Mostrando postagens com marcador 49. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 49. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Carlos A. Baccelli - Livro Chico Xavier - Mediunidade e Coração - Págs. 49/50 - Uma prova de imortalidade com Chico Xavier




Carlos A. Baccelli - Livro Chico Xavier - Mediunidade e Coração - Págs. 49/50


Uma prova de imortalidade com Chico Xavier


Após a leitura de duas mensagens, uma das quais da poetisa Maria Dolores, o Sr. Weaker, como de hábito, repete o chamamento:

“Carta do espírito Gilmar Gomes Borges dirigida à Srta. Helenice!” Ninguém aparece. Alguns companheiros chamam mais alto por Helenice, pois pode ser que ela esteja no pátio.

Alguns minutos decorrem, sem que a destinatária apareça. O Chico, então, dobra a mensagem e a entrega ao Sr. Weaker.

Será que houve alguma falha? Nesse ínterim, quando o Chico já se preparava para autografar os quase seiscentos livros que estavam à sua espera, a nossa confreira D.ª Terezinha Pousa Corrêa de Paiva, distinta dama das lides espiritistas em Uberaba, adentra o salão do centro com um papel nas mãos, lívida e profundamente emocionada.

Quase sem poder falar, conversa rapidamente com o Chico, explicando que estava na mesa lá fora, carimbando os livros, quando alguém lhe pediu para entregar a ele quando terminasse a psicografia, uma carta solicitando notícias do tio desencarnado há quase um ano. O envelope estava fechado, mas, lendo o nome da remetente, observou chamar-se Helenice, o mesmo nome que fora chamado instantes antes para ser-lhe entregue uma mensagem do Mundo Espiritual.

Tentada, resolveu abrir o envelope e, estupefata, viu que a remetente Helenice solicitava justamente notícias de Gilmar Gomes Borges, o espírito que havia assinado a página que ninguém reclamara!

Todos, no salão do Grupo Espírita da Prece, não reprimem exclamações de admiração ante aquela comprovação impressionante.

Sem se alterar, como se para ele aquilo fosse a coisa mais natural do mundo, Chico pede à D.ª Terezinha que leia a carta.

Resumidamente, a missiva solicitava notícias do Dr. Gilmar, desencarnado recentemente em Paris, França, vitimado por leucemia blástica. A família não conseguia entender o porquê da sua desencarnação longe do Brasil, em terra estranha. Tendo D.ª Terezinha encerrado a leitura da carta, Chico pede permissão para ler a mensagem que havia guardado. E o espírito começa assim:

“Querida Helenice, você me pede notícias e aqui as tem.” Diz dos seus planos de especialização em Paris, com possibilidades de ampliar estudos na Suíça e na Alemanha; que os colegas julgaram que ele estava buscando “status”, mas que desencarnar em Paris não constituía nenhum “luxo”, porquanto a morte é a mesma em qualquer lugar...

A medida que o Chico lê a mensagem tem-se a impressão de que o espírito responde, item por item à carta...

Quando termina, Chico passa às mãos da D.ª Terezinha as notícias, solicitando encaminhá-las à destinatária, Srta. Helenice Gobbi de Almeida.

Como não poderia deixar de ser, estamos todos perplexos, embevecidos com a autenticidade do fenômeno que testemunhamos; a materialização de um espírito talvez não tivesse nos impressionado tanto...

O Mundo Espiritual age com muita sabedoria; o que se passa no ambiente de uma reunião espírita é algo que estamos longe de imaginar. Vejamos que antes da missiva passar às mãos de Chico Xavier, já a entidade comunicante, que provavelmente acompanhara a sobrinha, se comunicava... E como o Chico sempre repete, quando alguém o procura para obter mensagens: “Ah! esse telefone toca de lá para cá...”

No Grupo Espírita da Prece, ninguém conseguiu comentar nada mais que não se referisse ao fato que presenciamos e, enquanto a noite se transformava em madrugada, aquele homem, já vergado pelo peso dos anos, missionário das verdades do Cristo na Terra, prosseguia no seu apostolado de amor.

E ficamos a pensar no mundo em convulsão, nas revoluções sociais, nas guerras, nas disputas religiosas, no materialismo, na delinquência, na indiferença de muitos em matéria de crença, na vaidade da ciência... E encarcerado na gaiola do corpo, antecipando-se no tempo, orando numa singela cabana, falando em Jesus com sabedoria inigualável.


Carlos A. Baccelli






quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Allan Kardec - O Livro dos Médiuns ou guia dos médiuns e dos evocadores - 1.ª Parte - Noções preliminares - Capítulo IV - Dos sistemas - 49. Multispírita ou polispírita



Allan Kardec - O Livro dos Médiuns ou guia dos médiuns e dos evocadores - 1.ª Parte - Noções preliminares - Capítulo IV - Dos sistemas 


Evolução dos Espíritos


49. Sistema multispírita ou polispírita. — Todos os sistemas a que temos passado revista, sem excetuar os que se orientam no sentido de negar, fundam-se em algumas observações, porém, incompletas ou mal interpretadas.

Se uma casa for vermelha de um lado e branca do outro, aquele que a houver visto apenas por um lado afirmará que ela é branca, outro declarará que é vermelha. Ambos estarão em erro e terão razão. No entanto, aquele que a tenha visto dos dois lados dirá que a casa é branca e vermelha e só ele estará com a verdade. O mesmo sucede com a opinião que se forme do Espiritismo: pode ser verdadeira, a certos respeitos, e falsa, se se, generalizar o que é parcial, se se tomar como regra o que constitui exceção, como o todo o que é apenas a parte. Por isso dizemos que quem deseje estudar esta ciência deve observar muito e durante muito tempo. Só o tempo lhe permitirá apreender os pormenores, notar os matizes delicados, observar uma imensidade de fatos característicos, que lhe serão outros tantos raios de luz. Se, porém, se detiver na superfície, expõe-se a formular juízo prematuro e, conseguintemente, errôneo.

Eis aqui as consequências gerais deduzidas de uma observação completa e que agora formam a crença, pode-se dizer, da universalidade dos espíritas, visto que os sistemas restritivos ano passam de opiniões insuladas:

Os fenômenos espíritas são produzidos por inteligências extracorpóreas, às quais também se dá o nome de Espíritos;

Os Espíritos constituem o mundo invisível; estão em toda parte; povoam infinitamente os espaços; temos muitos, de contínuo, em torno de nós, com os quais nos achamos em contacto;

Os Espíritos reagem incessantemente sobre o mundo físico e sobre o mundo moral e são uma das potências da Natureza;

Os Espíritos não são seres à parte, dentro da criação, mas as almas dos que hão vivido na Terra, ou em outros mundos, e que despiram o invólucro corpóreo; donde se segue que as almas dos homens são Espíritos encarnados e que nós, morrendo, nos tornamos Espíritos;

Há Espíritos de todos os graus de bondade e de malícia, de saber e de ignorância;

Todos estão submetidos à lei do progresso e podem todos chegar à perfeição; mas, como têm livre-arbítrio, lá chegam em tempo mais ou menos longo, conforme seus esforços e vontade;

São felizes ou infelizes, de acordo com o bem ou o mal que praticaram durante a vida e com o grau de adiantamento que alcançaram. A felicidade perfeita e sem mescla é partilha unicamente dos Espíritos que atingiram o grau supremo da perfeição;

Todos os Espíritos, em dadas circunstâncias, podem manifestar-se aos homens; indefinido é o número dos que podem comunicar-se;

Os Espíritos se comunicam por médiuns, que lhes servem de instrumentos e intérpretes;

Reconhecem-se a superioridade ou a inferioridade dos Espíritos pela linguagem de que usam; os bons só aconselham o bem e só dizem coisas proveitosas; tudo neles lhes atesta a elevação; os maus enganam e todas as suas palavras trazem o cunho da imperfeição e da ignorância.

Os diferentes graus por que passam os Espíritos se acham indicados na Escala Espírita (O Livro dos Espíritos, parte II, capítulo I, nº 100). O estudo dessa classificação é indispensável para se apreciar a natureza dos Espíritos que se manifestam, assim como suas boas e más qualidades.


Allan Kardec






Fonte: Kardecpedia