sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Chico Xavier - Livro Momentos com Chico Xavier - Adelino Silveira - Pág. 39




Chico Xavier - Livro Momentos com Chico Xavier - Adelino Silveira - Pág. 39


Por que as grandes almas sofrem tanto?

— Sem a dor não se teria espaço mental para aceitar verdadeiramente as Leis de Deus. Quem aceita verdadeiramente, não reclama de nada. A alegria, do ponto de vista material, é uma ocorrência de valor externo. Entretanto, o sofrimento,  quando aceito com resignação e paciência, dilata os recursos da alma, preparando-a para receber as alegrias íntimas só concebíveis pela vida espiritual.

 
Chico Xavier






Pergunta de Adelino da Silveira
Resposta de Chico Xavier

 

André Luiz - Livro Nos Domínios da Mediunidade - Chico Xavier - Cap. 13 - Pensamento e mediunidade - Sublime orientador




André Luiz - Livro Nos Domínios da Mediunidade - Chico Xavier - Cap. 13


Pensamento e mediunidade


O silêncio se fez profundo e respeitoso.

O grupo esperava a mensagem terminal.

Senti que o ambiente se fizera mais leve, mais agradável.

Sobre a cabeça de Dona Celina apareceu brilhante feixe de luz. Desde esse instante, vimo-la extática, completamente desligada do corpo físico, cercada de azulíneas irradiações.

Admirado com o belo fenômeno, enderecei um gesto de interrogação ao nosso orientador, que explicou sem detença:

— Nossa irmã Celina transmitirá a palavra de um benfeitor que, apesar de ausente daqui, sob o ponto de vista espacial, entrará em comunhão conosco através dos fluidos teledinâmicos que o ligam à mente da médium.

— Mas isso é possível? — indagou Hilário, discretamente.

Áulus ponderou, de imediato:

— Lembre-se da radiofonia e da televisão, hoje realizações amplamente conhecidas no mundo. Um homem, de cidade a cidade, pode ouvir a mensagem de um companheiro e vê-lo ao mesmo tempo, desde que ambos estejam em perfeita sintonia, através do mesmo comprimento de onda. Celina conhece a sublimidade das forças que a envolvem e entrega-se, confiante, assimilando a corrente mental que a solicita. Irradiará o comunicado-lição, automaticamente, qual acontece na psicofonia sonambúlica, porque o amigo espiritual lhe encontra as células cerebrais e as energias nervosas quais teclas bem ajustadas de um piano harmonioso e dócil.

O Assistente emudeceu, de súbito, fixando o olhar no jato de safirina luz, que se fizera mais abundante, a espraiar-se em todos os ângulos do recinto.

Contemplei os circunstantes.

O rosto da médium refletia uma ventura misteriosa e ignorada na Terra.

O júbilo que a possuía como que contagiara todos os presentes.

Dispunha-me a prosseguir observando, mas a destra do Assistente tocou-me, de leve, recordando-me a quietude e o respeito.

Foi então que a voz diferenciada de Dona Celina ressoou, clara e comovente, mais ou menos nestes termos:

— Meus amigos — começou a dizer o instrutor que nos acompanhava o trabalho a longa distância —, guardemos a paz que Jesus nos legou, a fim de que possamos servi-lo em paz.

Em matéria de mediunidade, não nos esqueçamos do pensamento.

Nossa alma vive onde se lhe situa o coração.

Caminharemos, ao influxo de nossas próprias criações, seja onde for.

A gravitação no campo mental é tão incisiva, quanto na esfera da experiência física.

Servindo ao progresso geral, move-se a alma na glória do bem. Emparedando-se no egoísmo, arrasta-se, em desequilíbrio, sob as trevas do mal.

A Lei Divina é o Bem de Todos.

Colaborar na execução de seus propósitos sábios é iluminar a mente e clarear a vida. Opor-lhe entraves, a pretexto de acalentar caprichos perniciosos, é obscurecer o raciocínio e coagular a sombra ao redor de nós mesmos.

É indispensável ajuizar quanto à direção dos próprios passos, de modo a evitarmos o nevoeiro da perturbação e a dor do arrependimento.

Nos domínios do espírito não existe a neutralidade.

Evoluímos com a luz eterna, segundo os desígnios de Deus, ou estacionamos na treva, conforme a indébita determinação de nosso “eu”.

Não vale encarnar-se ou desencarnar-se simplesmente. Todos os dias, as formas se fazem e se desfazem.

Vale a renovação interior com acréscimo de visão, a fim de seguirmos à frente, com a verdadeira noção da eternidade em que nos deslocamos no tempo.

Consciência pesada de propósitos malignos, revestida de remorsos, referta de ambições desvairadas ou denegrida de aflições não pode senão atrair forças semelhantes que a encadeiam a torvelinhos infernais.

A obsessão é sinistro conúbio da mente com o desequilíbrio comum às trevas.

Pensamos, e imprimimos existência ao objeto idealizado.

A resultante visível de nossas cogitações mais íntimas denuncia a condição espiritual que nos é própria, e quantos se afinam com a natureza de nossas inclinações e desejos aproximam-se de nós, pelas amostras de nossos pensamentos.

Se persistimos nas esferas mais baixas da experiência humana, os que ainda jornadeiam nas linhas da animalidade nos procuram, atraídos pelo tipo de nossos impulsos inferiores, absorvendo as substâncias mentais que emitimos e projetando sobre nós os elementos de que se fazem portadores.

Imaginar é criar.

E toda criação tem vida e movimento, ainda que ligeiros, impondo responsabilidade à consciência que a manifesta. E como a vida e o movimento se vinculam aos princípios de permuta, é indispensável analisar o que damos, a fim de ajuizar quanto àquilo que devamos receber.

Quem apenas mentalize angústia e crime, miséria e perturbação, poderá refletir no espelho da própria alma outras imagens que não sejam as da desarmonia e do sofrimento?

Um viciado entre os santos não lhes reconheceria a pureza, de vez que, em se alimentando das próprias emanações, nada conseguiria enxergar senão as próprias sombras.

Quem vive a procurar pedras na estrada, certamente não encontrará apenas calhaus subservientes.

Quem se detenha indefinidamente na medição de lama está ameaçado de afogamento no lodo.

O viajante fascinado pelos sarçais, à beira do caminho, sofre o risco de enlouquecer entre os espinheiros do mato inculto.

Vigiemos o pensamento, purificando-o no trabalho incessante do bem, para que arrojemos de nós a grilheta capaz de acorrentar-nos a obscuros processos de vida inferior.

É da forja viva da ideia que saem as asas dos anjos e as algemas dos condenados.

Pelo pensamento, escravizamo-nos a troncos de suplício infernal, sentenciando-nos, por vezes, a séculos de peregrinação nos trilhos da dor e da morte.

A mediunidade torturada não é senão o enlace de almas comprometidas em aflitivas provações, nos lances do reajuste.

E, para abreviar o tormento que flagela de mil modos a consciência reencarnada ou desencarnada, quando nas grades expiatórias, é imprescindível atender à renovação mental, único meio de recuperação da harmonia.

Satisfazer-se alguém com o rótulo, em matéria religiosa, sem qualquer esforço de sublimação interior é tão perigoso para a alma quanto deter uma designação honorífica entre os homens com menosprezo pela responsabilidade que ela impõe.

Títulos de fé não constituem meras palavras, acobertando-nos deficiências e fraquezas. Expressam deveres de melhoria a que não nos será lícito fugir, sem agravo de obrigações.

Em nossos círculos de trabalho, desse modo, não nos bastará o ato de crer e convencer.

Ninguém é realmente espírita à altura desse nome, tão só porque haja conseguido a cura de uma escabiose renitente, com o amparo de entidades amigas, e se decida, por isso, a aceitar a intervenção do Além-Túmulo na sua existência; e ninguém é médium, na elevada conceituação do termo, somente porque se faça órgão de comunicação entre criaturas visíveis e invisíveis.

Para conquistar a posição de trabalho a que nos destinamos, de conformidade com os princípios superiores que nos enaltecem o roteiro, é necessário concretizar-lhes a essência em nossa estrada, por intermédio do testemunho de nossa conversão ao amor santificante.

Não bastará, portanto, meditar a grandeza de nosso idealismo superior. É preciso substancializar-lhe a excelsitude em nossas manifestações de cada dia.

Os grandes artistas sabem colocar a centelha do gênio numa simples pincelada, num reduzido bloco de mármore ou na mais ingênua composição musical. As almas realmente convertidas ao Cristo lhe refletem a beleza nos mínimos gestos de cada hora, seja na emissão de uma frase curta, na ignorada cooperação em favor dos semelhantes ou na renúncia silenciosa que a apreciação terrestre não chega a conhecer.

Nossos pensamentos geram nossos atos e nossos atos geram pensamentos nos outros.

Inspiremos simpatia e elevação, nobreza e bondade, junto de nós, para que não nos falte amanhã o precioso pão da alegria.

Convicção de imortalidade, sem altura de espírito que lhe corresponda, será projeção de luz no deserto.

Mediação entre dois Planos diferentes, sem elevação de nível moral, é estagnação na inutilidade.

O pensamento é tão significativo na mediunidade, quanto o leito é importante para o rio. Ponde as águas puras sobre um leito de lama pútrida e não tereis senão a escura corrente da viciação.

Indubitavelmente, divinas mensagens descerão do Céu à Terra. Entretanto, para isso, é imperioso construir canalização adequada.

Jesus espera pela formação de mensageiros humanos capazes de projetar no mundo as maravilhas do seu Reino.

Para atingir esse aprimoramento ideal é imprescindível que o detentor de faculdades psíquicas não se detenha no simples intercâmbio. Ser-lhe-á indispensável a consagração de suas forças às mais altas formas de vida, buscando na educação de si mesmo e no serviço desinteressado a favor do próximo o material de pavimentação de sua própria senda.

A comunhão com os orientadores do progresso espiritual do mundo, através do livro, nos enriquece de conhecimento, acentuando-nos o valor mental; e a plantação de bondade constante traz consigo a colheita de simpatia, sem a qual o celeiro da existência se reduz a furna de desespero e desânimo.

Não basta ver, ouvir ou incorporar Espíritos desencarnados, para que alguém seja conduzido à respeitabilidade.

Irmãos ignorantes ou irresponsáveis enxameiam, como é natural, todos os departamentos da Terra, em vista da posição evolutiva deficitária em que ainda se encontram as coletividades do Planeta e, muita vez, sem qualquer raiz de perversidade propriamente dita, milhares de almas, despidas do envoltório denso, praticam o vampirismo junto dos encarnados invigilantes, simplesmente no intuito de prosseguirem coladas às sensações do campo físico das quais não se sentem com suficiente coragem para se desvencilharem.

Toda tarefa, para crescer, exige trabalhadores que se dediquem ao crescimento, à elevação de si mesmos.

Isso é demasiado claro em todos os Planos da Natureza.

Não há frutos na árvore nascente.

A madeira não desbastada é incapaz de servir, com eficiência, ao santuário doméstico.

A areia movediça não garante a sustentação.

Não se faz luz na candeia sem óleo.

O carro não transita com êxito onde a picareta ainda não estruturou a estrada conveniente.

Como esperardes o pensamento divino, onde o pensamento humano se perde nas mais baixas cogitações da vida?

Que mensageiro do Céu fará fulgir a mensagem celestial em nosso entendimento, quando o espelho de nossa alma jaz denegrido pelos mais inferiores dos interesses?

Em vão buscaria a estrela retratar-se na lama de um charco.

Amigos, pensemos no bem e executemo-lo.

Tudo o que existe dentro da Natureza é a ideia exteriorizada.

O Universo é a projeção da Mente Divina e a Terra, qual a conheceis em seu conteúdo político e social, é produto da Mente Humana.

Civilizações e povos, culturas e experiências constituem formas de pensamento, através das quais evolvemos, incessantemente, para Esferas mais altas.

Atentemos, pois, para a obrigação de autoaperfeiçoamento.

Sem compreensão e sem bondade, irmanar-nos-emos aos filhos desventurados da rebeldia.

Sem estudo e sem observação, demorar-nos-emos indefinidamente entre os infortunados expoentes da ignorância.

Amor e sabedoria são as asas com que faremos nosso voo definitivo, no rumo da perfeita comunhão com o Pai Celestial.

Escalemos o Plano superior, instilando pensamentos de sublimação naqueles que nos cercam.

A palavra esclarece.

O exemplo arrebata.

Ajustemo-nos ao Evangelho Redentor.

Cristo é a meta de nossa renovação. Regenerando a nossa existência pelos padrões d’Ele, reestruturaremos a vida íntima daqueles que nos rodeiam.

Meus amigos, crede!…

O pensamento puro e operante é a força que nos arroja do ódio ao amor, da dor à alegria, da Terra ao Céu…

Procuremos a consciência de Jesus para que a nossa consciência lhe retrate a perfeição e a beleza!…

Saibamos refletir-lhe a glória e o amor, a fim de que a luz celeste se espelhe sobre as almas, como o esplendor solar se estende sobre o mundo.

Comecemos nosso esforço de soerguimento espiritual desde hoje e, amanhã, teremos avançado consideravelmente no grande caminho!…

Meus amigos, meus irmãos, rogando a Jesus que nos ampare a todos, deixo-vos com um até breve.

A voz da médium emudeceu.

Sensibilizados, reparamos que, no alto, se apagara o jorro brilhante.

Raul Silva, em prece curta, encerrou a reunião.

Enlaçamos Clementino às despedidas.

— Voltem sempre — convidou-nos gentil.

Sim., sim, continuaríamos aprendendo.

E, lado a lado com o nosso orientador, retiramo-nos, felizes, como quem sorvera a água viva da paz, na taça da alegria.


André Luiz


Fonte:  Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano



VÍDEO:

Nos domínios da mediunidade -13° Capítulo - Pensamento e mediunidade
O Espírito da Letra

Expositor: André Luiz Ruiz



1° Parte


2° Parte


O Espírito da Letra - Analisando a obra de André Luiz Nos Domínios da Mediunidade - Psicografia de Chico Xavier 

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Produção - TV Alvorada Espírita - http://www.tvalvoradaespirita.com.br 
Realização - TV Mundo Maior - http://www.tvmundomaior.com.br


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ÁUDIO/VÍDEO:
RADIO NOVELA NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE CAPITULO 13

GRUPO JERICÓ






Este capítulo é dedicado a uma sublime preleção de um Espírito muito evoluído, no encerramento da reunião mediúnica. Constitui, para todos nós, verdadeira metodologia científica espírita para a renovação íntima e progresso espiritual. A renovação mental é tida como o único meio de recuperação da harmonia, particularmente nos casos de "mediunidade torturada". A educação mediúnica, a leitura de livros de autoria dos orientadores do progresso, a bondade — a elevação de si mesmo, enfim —, tais os deveres do bom médium. "Amor e sabedoria: asas para o voo definitivo, no rumo da perfeita comunhão com o Pai Celestial".



Emmanuel - Livro de Respostas - Chico Xavier - Cap. 23 - Esforço máximo




Emmanuel - Livro de Respostas - Chico Xavier - Cap. 23


Esforço máximo


Ninguém se eleva, sem esforço máximo da vontade, dos campos do hábito para as regiões iluminadas da experiência.

Entretanto, ninguém atinge as múltiplas regiões da experiência sem passaportes adquiridos nas agências da dor.


Emmanuel







terça-feira, 26 de outubro de 2021

Auta de Souza - Livro Poetas Redivivos - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 75 - Onde Jesus espera




Auta de Souza - Livro Poetas Redivivos - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 75


Onde Jesus espera


Onde a dor enternece e a injúria desafia…
Onde a esperança mora em tratos de amargura…
Onde o pranto e a aflição, surgindo, de mistura,
Entretecem na sombra angústia ou rebeldia…

Onde a penúria irrompe e, súbito, anuncia
Chaga, exaustão, nudez, tristeza, desventura…
Onde a orfandade chora e a viuvez se enclausura
No lar de provação, onde a noite é mais fria…

Onde a lama se espalha… Onde a treva pragueja,
Reclamando o perdão e a prece benfazeja…
Onde o sarcasmo espanca… Onde o mal se descerra…

Onde possas servir: eis o lugar do mundo,
Onde Jesus te espera o trabalho fecundo
Para exaltar no amor a redenção da Terra!…


Auta de Souza








segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 149 - Propriedade




Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 149


Propriedade


“E o mancebo, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades.” — (MATEUS, 19.22)


O instinto de propriedade tem provocado grandes revoluções, ensanguentando os povos. 

Nas mais diversas regiões do planeta respiram homens inquietos pela posse material, ciosos de suas expressões temporárias e dispostos a morrer em sua defesa.

Isso demonstra que o homem ainda não aprendeu a possuir.

Com esta argumentação, não desejamos induzir a criatura a esquecer a formiga previdente, adotando por modelo a cigarra descuidosa. Apenas convidamos, a quem nos lê, a examinar a precariedade das posses efêmeras.

Cada conquista terrestre deveria ser aproveitada pela alma, como força de elevação.

O homem ganhará impulso santificante, compreendendo que só possui verdadeiramente aquilo que se encontra dentro dele, no conteúdo espiritual de sua vida.

Tudo o que se relaciona com o exterior — como sejam: criaturas, paisagens e bens transitórios — pertence a Deus, que lhos concederá de acordo com os seus méritos.

Essa realidade sentida e vivida constitui brilhante luz no caminho, ensinando ao discípulo a sublime lei do uso, para que a propriedade não represente fonte de inquietações e tristeza, como aconteceu ao jovem dos ensinamentos de Jesus.


Emmanuel








Humberto de Campos - Livro Estante da Vida - Chico Xavier - Cap. 25 - A cura




Humberto de Campos - Livro Estante da Vida - Chico Xavier - Cap. 25


A cura


Encontraram-se, um dia, o Mensageiro do Evangelho e o Fornecedor de Milagres, ao pé do Homem Doente que rogava socorro, e travou-se entre eles curioso debate.

O HOMEM DOENTE — Ai de mim! A enfermidade me devora e, além disso, inteligências transviadas me atormentam a vida!… Amparai-me, por amor de Deus!…

O MENSAGEIRO DO EVANGELHO — Antes de tudo, tem paciência, meu filho!… A passo e passo, Jesus refará tuas forças… Não olvides que te achavas no mundo espiritual, antes de tua reencarnação, agoniado qual te vês, e que, por este motivo, antes da tranquilidade para o corpo, importa a segurança da alma… Sofrimento é caminho para a verdadeira restauração.

O FORNECEDOR DE MILAGRES — Ninguém precisa solenizar o desequilíbrio, dar-te-ei cura rápida…

O HOMEM DOENTE — Necessito viver, trabalhar…

O MENSAGEIRO DO EVANGELHO — Desfrutarás os dons da existência, com alegria e respeitabilidade, agindo e elevando-te, em meio de teus próprios impedimentos. A dor ser-te-á mestra bendita e, quando se afaste de ti, deixar-te-á precioso certificado de experiência.

O FORNECEDOR DE MILAGRES — Velharia!… Qualquer um pode instruir-se sem dor…

O MENSAGEIRO DO EVANGELHO — Unicamente quando haja construído a harmonia divina no mundo de si mesmo.

O HOMEM DOENTE — Dizei-me!… quanto tempo tenho a dispor neste corpo?

O MENSAGEIRO DO EVANGELHO — Nada menos de oitenta anos; entretanto, nem sempre serás doente assim… A pouco e pouco, recuperar-te-ás com o apoio do Cristo para encerrares dignamente a tua atual romagem terrestre.

O FORNECEDOR DE MILAGRES — Porque não buscar a imediata libertação da dificuldade para melhor proveito do tempo?

O MENSAGEIRO DO EVANGELHO — O corpo é reflexo do espírito e, muitas vezes, aquilo que interpretamos por exoneração da prova é desamparo moral.

O HOMEM DOENTE — Que fazer?

O FORNECEDOR DE MILAGRES — Aceitar o prodígio que te oferto… Lógico!…

O MENSAGEIRO DO EVANGELHO — Que adianta restaurar brilhantemente o traje externo, sem extinguir a ferida que a roupa cobre? Ensinou-nos Jesus que “o Reino de Deus não vem com aparências exteriores”… 

O FORNECEDOR DE MILAGRES — Teorias!… Cada qual deve cuidar do próprio bem-estar com a ligeireza possível…

O MENSAGEIRO DO EVANGELHO — Só existe o bem-estar que a consciência autoriza.

O HOMEM DOENTE — Apesar dos vossos desacordos, estou enfermo e quero sarar…

O MENSAGEIRO DO EVANGELHO — Curar-te-ás; todavia, deves faze-lo, com a bênção de Jesus, para sempre. A cura vem das entranhas do ser, como a árvore procede do âmago da semente…

O FORNECEDOR DE MILAGRES — Lirismo de pregadores!… Garanto-te a saúde perfeita em poucas horas…

O MENSAGEIRO DO EVANGELHO — A saúde ilusória da carne.

O FORNECEDOR DE MILAGRES — De que outra necessitará um homem no mundo?!…

O HOMEM DOENTE — Anseio por melhoras… Estou arrasado de corpo e cercado de inimigos!

O FORNECEDOR DE MILAGRES — Porei teus adversários na cadeia para que te devolvam a paz…

O MENSAGEIRO DO EVANGELHO — Deus usa o tempo e não a violência. Inimigos, não transformados em amigos, um dia voltarão…

O FORNECEDOR DE MILAGRES — Bobagem!… Por que razões estará uma pessoa condenada à presença de desafetos, quando pode arredá-los?

O MENSAGEIRO DO EVANGELHO — Adversários são instrutores. Habituando-nos a suportá-los na convivência, seguiremos, por fim, na estrada de luz que o Senhor nos traçou ao recomendar-nos: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”…  

O HOMEM DOENTE — Meus padecimentos são enormes…

O MENSAGEIRO DO EVANGELHO — Eleva-te à cura verdadeira, aprendendo com a dor e com o trabalho a imunizar-te contra a ilusão que te faria cair em provações maiores.

O FORNECEDOR DE MILAGRES — Porque não conseguirá este homem escalar o monte do próprio equilíbrio, sem aflição e enfermidade?

O MENSAGEIRO DO EVANGELHO — Ninguém consegue medir a própria resistência. Mutilados existem que reclamam escoras, a fim de se movimentarem… Doença e dificuldade são, algumas vezes, as muletas de que carecemos em longos períodos de reajuste.

O FORNECEDOR DE MILAGRES — Não aprovo, dou vantagens imediatas.

O HOMEM DOENTE — Não me concederia Deus uma ordem direta?

O MENSAGEIRO DO EVANGELHO — Repito que a violência não consta da Didática Divina. Deus nos ama como pai, considera-nos seus filhos, não escravos…

O FORNECEDOR DE MILAGRES — Se tens o direito de optar, é inútil que hesites. Muito melhor que eu te liberte hoje, que persistires em sofrimento até não sei quando…

O HOMEM DOENTE — Como agir?

O MENSAGEIRO DO EVANGELHO — És sempre livre na escolha…

O Homem Doente aceitou, decidido, a mão que o Fornecedor de Milagres lhe estendia e, para logo, se viu restabelecido, eufórico.

Em seis meses, impressionado pelas aparências físicas dominantes, realizou matrimônio com riquíssima herdeira e senhoreou vasta fortuna com destacada posição nos galarins sociais… Entretanto, o ambiente mais elevado — clima natural e adequado para os homens de espírito sadio —, para ele, o Homem Doente da alma, se converteu em trapézio para queda infeliz.

Foi assim que, em seis meses, atingiu culminâncias; em doze, complicou-se em aventuras delituosas; em quinze, confiou-se ao abuso do álcool; em vinte, largou-se à morfina; e, passados precisamente dois anos, antes dos trinta e seis de idade, desceu para novos precipícios de sombra, num suicídio mascarado de acidente espetacular.


Irmão X
(Humberto de Campos)









Joanna de Ângelis - Livro Momentos de Coragem - Divaldo P. Franco - No momento exato




Joanna de Ângelis - Livro Momentos de Coragem - Divaldo P. Franco


No momento exato


Como é impossível ao corpo manter-se sem o sangue, também a alma não viverá em paz sem o combustível da fé.

A fé constitui o elemento basilar para a sustentação da vida digna e realizadora.

Da mesma forma que o corpo não pode subsistir sem o alimento, o Espírito não consegue manter-se em equilíbrio sem a força da oração.

O alimento é secundário ao organismo, que o prescinde, momentaneamente, a fim de reequilibrar-se e manter a saúde, enquanto que, sem a prece, o ser espiritual se aturde e entorpece.

O homem está predestinado a dominar os instintos, vencendo as paixões que o agrilhoam à infelicidade, colocando-se a serviço do bem que lhe corresponde. Para consegui-lo, faz-se-lhe indispensável a coragem da fé, porquanto a covardia que o impede de tomar as decisões enobrecedoras é mais perigosa e violenta do que outras imperfeições que o assinalam, de certo modo, consequências dela.

A oração constitui a força mais eficaz para vencer tal impedimento – o medo – e atirar-se com valor na conquista dos objetivos para os quais se encontra no mundo.

Os grandes homens atingiram as metas a que se propunham, impulsionados pela fé que resultava da sua identificação com o bem. E a comunhão pela prece sempre lhes foi o alimento para sustentá-los nos momentos mais graves e cruciais da existência.

Certamente, outros tantos se arremeteram nas batalhas do crime e da destruição, guindados pelo egoísmo e pelo medo às situações de agressividade e loucura em que se exauriram.

Atormentados, odiaram e foram odiados; perseguiram e terminaram vencidos.

Os homens de fé em Deus sofreram, é certo, porém não impuseram sofrimentos a ninguém; amaram e deixaram rastros luminosos, clareando o roteiro daqueles que também amam e lhes seguem os exemplos e os passos.

E inadiável se eleja, entre o bem e o mal, o que é de melhor para a vida: mais profícuo, salutar, aprazível e pacificador.

Através da oração, será fácil discernir, escolher e adotar qual o caminho mais seguro e feliz.

A prece autêntica, aquela que brota do coração buscando Deus, a Ele se entregando, torna-se um escudo de segurança, de defesa, uma proteção contra os elementos perniciosos que vigem interiormente no homem ou que vêm de fora, tentando agredi-lo.

Só aparentemente se pode vencer um homem de fé, um homem que ora. Nunca, porém, se conseguirá dominá-lo. Ele é sempre livre e está sempre em paz. Nada o perturba, porque não teme a nada, a nada ambiciona, somente anelando por alcançar a perfeição.

A prece é a salvação da vida. Sem ela o homem enlouquece.

Quando estejas cercado de dificuldades e agressões, não vendo possibilidade alguma de chegar-te o socorro a tempo, ora, entregando-te a Deus, e a salvação te alcançará de Cima, no momento exato.


Joanna de Ângelis