que as tradições valetudinárias vestiam de lendas, ocultavam em fantasias através do que possuíam o supremo controle das massas inermes nas teias bemurdidas da argumentação gongórica e confusa...

O homem transferiu-se, então, do totalitarismo da fé para o servilismo da descrença. Das argutas ciladas do enigmático "aceitar sem perquirir", surgiu o indagar sem fim, para raramente aceitar. A "razão" depôs a fé ancestral e irrigou as mentes comexigências superlativas, como realizando um desforço suposto necessário, tentando padronizar todas as coisas e leis, e submetendo-as às apaixonadas dimensões dos seus cálculo, conceitos e caprichos, novos na forma e antigos na imposição.

Acreditou-se, emconsequência, que ao homem tudo é concedido, devendo revelar-se-lhe todas as expressões e nuances da vida, ante os aparelhos que criou, míopes, no entanto, para as visões grandiosas da realidade universal, na multiplicidade das suas manifestações.

Fazendo-se descrente, tornouse joguete da própria presunção, destronando Deus da Criação para travestir-se num deus cuja fatuidade logo cede ante conjunturas que defronta na marcha e para as quais se encontra desarmado...

O desprezo à fé, antes de significar preciosa conquista da inteligência que se supõe superdotada, revela pobreza de percepção como riqueza da vã cultura, que não enxuga as lágrimas do coração, nem acalma as inquietações que somente a fé consegue dulcificar, apaziguar.

Ao Espiritismo cabe essa gigantesca tarefa: reconduzir o homem moderno a Deus, insculpir-lhe a fé superior e racional, mediante a utilização dos recursos de que dispõe a fim de estruturá-la pelos fatos de que se reveste e pela lógica que deles diflui, favorecendo-o com mais profunda compreensão dos móveis e objetivos da vida, simultaneamente exalçando a tônica dos deveres da caridade, do trabalho, da humildade, efeitos imediatos da sua transformação pela fé.

Não lhe imporá um novo modo de crer, antes lhe ensejará a correta vivência da crença, estruturada, não num sistema, antes argamassada no testemunho dos fatos demonstrados à saciedade, conotados e comprovados em toda parte e lugar do planeta.

Nesse afã, embora sejam propostas explicações científicas complexas para os fenômenos espirituais que defrontará, essas conclusões serão inexatas, impelindo-o à necessidade de submeter-se às Leis da Criação, de que os Espíritos Superiores se fazem executores, elucidando que as funções da vida prosseguem além do corpo abandonado na tumba, latentes, pulsantes, reais.

A fé espiritual corrige a distrofia ou a hipertrofia da razão, situando-a convenientemente no lugar que lhe cabe.

Crente, após a experiência da fé, o homem faz-se livre dos torpes limites dos preconceitos e das injunções dissolventes da hipocrisia, da petulância. Transforma-se em irmão do próximo, membro edificante da comunidade, por colocar as suas aspirações, não na transitória função da carne, mas na transcendente imposição da imortalidade.

Reconhece a própria fragilidade e pequenez, aspirando a força grandiosa do progresso e da sabedoria que o engrandece.

Não se jacta, não se ensoberbece.

A fé dá-lhe a exuberância do amor e o poder de retificar as injunções penosas, libertando-o dos tormentos de qualquer procedência, a fim de fazê-lo feliz.

Confirmando as legítimas consequências da fé, as modernas experiências da investigação paranormal já estão encontrando a prova do poder do pensamento — exteriorização da fé — e documentando do pródromo da vida do Espírito, reencarnado ou não, encorajando incursões mais profundas de que se colherão resultados expressivos, salutares.

O desprezo à fé logo mais cederá lugar às luminescências da esperança e à aceitação das diretrizes dúlcidas quão consoladoras do Evangelho de Jesus, em "espírito e verdade", reformulando, felicitando a Terra e seus habitantes, quando então, o homem crerá em Deus e em Jesus, para afirmar-se como legatário, que muito poderá fazer como o próprio Cristo o anunciou e fez.

Nem guerra, nem dor; nem anátema, nem ódio nesses dias que advirão, após os que se estão vivendo.

A fé guiará o homem e o homem, em se encontrando consigo mesmo, "herdará a Terra".


Joanna de Ângelis











domingo, 27 de julho de 2025

Hammed - Livro As Dores da Alma - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 39 - Vício



Hammed - Livro As Dores da Alma - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 39


Vício


O viciado é um “conservador”, pois não quer correr o risco de se lançar à vida, tornando-se, desse modo, um comodista por medo do mundo que, segundo ele, o ameaça.

Inúmeros indivíduos tomam as mais diferentes atitudes diante da vida, porque diferentes informações lhes foram transmitidas quando eram crianças.

Conceitos diferentes são ensinados para crianças européias, asiáticas e africanas e todas se desenvolvem acreditando que estão completamente certas, convencidas de que as outras estão totalmente erradas.

O vício pode ser um “erro de cálculo” na procura de paz e serenidade, porque todos queremos ser felizes e ninguém, conscientemente, busca de propósito viver com desprazer, aflição e infelicidade.

Nosso modo de ser no mundo está sendo moldado por nossas atitudes interiores; aliás, estamos, diariamente, aprendendo como desenvolver atitudes cada vez mais adequadas e coerentes em favor de nós mesmos.

Hábitos preferidos se formam através do tempo e se sedimentam com repetidas manobras mentais. O que funcionou muito bem em situações importantes de nossa vida, mantendo nossa ansiedade controlada e sob domínio, provavelmente será reproduzido em outras ocasiões. Por exemplo: se na fase infantil descobrimos que, “quando chorávamos logo em seguido mamávamos”, essa atitude mental poderá ser perpetuada através de um hábito inconsciente que julgamos irresistível.

A estratégia psíquica passa a ser: “quando tenho um problema, preciso comer algo para resolvê-lo”. O que a princípio foi uma descoberta compensadora e benéfica mais tarde pode ser um mecanismo desnecessário, tornando-se um impulso neurótico e desagradável em nosso dia-a-dia.

Existem diversos casos de obesidade que surgiram no clima de lares onde a mãe é superexigente, perfeccionista e dominadora, forçando constantemente a criança a se alimentar, não levando em conta suas necessidades naturais. Pela insistência materna, ela desenvolve o hábito de comer exageradamente, prejudicando o desenvolvimento do senso interior, que lhe dá a medida de quando começar e de quando parar de comer.

A bulimia cria para seus dependentes uma barreira que os separa da realidade e funciona como uma falsa proteção e segurança, pois eles constroem seu mundo de explicações falsas por não perceberem os fatos verdadeiros.

Por outro lado, alguns podem argumentar sobre a ação dos distúrbios glandulares ou genéticos, mas, mesmo assim, a causa fundamental dos problemas se encontra no psiquismo humano que, em realidade, é quem comanda todo o cosmo orgânico.

Geralmente, a obesidade nasce da falta de coragem para enfrentar novas experiências; é a compensação que a “criança carente”, existente no adulto, encontra para sentir-se protegida.

“… A lei de conservação lhe prescreve, como um dever, que mantenha suas forças e sua saúde, para cumprir a lei do trabalho. Ele, pois, tem que se alimentar conforme o reclame a sua organização.”

Paralelamente, encontramos também na dependência da comida um vício alicerçado no “medo de viver”. O temor das provas e dos perigos naturais da caminhada terrena pode nos levar a uma suposta fuga.

Os dependentes negam seu medo e se escondem à beira do caminho. Interrompem a “procura existencial”, dificultando, assim, o fluxo do desenvolvimento espiritual que acontece através da busca do novo. A evolução tudo melhora, sempre esteve e sempre estará desenvolvendo, desde os menores reinos da Natureza até as mais complexas estruturas da consciência humana.

O vício aparece constantemente onde há uma inadaptação à vida social. Por incrível que pareça, o viciado é um “conservador”, pois não quer correr o risco de se lançar à vida, tornando-se, desse modo, um comodista por medo do mundo que, segundo ele, o ameaça.

Os vícios ou hábitos destrutivos são, em síntese, métodos defensivos que as pessoas assumiram nesta existência, ou mesmo os trazem de outras encarnações, como um forma inadequada de promover segurança e proteção.

Assim considerando e a fim de nos aprofundar no assunto, para saber lidar melhor com as chamadas viciações humanas, devemos perguntar a nós mesmos:

– Como organizamos nossa personalidade? Como eram as crenças dos adultos com os quais convivemos na infância? Que tipo de atos permitimos ou proibimos entrar nesse processo? Quais a linhas de conduta que nos foram fechadas, ou quais os modelos de vida que priorizamos em nossa organização mental?

Somente aí, avaliando demoradamente os antecedentes de nossa vida, é que estaremos promovendo uma autoanálise proveitosa, para identificarmos nossos padrões de pensamentos deficitários, diferenciando aqueles que nos são úteis daqueles que não nos servem mais. Dessa forma, libertamo-nos das compulsões desgastantes e dos hábitos infelizes. 

Não nos esqueçamos, contudo, de que, conforme as afirmações dos Nobres Espíritos da Codificação, o homem “tem que se alimentar conforme o reclame a sua organização”, considerando, obviamente, que todo excesso é produto de uma viciação em andamento.


Hammed









Miramez - Livro Horizontes da Mente - João Nunes Maia - Pág. 135 - O reencarnante e o ambiente



Miramez - Livro Horizontes da Mente - João Nunes Maia - Pág. 135


O reencarnante e o ambiente


O reencarnante deseja um ambiente afetuoso e são justas as suas aspirações. Portanto, encontrará uma área adequada às suas necessidades, já que somente recebemos o que merecemos.

Se vos esforçardes para perdoar, aceitando a tarefa com humildade, sem revolta, sem tristeza, sem ofensa, abraçando tudo por amor, recebereis a misericórdia, em consonância com os princípios assumidos pela vossa disposição de servir, porque fizestes por onde merecer.

A parte que nos toca somente nós podemos fazer. Todas as ajudas exteriores são estímulos com limites determinados. A alma que se propôs a reencarnar, ou que o fez por imposição da lei, tem sua parte de realização no ambiente que espera. Se ignorais tudo isso e as leis também, é porque tendes de sofrer as consequências, e elas vos mostrarão os caminhos mais curtos. A parte que nos toca é fração mínima na engrenagem da vida, mas é nossa. Não podemos vendê-la, nem trocála, nem poderá ser feita pela caridade alheia. A justiça é justiça para tudo e todos.

O espírito com destino à reencarnação aproxima-se do ambiente que lhe é próprio. Os engenheiros siderais estudam sua vida pregressa, analisam, medem, comparam, ajustam e colocam o candidato no lugar certíssimo, que lhe convém segundo o carma ou conveniência evolutiva. 

Meus filhos, depois que compreenderdes as coisas pela razão, não culpeis a ninguém pelo vosso desencanto no lar em que viveis. Ele é o molde exato da roupa que mereceis e talvez não seja vossa culpa também. São esquemas do progresso, por que todos haveremos de passar. Não existe ninguém que não tenha problemas, que não sofra desta ou daquela maneira, que não passou por sacrifícios, que não chore, que não conheça a tristeza. São, todos, caminhos que nos levam à paz e ao amor.

Se vos aportastes ao ambiente em que estais, é porque aí é que está o vosso tesouro. Procurai trabalhar. É aí que as pedras preciosas vos esperam. É aí que a felicidade vos aguarda. Se não compreendeis ainda, ireis compreender depois, pêlos duros golpes da própria dor.

A dor apura a consciência, abre a visão espiritual e nos faz escutar a música mais elevada da existência. No entanto, se compreenderdes a função da dor e fizerdes a vossa parte na educação da mente, aprimorando os vossos pensamentos para que as ideias se iluminem, ireis aliviando automaticamente todos os sofrimentos, conquistando a verdadeira saúde, assenhoreando-vos da alegria e convertendo-vos em amor e caridade, sob inúmeras feições.

Ninguém, repitamos, é culpado dos vossos infortúnios. Somente vós, porque tendes anseio de evolução, e a meta que alcançardes será vossa. Somente vós gozareis dela e, se já sois consciente desse roteiro irremovível, andai com inteligência, ajudando, cooperando, amando, instruindo e abençoando, que sereis feliz todos os dias.

Esta página fala aos filhos mais de perto. Pois não são somente os pais que têm de se esforçar para compreender os filhos. Eles têm o seu quinhão de responsabilidade. Mas é imprescindível o esforço de cada um. A harmonia do lar depende da harmonia de todos.

Se vos esforçardes nesta existência, por todos o meios, em muitas direções, para que a vida no lar se faça com paz, o amanhã, tereis um ambiente familiar frutificado com as sementes que plantastes.

Querer o bem, somente, não basta. É preciso que ele seja complementado pelo verbo fazer. E tereis o bem em vossas portas.


Miramez 










Emmanuel - Livro Levantar e Seguir - Chico Xavier - Cap. 9 - Aconselhar



Emmanuel - Livro Levantar e Seguir - Chico Xavier - Cap. 9


Aconselhar


“Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o.” — Paulo (Tito 3.10)


O ato de aconselhar tem a sua época própria, à maneira de todas as cousas.

Muitos aprendizes costumam esquecer que se encontram no mundo em serviço de retificação do pretérito e de autoiluminação, estacionando em falsos caminhos.

Insistentemente consultados, não percebem a trama sutil que lhes detém os passos e, quando não regressam à vigilância, vão olvidando inconscientemente a si mesmos.

A preguiça sempre se orgulhou de encontrar uma advogada na complacência fácil.

E conferindo-lhe posição de superioridade, nela se apoia para a dilatação de todos os erros.

A primeira deseja uma companhia para os maus caminhos; a segunda aprova, em vista da falsa situação de destaque em que foi colocada.

Daí o veneno sutil da ociosidade que sempre busca os conselhos de sua mentora, para fazer, em seguida, às ocultas, o que bem entende, voltando sempre a se aconselhar novamente.

Reportando-nos ao ensinamento de Paulo, não queremos dizer que a rebeldia ou a ignorância devam ser sumariamente condenadas, quando a própria heresia, tem, por vezes, a sua tarefa.

Elas merecem uma ou outra admoestação, devem ser credoras de nossa atividade fraternal, mas passado o tempo em que nosso concurso era suscetível de lhes restaurar as estradas, não será justo dar-lhes força para a irreflexão.

Temos, igualmente, o nosso roteiro e as nossas experiências.

Estacionar com elas na falsa atitude de conselheiros seria desempenhar o papel da complacência frente à ociosidade criminosa.


Emmanuel










sábado, 26 de julho de 2025

Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 3 - Tempos da Ignorância



Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 3


Tempos da Ignorância


".... Muito se pedirá àquele a quem se tiver muito dado, e se fará prestar maiores contas àqueles a quem se tiver confiado mais coisas.” Lucas (12:48). 

“... Somos nós, pois, também cegos? Jesus lhes respondeu: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas agora dizeis que vedes e é por isso que vosso pecado permanece em vós.” (Capítulo 18, itens 10 e 11 - “O Evangelho Segundo o Espiritismo”)


Lucas relata em Atos dos Apóstolos a seguinte orientação de Paulo de Tarso: “Deus não leva em conta os tempos da ignorância”(1). Em outras oportunidades, confirmou também que “muito se pedirá àquele que muito recebeu”(2), quer dizer, o agravamento das faltas é proporcional ao conhecimento que se possui.

Compreendemos, dessa forma, que somos todos nós protegidos pela nossa “ignorância”, pois somente seremos avaliados pela Divina Providência, de conformidade com as possibilidades do “saber” e “sentir”, isto é, segundo a nossa maneira de ver a nós próprios e o mundo que nos rodeia.

As leis espirituais que dirigem a vida são sábias e justas e adaptam-se particularmente a cada criatura, levando em conta suas individualidades.

O eminente psicólogo e pedagogo suíço Jean Piaget, responsável pela teoria de que o desenvolvimento das crianças propicia seu aprendizado, dizia que elas são diferentes entre si, que cada uma tem seu jeito de crescer e de se realizar como indivíduo, e que todos poderíamos ajudá-las nesse crescimento, porém nunca impondo formas generalizadas e semelhantes.

Piaget ensinava que cada criança pensa e interpreta o mundo com seu peculiar pensamento e com suas possibilidades orgânicas e mentais, quase sempre heterogêneas.

Encontramos no mundo atual modernos métodos pedagógicos que seguem esse raciocínio, levando em conta que cada indivíduo, para assimilar sua realidade de vida, é portador de um processo psicológico de aprendizagem próprio. Cada um percebe de forma dissemelhante os estímulos da Vida, decodifica-os e em seguida os reelabora, formando assim sua própria individualidade.

Por outro lado, encontramos também na reencarnação a guarida desses métodos de ensino, pois ela se baseia na multiplicidade de experiências ocorridas nos diversos avatares por onde a alma percorre seus caminhos vivenciais, como um ser individual.

As diversidades do nosso tempo de criação, nossas heranças reencarnatórias, experiências emocionais e mentais, ambientes sociais onde ocorrem essas mesmas experiências, estruturas sexuais, masculinas ou femininas, e motivações várias desenvolvidas na atualidade particularizam os seres humanos com vocações, tendências, interesses, grau de raciocínio e discernimento “sui generis”.

Relativos e não generalizados devem ser os modos de ver as coisas e as pessoas. O próprio direito penal classifica e pune os crimes dentro dos padrões do “intencional” ou “doloso”, “passional” ou “ocasional”. Por que o Poder Inteligente que nos rege iria julgar-nos sem levar em conta nosso “tempo da ignorância” e nossa relatividade?

Como educar ou avaliar genericamente, usando o mesmo critério, crianças que receberam uma educação cheia de energia e vida, ensinadas a questionar e criar; a ter curiosidade e admiração pela natureza; e outras que só vivenciaram discussões, agressões e comportamentos medíocres por entre odores de bebidas alcoólicas e nicotina, sem uma visão saudável de Deus; ao contrário, temerosa, distorcida, adquirida através da crença de um ser ameaçador e temperamental?

O Amor de Deus programou-nos simples inicialmente para permitir que nos desenvolvêssemos, de forma gradativa, até atingir maiores plenitudes e totalidades.

Temos, pois, que seguir essa programação da Natureza, ou seja, caminhar dentro desse projeto estabelecido pelas leis universais para atingirmos a nossa integração como seres espirituais.

Esse processo evolucional nos mostra que podemos estar um pouco atrás, ou adiante, das criaturas, embora cada uma delas tenha suas características próprias e certas de acordo com sua idade astral. Nesse decurso evolutivo, todos nós passamos por fases de egoísmo e orgulho até atingirmos mais tarde as grandes virtudes da alma.

Consideremos, portanto, que não seremos censurados por estar nessas fases “primitivas”, porque o que chamamos de “defeito” ou “inferioridade” seja, talvez, a passagem por esses ciclos iniciantes onde estagiamos. Lembremos que essas “fases” ou “ciclos” não foram criados por nós, mas pelos desígnios de Deus, que regem a Natureza como um todo.

Coisas inadequadas que vemos em outras pessoas podem ser naturais nelas, ou mesmo do “tempo da sua ignorância”, e representam características próprias de sua etapa evolucional na estrada por onde todos transitamos, alguns mais avançados e outros na retaguarda.

A vida moderna nos deu raciocínio e reflexão, maturação intelectual e um desenrolar de novas descobertas, ensinando-nos formulações racionais surpreendentes para que melhor pudéssemos compreender os métodos de evolução e progresso em nós mesmos e no Universo.

Não somos responsáveis por aquilo que não sabemos, não sofreremos um castigo por atos ou atitudes que ignoramos. Talvez essas ideias de punição, alienatórias, sejam os frutos da incapacidade de nossa reflexão sobre a Bondade Divina.

O que chamamos de “sofrimento” é simplesmente “resultado” de nossa falta de habilidade para desenvolver as coisas corretamente, pois na vida não existem “prêmios” nem “castigos”, somente as consequências dos nossos atos.

Vale, porém, considerar que, à medida que nossa consciência se expande e maior lucidez se faz em nossa mente, maiores serão nossos compromissos perante a existência. “Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas agora dizeis que vedes e é por isso que vosso pecado permanece em vós” (3).

Podemos pretextar ignorância, mas se tivermos consciência de nossos feitos isso sempre será levado em conta.

Avaliemos atentamente: os tesouros da alma que já integramos nos obrigarão a prestar maiores ou menores contas perante a Vida Maior.


Hammed







 
(1) Atos 17:30.
(2) Lucas 12:48.
(3) João 9:41

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Joanna de Ângelis - Livro O Ser Consciente - Divaldo P. Franco - Cap. 10 - Dificuldades do ego



Joanna de Ângelis - Livro O Ser Consciente - Divaldo P. Franco - Cap. 10


Dificuldades do ego


Característica iniludível de imaturidade psicológica do indivíduo, é a sua preocupação em projetar o próprio ego.

Atormentado pela ausência de valores pessoais, quão inseguro no comportamento, apega-se às atitudes afugentes da autopromoção, passando a viver em contínua inquietação, porque sempre insatisfeito.

Afirmou Freud que o sofrimento é inevitável, considerando os grandes problemas que aturdem os seres nas várias expressões em que se exteriorizam.

De fato, a transitoriedade da vida física responde pela morte rápida da ilusão e pela destruição dos seus castelos, produzindo lamentáveis estados emocionais naqueles que se lhes agarram com todas as veras. Logo percebem-se de mãos vazias, sem qualquer base em que apoiem e firmem as aspirações que acalentam.

As diversas enfermidades e as variadas frustrações, que se radicam no ego, têm, porém, uma historiografia muito larga, transcendendo a existência atual, remontando ao passado espiritual do ser.

Não conhecendo a gênese das mesmas, o indivíduo centraliza, nas necessidades de afirmação da personalidade, os seus anseios, derrapando nas valas da projeção indébita do ego.

Quando não se consegue aparecer através das realizações edificantes, mascara-se, e promove situações que vitaliza no íntimo, desde que chame a atenção, faça-se notar.

Em alguns casos, vitimado por conflitos rudes, elabora estados narcisistas e afoga-se na contemplação da própria imagem, em permanente estado de alienação do mundo real e das pessoas que o cercam.

Patologicamente sente-se inferiorizado, e oculta o drama interior partindo para o exibicionismo, como mecanismo de fuga, sustentando-se em falsos pedestais que desmoronam e produzem danos psicológicos irreparáveis. 

A criatura que não se conhece, atende ao ego, buscando tornar-se o centro das atenções mediante tricas e malquerenças, que estabelece com rara habilidade, ou envolvendo-se nos mantos que a tornam vítima, para, desse modo, inspirar simpatia, colimando o objetivo de ser admirada, tida em alta conta.

Toda preocupação que se fixa, conduzindo a autopromoção, constitui sinal de alarme, denunciando manifestação dominadora do ego em desequilíbrio, que logo gerará problemas.

A conscientização da transitoriedade da existência física conduz o ser ao cooperativismo e à natural humildade, tendo em vista as realizações que devem permanecer após o seu desaparecimento orgânico.

Por outro lado, o autodescobrimento amadurece o ser, facultando-lhe compreender a necessidade da discrição que induz ao crescimento interior, à plenitude.

Toda vez que alguém se promove, chama a atenção, mas não se realiza.

Pelo contrário, agrada o ego e fica inquieto observando os competidores eventuais, pois que, em todas as pessoas que se destacam vê inimigos, face ao próprio desequilíbrio, assim engendrando novas técnicas para não ficar em segundo plano, não passar ao esquecimento.

O tormento se lhe faz tão pungente e perturbador que, em determinadas áreas das artes, criou-se o brocardo: Que se fale mal de mim; mas que se fale, numa asseveração de que a evidência lhes preenche o ego, mesmo quando é negativa.

A Psicologia Transpessoal, diante de tal estado, propõe uma revisão dos conteúdos da personalidade, do ego, estabelecendo, como fator essencial no processo da busca da saúde, a conquista do ser pleno, realizador, identificando-se preexistente ao corpo e a ele sobrevivente, sem o que a vida se lhe torna, realmente, um sofrimento inevitável.

Nas faixas da evolução mais densa, em que estagia a grande mole humana, o sofrimento campeia, por ser uma forma de malho e de bigorna que trabalham o indivíduo, nele insculpindo o anjo e arrancando lhe o demônio do primitivismo aí predominante.

Ciúme, ressentimento, inveja, ódio, maledicência e um largo cortejo de emoções perturbadoras são os filhos diletos do ego, que deseja dominação e, na ânsia de promover-se, nada mais logra do que projetar a própria sombra, profundamente prejudicial, iníqua.

A superação dessa debilidade moral, dessa imaturidade psicológica ocorrerá, quando o paciente, de início, vigiar as nascentes do coração, conforme propôs Jesus, o Psicoterapeuta Excelente, realizando um trabalho de crescimento emocional e uma realização pessoal plenificadores.

Qualquer escamoteamento da situação mórbida constitui risco para o comportamento, face aos perigos que são produzidos pelos problemas do ego dominador.


Joanna de Ângelis 











segunda-feira, 21 de julho de 2025

Bezerra de Menezes - Livro Apelos Cristãos - Chico Xavier - Cap. 13 - Perante os problemas paternais



Bezerra de Menezes - Livro Apelos Cristãos - Chico Xavier - Cap. 13


Perante os problemas paternais


Dentro da tranquilidade possível, conservemos as nossas paternais emoções na confiança em Jesus que, por Seus Mensageiros, nos estenderá providências, em auxilio de todos os corações queridos que, no momento, se encontram associados no mesmo esforço de reajuste espiritual.

Abençoemos as dificuldades e, igualmente, lembremo-nos das bênçãos que o nosso grupo doméstico vem recebendo do amparo do Senhor.

Os filhos são originariamente de Deus e em nossa condição de zeladores deles, façamos quanto se nos faça possível para auxiliá-los, no limite de nossos recursos.

Os deveres bem cumpridos do coração paternal sempre nos farão tranquilos perante Jesus.

Os corações paternos ajustados à “Lei do Bem” devem guardar a tranquilidade que sempre lhes iluminam a vida, a fim de agirem com acerto.

Esforcemo-nos ao máximo para sustentar os filhos queridos no clima da paz com o regresso à calma edificante do lar, entretanto se os filhos não puderem responder positivamente ao carinho dos nossos apelos, respeitemo-los na estrada que escolham trilhar e peçamos a Jesus a todos nos fortaleça.

O dever cumprido corretamente é a ficha moral do homem.

Tranquilizemo-nos, assim, na consciência equilibrada pela noção de nossas obrigações escrupulosamente atendidas.


Bezerra de Menezes










Miramez - Livro Horizontes da Mente - João Nunes Maia - Pág. 89 - Conduta Mental



Miramez - Livro Horizontes da Mente - João Nunes Maia - Pág. 89


Conduta Mental


A coerência de nossos atos com feitos idênticos colocar-nos-á à altura da justiça, e é essa atração por concordância que nos leva a agir com mais acerto, certificando-nos de que recebemos o que damos, vivemos no ambiente que fizemos, respiramos a atmosfera que atraímos. O suprimento divino nos dá tudo de bom, dependendo de saber pedir, através da vida.

A analogia de opiniões é que firma a amizade. Porém, o bom senso nos aconselha a examinar o tipo de sintonia com que estamos nos vinculando a alguém. Se a invigilância nos situou na decadência moral, mudemos logo a nossa conduta e, imediatamente, aquele que está tendo as mesmas atitudes, passará, como por encanto, a ser nosso amigo. Eis a lei em alta ressonância.

A conduta física nem sempre é o retrato fiel da conduta mental. Em muitos casos, pensamos coisas más. No entanto, não temos coragem de praticá-las. Alimentamos ideias inferiores, porém não as praticamos. De certo modo, atingimos os outros com os nossos pensamentos em desordem. Não obstante, é um erro mais aliviado, estamos a caminho da regeneração. Com mais um pouco de esforço, com mais um pouco de tempo e as bênçãos de Deus, começaremos o trabalho mais eficiente, que é educar a mente.

A conduta da mente está vinculada ao progresso. Se boas as ideias, bons os costumes. Se maus os pensamentos, vida desajustada. Quando trabalhamos muito para que a moral se eleve, é bom que comecemos na área mental, modificando os impulsos sentimentais para que eles se reflitam no comportamento da vida. É viável, mais ou menos, a demora. De qualquer modo, é uma construção engenhosa, que requer tempo, grandes esforços, muita persistência, fé robusta e exercício permanente no amor.

A formação dos nossos pensamentos é que determina a nossa conduta. Se a consciência conseguir fazer parte da elaboração das nossas ideias, se a disposição da disciplina dominar os sentimentos, é bom que comeceis por elas a reforma dos princípios morais, com o Cristo, nos moldes do Evangelho. É certo que não devemos julgar ninguém pela vida que se dispôs a viver. Entrementes, a observação, nas bases da psicologia, no silêncio, tornar-se-á de grande utilidade para o observador, desde que ele tire proveito para a autoeducaçâo dos seus instintos inferiores. 

Se achais que os outros procedem de maneira que a vossa consciência repudia, não façais o mesmo. Eis que vos serviu de lição, e se quereis estar bem com a vossa própria consciência, não critiqueis os outros pêlos erros cometidos. Procurai fazer certo, que estais acendendo uma luz.

O corpo espiritual é o primeiro a ser atingido pela má conduta. Ele é urna energia viva, bioplasmática, de alta sensibilidade, capaz de passar, com toda fidelidade, a indução que impregnais, através dos pensamentos, para o corpo físico. E este, sofrendo as consequências, faz retornar â alma aquilo que ela mesma criou.

Aconselha Jesus a orar e vigiar. A oração abre caminhos nunca antes percebidos pelo espírito e a vigilância dá tempo ao raciocínio, para classificação dos pensamentos, estimulando os bons e marginalizando os imprestáveis, ou canalizando-os a uma determinada região da subconsciéncia, para que ela aproveite esse lixo mental.

Estamos na época do autoconhecimento e dos indivíduos, principalmente daqueles que se dispuseram a procurar a verdade. O campo interior é muito maior. As leis que nele vigoram são mais próximas da alma, e o céu a ser construído será mais participante de cada vida. Compete a nós por mãos à obra; trabalhar para conhecermos a nós mesmos por todos os métodos que Deus nos confiou. E, se não esmorecermos, no amanhecer de algum dia haveremos de sentir o sol da libertação despontar nos horizontes do espírito, como o Senhor a nos visitar para conosco ficar, eternamente.

Emmanuel - Livro Justiça Divina - Chico Xavier - Cap. 42 - Desligamento do mal



Emmanuel - Livro Justiça Divina - Chico Xavier - Cap. 42


Desligamento do mal


"Não há uma única imperfeição da alma que não traga consigo suas consequências lastimáveis, inevitáveis, e nem uma única boa qualidade que não seja a fonte de um gozo. A soma das penas é assim proporcionada à soma das imperfeições, como a dos gozos está na razão da soma das qualidades." (O Céu e o Inferno - Allan Kardec - 1ª Parte — Cap. VII — Item 3.)


Antes da reencarnação, no balanço das responsabilidades que lhe competem, a mente, acordada perante a Lei, não se vê apenas defrontada pelos resultados das próprias culpas. Reconhece, também, o imperativo de libertar-se dos compromissos assumidos com os sindicatos das trevas.

Para isso partilha estudos e planos referentes à estrutura do novo corpo físico que lhe servirá por degrau decisivo no reajuste, e coopera, quanto possível, para que seja ele talhado à feição de câmara corretiva, na qual se regenere e, ao mesmo tempo, se isole das sugestões infelizes, capazes de lhe arruinarem os bons propósitos.

Patronos da guerra e da desordem, que esbulhavam a confiança do povo, escolhem o próprio encarceramento na idiotia, em que se façam despercebidos pelos antigos comparsas das orgias de sangue e loucura, por eles mesmos transformados em lobos inteligentes;

tribunos ardilosos da opressão e caluniadores empeçonhados pela malícia pedem o martírio silencioso dos surdos-mudos, em que se desliguem, pouco a pouco, dos especuladores do crime, a cujo magnetismo degradante se rendiam, inconscientes; 

cantores e bailarinos de prol, imanizados a organizações corrompidas, suplicam empeços na garganta ou pernas cambaias, a fim de não mais caírem sob o fascínio dos empreiteiros da delinquência;

espiões que teceram intrigas de morte e artistas que envileceram as energias do amor imploram olhos cegos e estreiteza de raciocínio, receosos de voltar ao convívio dos malfeitoras que, um dia, elegeram por associados e irmãos de luta mais íntima;

criaturas insensatas, que não vacilavam em fazer a infelicidade dos outros, solicitam nervos paralíticos ou troncos mutilados, que os afastem dos quadrilheiros da sombra, com os quais cultivavam rebeldia e ingratidão;

e homens e mulheres, que se brutalizaram no vício, rogam a frustração genésica e, ainda, o suplício da epiderme deformada ou purulenta, que provoquem repugnância e consequente desinteresse dos vampiros, em cujos fluidos aviltados e vômitos repelentes se compraziam nos prazeres inferiores.

Se alguma enfermidade irreversível te assinala a veste física, não percas a paciência e aguarda o futuro. E se trazes alguém contigo, portando essa ou aquela inibição, ajuda esse alguém a aceitar semelhante dificuldade como sendo a luz de uma bênção.

Para todos nós, que temos errado infinitamente, no caminho longo dos séculos, chega sempre um minuto em que suspiramos, ansiosos, pela mudança de vida, fatigados de nossas próprias obsessões.


Emmanuel










Reunião pública de 26-6-1961.
As Penas Futuras segundo o Espiritismo.


Emmanuel - Livro Encontro Marcado - Chico Xavier - Cap. 22 - A face oculta



Emmanuel - Livro Encontro Marcado - Chico Xavier - Cap. 22


A face oculta


Viste o malfeitor que a opinião pública apedrejava e anotaste os comentários ferinos de muita gente… Ele terá sido mostrado nas colunas da imprensa por celerado invulgar de que o mundo abomina a presença; entretanto, alguém lhe estudou a face esquecida de sofredor e observou que ninguém, até hoje, lhe ofertou na existência o mínimo ensejo de ser amado, a fim de acordar para o serviço do bem.

Soubeste que certa mulher caiu em desequilíbrio, diante de círculos sociais que fizeram pesar sobre ela a própria condenação… Alguém, todavia, lhe enxergou a face oculta e leu nela, inscrita a fogo de aflição, a história das lutas terríveis que a acusada sustentou com a necessidade, sem que ninguém lhe estendesse mãos amigas, nas longas noites de tentação.

Percebeste a diferença do companheiro que se afastou do trabalho de burilamento moral em que persistes, censurado por muitos irmãos inadvertidamente aliados a todos os críticos que o situam entre os tipos mais baixos de covardia… Alguém, contudo, analisou-lhe a face ignorada, mil vezes batida pelas pancadas da ingratidão, e verificou que ninguém apareceu nos dias de angústia para lenir-lhe o coração, ilhado no desespero.

Tiveste notícia do viciado, socorrido pela polícia, e escutaste os conceitos irônicos daqueles que o abandonaram à própria sorte… No entanto, alguém lhe examinou a face desconhecida de criatura a quem se negou a bênção do trabalho ou do afeto e reconheceu que ninguém o ajudou a libertar-se da revolta e da obsessão.

Quando estiveres identificando as chagas do próximo, recorda que alguém está marcando as causas que as produziram. Esse alguém é o Senhor que vê o que não vemos. 

Onde o mal se destaque, faze o bem que puderes.

Onde o ódio se agite, menciona o amor.

Em toda parte, e acima de tudo, pensemos sempre na infinita misericórdia de Deus, que reserva apenas um Sol para garantir a face clara da Terra, durante as horas de luz, em louvor do dia, mas acende milhares de sóis, em forma de estrelas, para guardar a face obscura do Planeta, durante as horas de sombra, em auxílio da noite, para que ela jamais se renda ao poder das trevas.


Emmanuel











TEMA — Necessidade da compaixão em qualquer julgamento.

* "celerado invulgar" descreve um indivíduo que é notavelmente perverso e criminoso.

Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano


quinta-feira, 17 de julho de 2025

Emmanuel - Livro Alma e Coração - Chico Xavier - Cap. 13 - De sol a sol



Emmanuel - Livro Alma e Coração - Chico Xavier - Cap. 13


De sol a sol


Dizes-te numa época de tensão, na qual os sucessos de ordem negativa surgem aos montes, compelindo-te aos mais graves testes de fortaleza moral.

Tão grande a massa de conflitos, na esfera da alma, que muitos dos nossos irmãos de jornada evolutiva se recolhem à retaguarda, buscando refazimento, quando não a cura dos nervos destrambelhados.

À vista disso, indagas, por vezes, como trabalhar eficientemente e, ao mesmo tempo, resistir com êxito ao assédio da inquietação. 

Realmente, isso envolve questão muito importante no mundo íntimo de cada um de nós, porquanto nem podemos parar nos domínios da ação e nem desconhecer a necessidade de equilíbrio para suportar construtivamente as provas que venham a sobrevir.

A única solução, a nosso ver, será focalizar a mente no Espírito do Senhor, e Ele, o Divino Mestre, dar-nos-á rendimento em serviço e descanso ao coração. 

Se aparecerem dificuldades imprevistas, entrega-lhe os obstáculos que te aborrecem, e prossegue no dever que esposaste.  

Se tribulações te caírem na estrada, imagina-lhe as mãos vigorosas nas tuas e procura atravessá-las de ânimo firme, aproveitando a lição bendita do sofrimento.

Se problemas te desafiam, transmite-lhe as tuas apreensões e atende com paciência aos encargos que a vida te reservou.   

Se amigos desertaram, mentaliza nele o companheiro infalível e continua fiel aos compromissos que te honorifiquem a existência.

Dividamos diariamente com Cristo de Deus a carga abençoada de trabalho que nos pese nos ombros. 

Ele é o gerente de toda empresa de elevação e o sócio provedor de todas as nossas necessidades.   

Deixa que o Senhor faça por ti a parte de trabalho que não consegues fazer, e segue à frente, oferecendo os melhores recursos de que disponhas, no desempenho das obrigações imediatas que te compete, e observarás que quaisquer aflições se dissipam, em torno de ti, como as sombras se desfazem à luz dos céus, a fim de que sirvas alegremente no bem de todos, com invariável serenidade, de sol a sol.


Emmanuel









Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. VI - Comentários às Cartas de Paulo - Cap. 277 - Atualidade



Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. VI - Comentários às Cartas de Paulo - Cap. 277


Atualidade


“Ele, estando na forma de Deus não usou de seu direito de ser tratado como um deus.” — PAULO (Filipenses, 2.6)

Todos os sofrimentos dos homens, de modo geral, originam-se da pretensão de usurpar o Divino Poder.

Orgulho, vaidade, insensatez, egoísmo, perversidade, rebeldia e opressão representam apenas modalidades variadas dessa usurpação indébita. 

A guerra e o seu séquito pestilencial, a tirania e o instinto revolucionário, as paixões arrasadoras e os desastres espirituais que lhes são consequentes constituem-lhe as obras.

Na vastíssima paisagem de nossas existências vemos sempre a Misericórdia Divina e a maldade humana, a Bondade Celestial e a desobediência das criaturas… Sempre, o Pai Generoso e os filhos imprevidentes, o Deus Justo e as inteligências caídas e perversas… 

Doloroso quadro… Em tudo, no planeta, a harmonia das leis do Senhor e a discórdia dos homens, a bênção providencial do Céu e a rebeldia terrestre…

Por isso mesmo a Humanidade, como aranha gigantesca, encontra-se no milenário labirinto, encarcerada na teia criminosa de suas próprias ações.

O coração do discípulo fiel do Evangelho, nos dias que passam, deve revestir-se com a vigorosa couraça da fé viva, porquanto é chamado a trabalhar numa floresta escura, onde a maldade se tornou mais requintada e a sombra mais densa. 

E que guarde, sobretudo, a serenidade confiante do trabalhador, compreendendo a necessidade dos testemunhos e sacrifícios para todos, porque para o aprendiz sincero deve resplandecer o ensinamento Daquele que tendo vindo ao mundo através de anúncios divinos, assinalados por uma estrela brilhante, temido pelas autoridades de seu tempo, que transformou pescadores em apóstolos, que curou leprosos e cegos, e levantou paralíticos de nascença, não quis usurpar o Direito Divino e marchou, um dia, para o monte, a fim de testemunhar a obediência justa ao Senhor Supremo da Vida, no alto de uma cruz, ante o desprezo e ironia de todos.


Emmanuel











(Reformador, setembro 1968, página 206.)