quinta-feira, 2 de abril de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 13 - João Nunes Maia - Cap. 29 - Óbolo da viúva



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 13 - João Nunes Maia - Cap. 29


Óbolo da viúva


E disse: "Verdadeiramente vos digo que esta viúva pobre deu mais do que todos." (Lucas, 21:3)


646. Estará subordinado a determinadas condições o mérito do bem que se pratique? Por outra: Será de diferentes graus o mérito que resulta da prática do bem?

“O mérito do bem está na dificuldade em praticá-lo. Nenhum merecimento há em fazê-lo sem esforço e quando nada custe. Em melhor conta tem Deus o pobre que divide com outro o seu único pedaço de pão, do que o rico que apenas dá do que lhe sobra, disse-o Jesus, a propósito do óbolo da viúva.” (O Livro dos Espíritos)


O óbolo da viúva verdadeiramente é o símbolo da caridade mais pura, porque foi dado com o coração. Ela deu tudo o que tinha para dar, talvez, até o de que precisava para se alimentar. No entanto, a caridade entre os homens que crescem espiritualmente, toma outras formas. As posições são variadas no íntimo do coração.

Se já compreendemos que a evolução não dá saltos, mas tem uma sequência de passo a passo, de vida a vida, jamais o ser humano, mesmo acompanhando grandes mestres da filosofia espiritualista, pode pretender fazê-la na perfeição que lhe cabe, com o coração em Jesus. Portanto, mesmo que as pessoas não sintam, como a viúva pobre do Evangelho, o amor de doar o que tem em favor dos que sofrem, o que elas fizerem, mesmo do que sobra em sua mesa, já é um começo.

A criança, quando começa a andar, não tem os passos firmes de um adulto. A princípio, são passos trôpegos, para depois irem se firmando, à medida que as forças forem chegando e a mente dominando seu corpo. Para nós, todo ato de caridade é louvável; com o tempo, aprenderemos a fazer caridade por amor.

Com a Doutrina Espírita, pelas suas sábias dissertações sobre a caridade, aprenderemos, pela maturidade espiritual, a sempre servir aos que andam conosco a caminho. Admiramos a nobreza do gesto da viúva, se servindo daquilo que tinha para ofertar, de modo que nem o gazofilácio anunciou, mas, Jesus, vendo e sentindo a sinceridade dela, alegrou-se-lhe o coração em ver o amor que desprendia do coração da mulher em favor das criaturas.

O que vale mais, certamente que são os sentimentos que irradiam na hora da doação, e não a quantidade. Mas, nos dias atuais, mesmo que faltem sentimentos de fraternidade no coração doador, na oferta que cai das mãos nobres dos ricos, ela é abençoada por enxugar muitas lágrimas, por dar pão a muitos famintos e vestir muitos nus.

Também encontramos com frequência, pequenos óbolos cheios de ódio, assim como grandes quantidades envolvidos em amor. De qualquer forma, toda dádiva será abençoada, desde quando sirva de amparo para os que sofrem.

"O Livro dos Espíritos" é de uma sabedoria ímpar, pelo que ele diz na questão em estudo:

"Em melhor conta tem Deus o pobre que divide com o outro o seu único pedaço de pão, do que o rico que apenas dá o que lhe sobra."

Colocamos a palavra "divide" em destaque, para que possas entender o sentido oculto do assunto, porque há muitos que acham que a caridade verdadeira é aquela em que o pobre dá tudo o que tem, ficando sem o suficiente, quando ele mata a fome do seu irmão e fica com fome, despe-se para vestir o outro. Dividir é a caridade mais acertada.

E disse: "Verdadeiramente vos digo que esta viúva pobre deu mais do que todos." (Lucas, 21:3) Deu mais do que os que ali estavam doando do que lhes sobrava. Jesus multiplicou os pães por amor. O amor é tudo, é o que move todas as dádivas verdadeiras. Faze tudo com amor, tudo com perfeição, que a tua vida passará a mudar sempre para melhor.

Quem ainda não tem condições de doar com amor, que continue a fazê-lo por qualquer outro motivo, que a maturidade, no amanhã, surgirá para lhe ensinar a verdadeira fraternidade.


Miramez













Emmanuel - Livro Passos da Vida - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 35 - Questões de pureza



Emmanuel - Livro Passos da Vida - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 35


Questões de pureza


A pretexto de seres bom, não desampares aquele que o mundo categoriza por mau, de vez que amanhã, esclarecidas as nossas contas, na Justiça Divina, é possível que as nossas virtudes venham a desejar.

A pretexto de seres humilde, não te distancies daquele que a Terra classifica por orgulhoso, porquanto, um dia, é provável que a nossa singeleza exterior, ao sol da Verdade Eterna, se reduza à vaidade e ilusão.

A pretexto de seres paciente, não menosprezes aquele que muitos acreditam impulsivo e violento, porque, na esfera da realidade sem mescla, bastas vezes, a nossa suposta serenidade não passa de  ociosidade da mente e do coração.

A pretexto de seres caridoso, não fujas daqueles que a sociedade define como sendo ingrato e insensível, entendendo-se que, em muitas ocasiões, ante a luz meridiana do conhecimento superior, a nossa pretensa superioridade é simples tirania do sentimento.

Recorda que a semente limpa em que se te baseia o prato de cada dia procede do chão escuro.

Há, na Terra, muita veste alva que, na essência, se tinge com o suor e com o sangue de irmãos sacrificados por duras exigências e há muita roupa andrajosa e aparentemente enlameada ocultando corações sublimes e heroicos, de cuja abnegação se derrama resplendente brilho solar.

Aprendamos com Jesus a socorrer os pântanos da estrada e, decerto, do lodo que nos mereça compreensão e devotamento, surgir-nos-á o lírio sublime do reconhecimento e do amor que, em se levantando das trevas do charco para a glória da Altura, nos indicará ao Espírito deslumbrado o excelso caminho da própria ressurreição.


Emmanuel










Bezerra de Menezes - Livro Antena Celeste - Azamor Serrão - Cap. 7 - Sementes



Bezerra de Menezes - Livro Antena Celeste - Azamor Serrão - Cap. 7


Sementes


Jesus nos abençõe.

O pensamento é o verdadeiro arquiteto de nossa vida. Sendo a mente uma usina de alta potência, a energia que dela promana tem poder para realizar algo que pode ser bom ou mau, consoante a natureza do pensamento.

Tornemos simples nossa vida, vivendo-a com naturalidade, pensando com acerto, refletidamente, sempre dirigindo nossos pensamentos para o bem. São os pensamentos que determinam o futuro de cada individuo, que poderá ser feliz ou infeliz, com paz ou guerra, conforme a qualidade da semente lançada no curso da existência. Eis porque se faz conveniente selecionar as boas sementes, através da reflexão.

Semente lançada por um pensamento de ódio fará germinar a árvore da vingança, cujos frutos tendem a alimentar a perdição.

Semente lançada por pensamento de censura amarga fará germinar a árvore da indignação, cujos frutos ácidos induzirão à indisciplina.

Semente lançada por pensamento de ociosidade fará germinar a árvore da preguiça onde escasseiam alimentos. Seus frutos serão secos, como a indolência que causa a fome.

Semente lançada por pensamento de orgulho fará germinar a árvore da humilhação, que produz os frutos do ódio e da vingança.

Mas se o pensamento for de amor, nascerá a árvore da amizade pura e duradoura, que adoça a vida das criaturas, santificando-as.

Semente lançada por pensamento de perdão fará germinar a árvore da esperança, cujos frutos sazonados alimentam a alma, enchendo-a de luz.

Semente lançada por pensamento de trabalho fará germinar a árvore da compreensão, cujos frutos despertarão a vontade de servir, do amar ao próximo, sem esperar ser convidado e de entender a caridade como uma imposição do amor divino.

Aprendamos a purificar os nossos pensamentos como iniciação de um porvir promissor, porque é dando que recebemos, é servindo que seremos servidos pela graça de Deus. Como criaturas de Deus, todos necessitamos uns dos outros, do bem servir sem aguardar retribuição. Servir com dedicação e simplicidade; ajudar sem humilhação nem orgulho.

Jesus nos abençõe.


Bezerra de Menezes






VÍDEO:

Sementes! Bezerra de Menezes/Azamor Serrão! ORAÇÕES E MENSAGENS PARA TODOS OS MOMENTOS!
Essência de Amor, Paz e Luz - Luiz Machado



(Mensagem de Bezerra de Menezes recebida por Azamor Serrão, transcrita de O Cristão Espírita, Ed. 03 - Dezembro de 1965 - Janeiro de 1966)

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Aristides Spínola - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 3 - Reencarnação e progresso



Aristides Spínola - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 3


Reencarnação e progresso


A vida inteligente, na Terra, se examinada exclusivamente do ponto de vista da unicidade da existência corporal, isto é, somente através da encarnação do Espírito, torna-se filosófica e cientificamente caótica, destituída de lógica e sem qualquer sentido ético, digno de respeito.

Não bastasse a documentação paleontológica demonstrando a ancianidade do aparecimento do homem, em trânsito espiritual e anatômico-fisiológico, simultaneamente em diversas partes do planeta, até adquirir as características que possui, nos quase dez milênios próximos passados, o conceito teológico de uma criatura apresentada com todos os atributos de que ora se reveste, assim surgida desde o primeiro momento, igualmente é atentatório à razão e à cultura defluente da investigação.

No período fetal, desde a concepção até a vida extra-uterina, vemos o repetir-se dos períodos anteriores porque passou o ser, nas diversas formas animais que apresenta, revivendo o atavismo ancestral que nele jaz latente.

A imensa variedade dos vertebrados procede, incontestavelmente, do tronco inicial dos invertebrados primeiros, que são, por sua vez, o resultado natural das transformações dos organismos monocelulares, consequência inevitável das combinações da proteína- vírus com os aminoácidos.

Os fenômenos filogenéticos, mesológicos, como os de adaptação, nos sucessivos milhões de anos que precedem ao surgimento dos hominídeos e destes o homo sapiens, encarregaram-se de produzir as transformações e fixações dos biótipos que ora conhecemos com a aparência e as formas definitivas e que, não obstante, ainda permanecem como ensaios da Criação, elaborando novas conquistas, aperfeiçoando órgãos e funções para futuros cometimentos que a vida propõe.

Inegavelmente, no terreno da Filosofia, não podemos desconsiderar o conceito da imanência, adotado por Santo Agostinho, que oferece à matéria terrestre os elementos essenciais para o surgimento das primitivas moléculas que favorecem o campo para a contribuição da transcendência, defendida por Santo Tomás de Aquino, quando a Divindade infundiu o sopro de vida, iniciando- se o processo espiritual, que transita pelas múltiplas formas até revelar a inteligência e o sentimento da emoção enobrecida no homem...

Nessa cadeia quase infinita de desenvolvimento, adquirindo órgãos necessários e abandonando aqueles que perderam a finalidade, vemos o psiquismo conquistando experiências e realizando aquisições que incorpora ao patrimônio íntimo, de que jamais se despojará na sucessão dos tempos, cada vez mais crescendo em complexidades, na maquinaria orgânica, e sabedoria, no conteúdo intelectual.

O mesmo Hálito Divino perpassa em todas as coisas da Natureza, dando-lhe finalidade e sustentando a ordem.

Quando o ser atinge o estágio hominal, passa a usar dos próprios recursos de livre-escolha do caminho a percorrer, no finalismo da determinação a que se encontra Submetido.

Nas faixas mais primárias, tudo nele são automatismos que passam da regularidade inconsciente, à conscientização que decorre da própria lucidez, adquirida a peso de dores, no largo dos milênios.

A partir de então, graças ao uso da razão e da lógica, a fé no futuro aponta-lhe seguras diretrizes de comportamento moral, e mais rápida faz-se-lhe a marcha ascensional para Deus.

Todas as ações produzem equivalentes reações, na ordem inevitável das “leis de causa e efeito”, de que ninguém se consegue eximir.

Na sucessão dos tempos, a fim de auxiliar o crescimento, a evolução da criatura, o Pai Criador permitiu que missionários do amor e da sabedoria mergulhassem nas sombras densas do corpo para viverem as experiências santificantes da fè e do conhecimento, apontando a rota mais segura e o porto final de maior significação para os que se encontravam no mundo.

Encarnando, desencarnando e reencarnando o Espirito elabora o programa que se lhe faz mais pertinente e próprio para a sua felicidade, avançando, detendo-se ou conquistando, na marcha, os componentes e valores que lhe apressam ou retardam o desenvolvimento.

A própria paisagem moral da criatura humana, no planeta, na sua variada gama de expressões e conquistas, demonstra a ancianidade de umas e a juventude de outras, na variação quase inconcebível dos interesses e aspirações.

Por outro lado, os sofrimentos de todos os matizes, que são detectados no ser humano, ao lado dos recursos intelecto-sociais e econômicos que os dessemelham, confirmam a história diferenciada dos comportamentos vividos pelos diversos grupos, embora marchando ao encontro dos mesmos fins.

As aptidões e tendências de que dão mostras os diferentes indivíduos, constituem, sem dúvida, o resultado atávico das suas vivências anteriores.

As afinidades e as antipatias humanas são outro capítulo das recordações inconscientes do ser, unindo- se aos antigos afetos ou buscando-os, enquanto repelem os anteriores inimigos, embora os códigos das Leis Soberanas estabeleçam o impositivo da fraternidade legítima, perdoando-se o mal e fomentando-se todo o bem que se possa e se deve praticar.

A reencarnação é a chave mestra para a decifração dos mistérios da vida, promovendo e dignificando o Espírito, que evolui com os títulos do esforço pessoal, portanto, das próprias conquistas sob a sublime paternidade de Deus.

Não foi por outra razão que Jesus postulou: “Nenhuma das ovelhas que o Pai me confiou se perderá”, para logo completar: “Ninguém entrará no reino de Deus sem pagar a dívida inteira, ceitil por ceitil”, ao que o Espiritismo adiu: “Nascer, viver, morrer e renascer ainda, tal é a lei.”

A reencarnação pode ser considerada como a alma da justiça ínsita na vida, definindo: conforme hoje vive o homem, assim ele estabelece as linhas e os recursos de que necessita para a existência de amanhã.


Aristides Spínola












Advogado, político e jornalista, Aristides de Souza Spínola (29 de agosto de 1850 - 9 de julho de 1925) ingressou na Federação Espírita Brasileira em 1905, convidado por Pedro Richard e, no mesmo ano, ocupa a vice-presidente até 1913, retornando ao posto em 1920-21 e por último em 1925 até a data de sua desencarnação. Na presidência da Casa de Ismael atuou nos anos de 1914, 1916 e 1917, e novamente entre 1922 e 1924. 

Em 1891, esteve na equipe que fundou o Jornal do Brasil — um dos periódicos de alcance nacional no século seguinte —, desenvolvendo artigos na seção de política. Antes disso, colaborou na Gazeta da Tarde. 

Trabalhador da Casa Mãe do Espiritismo no Brasil por 20 anos, destacou-se na advocacia pela FEB, estando à frente todas as vezes em que o Espiritismo foi ameaçado por decretos, sob a forma de perseguições aos médiuns, por exercício ilegal da medicina. 

Sólida erudição espírita, teológica e jurídica projetaram-lhe o nome dentro e fora do campo espírita, sendo-lhe admirados o critério e a ponderação com que resolvia os problemas administrativos, bem como o espírito evangélico e conciliador nos mais delicados e controvertidos assuntos. 

FEB - Federação Espírita Brasileira
Leia mais sobre sua história: Biografia de Aristides de Souza Spínola





Emmanuel - Livro Seguindo Juntos - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 17 - Na ação de pedir



Emmanuel - Livro Seguindo Juntos - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 17


Na ação de pedir


"Portanto eu vos digo: Pedi e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á." (Lucas, 11:9)


Em matéria de rogativa, lembremo-nos de que o Senhor adverte: — Buscai e achareis. E acrescenta em outra passagem: — Batei e abrir-se-vos-á.

Naturalmente que o imperativo “buscai” não se refere ao menor esforço, em cujas malhas encontramos o próprio furto a fantasiar-se de inteligência.

Notificava-nos o Cristo que para encontrar o que desejamos é imprescindível diligenciar o melhor, através do reto cumprimento de nossas obrigações.

Decerto, igualmente, quando nos disse “batei”, não se reportava à insistência com que mãos preguiçosas costumam espancar a porta de vidas nobres sem tempo para perder.

Induzia-nos o Eterno Amigo a perseverar no desempenho das tarefas que o mundo nos assinala, muita vez, chorando e sofrendo, mas firmes em nossos postos de luta digna para que o destino, com a Bênção da Lei, nos abra novos caminhos à ascensão e à felicidade.

Em suma, no texto, reconhecemos que o trabalho respeitável deve preceder-nos quaisquer rogos, não apenas à frente dos anjos, mas também diante dos homens, de vez que o serviço é a justa credencial que nos valoriza o verbo.

Pedir, sem retaguarda de ação a endossar-nos o anseio, seria o mesmo que tentar construir sem base ou demandar sem direito.

Saibamos, hoje e sempre e seja onde for, trabalhar na extensão do bem, conquistando naqueles que nos partilham a marcha a bênção da simpatia e a força da confiança.

Todo empréstimo em câmbio de responsabilidades essenciais, reclama crédito e garantia.

Por isso mesmo, a própria experiência da vida rotulou a conversação brilhante, mas inútil, por simples demagogia e abraçou no culto do bem a luz que dissipa a sombra, abolindo os sofrimentos da penúria e as chagas da ignorância.


Emmanuel











terça-feira, 31 de março de 2026

Marco Prisco - Livro Legado Kardequiano - Divaldo P. Franco - Cap. 7 - Para que?

 

Marco Prisco - Livro Legado Kardequiano - Divaldo P. Franco - Cap. 7


Para que?


"622. Confiou Deus a certos homens a missão de revelarem a sua lei”?

"Indubitavelmente. Em todos os tempos houve homens que tiveram essa missão. São Espíritos superiores, que encarnam com o fim de fazer progredir a Humanidade." (O Livro dos Espíritos)


Você é instrumento nas mãos do Divino Mestre, para que as excelsas melodias da Boa Nova repitam irrepreensivelmente a harmoniosa mensagem da vida ao mundo atormentado; vexilário da fé ardente que o Espiritismo propaga, para que as lições da imortalidade cheguem aos ouvidos dos transeuntes dos caminhos da carne; 

cultor do bem, em nome do Bem Sem Limite, difundindo a esperança de melhores horas, a fundamentá-las na vitória da luz; artista do verbo são, compondo hinos comoventes em virtuosismos superiores, para que a alegria reine entre os companheiros em marcha; 

servidor da caridade edificante, em realizações substanciais, desde quando a cristalina gota da fé visitou o seu espírito, para espalhar a confiança entre as criaturas em nome do Supremo Pai; 

conselheiro diligente, na excelência da opinião oportuna, para que a tarefa da verdade siga o caminho da honra, espargindo serenidade em todas as consciências; pugnador da castidade física, em tormentosas renúncias, feitas de silêncio e oração, para que a fé resplandeça nos que o seguem, fixando a lição do seu exemplo; 

alma livre da posse, desdenhando os liames retentivos dos objetos e pessoas, valorizando o sacrifício e o esforço, para que a vitória do seu espírito se faça chamamento para os outros.

E você é somente aprendiz do Excelso Mestre.

Honre o título de discípulo e não desfaleça.

Proceda a execução segura, definida e clara das suas obras, para que em nome d´Ele, o Reino Divino se manifeste mais rapidamente onde você estiver, qual fosse "um Espírito superior que se reencarnou com o fim de fazer progredir a Humanidade", revelando, pela palavra e pelo exemplo, a lei de Deus.


Marco Prisco
















Emmanuel - Livro Coletânea do Além - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 32 - A ironia e a verdade



Emmanuel - Livro Coletânea do Além - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 32


A ironia e a verdade


Nas grandes horas, nunca falta a ironia, em derredor dos servidores da Verdade Eterna. 

E, para confortar os seus seguidores, suportou-a Jesus, heroicamente, no extremo testemunho. 

Amara a todas as criaturas de seu caminho, com igual devotamento, servira-as, indistintamente, entregando-lhes os bens de Deus, sem retribuição, exemplificara a simplicidade fiel e multiplicara os beneficiários de todos os matizes, em torno de seu coração por onde passasse. 

Desdobrava-se-lhe o Apostolado Divino, sem vantagens materiais e sem interesses inferiores, mas os homens arraigados à Terra não lhe toleraram as revelações do Céu.  

Porque não podiam destruir-lhe a verdade, entregaram-no à justiça do mundo e, tão logo organizado o processo infamante, a ironia rondou o Senhor até a crucificação.

Trouxera o Evangelho Libertador à Humanidade e recebeu a calúnia e a perseguição.

Ele, que ouvia a Voz Suprema, foi preso por varapaus.

Distribuíra benefícios para todos os séculos, contudo, foi segregado num cárcere.

Vestira as almas de esperança e paz, no entanto, impuseram-lhe a túnica do escárnio.

Ensinara sublimes lições de renúncia e humildade e foi submetido a perturbadores interrogatórios pelos acusadores sem consciência.

Rompera as algemas da ignorância, entretanto, foi coagido a aceitar a cruz.

Coroou a fronte dos semelhantes com a luz da libertação espiritual, todavia, foi coroado de espinhos ingratos.

Oferecera carícias aos sofredores e desamparados do mundo, recebendo açoites e bofetadas.

Fundara o Reino do Amor Universal e obrigaram-no a empunhar uma cana à guisa de cetro.

Ensinou a ordem entre os homens pela perfeita fidelidade ao Supremo Senhor e o boato lhe pôs na boca expressões que nunca pronunciou.

Abrira na Terra a fonte das Águas Vivas, entretanto, deram-lhe vinagre quando tinha sede.

Ele que amara a simplicidade, a religião e o respeito, foi crucificado seminu, sob o cuspo da perversidade, entre dois ladrões.

Jesus, porém, sentindo embora a ironia que o cercava, não reclamou, nem feriu a ninguém, não comprometeu os companheiros, nem exigiu a consideração de seus deveres. Compreendeu a ignorância dos homens, rogou para eles o perdão do Pai e dirigiu-se a outros trabalhos, no seu divino serviço à Humanidade.

Nenhum servidor fiel do bem, portanto, escapará ao assédio da ironia.  

É preciso, porém, recordar o Mestre, evitar o escândalo, pedir ao Supremo Pai pelos escarnecedores infelizes e continuar trabalhando com o Senhor, dentro da mesma confiança do primeiro dia.


Emmanuel











segunda-feira, 30 de março de 2026

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. I - Comentários ao Evangelho segundo Mateus - Cap. 44 - Caridade da paz



Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. I - Comentários ao Evangelho segundo Mateus - Cap. 44


Caridade da paz


"Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus." — JESUS (Mateus, 5:9)


Um tipo de beneficência ao alcance de todos e que não se deve esquecer — ocultar os próprios aborrecimentos, a fim de auxiliar.

É provável hajas iniciado o dia, sob a intromissão de contratempos que te espancaram a alma. À vista disso, se exibes a figura da mágoa, na palavra ou na face, ei-la que se expande, à feição de tóxico mental, atacando a todos os que se deixem contagiar.

E qual acontece, quando a poeira grossa te invade o reduto doméstico, obrigando-te à recuperação e limpeza, após te desequilibrares em aspereza e irritação, reconheces-te no dever de reparar os danos havidos, despendendo força e diligência em solicitar desculpas e refazer os próprios brios, aqui e ali, como quem se empenha a suprimir os remanescentes de laboriosa faxina.

Se te alteias, no entanto, acima de desgostos e inquietações, mantendo tranquilidade e bom ânimo, para logo a tua mensagem de otimismo e renovação prossegue adiante, de modo a espalhar bênçãos e criar energias, angariando-te simpatia e cooperação.

Os estados negativos da mente, como sejam tristeza e azedume, angústia ou inconformidade, constituem sombras que o entendimento e a bondade são chamados a dissipar.

Recordemos o donativo da paz que a todos nos compete distribuir, a benefício dos outros, evitando solenizar obstáculos e conflitos, aflições ou desencantos, que nos surpreendem a marcha. E permaneçamos claramente informados de que a única fórmula para o exercício dessa beneficência da paz, em louvor de nossa própria segurança, será sempre esquecer o mal e fazer o bem, porquanto, em verdade, tão somente a criatura consagrada a trabalhar, servindo ao próximo, não dispõe de recursos para entediar-se e nem encontra tempo para ser infeliz.


Emmanuel








(Reformador, fevereiro de 1972, p. 28)

Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 11 - Conforto



Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 11


Conforto


“Se alguém me serve, siga-me.” — JESUS. (João, 12:26)


Frequentemente, as organizações religiosas e mormente as espiritistas, na atualidade, estão repletas de pessoas ansiosas por um conforto.

De fato, a elevada Doutrina dos Espíritos é a divina expressão do Consolador Prometido. Em suas atividades resplendem caminhos novos para o pensamento humano, cheios de profundas consolações para os dias mais duros.

No entanto, é imprescindível ponderar que não será justo querer alguém confortar-se, sem se dar ao trabalho necessário…

Muitos pedem amparo aos mensageiros do Plano invisível; mas como recebê-lo, se chegaram ao cúmulo de abandonar-se ao sabor da ventania impetuosa que sopra, de rijo, nos resvaladouros dos caminhos?

Conforto espiritual não é como o pão do mundo, que passa, mecanicamente, de mão em mão, para saciar a fome do corpo, mas, sim, como o Sol, que é o mesmo para todos, penetrando, porém, somente nos lugares onde não se haja feito um reduto fechado para as sombras.

Os discípulos de Jesus podem referir-se às suas necessidades de conforto. Isso é natural. Todavia, antes disso, necessitam saber se estão servindo ao Mestre e seguindo-o. 

O Cristo nunca faltou às suas promessas.   

Seu reino divino se ergue sobre consolações imortais; mas, para atingi-lo, faz-se necessário seguir-lhe os passos e ninguém ignora qual foi o caminho de Jesus, nas pedras deste mundo.


Emmanuel














Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 8 - O progresso em tudo



Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 8


O progresso em tudo


*ESE-Cap. III Item 19


O progresso é lei natural em todos os mundos, em toda a criação de Deus.

O Espirito progride pela vontade ou sem ela, por ser uma lei eterna, que escapa à vontade dos homens e mesmo dos Espíritos, incluindo-se os mais elevados nas escalas dos mundos.

É de ordem divina que devemos descobrir, sentir e obedecer às leis de Deus, para que possamos viver em paz, na relatividade em que nos encontramos.

O espirita, conhecendo mais que os profitentes de outras filosofias religiosas, deve esforçar-se para mudar seu comportamento, trabalhar nas mudanças de pensamentos e de palavras, para que a sua vida se ajuste na vida do Cristo.

O trabalho é árduo, mas se já alcançou algum progresso nesse sentido, foi porque começou. Que se faça o mesmo. Se se tem consciência do progresso, por que querer impedi-lo?

Os mundos superiores esperam por nós, dependendo do nosso progresso, e da nossa conquista em matéria de intimidade.

Acender a luz na intimidade é engenhoso; as dificuldades são inúmeras, no entanto, se faz por ser serviço nosso. Quem deseja que todos o admirem, ainda se encontra ligado às trevas da vaidade, do egoísmo e mesmo do orgulho.

Devemos pensar que tudo de bom vem de Deus, e devemos fazer a Sua vontade, aliando com Ele a nossa disposição de melhorar, passando, no entanto, para Ele, o que existe de perfeito.

Comunguemos com o amor, amando; comunguemos com a fraternidade, sendo fraternos; comunguemos com a caridade, sendo caridosos; comunguemos com o perdão, perdoando; e nessa irradiação de alegria, devemos entregar ao Senhor os efeitos e mesmo as causas, de todos esses valores morais, porque tudo vem de Deus.

A nossa restauração, o acordar do sono milenar, os princípios dos entendimentos das leis naturais da vida, dependem do Senhor, mas existe uma pequena parte que é nossa e que devemos fazer com amor.

Tudo o que fazemos para que seja visto pelos homens, ainda não é caridade e, sim, dever; a caridade é aquela que se faz em silêncio, dentro de nós, modificando nossos hábitos e limpando os vícios dos nossos caminhos.

Hoje, quase que só se encontra o homem alegre quando possui o ouro com abundância, quando possui os bens terrenos, quando pode diminuir os seus companheiros, ficando na ilusão de que sua posição é a melhor. Não sabe, ou se faz de esquecido, que a verdadeira alegria é a do dever cumprido.

Quando a alma começa a admirar a si mesma, está se envolvendo nas trevas, achando que é luz; quando ajuda exigindo obediência, estimulando os outros a que falem bem da sua vida que vai mal, não despertou ainda para a vida de amor e de verdadeira fraternidade.

Precisamos conhecer que no universo tudo morre para renascer, com fardos pesados e jugos incômodos, com a finalidade de aprender as lições de amor.

Se somos cientes dessas verdades, por que não palmilhar esse roteiro? Tudo o que chamamos de mal, Deus está vendo e é consciente de todos os acontecimentos.

Não é preciso muita preocupação: basta observar a própria vida, abrir os olhos, enxergando os próprios defeitos e corrigindo-os, que os dos outros já são deles. Todo prepotente está sendo observado e cairá na escola da dor, a fim de meditar na sua própria vida.

O espírita que prega todos os dias o amor, o desprendimento e a caridade, não pode cultivar o orgulho nem o egoísmo.

Só existe um suprimento divino perfeito: é o clima de Deus, se servimos de bons instrumentos da Divindade.

Médiuns existem em quantidade; no entanto, médiuns bons quase não os há, porque muitos se esquecem do trabalho por dentro, e buscam gostar apenas daqueles que os aplaudem nos seus ensaios de mediunidade.

Trabalhemos com discrição em toda parte, tiremos as capas da falsa humildade, da falsa superioridade, do falso saber, da falsa caridade, para nos entregarmos aos princípios do verdadeiro amor, aquele que nos faz sentir Jesus a falar por nós no silêncio da própria vida.

Todas as nações estão destinadas ao crescimento espiritual, e passam por duras provas e expiações dolorosas, mas são todos nossos irmãos em Jesus e filhos de Deus.

Ajudemo-los no que estiver ao nosso alcance, que as bênçãos de Deus são qual o sol: atingem a todos, com a amorosa assistência de Jesus, Guia de toda a Terra.

Aquele que tiver condições de orar, que o faça por todos; é nosso dever não deixar ninguém desamparado, e a alegria de Deus passa a ser a alegria dos nossos corações.


Miramez






*19. O progresso é lei da natureza. A essa lei todos os seres da Criação, animados e inanimados, foram submetidos pela bondade de Deus, que quer que tudo se engrandeça e prospere. A própria destruição, que aos homens parece o termo final de todas as coisas, é apenas um meio de se chegar, pela transformação, a um estado mais perfeito, visto que tudo morre para renascer e nada sofre o aniquilamento.

Ao mesmo tempo que todos os seres vivos progridem moralmente, progridem materialmente os mundos em que eles habitam. Quem pudesse acompanhar um mundo em suas diferentes fases, desde o instante em que se aglomeraram os primeiros átomos destinados e constituí-lo, vê-lo-ia a percorrer uma escala incessantemente progressiva, mas de degraus imperceptíveis para cada geração, e a oferecer aos seus habitantes uma morada cada vez mais agradável, à medida que eles próprios avançam na senda do progresso. Marcham assim, paralelamente, o progresso do homem, o dos animais, seus auxiliares, o dos vegetais e o da habitação, porquanto nada em a natureza permanece estacionário. Quão grandiosa é essa ideia e digna da majestade do Criador! Quanto, ao contrário, é mesquinha e indigna do seu poder a que concentra a sua solicitude e a sua providência no imperceptível grão de areia, que é a Terra, e restringe a humanidade aos poucos homens que a habitam!

Segundo aquela lei, este mundo esteve material e moralmente num estado inferior ao em que hoje se acha e se alçará sob esse duplo aspecto a um grau mais elevado. Ele há chegado a um dos seus períodos de transformação, em que, de orbe expiatório, mudar-se-á em planeta de regeneração, onde os homens serão ditosos, porque nele imperará a lei de Deus. — Santo Agostinho. (Paris, 1862.)





Bezerra de Menezes - Livro Bezerra, Chico e Você - Chico Xavier - Cap. 49 - Trabalhando



Bezerra de Menezes - Livro Bezerra, Chico e Você - Chico Xavier - Cap. 49


Trabalhando

 
Um prato de sopa, em nome do Mestre, vale mais que centenas de palavras vazias, quando as palavras estão realmente vazias de compreensão e de amor.

Entreguemos ao Senhor as lutas estéreis a que somos tanta vez provocados, e prossigamos, com Ele, no trabalho edificante do Bem.


Bezerra









(De mensagem  recebida em 9.02.1962.)

domingo, 29 de março de 2026

Batuíra - Livro Mais Luz - Chico Xavier - Cap. 44 - Nas tarefas da alma



Batuíra - Livro Mais Luz - Chico Xavier - Cap. 44


Nas tarefas da alma


Em todos os assuntos espirituais temos corações que funcionam, para os nossos, à maneira do refúgio para o viajor e da fonte para o sedento.

Esperamos, desse modo, que as forças dos seareiros do bem prossigam inalteradas.

Os problemas humanos em si vão caminhando com a Divina Proteção para o clima de pacificação a que aspiramos.

Ofereçamos nossas mãos ao trabalho e Jesus no-las sustentará.


Batuíra









Ermance Dufaux - Livro Mereça Ser Feliz: Superando as Ilusões do Orgulho - Wanderley S. de Oliveira - Cap. 6 - Inteligência Intrapessoal



Ermance Dufaux - Livro Mereça Ser Feliz: Superando as Ilusões do Orgulho - Wanderley S. de Oliveira - Cap. 6


Inteligência Intrapessoal


967. Em que consiste afelicidade dos bons Esptritos?

"Em conhecerem todas as coisas; ..." - (O Livro dos Esptritos).


O estudo dos pilares básicos da boa convivência é como janela que se abre para o grande sol da experiência e da felicidade.

Conviver é possibilidade conferida a todos; a boa convivência, porém, é para quem deseja crescer e educar-se.

Boa convivência não é somente polidez social. Consignemos como pilares dessa arte de relacionar o autoamor, o autoconhecimento, o afeto e a ética.

Estudemos alguns ângulos do amor a si mesmo por se tratar de pilar mestre das relações saudáveis, duradouras e gratificantes; sem conviver bem consigo, amando-se, não haverá harmonia nas interações humanas com o outro.

A vida que nos circunda é rica de elementos indutores do mundo íntimo; nenhum deles, porém, é tão expressivo quanto o contato interpessoal. Respostas emocionais são acionadas a partir da convivência, desenvolvendo um novo mundo de sentidos para quem dela faz parte.

Renova-se a criatura a cada novo contato, cada episódio da interação humana é um convite ao crescimento, ao estabelecimento de novos valores na intimidade. Mesmo os desacordos e desencontros constituem escolas oportunas de reflexão e reavaliação da vida pessoal.

Analisemos um fato ilustrativo da rotina humana: um coração amigo, em um momento de atribulação íntima, discutia celebremente com as imagens mentais que formulava acerca de um ente querido de sua convivência. Envolvido em suas mentalizações discutia, revidava, e era tão descontrolado seu estado emocional que gesticulava mãos e rosto sem se dar conta que as pessoas à sua volta lhe observavam, uns com preocupação, outros com chacota...  Ele estava em plena fila de um banco para quitar uma conta telefônica...

Esse tem sido um quadro comum, o retrato fiel de como lidamos conosco em relação aos outros - um dos pilares da boa convivência, senão o principal. Nesse caso, o companheiro estava em litígio com os seus próprios sentimentos relativamente a alguém, era uma "briga mental".

Esse estado de ensimesmamento - a vivência mental das relações - tem sido uma tônica dos dias atuais, face ao contínuo mascarar do mundo íntimo que o homem moderno tem se imposto na garantia da satisfação de seus fins em sociedade. Nem sempre podendo externar o que sente a quem deveria, então passa a formular para si mesmo o que gostaria de expressar a outrem ante as pressões internas das discordâncias, dos agastamentos, das traições, dos gestos impensados e de tantos outros lances dos conflitos do relacionamento.

A questão em análise é fundamental para o entendimento dos laços que construímos com as pessoas de nossa rotina diária.

O problema não é como convivemos com o outro, mas sim como convivemos com o que sentimos e pensamos em relação ao outro.

Por isso a boa convivência consigo mesmo é o princípio seguro de equilíbrio para uma interação proveitosa. Tal princípio consagra a necessidade de revermos os males da convivência, prioritariamente, em nós mesmos, antes de quaisquer cobranças ou transferências de responsabilidade. É o imperativo de estabelecermos acordos connosco a partir de um balanço e avaliação sobre tudo que envolva os atos que nos vinculam a esse ou aquele coração. 

Ainda que alguém divida conosco a rotina dos dias ou as circunstâncias passageiras e seja necessitado de corretivo, precisamos habituar a sondar as nossas disposições íntimas antes de qualquer investimento no outro; estar consciencialmente ajustado para somente depois partir de forma elevada em direção às necessidades do crescimento alheio, pois do contrário perdemos a autoridade e o controle necessários para ser agente de educação e alerta para o próximo.

Consideremos ainda que muitas vezes após nossos autoexames poderemos perceber mais claramente a necessidade de mudança, tão somente, em nossos atos e decisões. O descuido nesse setor da conduta nos leva a detectar obstáculos somente na órbita dos que partilhamos as vivências, enceguecendo-nos para as descobertas extraordinárias que poderíamos fazer sobre nós próprios, quando dispomos ao mergulho no estudo das nossas reações uns frente aos outros.

Essa postura é a bússola das relações indicando-nos a hora de calar, o momento de agir, o instante de corrigir, a ocasião de discordar e o ensejo de tolerar. Leis que conduzem-na ao patamar da caridade.

Essa interiorização, estudada pelas modernas ciências psicológicas, recebe o nome de Inteligência Intrapessoal, competência pela qual dominamos amplo espectro de habilidades como a empatia, a assertividade e a autorrevelação.

A socialização, princípio contido nas Leis Naturais, estabelece o encontro das singularidades humanas, objetivando sobretudo essa viagem à intimidade da individualidade. Quanto mais rápido penetramos nesse caminho educativo, mais identificaremos as razões das refregas do relacionamento, conquistando paz e alegria nas relações, visão e equilíbrio para conosco.

Face ao exposto, conclui-se sobre a indeclinável necessidade de avaliações permanentes no trabalho da autodescoberta, estudando os reflexos perturbantes das relações que edificamos, a fim de aquilatarmos com exatidão a origem de nossas reações.

Destacando o mal no outro, ativamos fios magnéticos de atração que nos ligam a essa energia que passamos a consumir e digerir no campo mental, detonando a crise íntima que poderá ser sustentada por adversários espirituais astutos. Dessa forma, mantemo-nos aferrados à sombra de nós mesmos, e sempre deflagramos maus sentimentos com os quais enveredamos pelos desencontros e aborrecimentos da convivência, porque sempre estaremos propensos a focar o negativo, as imperfeições.

A opressão dos conflitos é mantenedora da fuga de si mesmo, e o autoamor somente ocorrerá quando dispormos ao autoencontro, à redefinição da autoimagem que oculta mazelas, à retirada da máscara:
voltar o espelho da mente para si, interiorização.

Estar bem consigo é pilar essencial da boa convivência. Fazendo assim, partimos em direção ao próximo com o melhor de nós, aptos a vitalizar as relações com o alimento do bem e do amor, convertendo-nos em fulcros irradiadores de paz e contentamento que serão fortes atrativos de enobrecimento e cooperação onde estivermos, transmitindo esperança e educação para os que se encontrem no raio de nossas ações.

Urge fazermos o aprendizado do autoamor, dialogarmos com a intimidade, indagar de nossos sentimentos a razão de sua existência, procurar os acordos íntimos. Se não aprendermos a gostar de nós, a nos aceitarmos, não conseguiremos a fluência do amor ao próximo.

Uma convivência pacífica com as imperfeições, a caridade connosco, será fonte de apaziguamento e elevadas emoções.

Nesse aprendizado espera-nos a grande lição de trabalharmos pelo desenvolvimento de nossos potenciais Divinos; ao invés de ficarmos lutando contra mazelas, faremos o serviço de laborar a favor de novos valores, prestigiando o positivo. Sem querer exterminar o passado, haveremos de aprender a transformá-lo.

Esse será o iluminado labor de conquistar a nossa sombra, amando-a, sem recriminações e culpas, sintonizando a mente no "ser" de luz e paz que existe embrionário em cada um dos Filhos de Deus, adentrando, definitivamente, o patamar declinado na resposta dos Sábios Guias da Humanidade a Kardec: a felicidade dos Espíritos superiores consiste em conhecerem todas as coisas, e nós inferimos: inclusive a si mesmo.


Ermance Dufaux








O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - 4ª Parte - Das esperanças e consolações - Cap. II - Das penas e gozos futuros - Natureza das penas e gozos futuros.

967. Em que consiste a felicidade dos bons Espíritos?

“Em conhecerem todas as coisas; em não sentirem ódio, nem ciúme, nem inveja, nem ambição, nem qualquer das paixões que ocasionam a desgraça dos homens. O amor que os une lhes é fonte de suprema felicidade. Não experimentam as necessidades, nem os sofrimentos, nem as angústias da vida material. São felizes pelo bem que fazem. Contudo, a felicidade dos Espíritos é proporcional à elevação de cada um. Somente os puros Espíritos gozam, é exato, da felicidade suprema, mas nem todos os outros são infelizes. Entre os maus e os perfeitos há uma infinidade de graus em que os gozos são relativos ao estado moral. Os que já estão bastante adiantados compreendem a ventura dos que os precederam e aspiram a alcançá-la. Mas, esta aspiração lhes constitui uma causa de emulação, não de ciúme. Sabem que deles depende o consegui-la e para a conseguirem trabalham, porém com a calma da consciência tranqüila e ditosos se consideram por não terem que sofrer o que sofrem os maus.”




Emmanuel - Livro Hora Certa - Chico Xavier - Cap. 14 - Construção íntima



Emmanuel - Livro Hora Certa - Chico Xavier - Cap. 14


Construção íntima


Se procuras felicidade na Terra, não olvides o mundo de ti mesmo.

Começa por admitir que és um Espírito imortal, usufruindo transitoriamente um corpo perecível, mas com a obrigação de tratá-lo, convenientemente, à feição do motorista consciencioso que conduz o próprio carro com equilíbrio e prudência, protegendo-lhe as peças.

Por mais amplo te pareça o fascínio da rebeldia, considera que a tranquilidade não te resguardará a existência, sem o clima do dever cumprido.

Conquanto atendendo, como é natural, às exigências dos encargos que desempenhas, não te prendas a posses, especialmente aquelas que se te façam claramente desnecessárias.

Por muito te consagres aos entes queridos, não te furtes de reconhecer que talvez em maioria tenham eles características psicológicas diferentes das tuas, caminhando, possivelmente para um tipo de existência que nem sempre conseguirás compreender, de imediato.

Auxilia aos outros para o bem, sem mergulhá-los na dependência de tua colaboração.

Em matéria de ligações afetivas, recorda que também aí funciona a lei de causa e efeito com exatidão, trazendo-te de volta aquilo que deste e aquilo que dás.

Justo entendas que és livre para usar os recursos dessa ou daquela espécie, que te pertençam, mas não te encontras livre dos prejuízos que causes, porventura, aos irmãos do caminho e companheiros de experiência, prejuízos que sempre te reclamarão o resgate justo.

Em suma, a felicidade tem base na consciência tranquila e, por isso mesmo, seja onde for, será ela, em qualquer sentido, determinada construção de cada um.


Emmanuel









Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 89 - Bem-aventuranças



Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 89


Bem-aventuranças


“Bem-aventurados sereis quando os homens vos aborrecerem, e quando vos separarem, vos injuriarem e rejeitarem o vosso nome como mau, por causa do Filho do homem.” — JESUS. (Lucas, 6:22)


O problema das bem-aventuranças exige sérias reflexões, antes de interpretado por questão líquida, nos bastidores do conhecimento.

Confere Jesus a credencial de bem-aventurados aos seguidores que lhe partilham as aflições e trabalhos; todavia, cabe-nos salientar que o Mestre categoriza sacrifícios e sofrimentos à conta de bênçãos educativas e redentoras. Surge, então, o imperativo de saber aceitá-los.

Esse ou aquele homem serão bem-aventurados por haverem edificado o bem, na pobreza material, por encontrarem alegria na simplicidade e na paz, por saberem guardar no coração longa e divina esperança.

Mas… e a adesão sincera às sagradas obrigações do título?

O Mestre, na supervisão que lhe assinala os ensinamentos, reporta-se às bem-aventuranças eternas; entretanto, são raros os que se aproximam delas, com a perfeita compreensão de quem se avizinha de tesouro imenso.

A maioria dos menos favorecidos no Plano terrestre, se visitados pela dor, preferem a lamentação e o desespero; se convidados ao testemunho de renúncia, resvalam para a exigência descabida e, quase sempre, ao invés de trabalharem pacificamente, lançam-se às aventuras indignas de quantos se perdem na desmesurada ambição.

Ofereceu Jesus muitas bem-aventuranças. Raros, porém, desejam-nas. É por isto que existem muitos pobres e muitos aflitos que podem ser grandes necessitados no mundo, mas que ainda não são benditos no Céu.


Emmanuel