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sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Joanna de Ângelis - Livro Garimpo de Amor - Divaldo P. Franco - Pág. 13 - Amor e casamento




Joanna de Ângelis - Livro Garimpo de Amor - Divaldo P. Franco - Pág. 13


Amor e casamento


É necessário aprender-se a amar, porquanto o amor também se aprende. A mais poderosa expressão do sentimento é o amor. Força incoercível, a tudo transforma e enriquece com a pujança de que se constitui.

Não foi por outra razão que Jesus o transformou no mandamento maior, aquele de mais alto significado, que abrange todas as aspirações e ideais da criatura humana.

Quando esplende no coração, faz-se dínamo gerador de energias que propiciam vida e fertilizam os seres, enquanto que ausente faz-se responsável pela debilidade das emoções e transtorno dos comportamentos.

O amor é de essência divina, por facultar os estímulos necessários para a sublimação dos sentimentos.

Em face da necessidade da reprodução dos seres, no homem e na mulher expressa-se como a força de atração dos sexos, que supera os impulsos primários e oferece estabilidade emocional para toda uma existência de união e de lutas renovadoras.

Quando viceja o interesse entre duas pessoas que aspiram à união, o amor faz-se responsável pelo equilíbrio e pela felicidade dos parceiros, produzindo energias que são permutadas a serviço da construção da beleza, da arte, dos valores dignificadores do pensamento e do conhecimento.

A medida, porém, que os impulsos diminuem de intensidade e os conflitos do relacionamento se estabelecem, desvitaliza-se e, não raro, consome-se.

Cabe, então, a cada parceiro, observar os desvios pelos quais se vem conduzindo e o comportamento que se tem aplicado, exigindo sempre mais do outro ao invés de avançar no rumo do seu entendimento.

Em favor da perfeita identificação, cabe-lhe não impor o que não pode oferecer, e mesmo que lhe seja factível essa doação, estimular o outro a que a logre, sem a necessidade de exigências ou caprichos que geram ressentimentos dispensáveis ou distâncias desnecessárias.

Nem todos os seres, no entanto, encontram-se aptos para amar, porquanto nem sempre aprendem como se ama e como se expressa o amor.

Quem não recebeu amor não sabe o que ele significa, nem como brindá-lo.

Especialmente quem lhe sofreu carência na infância, ressente-se por toda a existência, tendo dificuldade de identificá-lo, quando surge, ou expressá-lo, quando já o possui.

Nessa ausência de sentimento de amor, confundem-se exigência e posse, capricho e morbidez com o nobre sentido da vida, ficando-se à margem da sua manifestação libertadora.

Eis por que é necessário aprender-se a amar, porquanto o amor também se aprende, aprimorando-se incessantemente.

Esse aprendizado é feito através de treinamento, de exercícios repetitivos, no início sem muita convicção, para, de imediato, passar-se a senti-lo em forma de bem-estar e de harmonia íntima.

A medida que se fixa no sentimento, ocorre uma mudança de comportamento, de saúde, de experiências humanas e o ser todo se transforma emulado pela sua dúlcida melodia envolvente.

Ao mesmo tempo, irrompe calmamente em forma de autoestima e confiança em si mesmo, fazendo que desabrochem os valores espirituais que dão sentido e significado à vida.

Lentamente, as emoções tornam-se compensadoras, por propiciarem alegria de viver e de participar do relacionamento afetivo com outra pessoa.

O amor que se dá é o amor que se recebe, e mesmo quando não é correspondido, abre espaços felizes para o perdão e para a compaixão pelo outro.

Certamente, o relacionamento amoroso no casamento não transcorrerá sempre sem incidentes ou dificuldades, que são perfeitamente compreensíveis.

No entanto, para que sejam ultrapassados esses impedimentos, a lealdade e o companheirismo tornam-se essenciais.

Sem a submissão que humilha, através dos mecanismos das imposições e chantagens emocionais, o amor dialoga sem agressividade, discute sem acrimônia, discorda sem ressentimento, esclarece os conflitos e preenche os espaços vazios, os afastamentos...

Quando um dos cônjuges silencia ante a injustiça, inevitavelmente passa a acumular mágoa e a confiança cede lugar à suspeição, que derrapa em desrespeito e desconsideração.

O amor, por isso mesmo, é generoso, compreensivo, mas verdadeiro, compartilhando de todas as ocorrências. Não anui com o erro para agradar, nem se escusa de cooperar em razão da presença de qualquer distúrbio.

Sempre estimula à desculpa e à generosidade, trabalhando, no entanto, pela compreensão e pela harmonia que devem viger no relacionamento afetivo.

É o grande lutador contra o egoísmo, por fomentar a solidariedade e o bem geral.

Um relacionamento de amor é uma admirável experiência de aprendizagem constante, em cujo período de vigência apresenta angulações sempre novas e desafiadoras.

Desarma quem preserva dúvidas e suspeitas, permitindo que a pessoa sinta-se tranquila, nunca ameaçada, em sintonia com o anelo da legítima compreensão.

Quando o amor real suplantar os interesses imediatos do sexo, e a necessidade do companheirismo e da ternura sobrepujar as inquietações do desejo, o matrimônio se transformará em união ideal de corpos e de almas a serviço da Vida.

Para esse desiderato, cabe a cada parceiro o dever de não se deixar anular, a pretexto de afeição pelo outro, nem se permitir uma situação de subalternidade ou de servilismo, tampouco de presunção e prepotência.

O amor dulcifica e transforma para melhor, jamais se impondo ou constrangendo.

O amor conjugal alça os indivíduos a patamares de harmonia e de alegria de viver incomuns, pois que tal é o seu objetivo, tornando-se clímax abençoado do desenvolvimento espiritual dos seres.

Eis por que a Divindade faculta a reprodução em clima de emoções elevadas, tornando o matrimônio o instrumento educativo e orientador para a construção da família ditosa na face da Terra.

Superado o primarismo da poligamia através do sentimento de amor, que exige fidelidade e respeito recíprocos, estabelecem-se os parâmetros de uma sociedade digna, como consequência natural de uma união de parceiros em elevado clima de compreensão e honradez.


Joanna de Ângelis







quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Joanna de Ângelis - Livro Garimpo de Amor - Divaldo P. Franco - Pág. 28 - Amor e Saúde



Joanna de Ângelis - Livro Garimpo de Amor - Divaldo P. Franco - Pág. 28


Amor e Saúde


Um coração aberto ao amor torna-se afável e possuidor de tesouros de alegria e de bem estar.

A necessidade de manter o coração aberto é imprescindível para a instalação do amor.

Isso significa permanecer em inocência, sem os resíduos da perversidade, da insensatez, da maldade dos relacionamentos infelizes.

Os dias tumultuados, que exigem movimentação e astúcia para a sobrevivência, geram conflitos que fecham o coração a novas experiências e afeições, em razão do medo que dele se apossa, gerando desconfiança e inquietação. 

Um coração aberto significa estar acessível à linguagem do amor que se encontra ínsito em toda parte: no ar que se respira, na paisagem rutilante ao sol, na sinfonia de sons da natureza, nos sorrisos despreocupados da infância, na velhice confiante, no próprio pulsar da vida como manifestação de Deus.

Com o coração aberto podem-se ver melhor os acontecimentos e identificar as pessoas, compreender as ocorrências desagradáveis e trabalhar em favor do progresso, avançar no compromisso dos deveres e nunca recuar ante os insucessos, que são apenas transferências no tempo em relação ao êxito que virá.

Com essa atitude torna-se mais fácil perdoar, por causa da presença da compaixão, o que não equivale a dizer que se permitir ferir pela crueldade dos outros, mesmo não os vinculando dos seus sentimentos, não lhes revidando o ato com o mesmo mal.

Evitando acumular o bafio pestoso na mente ou no coração, respira-se melhor e readquire-se o ritmo do equilíbrio que vem sendo afetado pelas perturbações que grassam e pelo materialismo que desarticula os princípios de ética e de amor, exigindo o aproveitamento de cada momento, a vitória a qualquer preço, mesmo que através da destruição de outrem...

Assim, torna-se inevitável que a saúde se instale, que as resistências imunológicas se fortaleçam, e um vigor diferente, inusual, tome conta das células, estimulando-as à equilibrada mitose que lhes proporciona vida.

É provável que experimente enfermidades, transtornos momentâneos, desajustes orgânicos, ficando doente, nunca, porém, sendo doente.

A capacidade para enfrentar as ocorrências difíceis robustece o ânimo, que não se quebranta por questões de somenos importância, e mesmo quando são graves, facultam bom senso ao situar-se na reflexão e renovar-se, mantendo-se ativo na luta e perseverando nos propósitos saudáveis.

Um coração aberto ao amor torna-se afável e possuidor de tesouros inigualáveis de alegria e de bem-estar, que proporcionam interesse e despertam atenção nos outros, que o buscam sedentos de ternura, ansiosos por paz.

O coração fecha-se quando agasalha a amargura, dá campo ao pessimismo, acumula recriminações e azedume, coleciona ressentimentos... De imediato, a saúde cambaleia e, aprisionado nesse labirinto de aflições, o ser desgasta-se e perde a direção de si mesmo.

O coração que se abre nunca se queixa, nem reclama, porque o amor que possui torna-o dócil e gentil, não exteriorizando venenos que não se lhe encontram em depósito.

Põe a luz da compaixão por ti mesmo nos olhos da tua afetividade, a fim de que dilua as sombras que remanescem dos dias da infância incompreendida, dos relacionamentos desagradáveis, das lembranças tormentosas.

À medida que essa claridade do amor se esparza, atrairá forças generosas que te conduzirão sempre em paz pelas mais difíceis estradas humanas, contagiando todos quantos se te acerquem, mesmo que se não deem conta de imediato.

Quando determinados padecimentos te assinalem as horas, recolhe-te em meditação, orienta a respiração para a área dolorida e procura relaxar a tensão que se te tornou habitual e já não controlas.

Há muitas dores e constrições orgânicas, nervosas, que são resultado de somatizações do coração fechado, amargurado ou triste, inquieto ou desconfiado.

Quem o possui aberto, adquire a faculdade de sorrir e de confiar, estendendo mãos e emoções amigas aos transeuntes do caminho evolutivo.

Livre da autopiedade e da perversidade da autocensura que castiga, torna-se capaz de examinar os insucessos transatos com naturalidade, permitindo-se reabilitação e refazimento de caminhos e metas. Não se detém na análise prejudicial da culpa, antes adota a postura positiva do arrependimento edificante, que abre espaço para a recuperação de si mesmo e perante a sua vítima, ou contribui para o desaparecimento dos prejuízos causados pela irresponsabilidade.

Não adere à postura de infeliz porque errou, considerando que todos experimentam equívocos e que a estrada do progresso é pavimentada pelos enganos e corrigendas até ao asfaltamento seguro do piso que lhe serve de estrutura.

Ninguém atinge as cumeadas de qualquer empreendimento sem os passos iniciais do começante, cuja experiência e sabedoria chegam depois da vivência das realizações.

A saúde, como decorrência natural do processo de abrir-se o coração à luz, ao entendimento, à afeição, instala-se, suportando todas as investidas do tempo, do lugar e das circunstâncias, embora nem sempre positivas.

Permanece de coração aberto ao amor e nunca te permitas encarcerá-lo na suspeita, enchê-lo de vazios emocionais...

Somente um grande sacrifício é digno de uma elevada recompensa. Portanto, somente através da abertura do coração, em totalidade de inocência e de confiança, podes experienciar alegria plena e felicidade sem jaça.

Nunca te esqueças do papel fundamental que desempenha a oração na abertura do coração e na preservação do amor.

A oração é um fio invisível que liga a criatura ao seu Criador, produzindo perfeita identificação entre a necessidade e a abundância, mantendo o ritmo superior da vida.

O coração que ora, estua de vitalidade, e, quando ama, possui Deus, que oferta indiscriminadamente.

A oração ungida de ternura e de emotividade expressa, ao mesmo tempo, a qualidade de amor que a criatura se devota, distende ao próximo e alcança a Divindade, tornando-se-lhe alimento e força para a vilegiatura carnal.


Joanna de Ângelis