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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Lancellin - Livro Iniciação Viagem Astral - João Nunes Maia - Cap. 42 - Estendendo luzes



Lancellin - Livro Iniciação Viagem Astral - João Nunes Maia - Cap. 42


Estendendo luzes


Estamos em regime de urgência, no que tange às coisas espirituais. Nós somos legiões de Espíritos trabalhando na grande vinha do Senhor, estendendo luzes em todos os rumos por onde a escuridão se faz sentir. Não somos almas perfeitas; estamos longe da perfeição, mas, não longe da boa vontade.

Armamos um esquema para perseverar até o fim, estudando todos os problemas, usando todos os meios lícitos para realizarmos o progresso que nos compete. Já somos conscientes dos obstáculos, da cruz e do calvário que deveremos enfrentar, e isso nos dá um grande ânimo, para que possamos vencer todas as dificuldades, sem a carência da fé. Lutar é disposição de todas as criaturas, porém, lutar com discernimento é característica daquele que está vencendo a si mesmo.

Nós não estamos querendo convencer ninguém, não estamos usando de violência nas áreas de fé de criatura alguma, não exigimos mudanças de conceitos dos que vivem e pensam diferente do nosso modo de ser, porque respeitamos as consciências no ponto mais sublime que escolheram para viver, pela lei de afinidade.

Estamos escrevendo, a pedido de muitos companheiros que vivem na Terra e buscam conhecer outros mundos, procurando entender outras faixas de vida. A esses ofertamos as nossas experiências, como sendo patrimônio comum, pertencente a todas as criaturas. A vida é uma incessante troca de valores materiais e espirituais; assim como recebemos dos nossos maiores, ao chegarmos aqui, sentimo-nos no dever de doar, igualmente, alguma coisa aos que estudam, na Terra, a vida além do túmulo.

A morte é um fenômeno normal da vida dos homens. Mesmo que estes não se acostumem com ela, ela existe, e deve ser considerada, como sendo uma colecionadora de talentos. O Espírito é um viajor eterno, que cada vez sobe mais como na decantada fábula bíblica, a escada de Jacó. Subir é a ordem que Deus deixou nas mãos do homem, diante da vida e do progresso.

O que queremos é que os homens não fiquem distantes de nós, Espíritos desencarnados, e que aquele tradicional medo de fantasmas acabe, juntamente com a ignorância. Somos os mesmos homens; a diferença é que perdemos a capa, mas ainda nos resta a túnica, como corpo espiritual que nos obedece, qual animal domesticado.

Com a perda da roupagem, não se perderam as qualidades, ao contrário, ficamos mais conscientes dos nossos deveres e mais sensíveis às belezas imortais de que somos herdeiros, por parte do nosso Pai Celestial. Negar as leis de Deus não pode ser procedimento do homem inteligente, cujo raciocínio completa os sentimentos.

De que adiantaria se se reunissem todos os astrônomos do mundo e eles negassem a existência do sol que aquece a Terra todos os dias, e está visível a todos os seres? De nada valeria. Nada alteramos da verdade, quando negamos essa verdade.

Fechar os olhos para não ver a luz é ser partícipe das trevas. Nós não vivemos de argumentos, mas argumentamos ponderadamente para viver. Melhor do que as palavras, são os nossos exemplos e a nossa conduta.

Jesus está tendo muito mais valor, para os homens, agora, do que quando estava andando no mundo, curando e pregando a Boa Nova do Reino de Deus.

Quando a vaidade nos toca, impelindo-nos para estarmos sempre presentes nos acontecimentos que podem nos "elevar" em relação aos outros, demonstramos exatamente o contrário. O impulso de superioridade que nos leva a mostrar aos nossos irmãos o que realmente não somos, pode nos tolher as faculdades em que estamos empenhados em conquistar. Tu não precisas falar de ti mesmo, mas é bom que não te esqueças da seguinte verdade: a tartaruga também anda, mas a gazela chega primeiro.

O despertar dos dons espirituais é uma ordem divina, no entanto, se não for feita a parte que nos toca, o andar nosso em busca da luz, será igual ao da tartaruga.

Este capítulo nos incentiva a estendermos luzes em todos os rumos, e essa luz existe com fartura nos celeiros de Deus, sob a vigilância de Jesus Cristo, que nos convoca em todos os momentos para trabalharmos sob a Sua proteção. O Evangelho já é conhecido por quase todas as pessoas, espalhadas por toda a Terra, e é repetido e divulgado por variados meios que o progresso emprestou.

Somente falta uma etapa, a mais importante, que é a vivência. Quem consegue viver os preceitos do nosso Mestre está livre porque conheceu a verdade.

Começa hoje, meu filho, a estender luzes. Sabes como? Cortando as arestas que ainda existem na tua personalidade. Não é preciso que alguém aponte os teus defeitos.

Tu mesmo poderás descobri-los, se existir vontade para tal empreendimento interior.

Quando entramos aqui, nesta Colônia de trabalho, é esta a primeira proposta que recebemos: examinarmo-nos a nós mesmos e vermos o que podemos fazer em nosso próprio benefício.

Quando aconselhares alguém a perdoar, faze-o com maior profundidade a ti mesmo; quando aconselhares o amor e a concórdia, a paz e o trabalho, sabendo que o mais beneficiado és tu próprio, aí, então, estarás preparado para ouvir o que falamos, porque é para essa gama de Espíritos que escrevemos, irmãos que acordam com um só toque da verdade, e buscam a sua felicidade, sabendo que esta se encontra bem pertinho dos seus corações.

sábado, 25 de julho de 2026

Lancellin - Livro Iniciação Viagem Astral - João Nunes Maia - Cap. 37 - Aprimorando ideias



Lancellin - Livro Iniciação Viagem Astral - João Nunes Maia - Cap. 37


Aprimorando ideias


As nossas ideias devem ser aprimoradas, onde a vida nos chamar a servir e a nossa parte tem de ser feita com inteligência e amor. Os pesquisadores da Psicologia já concluíram que aprendemos muito mais pela observação, pela visão, do que através da audição. Entretanto, os resultados são muito melhores quando os dois sentidos são empregados simultaneamente.

Os nossos guias espirituais nunca deixam as lições teóricas sem as bênçãos da prática. Uma se completa com a outra. Nós, aqui, quando visitamos as zonas inferiores, não o fazemos com o intuito de desmascarar os ignorantes; isso jamais passa por nossa cabeça. Cada qual vive onde pode viver, onde a sua evolução comporta. O respeito aos direitos das almas está em primeiro plano e continua a ser assim em todas as faixas da vida. Somente Deus pode interferir, como Pai de todas as coisas.

Aqueles que já entenderam Jesus e O acompanham são os Seareiros da Sua vinha. O nosso trabalho é semear, e o grande celeiro, onde buscamos sementes, é, por excelência, o Evangelho do Mestre.

Deus entregou ao Cristo a sagrada missão de dividir o amor puro que aprendeu com o Senhor, em inúmeras virtudes que, por vezes, escapam ao nosso entendimento, para que depois, pela ação do tempo, elas se integrassem novamente no foco de luz que se chama caridade, que deve resplandecer em todas as nações do mundo, em todos os corações que vivem na Terra. O trabalho no mundo espiritual, onde vivemos, é intenso, mas tudo funciona na mais alta harmonia. O homem inteligente e de bem, quando desencarna na Terra e chega aqui no sítio em que nos postamos, vai logo pedindo trabalho ou procurando o que fazer. Não há tempo, no nosso ambiente, para lamentações e, muito menos, para alimentar ideias inferiores. O avanço é permanente e todos procuram a libertação espiritual. Se nós tentarmos ideias e pensamentos que não estejam nas regras do amor, sairemos do ambiente de serenidade que é a nossa colônia e alcançamos por sintonia, os lugares compatíveis com o que pensamos e vivemos. Essa é a verdade absoluta como justiça real.

Quando ingressei aqui, a minha ocupação maior era ver os defeitos dos políticos da Terra, era criticar os livros mal informados, era o volume de ignorância que punha o mundo a perder. Enquanto não saí disso, nada pude fazer em meu beneficio, nem em favor dos outros. Esse erro é difícil de ser visto por quem o comete, pois ele vem da cegueira espiritual. Enquanto estivermos comentando as coisas negativas, não estaremos construindo e deixamos de fazer o bem que Deus nos pede realizar. Rogamos aos homens da Terra para mudarem com urgência o modo de ser, se ainda não o fizeram, e que se deem as mãos com firmeza para as mudanças elevadas, no aprimoramento das ideias com Jesus Cristo.

O mecanismo dos nossos pensamentos ainda escapa às nossas deduções. A nossa razão ainda é fraca para o devido entendimento; contudo, temos em mente os rudimentos para entendermos a sua escalada na grandiosidade da vida. Podemos chegar a alturas imensuráveis pela educação da mente, chegar a ponto de participarmos na criação das coisas e, diante de Deus, sermos cocriadores. Essa é, pois, a mente iluminada pela sabedoria e pelo amor.

Há no mundo, e mesmo no plano rente à Terra, muita gente esperando a volta do Cristo, descendo de sobre as nuvens. Perguntamos a esses irmãos: O que o Senhor vem fazer novamente na Terra? Curar com o toque das Suas mãos, enfermos que precisam mais de enfermidade do que da própria saúde? Jesus viria mudar o curso da política financeira, as ideias religiosas e ver os homens continuarem do mesmo modo?

Jesus com certeza viria trazer o céu à Terra para os homens morarem neste Céu com todas as suas inferioridades? Qual seria o destino deste céu? O Cristo viria ajudar aos homens no despertar dos seus poderes, com um passe de mágica, e de que modo esses homens iriam usar esses dons? Jesus, meus irmãos, já veio, e nós não O conhecemos.

Precisamos reconhecê-Lo, para que Ele more em nossos corações. Não precisamos de nada mais para a nossa felicidade, além daquilo que Ele nos ofertou na Sua vinda, há quase dois mil anos atrás, o Evangelho. Se Ele já veio à Terra uma vez, nos dando tudo de que precisávamos, compete a nós outros irmos ao encontro d'Ele, nos altiplanos da vida espiritual. E para tanto, temos de nos preparar suficientemente. Existem falanges e mais falanges de anjos trabalhando com os homens dia e noite ajudando-os no aprimoramento das ideias, para que elas se iluminem, dando lugar ao amor que salva, que engrandece e que nos leva ao Cristo.

domingo, 10 de maio de 2026

Lancellin - Livro Iniciação Viagem Astral - João Nunes Maia - Cap. 41 - Abrindo portas



Lancellin - Livro Iniciação Viagem Astral - João Nunes Maia - Cap. 41


Abrindo portas


"Vinde a mim todos que estais cansados e oprimidos" (Mateus 11:28)


Todos temos inúmeras portas para serem abertas. Estamos sempre sob a vigilância do egoísmo, com as portas fechadas em relação a Jesus Cristo, e Ele nos fala constantemente: Vinde a mim todos que estais cansados e oprimidos.

Essas portas são difíceis de serem abertas, porque cada um tem a sua própria chave; cada criatura tem uma senda por onde deve trilhar, e cada caminho que se nos apresenta mostra variadas aparências. O véu que nos cobre os segredos da vida se rasga de forma diferente ante o tempo e o espaço, sob as bênçãos do Criador.

O mundo está cheio de convites bons e maus que se estendem em todas as direções. Cercam-nos as dúvidas da escolha acertada, que depende da maturidade que já alcançamos e dos ditames dos nossos sentimentos. Instrutores espirituais descem do céu à Terra, todos os dias, em todos os cantos do mundo, e entregam as suas vidas em favor da harmonia de todos. Isso se pode constatar pelos relatos da história universal, sobre as vidas dos grandes homens, e um deles se sobressaiu dentre todos, por ser ele o Responsável Maior de todo o rebanho humano e espiritual pertencente à Terra: Nosso Senhor Jesus Cristo! A Este, a nossa deferência é sobremodo grandiosa, incomparável, pelo Seu amor. Ele poderia ter mandado alguns dos Espíritos puros do Seu sagrado colégio dos altos planos da vida; no entanto, veio Ele mesmo sentir as nossas necessidades e nos abençoar, vivendo a vida como homem.

A vida está cheia de encantos e segredos, guardados nas dobras do tempo, esperando para serem descobertos pelos Espíritos que são os herdeiros da fabulosa criação de Deus.

Ainda vivemos sob o regime de provações difíceis, e elas nos cegam e tolhem a nossa razão, de sorte a não vermos as coisas sagradas nem analisar com proveito as coisas nobres. Para sairmos desse disfarce da verdade, devemos apelar para as mãos de Jesus, que tem recursos inumeráveis para nos assistir; todavia, Ele nos mostra todos os meios de nos libertarmos mas, o processo da libertação depende de nós. Os caminhos com Jesus estão abertos; necessário se faz que caminhemos. Quem não sabe fazer a sua parte ainda não está vivendo.

Mesmo que todos os recursos da vida estejam acenando ou investindo sobre ti, eles são como a água que se encontra em toda parte, mas, como já falamos antes, é indispensável que a bebamos para saciar a sede. A nossa parte é indispensável, tornamos a dizer quantas vezes forem necessárias, para nos conscientizarmos desta verdade.

Se alguém, em nome da verdade, já bateu em nossas portas buscando nos acordar do sono da ignorância, façamos o mesmo com os que viajam conosco no caminho. A humanidade está sendo curada, e os que desejam a saúde, atendem à voz do Mestre: Levanta-te e anda.

Antes de Jesus, as iniciações eram todas à portas fechadas. Depois d'Ele, as portas se abriram. Os mais altos ensinamentos estão próximos das nossas mãos, e outros nos procuram, como que batendo às nossas portas, as portas dos sentimentos.

O sentido dos conceitos espiritualistas de hoje é mais profundo, e os Espíritos superiores se empenham cada vez mais com o destino dos homens. Quantos deles se revestem da roupagem de carne para ajudar a humanidade? Muitos. E esses têm a sagrada missão de abrir portas mais sensíveis da mediunidade na Terra, para que o mais alto possa falar com mais desembaraço aos homens; é o intercâmbio do Céu com a Terra. As religiões do mundo, para assegurarem a sua própria existência entre as criaturas, para não ficarem somente na história, precisam acompanhar o progresso, adaptando-se à realidade, e sem os avisos conscientes do mundo espiritual, não poderão existir. Sem se apoiar em leis da reencarnação estabelecidas pelo Criador, como poderão firmar seus alicerces na sólida estrutura da verdade? Muitas outras leis devem ser conhecidas neste fim de milênio, para que essa verdade se amplie em todos os setores dos acontecimentos humanos.

Adorar a Deus, a Jesus, aos santos e aos místicos, deixando de lado o cumprimento das leis que vigoram na eternidade, é hipocrisia, é ignorância, que não deixa a inteligência acudir às necessidades do coração. Nós não fomos feitos desiguais uns dos outros; a verdade é uma só para todos. O sol é o mesmo, doando vida para toda a família solar. Deus é unidade de vida e de amor; classifiquemo-Lo com o nome que nos aprouver, é a mesma realidade que nos sustenta e dinamiza nossas forças. Há tempos que os Espíritos superiores batem às portas da humanidade, no sentido de ofertar a todas as criaturas as coisas de Deus, com mais elevação. Antes, o faziam veladamente, ocultando certas verdades, porque a luz sem os devidos anteparos pode cegar. Não obstante chegou o momento de uma luz maior ser colocada em cima da mesa, sem restrições, porque o progresso está pedindo e o trigo já dá sinais de maturidade e já pode ser arrancado junto com o joio, e este último ser lançado ao fogo, e queimado para a devida liberdade do trigo. Quem tiver entendimento que entenda o que se ouve ao abrir as portas. Confiemos e esperemos em Deus, que Ele nos enviará Jesus novamente, mas desta vez, pelas vias do coração, para que Ele reforme os nossos sentimentos e acenda luzes na nossa consciência.

A extensão do trabalho nos campos espirituais em que habitamos é imensurável, e o colocamos na pauta das nossas conversações como sendo a própria vida, palpitando na emoção da vida maior: Deus. Curiosa se nos apresenta a individualidade de cada criatura e a diferença que os seus sentimentos assinalam, como portas que se abrem para o engrandecimento espiritual e divino.


Lancellin











segunda-feira, 10 de março de 2025

Lancellin - Livro Iniciação Viagem Astral - João Nunes Maia - Cap. 22 - Oração



Lancellin - Livro Iniciação Viagem Astral - João Nunes Maia - Cap. 22


Oração 


Antes de iniciarmos nossas tarefas, dirigimo-nos para uma imensa campina, onde a vegetação rasteira nos dava uma visão grandiosa da sabedoria de Deus. Era alta madrugada. O magnetismo ambiente era dos melhores e as estrelas distantes despejavam suas pálidas claridades, mas carregadas de possantes energias, em todas as direções da vida terrena. Não se via ali aquela massa magnética inferior, comum aos grandes centros da civilização, no teto da natureza, nem tinha o miasma sufocante que se desprende dos animais. Era um templo majestoso, porque nele trabalharam as mãos de Deus e não havia, ainda, sido tocado pelas mãos dos homens.

O nosso benfeitor Miramez, de posse da palavra, assim se expressou, em comovida prece ao Criador:

Deus, de ternura imensurável e carinho sem medidas, Deus de amor sem limites e de estuante caridade sem barreiras, Deus de paz e de trabalho!

Aqui, Senhor, se reúnem Teus filhos ansiosos por trabalho, aqueles que querem cooperarcom o progresso; que não se esquecem da cultura; que não ambicionam o que não é justo e que procuram aproveitar todos os recursos que lhes vêm às mãos.

Nós Te pedimos orientação e amparo:

para fazermos o que deve ser feito,

para esquecermos hoje o que pertence ao amanhã,

para ajudarmos dentro dos limites que traçaste,

para incentivarmos o amor e o perdão em todos os nossos gestos,

para compreendermos os nossos deveres,

para analisarmos com proveito,

para discernirmos com segurança,

para orientarmos com sabedoria,

para compreendermos com humildade,

para nos esquecermos do inconveniente,

para nos lembrarmos sempre do Amor.

E nesse empenho grandioso, que Jesus possa nos aparecer como um sol dentro de nós, como vida em nossos corações, como paz e trabalho nas nossas consciências, e que jamais as nossas mãos parem, Senhor, por duvidar das Tuas sábias lições, no que concerne ao amor e à caridade. Jesus, contemplamos neste momento as belezas na natureza em profusão, visão que tanto nos agrada, que tanto nos convida à realização espiritual!

Que os anjos desse reino divino venham, Senhor, por misericórdia, nos ajudar a servir, sem que a exigência nos tome como instrumento. A nossa visão alcança mais além e podemos como que tocar os oceanos e sentir o cheiro desse berço fecundo por onde passamos.

Pedimos em Teu nome, Jesus, e em nome de Deus, que as estrelas inteligentes que vigiam os mares nos favoreçam nos nossos humildes serviços em favor dos que sofrem e choram. 

Neste momento em que a prece exterioriza nossas faculdades, Senhor, vemos e sentimos o ambiente da possante vegetação em toda a Terra e curvamo-nos ante essa beleza flórea da natureza, que obedece à vontade d'Aquele que tudo fez!...

Pedimos aos Espíritos do reino verde, que nos ajudem a ajudar onde falta, por vezes, a harmonia, onde a dor tenta passar os limites que os corações possam suportar.

Com as nossas sensibilidades ampliadas, por acréscimo de misericórdia, percebemos a energia que nos chega através dos ventos que sopram de todos os lados. Eles, para nós, são o veículo de outros poderes que nos vêm de distâncias imensuráveis e que sempre acodem ao chamado do Amor.

Senhor, ensina-nos a amar. Com o ambiente que os nossos companheiros ajudam a formar, percebemos e sentimos emanar das montanhas, radiações benfazejas em toda a gama de frequência que o mineral expressa na escala da evolução.

Nós pedimos às inteligências que trabalham nessa ordem da criação, nos servir, quando a necessidade nos levar a gritar por socorro. Que tudo o mais nos venha às mãos, Pai, para que essas mãos operem no bem, em todas as diretrizes da vida.

Assim seja.

Terminada a oração, Miramez conservou-se por instantes com os olhos cerrados, em profunda concentração. Viam-se sair do seu peito, projeções de luzes de todos os matizes, em que predominava um azul encantador. Pela nossa visão espiritual não conseguíamos ver perfeitamente a fisionomia do nosso amigo e benfeitor, por estar circundado de uma policromia indescritível, provinda de todos os reinos da natureza majestosa, em sua direção.

Além disso, víamos que estávamos cercados por um grupo de entidades, para mim desconhecidas, de mãos entrelaçadas, que cantavam um hino de gratidão ao Supremo Senhor do Universo. Como se viessem das estrelas maiores, caíam faiscantes estrelas minúsculas em todos nós, perfumando o ambiente e se alojando em nossos corações, levando-nos a sentir um conforto indizível, em forma de disposição para o trabalho.

Nós, que estávamos em torno de Miramez, víamos-nos diante de uma grande tela, onde estavam projetados todos os reinos da natureza imponente, a desprender os aromas que lhes são peculiares.

Surgiu, então, no pensamento de todos nós, essa frase:

Eis aí a resposta de Deus, por intermédio dos anjos.

Estávamos prontos para o trabalho!


Lancellin










domingo, 9 de março de 2025

Lancellin - Livro Iniciação Viagem Astral - João Nunes Maia - Cap. 21 - Regras no labor do bem



Lancellin - Livro Iniciação Viagem Astral - João Nunes Maia - Cap. 21


Regras no labor do bem


1. Capacitarmo-nos para o trabalho a ser feito.

2. Trabalhar, em qualquer circunstância, com amor.

3. Jamais reclamar em serviço.

4. Nunca usar a primeira pessoa, quando falar.

5. Nunca esquecer o aprimoramento constante.

6. Não perder tempo com quem se esquece de servir.

7. Observar a pontualidade, sem aflição.

8. Conservar a alegria pura nos deveres a realizar.

9. Ampliar cada vez mais a fé no coração, com a presença do raciocínio.

10. Não recuar ante o dever firmado, com Deus e Cristo, na consciência.

Estes dez pontos de referência são básicos. Quando necessário, consulta consciência.

No mundo espiritual, não ficamos ansiosos por fenômenos que se classificam, na Terra, como milagres. A nossa observação é toda, ou quase toda na conduta do instrutor que opera na área da seara do Senhor, a que fomos chamados a servir.

O exemplo, no nosso campo de trabalho, é o ponto alto que agrada a todos, e a vivência do bem tomou a dianteira da teoria.

Quando um benfeitor discorre sobre qualquer virtude de que carecemos para o labor, ele já vive essa experiência, por isso, fala com segurança.

Entrega-te, portanto, ao trabalho, com bom ânimo e confiança naqueles que, fraternalmente, se prontificaram a guiar-te.


Lancellin












Fonte: Iniciação Viagem Astral-pdf

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Lancellin - Livro Iniciação Viagem Astral - João Nunes Maia - Cap. 36 - Valores imortais



Lancellin - Livro Iniciação Viagem Astral - João Nunes Maia - Cap. 36


Valores imortais


Neste mundo de Deus, não existe alguém perdido; todos temos valores espirituais a desenvolver, como herança da divindade em nossos corações.

Quem vê o que nós assistimos nos planos inferiores, tem a impressão imediata de que não existe solução para aquele quadro, onde Espíritos se ajustam, por afinidade, no mal, tomando formas incríveis. O amor, porém, modifica tudo. Ele é verdadeiramente Deus que se faz presente, a nos mostrar a esperança na felicidade.

O Espírito, quando contempla o universo, principalmente fora do corpo, pela visão mais ampla, nota a sua própria insignificância em se comparando à criação; no entanto, o progresso faz dele um sol, sobremaneira singular, onde ele pode transformar muita coisa e se fazer respeitado até pela própria natureza. Ele pode comandar estrelas e sóis, grupos e astros, e até galáxias. Nós ainda estamos nos rudimentos do amor e da sabedoria, mas, como todos temos de começar, busquemos agora conhecer a vida, para que essa vida, sendo verdade, nos liberte.

Fiquei admirado com aquela senhora: os seus valores ultrapassavam meus conhecimentos. Como pode uma criatura daquela viver na carne e sofrer no meio dos ignorantes? A viagem astral, para ela, é um acontecimento natural. Não tem medo, não tem acanhamento no nosso meio, trabalha com todo amor!... Reconcilia-se com feras e beija as mãos de carrascos, e ainda ama a quem permanece alto grau de ódio e de vingança. Quem és tu, criatura, a quem não conheça queria perguntar. Eu queria saber tudo a respeito daquela verdadeira dama da caridade. Miramez, ao meu lado, parece que me ouvia por fora e por dentro nas minhas indagações. Mas, ele nem sempre gostava de se manifestar respondendo nossos pensamentos, para que a gente não sentisse os seus valores, para que a vaidade não aparecesse junto aos dons. Então, eu perguntei:

— Irmão Miramez quem é essa irmã Quatorze, na qual vejo tantas virtudes juntas? Ela ainda precisa de reencarnação na Terra?

Ele respondeu com interesse:

— Lancellin, não se deve julgar nem para o bem nem para o mal. Julgamento implica dúvidas, e quem duvida deve esperar, a fim de encontrar a realidade. Essa nossa irmã é merecedora do nosso maior respeito, no tocante à sua conduta diante dos trabalhos nos quais coopera conosco; entretanto ela ainda está ligada a um passado a corrigir, e a lei é lei para todos. Certamente que, para ela, no seu caso particular, tudo se alivia, por ter ela muito a seu favor. Esta reencarnação dela foi de urgência, implorada por ela mesma para combater duas fraquezas que a perturbavam há muito tempo: o apego com excesso aos bens terrenos, e demasiadamente à família. Já falamos alhures, que a perfeição é um conjunto de virtudes vividas retamente, e isso não existe na Terra. Contudo, que Deus a abençoe sempre, para que ela vença os seus inimigos internos desta vez, embora achemos um pouco difícil, pois ela já passou dos cinquenta anos, e ainda não acordou para esse tipo de conserto. A tesoura da vontade está encontrando dificuldades para cortar as arestas que o engano fez crescer. Somente o tempo pode amolar essa ferramenta, para que no amanhã, que desejamos seja breve, ela fique livre desse fardo que incomoda a sua consciência. 

Eu estava engasgado com a revelação de Miramez. Como pode uma pessoa daquela, com tantas virtudes, embaraçar-se em coisas que muitas pessoas já fizeram? E tornei a formular perguntas:

— Não seria melhor que ela ficasse aqui no mundo espiritual para corrigir essas faltas, e que alguém sempre lhe chamasse a atenção, como ao aluno nas escolas, que recebe informações úteis do professor?

— A melhor escola que conhecemos, meu filho, é a escola da carne. Aqui são expostos todos os problemas, como sendo teorias; lá, na Terra, está a vivência. Não podemos pressionar ninguém, porque a violência é condenada pelo amor. Cada um tem que descobrir seus próprios erros e corrigi-los. O máximo que podemos fazer em benefício de quem está se autoeducando, que está se esforçando para conhecer a si mesmo, é o que Jesus já fez por intermédio do Evangelho. O trabalho nosso e de todos aqueles que O acompanham é fazer conhecida a Boa Nova do reino de Deus às criaturas, em variadas feições, para que os Espíritos possam despertar para a luz da Verdade. Os Espíritos superiores nunca se admiram com o bem que as criaturas, por vezes fazem; esse é o dever de cada um, e deve ser a vida natural em mundos superiores. Quem mais ganha com o amor e a caridade é quem os pratica. Para bem dizer, é quem ganha tudo, pois está fazendo benefícios a si mesmo. Nós ficamos entusiasmados quando encontramos alguém se esforçando para abandonar alguns defeitos e os deixa. Quem não sente alegria, sendo cristão, com a felicidade dos outros? E, fica sabendo, a caridade maior é aquela que fazemos com nós mesmos, de iluminação interior, no silêncio da vida. A vida material é, pois, consequência desta. E a mostra de que somos alunos da reforma, para alcançar os valores internos do coração. Todos somos candidatos à tranquilidade imperturbável, à consciência pura irradiando o bem-estar. 

Comecei a sentir-me um nada, dentro do tudo criado por Deus. Quando Miramez notou o meu desamparo interior, acrescentou bem-humorado:

— Lancellin, todos temos valores imortais em crescimento. Isso não é uma glória? Não nos mostra uma grande esperança para o futuro? Basta fazermos a nossa parte para a conquista destes dons que vibram no nosso mundo interior. 

Senti-me criança novamente, lembrando-me dos meus tempos como tal. E enxergava cada vez mais as minhas deficiências, o quanto eu tinha de fazer dentro de mim. A minha consciência pedia plantio que pudesse fecundar mais amor, mais caridade, mais educação, mais alegria pura. Se existe um universo por fora de nós, do qual Deus cuida com todo carinho, igualmente existe um microuniverso dentro de cada um de nós, nos pedindo cuidados, copiando o trabalho de Deus. 

Tive vontade de perguntar mais para alicerçar a minha paz, e olhei para Miramez com respeito:

— O senhor poderia me dizer se existem muitas pessoas de aparente grande elevação com essas mesmas deficiências, como as citadas há pouco, em se referindo à nossa irmã Quatorze?

Ele respondeu com benevolência:

— Inúmeras, Lancellin, em todas as épocas da humanidade. Vamos citar um exemplo para que possas compreender os demais: nos anos de 1545 a 1563 houve um concilio em Trento para condenar a Lutero, Zunglio e Calvino. Ora, é sabido de todos que os bispos do Colégio não eram homens analfabetos, e conheciam o Evangelho na sua profundidade. Somente os condenaram por ciúme e muitos deles sabiam o bem que aqueles irmãos estavam fazendo, e iam fazer à humanidade, como de fato o fizeram: libertaram a Bíblia das mãos gananciosas do Catolicismo, e ainda deram lugar ao nascimento de outras religiões para, no futuro fazer fracassar a ideia de religião oficial, que não deixaria outra nenhuma nascer. E esses homens que assinaram esse atestado de ignorância, onde estiverem devem ter vergonha de si mesmos pois eles eram homens que cultivavam muitas virtudes. Em 1869/1870, houve outro concilio no Vaticano, que proclamou o dogma da infalibilidade do Papa, inspiração das trevas, no seio de homens religiosos e certamente, virtuosos mas, mesmo assim, que tinham muitas arestas a cortar. Até o Papa nesta época, que era Pio IX, mesmo ficando infalível com o dogma, faliu ao aceitar essa heresia. E o pior é que, se é dogma, não pode ser mudado, na convicção dos sacerdotes. Por que, se os infalíveis papas são mudados, não os podem ser as leis transitórias dos homens que os cercam? Muitos outros concílios assinaram o atestado de incompetência espiritual, porque eles somente reuniram os bispos para condenar, esquecendo que Jesus Cristo, que eles mesmos dizem ser o Guia do catolicismo, nunca reuniu Seus primeiros discípulos, a não ser para ajudar, para servir, para instruir, para aperfeiçoar cada vez mais os dons que todos temos.

Miramez parou, respirou profundamente, e disse:

— Bem, Lancellin, vamos trabalhar, para não cairmos nas mesmas tentações, porque quem anda com o Cristo não deve ter desculpas, dizendo: "errei porque não sabia".

Fiquei pensando: na verdade, às vezes estamos de posse de grandes qualidades, e ao lado mantemos um defeito que empana o brilho de muitas dessas qualidades. Temos de procurar o conjunto dos valores, para que surja a libertação. Pude notar, nestas conversações, a bondade de Deus sempre a nos enviar socorro, renovando as nossas convicções. Ainda assim, a nossa ignorância investe contra as bênçãos d'Ele, ele continua a nos amar. A minha razão me fez crer, que depois da reforma iniciada por Lutero, surgiu o campo propício para vir o Consolador prometido pelo próprio Cristo, quando os homens estivessem preparados. E mesmo esse Consolador, com uma bandeira inteiramente inspirada no amor e na caridade, foi terrivelmente perseguido. Como havia passado o tempo de queimar os homens, condenados por leis e bulas, por concílios e conchavos, decidiram queimar os livros do Prometido pelo Mestre, obras essas que vieram para ajudá-los, vieram para alertar os que dormem nas letras, para acordarem em espírito, amando a Deus e a toda a criação. 

Ouvimos algumas melodias inspirativas e partimos renovados para o trabalho, na paz de Deus.

Saímos mais cedo desta vez. Quando íamos passando sobre uma grande capital, escutamos, pela nossa percepção mais aguda, aquele volume de barulho em forma de vibrações alteradas e notamos logo que provinha de um estádio onde estavam concentradas mais de cem mil pessoas, em uma algazarra ensurdecedora. Seguindo o nosso guia espiritual, baixamos rumo ao campo de esporte.

Confundimo-nos entre os torcedores. Eu ainda não tinha tido a curiosidade de observar o fenômeno espiritual neste ambiente de distração. Mais de um milhão de entidades, segundo ficamos sabendo pelos diretores espirituais do estádio, ali compareciam. Eram Espíritos de todos os tipos, de todas as escalas evolutivas. Fiquei ainda mais espantado ao observar na direção que Miramez me apontou: uma espécie de presídio volante, um verdadeiro milagre da engenharia espiritual, de forma a recolher ali os Espíritos perturbadores da ordem que, depois de uma longa triagem feita por Espíritos capacitados, eram soltos, depois de advertidos. Esse presídio era estruturado em uma matéria cuja composição, mesmo depois de longa observação, não pude compreender direito e que não tirava a visão dos Espíritos retidos, do campo de futebol. Construído com técnica perfeita, toda ressonância de gritos e vibrações alteradas têm convergência interna e não externa: quem grita, por exemplo, não pode suportar o seu próprio barulho, ouvido com ecos ensurdecedores. Já com a mente condicionada, os que já conhecem esse processo, quando vão presos, emudecem, pois já aprenderam a lição.

Esse recinto foi feito de maneira que cada preso tenha o seu lugar, no entanto, para manter-se em uma posição favorável de visão, ele tem de fazer um grande esforço. Somente o fanatismo os incentiva para tal esforço. E, ainda mais, do presídio volante sai uma espécie de túnel sugador elástico, de maneira que pode capturar qualquer Espírito malfeitor em qualquer parte do campo ou na assistência. É algo semelhante a uma tromba de elefante. Ele é invisível aos olhos dos perturbadores espirituais, e no seu terminal ficam dois operadores, também invisíveis, que obedecem a um comando. Espalhados em todo o campo, existem vigilantes transmitindo as ocorrências.

Fiquei intrigado com tamanha assistência espiritual. Como dão trabalho aos outros, os homens e Espíritos, que não descobriram a necessidade do respeito e do dever de um cidadão de bem! Procurei imediatamente Miramez que, diante da minha inquietação, respondeu com presteza:

— Lancellin, tudo que vês é necessário para a evolução dos que se reúnem na Terra, como sendo alunos para o grande aprendizado. Porém, a massa usa as possibilidades divinas, para escândalos humanos. E Deus é tão bom, que os suporta com paciência e procura todos os meios de educá-los, em favor deles mesmos. Esse espetáculo a que assistimos também, poderia ser um grande acúmulo de energia superior, se todos fossem educados e as emoções disciplinadas. Na matemática espiritual são desperdiçadas toneladas e toneladas de energias nervosas de força vital, que são desprendidas pelos processos emotivos, neste ambiente de divertimento. Por isso, bandos de entidades de todos os tipos se aproximam daqui com fome deste alimento divino, que os homens jogam fora pela ignorância. 

E ajuntou com sabedoria: 

— Se essa multidão tivesse ciência disso, seja sentisse o amor no coração e respeitasse os direitos dos outros, se cada um se comportasse como cristão, abrindo canais pelas emoções ao suprimento espiritual inesgotável, poderiam vir até aqui enfermos de todos os tipos, que seriam curados pela quantidade de fluidos atraídos pelas disposições psíquicas afinadas com a harmonia de Deus. No entanto, em vez de atraírem essas bênçãos referidas, desperdiçam as que têm, que muitas vezes lhes foram dadas com muitos esforços da parte dos benfeitores espirituais. O Evangelho, Lancellin, cabe em qualquer lugar, ajudando a manter a paz e a própria felicidade.

Fiquei embriagado ao conhecer os caminhos sombrios da ignorância, a sublime bondade da luz e o esforço descomunal de Espíritos altamente evoluídos, recompondo estragos que as trevas propõem a fazer por prazer que lhes dá a maldade. Eles, os Espíritos encarregados da ordem, têm recursos para expulsá-los definitivamente do ambiente terreno, mas não o fazem por amor, esperando que eles aprendam as lições da fraternidade.

"Meu Deus"!, pensei comigo mesmo... "e em toda a Terra, o quanto existe de Espíritos brincalhões, obsessores, doentes, enfim, de todos os tipos, que não ajudam na ordem das coisas e se perturbam, carecendo de vigilância constante, para vigiá-los e instruí-los! É muito trabalho!"

Depois desta pequena observação, Kahena e Miramez nos chamaram para trabalhar.

Reunimo-nos em torno de um encarnado que vociferava palavrões de todos os tipos aos jogadores adversários. Era de se notar que as veias da sua cabeça se avolumavam injetando muito sangue de baixo teor para irrigação do cérebro. As pequenas veias dentro do crânio estavam estufadas, sem suportar o volume sanguíneo. Elas, sendo elásticas, espichavam-se, mas, em alguns pontos sua estrutura já se notava que os tecidos se rasgavam, pedindo proteção. E o moço, envolvido naquele ódio sem comparação, porque o juiz marcava uma penalidade que ele achava que não fora cometida, corria perigo.

Acercamo-nos dele, insuflando-lhe pensamentos de paz e de concórdia. Miramez colocou as mãos em sua cabeça e transmitiu uma faixa de luz nas suas áreas mais sensíveis, acomodando-lhe o entusiasmo exagerado. Pensei logo: "Por que não deixá-lo passar pelas consequências dos seus próprios atos?" Miramez, percebendo meus pensamentos, acudiu-me dizendo:

— Há situações que podem mais que a razão, e ser juiz, neste caso, querendo justiça, é bem perigoso. Esse homem é um homem de bem, tem oito filhos e esposa dedicada. Ele precisa de mais um pouco de vida, para alicerçar a sua própria vida em favor dos que vieram por seu intermédio. Mas, o fanatismo pelo esporte pode levá-lo a desencarnação; por isso o estamos ajudando, e é com muito prazer. E rematou com simplicidade:

— Lancellin, as emoções desregradas, mesmo as do bem, destroem o equilíbrio orgânico, quando tudo na vida pede harmonia. Se nos faltar isso, estamos correndo para o abismo.

Perguntei novamente, para aproveitar a oportunidade:

— O nosso caro irmão está se esquecendo de reparar os tecidos da cabeça do torcedor, que foram rompidos pelas emoções? Isso é necessário, para que ele tenha segurança de vida?

— Não foi esquecimento, Lancellin!... Vamos deixar para a própria natureza cuidar disso, desde quando ele não insista nos seus desregramentos emotivos. E, para tanto, estamos falando com ele mentalmente, e tudo está gravado na sua consciência. Ao seu lado, ainda está o seu guia espiritual, reforçando o que por vezes falamos. Ele mesmo tem que cuidar de si.

Tirei a vista um pouco deste cidadão que focalizamos, e pude observar a fila de Espíritos entrando na tromba do elefante em direção ao presídio. Estavam sendo sugados por uma força desconhecida para eles e, alguns ao caírem lá, na grande cela, silenciavam, por experiência da prisão. Aproximamo-nos de uma senhora encarnada muito alterada, que já estava de mão em uma garrafa para jogar na cabeça de outro torcedor. Abeiramo-nos dela com muito carinho e falamos ao seu ouvido espiritual:

— Não faças isso, minha irmã. Procura asserenar-te. Pensa nas consequências que te podem advir deste fato. Aqui é um lugar de diversões, onde todos se alegram e esquecem as inúmeras preocupações. Não piores a tua vida, que já não é muito boa. O teu time perde hoje e ganha amanhã. Isso é uma brincadeira agradável para todos, e os que aqui estão são teus irmãos em Jesus. Pensa nisto e não faças o mal a ninguém.

Ela acolheu a ideia e deixou a garrafa onde estava, na sua bolsa.

Passamos mais adiante, e o negócio era outro: dois Espíritos discutiam agarrados, lutando e proferindo palavrões. Logo a tromba veio em direção a eles e os aspirou, levando-os para a cela flutuante. Já com a mente a esquentar perguntamos a Miramez:

— Será que na Terra não existe um lugar que tenha paz, que tenha harmonia? 

Ele, jovialmente, respondeu:

— Somente vai existir harmonia na Terra e nas esferas que a circulam quando houver harmonia dentro dos corações de seus moradores encarnados e desencarnados. O que está por fora é, verdadeiramente, o reflexo do que está por dentro. Todos nós manifestamos o que somos.

E continuou:

— Nós temos que lutar permanentemente, sem descanso, em favor do bem, para que ele se organize, e nessa organização do bem, o mal vai se afastando. Se parares um pouco e pensares, com sinceridade, notarás que existe desarmonia em ti, também a reparar. A vida é assim, mas graças a Deus, o Senhor nos mostra os recursos, por intermédio de Jesus Cristo, para nos educarmos e instruirmos.

Tive imensa vontade de entrar na cadeia volante, e Miramez, notando, me disse:

— Satisfaze teu desejo e tira disso bom proveito.

Avancei para junto de alguns vigilantes, expondo minhas ideias. Logo fui treinado por um deles e, sem perceber, já me encontrava dentro do gaiolão. Aproxime-me de dois Espíritos que estavam conversando e pude observar a conversa neste tom:

— Veja, disse o primeiro. Aquele juiz é ladrão! Eu o conheço. Não é a primeira vez que ele faz isso com o nosso time! Certa feita, ele também roubou do Corinthians em São Paulo. Daquela vez foram dois pênaltis, que ele marcou sem haver falta. Fizeram o bolo e ele se aproveitou da situação. Esse malandro deve estar ganhando algum dinheiro, porque juiz de futebol não tem time, nem lealdade. O único time deles é esse aqui (esfregou significativamente os dois dedos, o polegar no indicador). A conta dele no banco deve estar gorda, mas, qualquer dia desses eu pego ele.

E o outro, com a mesma ideia, continuou:

— Nesse dia eu quero estar presente, porque quero tirar também a minha casquinha.

Participei dessa conversa; no entanto interessava-me a matéria de que fora feito aquele presídio volante. Toquei a mão de leve, e pude perceber que era uma espécie de fluidos condensados, de alta sensibilidade. Pela sua alta vibração, podíamos até ouvir um zumbido. Experimentei falar alto, ajudando pelo pensamento, e senti a repercussão dentro de mim. É uma coisa terrível, tal experiência. Os outros que estavam presos ali conversavam sempre em grupos, todavia, baixinho sem nenhuma irritação. Eu não estava sendo visto por eles, e pelos mesmos processos que entrei, saí. Quis sair pela "tromba", por onde os Espíritos perturbados eram sugados, mas, confesso, tive medo; a vibração por dentro do canal é muito pior. Cá fora, experimentei uma sensação agradável, bênção que faltava no gaiolão.

Dali, partimos em outra direção, em busca de outras atividades espirituais que nos pudessem enriquecer as experiências.

Miramez, em plena viagem nos falou, espontaneamente:

— Meus irmãos, a nossa luta é muito grande. Jesus nos confiou a tarefa de ajudar, por ser esse o meio mais fácil de nos corrigirmos. Não existe nada no mundo que seja desprezível; tudo tem a sua utilidade, na grande lavoura do Senhor. Nós, como os homens, pertencemos a grupos e usamos coisas com as quais nos afinamos, por sintonia, ao lugar que pertencemos. Somos julgados, sem que ninguém use da razão para nos julgar e cada qual está no lugar que lhe pertence, por direito evolutivo. Os degraus são inúmeros e a escala é infinita, porém, a vida espera de todos nós que subamos sem interrupção no gráfico do progresso. Jesus é pois, um Sol que desceu das alturas para instruir-nos acerca da nossa subida, no entanto, essa elevação nos pertence. Cada criatura tem condições e deve fazer o seu próprio esforço para alcançar o topo do seu calvário.

Respirou profundamente, e falou com alegria:

— Graças a Deus, já sabemos disso. Compete a nós outros, trabalharmos igualmente dentro de nós, limpando os canais por onde devem passar, por bênção dos céus, as inspirações referentes aos nossos deveres.

Descemos em um dos bairros da capital mineira, em uma casa sobremodo confortável. Era de madrugada. Em uma pequena sala, encontrava-se uma moça de cerca de 30 anos que estava estudando. Pilhas de livros ao lado e vários outros abertos; ela se entregava à pesquisa da História das Américas.

Por vezes, as histórias das nações do mundo nos fascinam, por serem os acontecimentos, fenômenos que vêm guiando a humanidade, pelo processo da dor, a fatos melhores para o amanhecer do terceiro milênio.

Ficamos em torno da moça, que passamos a chamar de Dezenove. Ela estava profundamente concentrada em seus estudos, sem que pelo menos pudesse sentir a nossa presença. Algumas entidades estavam ao seu lado, igualmente uma delas pôde nos identificar, cumprimentou-nos e pediu proteção para a Dezenove. Essa entidade fora sua mãe, quando encarnada, e as outras duas eram Espíritos que ainda não compreendiam o verdadeiro estado em que se encontravam. A sua mãe abeirou-se de Miramez, rogando-lhe: 

— O senhor poderia nos ajudar, em nome de Jesus, para afastar essas entidades de junto da minha filha? Elas perturbam o progresso da Dezenove no seu campo de trabalho, e até mesmo os casamentos que ela arranja são desfeitos por influência dessas almas, que não sabem o que pensam e sentem e alimentam ódio por esta criatura de Deus. Ela vive para o trabalho, é uma santa menina! 

O nosso guia espiritual meditou instantes, e retrucou com habilidade: 

— Minha filha, vamos ver o que podemos fazer para sua filha e nossa irmã em Cristo. Aqui estamos para tirá-la do corpo conscientemente, adestrando-a neste exercício, a fim de que ela se esclareça com mais certeza da vida no além, vendo o seu próprio corpo, na saída espiritual, fortalecendo assim, a sua fé. Quanto à irmã, deves nos ajudar universalizando mais o teu amor, porque amor somente entre familiares mostra algo de egoísmo que devemos combater. O amor deve ser extensivo à humanidade toda, principalmente quando já estamos em espírito. 

Nesse momento, começaram a agir Fernando, Celes, Kahena e Abílio. Os dois Espíritos que estavam dentro do lar dificultando a vida de Dezenove já tinham saído por processos que os nossos companheiros usam com habilidade. Dezenove começou a bocejar com sono. Espreguiçou-se e foi ao chuveiro, tomar o costumeiro banho antes de dormir. Mais tarde, quando se acomodou nos travesseiros, Padre Galeno emitiu esses pensamentos em direção à sua mente: 

— Dezenove, esqueceste de orar, minha filha, para dormir melhor. Ela tonta de sono, respondeu semiacordada: 

— Ora por mim, padre. 

O Padre respondeu, pelos mesmos processos que a advertira: 

— Não posso orar por ti. Esse ato divino é dever individual, porque cada um de nós gera um tipo de energia, que nos faculta o bem-estar de que precisamos, exteriorizando o bem em direção a todas as criaturas. 

Ela, meio tonta, abriu os olhos denunciando cansaço, ajustou os pensamentos e murmurou, admirada: 

— Meu Deus! Parece que eu estava conversando com um padre! Será possível? Acho que é o sono. 

Balbuciou, então, uma oração com dificuldade, pediu a bênção a Deus e aos guardiões, a assistência; fechou os olhos, adormecendo. 

Miramez entrou em operação. Ela dormia, mas sentia dificuldades em sair do corpo, por medo, pois quase todas as noites ao sair do físico, já se encontravam, esperando-a do lado de cá, essas duas entidades, que a faziam sofrer muito no baixo astral. E esse medo a prendia mais tempo no corpo físico, por vezes levando-a até à perda do sono, obrigando-a a ler livros e mais livros à noite. Entretanto, Dezenove estava fichada nos nossos trabalhos para as viagens astrais, que lhe deveriam servir de amparo contra aquelas entidades. 

Dezenove começou a vibrar, deslocando-se devagarinho do físico; foi subindo e quando quis voltar, foi impedida; subiu uns cinquenta centímetros e começou a se posicionar verticalmente. O corpo físico estava suando e de vez em quando estremecia, como se estivesse levando pequenos choques elétricos. Ela ficou de pé, abriu os olhos, mas nada viu; virou-se para olhar o corpo carnal e sentiu uma emoção que a impulsionava de volta a ele, mas foi de novo impedida. Passou a admirar os dois corpos, e começou a relembrar do que já tinha lido sobre o duplo astral, sobre o Espírito, e pensou: "Então é verdade o que tenho lido sobre isso! Será que quem escreveu passou por essas experiências, que agora observo? Provavelmente sim!"

Passeou dentro da casa, tocando os objetos, quis entrar na biblioteca e encontrou-a fechada; no entanto, a sua vontade a transportou para dentro, como por encanto. Ficou contentíssima e deu um "graças a Deus" apaixonado. Passou os olhos nos livros, foi em direção a uma cadeira de balanço, assentou, imprimiu seu peso para frente e para trás, como de costume; todavia, a cadeira permaneceu no mesmo lugar. Viu que era falta de peso, pensou em Deus, e veio em seus pensamentos a ideia de orar. Parou em frente de um crucifixo e ajoelhou-se com humildade, exteriorizando os seus mais puros sentimentos. Lembrou-se fortemente de sua mãe e de tantos outros parentes que já se encontravam na pátria espiritual. Pensou em Deus e em Cristo e, mesmo em espírito, as lágrimas desceram nas suas faces, como energia divina liberada pelo coração. Quando se levantou, agradecida pela paz interior que lhe ofereceu a oração, viu-nos nitidamente em torno dela, cumprimentando-a com satisfação. Ela avançou para Padre Galeno, abraçou-o com todo carinho, beijou suas mãos benfeitoras, e disse, quase sem voz pela emoção:

— Padre, abençoa-me, que não sou digna desta felicidade. Pede a Jesus por mim, para que eu suporte sem desequilíbrio essa influência que não sei traduzir. De tanta paz que recebo, a esperança invade meu ser e sinto-me confusa. Ajuda-me, por favor!...

O sacerdote com serenidade, impôs a sua destra na cabeça de Dezenove, esclarecendo:

— Minha filha!... Isso que sentes e vês, neste momento, é a herança legada aos filhos de Deus, estendidos por toda a criação. O facho de felicidade contorna a Terra, com mil mãos para ajudar e servir e a alegria pura está ao alcance das mãos de toda a humanidade. Jesus nunca esteve distante do Seu rebanho; somente o que falta é, realmente, a maturidade do coração. As coisas divinas parecem distantes daqueles que se distanciam dos valores espirituais e encontram prazeres nos instintos inferiores. A ignorância é o entrave da felicidade. O Espírito encarnado, e mesmo desencarnado, pode encontrar o céu e Deus dentro dele; só depende de descobrir os canais da sua própria vida. Os maiores inimigos da alma não moram fora dela; estão por dentro, se manifestando pelos sentimentos alterados, e os seus nomes são bastante conhecidos: ciúme e inveja, medo e dúvida, vingança e ódio, egoísmo e orgulho, tristeza e melancolia, preguiça e esmorecimento, vaidade e covardia. Tudo isso gera desequilíbrio e se converte em um verdadeiro inferno interior. Quem teme a si mesmo, está em vias de recuperação. Ninguém pode nos causar danos, se não encontrar em nós o ambiente favorável. Eis porque Jesus fazia tanto empenho em se referir à Fé. A fé nos ajuda a superar muitas deficiências, colocando-nos na vanguarda do bem e do amor, desfrutando dessa grandiosa luz.

Dezenove chorava, e Padre Galeno silenciou, aguardando. Passados alguns instantes, ele rematou sorrindo:

— Não sou eu quem o diz, mas Jesus: Levanta-te e anda. Somente posso acrescentar: vamos andar no bem, sem exigências e onde ele estiver nos convocando, para que possamos ajudar na harmonia da vida!

Pegou sua mão com delicadeza, fazendo a moça ficar de pé, e apresentou-a aos companheiros, que não se fizeram de rogados, conversando animadamente a respeito do trabalho.

A moça, no nosso plano, perdeu o acanhamento e o medo, e já se encontrava disposta a sair para onde o destino a levasse, desde quando fosse em companhia de Jesus, o Cristo de Deus. Fomos com alegria, como os pássaros, e a diferença é que as nossas asas eram mentais, e a nossa velocidade estava ligada aos poderes conquistados por intermédio do tempo.

Daí a pouco, demos entrada em um matadouro de gado bovino, ambiente turvado de um magnetismo deprimente, mas, antes, o nosso guia espiritual nos reuniu e falou com sabedoria:

— Meus irmãos, nunca são demais as advertências. Hoje não trouxemos mais companheiros encarnados por ser o ambiente muito inferior. É preciso pois, muito equilíbrio emocional para que possamos ajudar sem ferir, ajudar sem julgamento, ajudar sem desprezar as coisas de Deus. Cada fato se processa no lugar certo, e o que vamos contemplar agora, estudando, existe na Terra pelo que ela é. A escala que o nosso planeta atingiu até agora, requer essa violência com as vidas inferiores. Caso um de vós altere as emoções, tornar-se-á visível a determinados Espíritos vampirizadores, o que irá dificultar os nossos trabalhos. Vamos nos lembrar do Mestre, quando advertiu desta maneira: Vigiai e orai. 

Penetramos em um lugar assustador; estavam em círculo vinte vampiros, cuja descrição preferimos omitir. Com o chefe, formavam um magote de vinte e um. O que estava chefiando, vestia-se de vermelho encarnado, com uma espécie de capuz bipartido atrás e tendo nas pontas duas bolas pretas, no alto da cabeça, duas saliências o destacavam dos outros. Os bois estavam em filas obrigatórias, devido às cercas laterais que os prendiam, sem que eles pudessem ao menos se mexer. Ao passarem em determinado ponto, caía em suas nucas uma lâmina mortal. Logo adiante, um homem carrancudo fazia escorrer o sangue do animal já ajoelhado e exteriorizando suas dores.

Eu sentia reações profundas, sem que as deixasse passar para as emoções. Confesso, estava encontrando dificuldades para me manter em equilíbrio. Procurei a Dezenove e não a vi. Fiquei inquieto, e como Miramez sentiu que as minhas perguntas íntimas poderiam perturbar os trabalhos que requeriam muito silêncio, aproximou-se de mim e falou baixinho:

— Lancellin, não viste que ela começou a desmaiar, não suportando a visão do ambiente? Foi levada às pressas para o corpo de carne, pelo Padre Galeno.

Cortei as minhas indagações e passei a prestar atenção no meu dever, o dever de informar pelas minhas anotações, com o cuidado que exigem a moral e a paz dos encarnados, transmitindo somente o que pode ser dito. Parece que Miramez deixou que os vampiros iniciassem sua ação, para que pudéssemos ter uma ideia de como as coisas acontecem nos frigoríficos. Quando o magarefe enterrou a lâmina no pescoço do animal, cortando-lhe as veias, o vampiro-chefe avançou em primeiro lugar e sorveu, de mais ou menos uma distância de trinta centímetros, o fluido do plasma sanguíneo com uma habilidade espetacular. O plasma etérico se dividia, pela vontade dele, em dois jatos de energia que entravam pelas narinas e por sua boca, posicionada em forma de bico. Era grande a satisfação. Depois que sugou de uns três animais, ante a inquietação dos outros, ele deu um sinal para o primeiro. Esse veio e fez o mesmo, sugando as energias vitais do animal. Quando chegou a vez do quinto Espírito, senti que para mim um sacrifício imputado aos meus sentimentos. Era demais! Então, pude observar que vampiro e magarefe eram uma coisa só. Miramez segredou-me, mesmo estando eu com a emoção um pouco alterada:

— Vê, Lancellin! A mediunidade se processa em toda a parte. Este irmão está servindo de instrumento para os Espíritos da sua mesma faixa se alimentarem com as energias do animal. E o pior é que essa classe de Espíritos recebe o magnetismo inferior do animal, fortalecendo seus instintos mais baixos, e transmitem para o mesmo animal, ou seja, para a sua carne e ossos, outro tipo de fluidos pesados na mesma frequência, com os quais os homens, depois, vão inundar seus organismos. É por isso que os comedores de carne dos animais, mostram, de vez em quando, no cotidiano, algo que lembra esses Espíritos. Os espíritas se livram deste magnetismo inferior com os recursos dos passes, da água fluidificada e, por vezes, de prolongadas leituras espirituais; os evangélicos e também alguns católicos se libertam dele nos ambientes das igrejas, mas sempre fica alguma coisa para se transformar em doenças perigosas. A medicina tem quase a idade do planeta, se buscarmos sua origem, e quanto mais descobre remédios, mais surgem doenças, por lhe faltar um senso profundo, um entendimento mais correto sobre as causas. Ela trata, infelizmente, somente dos efeitos. Todas as causas são morais, na extensão desta palavra. O mundo todo se preocupa só em instruir a humanidade, esquecendo que o melhor é Educar, mostrar-lhe o valor do bem. A salvação da humanidade encarnada e desencarnada está na descoberta do Amor, mas, o amor universal.

Senti grande bem-estar com a conversa de Miramez. Ele nos convidou para uma oração. "O quê?"... pensei logo, "oração aqui, neste ambiente aterrador?" Reunimo-nos todos.

Retifico: faltava um, o Padre Galeno, que não havia regressado. Fiquei pensando sobre o porquê do sacerdote não ter voltado, mas desliguei meus pensamentos disso. O Padre Galeno era senhor das suas faculdades e sabia bem desempenhar seu papel de orientador. Antes que os vampiros continuassem seus exercícios das trevas, de sugar energias dos animais abatidos, Miramez fez algumas evoluções com as mãos, cortando as suas atividades, a contra gosto deles, e passou a orar deste modo:

Deus de eterna bondade!... Tem compaixão destes nossos irmãos, que não sabem o que fazem. Ajuda-nos a ajudá-los, no ponto que eles carecem desta assistência, sem violentá-los, colocando em suas mentes estacionadas no mal, algumas advertências e tendências para o bem. Que a influência do amor possa constituir uma verdade, uma luz, sem que se desfaça no regime de inferioridade. Compadece-Te deles!...

Não queremos alterar nada que seja da Tua vontade, mas faze, Senhor, o que deve ser feito e convoca-nos para os trabalhos que devem e podem ser mudados. Pedimos para esses animais sacrificados, na linha evolutiva a que pertencem; que os anjos possam cuidar deles, como filhos também do Teu amor, na sequência da Luz e do despertar.

Cria, Senhor, em nós, um ambiente de serenidade, para assistir a tudo como sendo a Tua vontade, porque se assim não fosse, nada disso aconteceria. Novamente dizemos: faça-se a Tua vontade e não a nossa. Pedimos para a nossa companheira Dezenove, que não suportou a visão que teve a oportunidade de contemplar, neste recinto de morte.

Assim seja.

Ouvi o chefe dos vampiros dizer:

— Tem alguma coisa no ar que não nos interessa, pois o ambiente mudou. De vez em quando se dá isso. Vamos embora! Pode ser uma traição da Luz, para nos prender. Não vamos ser escravos de ninguém, queremos a nossa independência! Vamos!

Os que não puderam sugar a vitalidade dos animais saíram contrariados, blasfemando contra as ordens.

Os animais, depois da oração de Miramez, enfrentavam o corredor da morte com serenidade. Entregavam-se aos rudes processos de evolução, tendo como instrumentos os homens, ou vampiros encarnados, servindo de motivo de escândalo. Miramez nos mostrava no ar a nuvem negra voando, dizendo:

— Olhai lá os vampiros dos matadouros volitando sob o comando do chefe vermelho. O Espírito que os dirige é mago negro, e os domina a todos, tendo alguns poderes um tanto ou quanto desenvolvidos.

Percebemos, entristecidos, que na faixa em que eles volitavam ia ficando um odor repugnante. Finalizou Miramez:

— Ali o egoísmo se petrificou. Eles somente sentem e veem as suas próprias necessidades. Mas, graças a Deus, a qualquer hora dessas surgirá a dor, que começa no centro da consciência e se derrama para a mente, de forma insuportável, de modo a anular todos os seus movimentos no mal. Ela os obrigará a pedir socorro a quem passar, como prenuncio de arrependimento ou vestígio de oração. Surgirá o momento em que a Luz aproveitará para levá-los às devidas corrigendas. O Senhor, meus filhos, não criou ninguém sem os recursos de melhorar. O ar, as chuvas, o sol luz, as águas, e por fim, o amor, tudo isso existe porque está na Sua vontade. Tudo foi feito por Deus e se move n'Ele, obedecendo à Sua magnânima vontade.

Miramez notou a demora de Padre Galeno, e fomos em seu encalço.

Descemos na residência de Dezenove. Padre Galeno estava conversando com ela, ainda fora do corpo, dentro do seu quarto. Nossa irmã ainda estava alterada, e ele já tinha tentado levá-la ao corpo; no entanto, o medo e a ansiedade tornavam difícil a sua respiração. Ela gritava, pedindo socorro.

Miramez foi ao encontro do corpo de Dezenove, e passou a aplicar passes em sua cabeça, descendo pela espinha, onde podíamos notar grande quantidade de energias gastas, enrascadas nas linhas espinhais. A mente foi se asserenando, e o corpo físico parou de estremecer. O cordão fluídico estava igualmente agitado. Parecia um cabo agitado por alta corrente elétrica. Aproximei-me dele e deu para ouvir um ruído forte e o próprio cheiro do matadouro a exalar. Pensei comigo: "Meu Deus! Como o pensamento pode transladar tudo isso para a sua sede?"

Neste mesmo instante, Miramez veio ao meu auxílio dizendo:

— Lancellin, não ignoras que os pensamentos nascem na sede da vida. E eles, instruídos e iluminados, têm o poder de trazer o céu para a sua moradia. Outrossim, os pensamentos desequilibrados carreiam para o seu convívio os mesmos desequilíbrios que os ajustaram por sintonia. É por esse motivo que estamos estudando os fenômenos do pensamento, para que possamos encontrar maior força de educá-los em nós. Ninguém encontra a felicidade por fora, sem primeiro conquistá-la por dentro, no reino
do coração.

Fiquei pasmado pelas verdades ouvidas e observadas.

Dezenove foi ficando serena, ganhou novamente a paz, e começou a pedir desculpas pelo fracasso. Disse ter perdido a razão, não suportando o ambiente de falta de respeito pela vida, e a degradação daqueles Espíritos, que mais pareciam vestidos de sangue.

Depois de tudo em ordem, Miramez falou a Dezenove:

— Minha filha, pensa firmemente em teu corpo como uma roupa que estás vestindo, para que voltes tranquila para o teu mundo de células. Nele irás encontrar o que te falta neste momento. Que Deus te abençoe.

Ela obedeceu e acordou, passando as mãos nos olhos, fazendo grande esforço para se lembrar de algo que estava escondido nas dobras da mente, mas não conseguia direito. Surgiu em sua cabeça a ideia de orar, e foi o que fez com humildade. Nós também oramos em seu quarto, para o conforto dela e de seus familiares.

Encerrada a tarefa, tomamos altura serenamente, em plena volitação, quando a luz do sol já escondia as estrelas dos olhos humanos.


Lancellin