Emmanuel - Livro Ceifa de Luz - Chico Xavier - Cap. 65
Evolução e felicidade
“Porque nada podemos contra a verdade senão pela verdade.” — PAULO (2 Coríntios, 13.8)
Não esperavas talvez que expressões espetaculares te marcassem na Terra os processos de vivência humana.
E, muitas vezes, nós mesmos destacamos a disparidade entre as vitórias do raciocínio e as conquistas do sentimento.
Filósofos lamentam as distâncias entre a ciência e o amor.
Ainda assim, acima de nossos próprios pontos de vista, anteriormente expendidos, somos forçados a considerar que os domínios de um e outro são muito diferentes.
Onde os eletrocardiógrafos capazes de medir o grau da dedicação dos pais pelos filhos?
Onde os computadores que nos traduzam em número e especificação as doenças suscitadas pelo ódio?
Como encontrar as máquinas que possam frenar, entre os povos, os impulsos da guerra e da delinquência?
Em que prodigioso supermercado adquirir exaustores das paixões que, na Terra, enquanto encarnados, tanta vez nos devastam a alma, inclinando-nos à loucura ou ao suicídio?
E onde, por fim, surpreender as engrenagens que nos mantenham, aí no mundo, com serenidade e equilíbrio, frustrando-nos as lágrimas, quando apertamos, em vão, entre as nossas, as mãos desfalecentes das criaturas queridas que se despedem de nós, antecedendo-nos, na viagem da morte?
Não te apaixones pelo progresso sem amor.
De que te valeria palmilhar, por meses e meses, um deserto formado em pepitas de ouro, sem a bênção da fonte, ou residir num palácio sem luz?
Atende à evolução para aperfeiçoar a vida, mas cultiva a fé e a paciência, a humildade e a compreensão que te balsamizem o espírito, porque não existe felicidade sem amor e não existe amor, sem responsabilidade, fora das Leis de Deus.
As páginas de Neio Lúcio, consagradas à mente juvenil em todos os padrões da experiência física, são, em verdade, valioso curso de iluminação espiritual.
Sementeira de princípios renovadores, aqui encontramos avançadas noções de justiça e bondade para a elevação da vida.
E a luta terrestre, em seus fundamentos, ainda mesmo considerada no setor expiatório, resume-se à obra educativa para a eternidade.
A instrução é, sem dúvida, a milagrosa alavanca do progresso. Sem ela, perseveraria a mente humana nos resvaladouros da ignorância, confinada à miséria, à ociosidade, à indigência e ao infortúnio, através da delinquência na praça pública e da correção na penitenciária.
Mas não basta esclarecer a inteligência, repetiremos ainda e sempre. É imprescindível aperfeiçoar o coração nos caminhos do bem.
Nero, o tirano, era discípulo de Sêneca, o filósofo.
Tito, o príncipe admirável, que costumava dizer “perdi o meu dia”, quando a noite o alcançava sem algum gesto excepcional de bondade, mandou massacrar mais de dez mil israelitas doentes, abatidos e mutilados, depois de arruinar Jerusalém.
Marco Aurélio, o imperador virtuoso e sábio, consentiu no morticínio de cristãos indefesos.
Inácio de Loiola, maravilhosamente bem-intencionado, tinha o cérebro cheio de letras quando incentivou a perseguição religiosa.
Marat, o demagogo sanguinário, era jornalista de mérito e intelectual de renome.
Todos os fazedores de guerra, ditadores e revolucionários, antigos e modernos, foram incubados no convívio de professores ilustres, de páginas científicas, de livros técnicos ou de universidades famosas.
Razão sem luz pode transformar-se em simples cálculo.
Instrução e ciência são portas de acesso à educação e à sabedoria.
Quem apenas conhece nem sempre sabe.
A cultura do espírito vai mais longe: ajuda o homem a converter-se em santuário vivo, através do qual se irradia o Poder Soberano e Misericordioso.
Necessário, pois, semear pensamentos enobrecedores e santificantes, amparando a mente que recomeça a lição de aprimoramento individual.
Esquecer a infância e a juventude será desprezar o futuro.
Regozijando-nos, assim, com a tarefa do amigo que nos doou estas páginas, cheias de sentimento paternal e de idealismo superior, saudamos, em companhia dele, a alvorada sublime de amor e paz, que resplandece, com Jesus, para a Terra de amanhã, regenerada e feliz.
No estudo da perfeição, comecemos por vigiar a nós mesmos, corrigindo-nos em tudo aquilo que nos desagrada nos semelhantes.
Muitos pregam contra o desperdício dos administradores da causa pública e instalam-se, entre as paredes domésticas, como se devessem atravessar a existência numa carruagem de luxo, sobre lixo dourado.
Outros criticam autoridades, apontando-as por verdugos do povo, e tiranizam, no lar, as mãos obscuras e generosas que lhes amassam o pão.
Vemos os que amaldiçoam a guerra entre os povos, e vivem, no aprisco familiar, com a truculência da fera solta.
Há os que indicam a pena de morte para os irmãos que enlouqueceram na delinquência, e manejam, em casa, o punhal invisível da ingratidão.
Muitos lideram primorosas campanhas de socorro à infância desprotegida, e enxotam, por vagabundo, o primeiro menino infortunado que lhes roga um vintém.
Outros guardam a enciclopédia na cabeça e jamais se lembram de estender o alfabeto ao companheiro atrelado à ignorância.
Vemos os que cantam hosanas à virtude e encastelam-se no conforto individual, afirmando que a caridade é fábrica de preguiça.
E há os que ensinam sabiamente, quanto à bondade e à simpatia, a se movimentarem, na senda particular, despedindo farpas magnéticas, entre melindres e aversões.
Nestes apontamentos humildes, a ninguém censuramos, de vez que, com evidentes exceções, até ontem éramos todos nós igualmente assim. Hoje, porém, com a Doutrina Espírita no comando da fé, sabemos todos que a lei do progresso confere a cada Espírito a possibilidade de adquirir o bem que lhe falta, a fim de que a justiça estabeleça o merecimento de cada um, na pauta das próprias obras.
Conjuguemos, assim, conselho e ação, palavra e conduta, na mesma onda de serviço renovador, compreendendo, por fim, que o bem que nos falta nem sempre é o bem que ainda não desfrutamos, mas sim o bem dos outros que, em nosso próprio benefício, nos cabe fazer.
Nos dias difíceis, reflete nos outros dias difíceis que já se foram.
Depois de atravessados transes e lutas que supunhas insuperáveis, não soubeste explicar a ti mesmo de que modo os venceste e de que fontes hauriste as forças necessárias para te sustentares e refazeres, durante e depois das refregas sofridas.
Viste a doença no ente amado assumir gravidade estranha e, sem que lograsses penetrar o fenômeno em todos os detalhes, surgiram a medicação e a providência ideais que o arrebataram da morte.
Experimentaste a visitação do desânimo, à frente dos obstáculos que te gravaram a vida, mas, sem que te desses conta do amparo recebido, largaste o desalento das trevas e regressaste à luz da esperança.
Crises do sentimento que se te afiguravam invencíveis, pelo teor de angústia com que te alcançaram o imo da alma, desapareceram como por encanto sem que conseguisses definir a intervenção libertadora que te restituiu à tranquilidade.
Sofreste a ausência de seres imensamente queridos, chamados pela desencarnação para tarefas inadiáveis em outras faixas de experiência; no entanto, sem que despendesses qualquer esforço, outras almas abençoadas apareceram, passando a nutrir-te o coração com edificante apoio afetivo.
Tudo isso, entretanto, sucedeu porque persististe na fé aguardando e confiando, trabalhando e servindo, sem te entregares à deserção ou à derrota, ofertando ensejo à Bondade de Deus para agir em teu benefício.
Nas dificuldades em andamento, considera as dificuldades que já venceste e compreenderás que Deus, cujo infinito amor te sustentou ontem, sustentar-te-á também hoje.
Para isso, porém, é imperioso permanecermos fiéis ao cumprimento de nossas obrigações, de vez que a paciência, no centro delas, é o dom de esperar por Deus, cooperando com Deus, sem atrapalhar.
Bezerra de Menezes - Livro Bezerra, Chico e Você - Chico Xavier - Cap. 30
Rogativa
Senhor Jesus!
Rogando-te permissão para reverenciar o divino apostolado, nós te louvamos e agradecemos as oportunidades de trabalho, das quais nos enriqueces a existência.
Abençoa-nos, Senhor, com a tua infinita bondade a fim de aprendermos a servir-te, na pessoa daqueles irmãos nossos da Humanidade, tantas vezes em obstáculos maiores do que os nossos.
Conserva-nos aqui, em teu amor, e ensina-nos a encontrar-te nas tarefas do bem a que nos designas, para que não nos percamos nas sombras em que, porventura, se nos envolvam os caminhos, nos variados climas terrestres!…
Nas horas felizes, dá-nos a tua inspiração e a tua luz, para que a nossa alegria não se converta em flor estéril, na seara de tuas bênção e, nos dias difíceis, sê nosso apoio para que a provação não nos abata ou destrua.
Ajuda-nos a identificar-te a presença divina, em cada coração necessitado de socorro ou de amor que nos bata à porta e supre-nos de forças e recursos, na munificência de teu amparo, no desempenho das nossas obrigações.
Quando a incerteza nos visite em ação, coloca, Jesus, por misericórdia, a tua mão em nossas mãos e guia-nos o sentimento, para que o bem se faça, não segundo a nossa visão humana e estreita, e sim de acordo com as disposições sábias e compassivas de tua vontade.
Quando possíveis incompreensões nos impulsionem a qualquer dificuldade de entendimento, guarda-nos em tua paciência e induze-nos à união e humildade, auxiliando-nos a saber que a obra de elevação, em que nos permites cooperar é sempre tua e não nossa.
Faze-nos reconhecer que a caridade começa invariavelmente de nossas relações mútuas, porquanto, apenas em nos servindo uns aos outros é que conseguiremos irradiar o amor que nos deste para distribuir com os nossos semelhantes.
Senhor, ampara-nos e orienta-nos, para que possamos, um dia, corresponder plenamente ao teu mandato de confiança!… E, suplicando-te, mais uma vez, acolher-nos em teu coração misericordioso e augusto, terminamos a nossa rogativa com aquela outra que nos legaste por luz divina, no caminho dos cristãos de todos os séculos:
“Pai Nosso, que estás nos Céus, santificado seja o teu nome: venha a nós o teu reino; seja feita, oh! Pai, a tua vontade, assim na Terra como nos Céus; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores; não nos deixes cair em tentação e livra-nos do mal, porque teus são o Reino, o poder, a majestade e a glória para sempre. Assim seja!”
Emmanuel - Livro Coletânea do Além - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 9
Revolução espiritual
Dentro de suas atividades, nos tempos modernos, os espiritistas sinceros não podem desconhecer o sentido revolucionário da tarefa que lhes coube.
Não no sentido de movimentação exterior ou de predicações exaltadas na consideração de nossa mística reconfortadora, mas revolução em si mesmos, estendendo os benefícios colhidos a outras almas, no grande e abençoado labor educativo.
Necessitam eles de muito tempo ainda, na contagem dos anos sucessivos para a preparação de ambiente, no objeto de aplicar-se o ensinamento de modo coletivo.
Não se atingirá a finalidade dos ideais elevados e luminosos que alimentam a doutrina, sem a formação da base espiritual, mantenedora da estabilidade das grandes realizações.
A revolução preconizada é toda de natureza espiritual, começando no eu, desenvolvendo-se no mundo individual, projetando assim mais luz no caminho da coletividade.
Cada estudante da escola doutrinária deverá sentir em si mesmo o estímulo do aprendiz dedicado ao seu mestre, provando ao Senhor da Seara, com os seus sacrifícios próprios, o índice de aproveitamento pessoal.
Esse movimento, portanto, não requer armas, apoio político e outros auxílios necessários às organizações estritamente materiais. No problema, requer-se compreensão e sentimento, a fim de que a verdade relativa dilate os seus horizontes, dentro do próprio âmbito de conhecimentos do planeta.
Não bastará, pois, a frequência às reuniões ou a procura deste ou daquele concurso da doutrina, para que, em semelhante assunto, se arvore o leigo em sabedor de teorias espiritualistas. Requer-se o sentimento e a essência educativa, para que o ideal não se perca em seus grandiosos fins.
Os espiritistas estão vivendo a fase revolucionária… em si mesmos e, dentro dela, convém recordar que, para seguir o Divino Mestre, não é necessário escarificar as minas profundas da cultura complicada do século e nem é preciso condenar as demais doutrinas que não sentiram ainda o Evangelho Redentor.
Sabemos que, no futuro, todas as filosofias terrestres estarão irmanadas em sua lição de simplicidade e amor. O que se faz imprescindível nos tempos que passam é a demonstração viva de cada discípulo, dentro do conceito profundo de sinceridade confirmando a firmeza de sua fé e a nobreza de sua convicção em afirmativas individuais de legítima compreensão.
Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 139
É a santificação
“Santifica-os na verdade.” — Jesus. (JOÃO, 17.17)
Não podemos esquecer que, em se dirigindo ao Pai, nos derradeiros momentos do apostolado, rogou-lhe Jesus santificasse os discípulos que ficariam no Plano carnal.
É significativo observar que o Mestre não pediu regalias e facilidades para os continuadores. Não recomendou ao Senhor Supremo situasse os amigos em palácios encantados do prazer, nem os ilhasse em privilégios particularistas. Ao invés disso, suplicou ao Pai para que os santificasse na condição humana.
É compreensível, portanto, que os discípulos sinceros recebam da Providência maior quinhão de elementos purificadores em trabalhos e testemunhos benéficos. Na Terra, quase sempre, o dever e a responsabilidade parecem esmagá-los, no entanto, a palavra do Evangelho é bastante clara no terreno das conquistas eternas.
Não nos referimos a recompensas banais de periferia. Destacamos o engrandecimento espiritual, a iluminação divina e a perfeição redentora, inacessíveis ainda ao entendimento comum.
Em verdade, o Senhor anunciou sacrifícios e sofrimentos aos seguidores, acentuando, porém, que os não deixaria órfãos.
Seriam convocados a interrogatórios humilhantes, contudo, não lhes faltaria a Sublime Inspiração.
Seguiriam atribulados, mas não angustiados; perseguidos, mas nunca desamparados.
Receberiam golpes e decepções, mas não lhes seriam negados a esperança e o reconforto.
Suportariam a incompreensão humana, todavia, os desígnios superiores agiriam em favor deles.
Sofreriam flagelações no mundo, no entanto, suas dores abasteceriam os celeiros da graça e da consolação para os aflitos.
Muita vez, participariam dos últimos lugares, entre as criaturas terrestres, para serem dos primeiros na cooperação com o Divino Trabalhador.
Seriam detidos nos cárceres, mas disporiam da presença dos anjos sob cânticos de glorificação.
Carregariam cicatrizes por sinais celestes.
Tolerariam sarcasmos em honroso serviço à Verdade.
Perseguidos e torturados, representariam as cartas palpitantes do Cristo à Humanidade.
Servos sofredores e humilhados no campo carnal, marchariam assinalados por luz imperecível.
Escalariam calvários de dor, suportando cruzes, encontrando, porém, a ressurreição, coroados de glória.
Efetivamente, pois, os colaboradores do Evangelho são, de modo geral, anônimos e desprezados nas esferas convencionalistas da Terra; todavia, para eles, repete o Mestre, em todos os tempos, as sublimes palavras: “Sois meus amigos porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos dei a conhecer.”
"Aos homens do mundo, que me deste, manifestei teu nome. Eles eram teus, e tu mos deste; e deram cumprimento às tuas palavras.
Agora eles sabem que todas as coisas que me deste, vieram de ti;
Porque dei-lhes as palavras que me deste; eles as receberam, sabendo que, em verdade, vim de ti, e creram que tu me enviaste.
Por eles é que eu rogo: não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus;
Todos quantos são meus são teus, e os teus são meus; e neles eu sou glorificado.
Eu já não estou no mundo, mas eles estão no mundo e eu vou para ti. Pai santo, resguarda aqueles que me deste em teu nome, para que sejam um, assim como nós.
Enquando eu estive com eles, guardei-os em teu nome. Conservei os que tu me deste e nenhum deles se perdeu, a não ser o filho da perdição, para se cumprir a Escritura.
Mas agora vou para ti, e digo estas coisas ainda no mundo, para que estejam cheio de meu júbilo em si mesmos.
Eu dei-lhes a tua palavra e o mundo teve ódio deles, porque eles não são do mundo, como também eu do mundo não sou.
Eu não vos peço que os tires do mundo, mas que os protejas do mal.
Eles não são do mundo, como eu também do mundo não sou.
Santifica-os na verdade. A tua palavra é a verdade.
Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.
E eu a mim mesmo me santifico por eles, para que também eles sejam santificados na verdade."