sábado, 28 de fevereiro de 2026

Miramez - Livro Horizontes da Fala - João Nunes Maia - Pág. 16 - Canais dos sentimentos



Miramez - Livro Horizontes da Fala - João Nunes Maia - Pág. 16


Canais dos sentimentos


O teu verbo deve comprazer-se, no momento da fala, contagiando a quem ouve, para que os canais dos sentimentos sejam desobstruídos das velhas cargas magnéticas menos favoráveis â luz. Se ele já serve de vida no estimulo das vidas, aumenta o teu prazer na doação do amor, porque Deus ficará mais visível em teu coração, quando o teu esforço no bem for maior e não vacilar.

Se por quaisquer circunstâncias, começares o dia com o mau humor a te perseguir, não deixes que ele se denuncie pela conversação e nem pela feição do teu rosto. Nessas horas, procura entrar em contato com as belezas da criação: vê as árvores, os animais, e, certamente, muitas pessoas, mostrando a alegria de servir. Medita na satisfação, que logo te contagiarás por ela. E os canais dos teus sentimentos começarão a vibrar em tonalidade grandiosa, fazendo os que te ouvem e vêem regozijarem-se com tua presença.

Pelo som da fala, o espírito elevado deixa circunfluir do seu coração, para quem o escuta, o mais puro magnetismo, cuja força poderá realizar maravilhas, haja visto o conhecimento daquele que o doa. Uma verdadeira fonte de luz, que quanto mais se oferta, mais aumenta seu manancial. Há pessoas que não conseguem conversar com prazer, a não ser quando as forças cândidas da palavra se misturam com o charco da indecência. Essa alegria não devemos considerar como tal, pois é um entusiasmo passageiro fornecido pela ilusão. A alegria pura é aquela que se ramifica na mais alta compreensão e no amor espiritual. As criaturas dispostas a se melhorarem, procurando modelar suas idéias, aproximando-se de quem conversa com acerto, lendo livros de alto teor moral, e dando um cunho melhor às suas palavras, terão o tempo a mostrar-lhes o fruto de seus esforços.

A nossa mente condiciona-se com facilidade, tanto para o mal como para o bem, e este último carrega consigo mais condição de estabelecer moradia nos corações de boa vontade. Não deves entregar a Deus esse trabalho que é teu. Ele, a Grande Onisciência, tudo já fez em nosso favor e espera, pelos canais do tempo, que nossos sentimentos brilhem algum dia, doando em todos os campos de labor. Aumenta a tua fé pelos meios de que dispões, e não esqueças da oração nas horas convenientes. Bate nesta tecla, que a nota e a música não deixarão de sair, ajuntando-se à grande orquestração universal.

Pela fé conquistada nos teus caminhos, ficará mais fácil, à tua palavra, educar-se. O nosso empenho maior é verdadeiramente na disciplina das conversas entre as criaturas, pois, na verdade, a palavra é uma semente que germinará onde for lançada, e é de lei que quem plantar deverá colher.

Lembremos, pois, de Lucas, capítulo oito, versículo onze: "Este é o sentido da parábola: a semente é a palavra de Deus".

Toda semente é, por sua natureza, divina, principalmente a semente da palavra. A boca é uma porta de luz, pela qual a vida poderá multiplicar infinitamente o bem em todas as latitudes, manifestando esperança onde haja desespero, amor onde se encontrar o ódio e paz onde a guerra se fez inquilina.

Reflete um pouco e verás que tens a felicidade, o poder de dominar a palavra, de conversar com prazer, de entabular entendimento com pessoas que te compreendem através de diálogo aberto e feliz. Com o despertar do homem, no amanhã, poderás conversar com vários outros planos da vida, tanto abaixo da escala da tua posição, quanto acima dos teus atuais alcances. Esses dons estão reservados para todas as criaturas de Deus! Façamos a nossa parte, pois somos todos filhos da Grande Luz. E, se quiseres, poderás começar hoje mesmo, pelos canais dos sentimentos, usando como instrumento a palavra, mas, falemos antes com bom ânimo: Obrigado, meu Deus! Obrigado, Jesus!


Miramez
















sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 19 - Espíritos da Luz



Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 19


Espíritos da Luz


"Os bons Espíritos nunca ordenam; não se impõem, aconselham e, se não são escutados, retiram-se..." (O Livro dos Médiuns - Cap. 24 - Questão n.º 267 - § 10.º)


Parafraseando a luminosa definição do apóstolo Paulo, em torno da caridade, no capítulo treze da primeira epístola aos coríntios, ousaremos aplicar os mesmos conceitos aos Espíritos benevolentes e sábios que nos tutelam a evolução.

Ainda que falássemos a linguagem das trevas e não possuíssemos leve raio de entendimento, — não passaríamos para eles de pobres irmãos necessitados de luz.

Ainda que nos demorássemos na vocação do crime, caindo em todas as faltas e retendo todos os vícios, a ponto de arrojar-nos, por tempo indeterminado, nos últimos despenhadeiros do mal, para nosso próprio infortúnio, — não seríamos para eles senão criaturas infelizes, carecentes de amor.

Ainda que dissipássemos todas as nossas forças no terreno da culpa e dedicássemos a vida ao exercício da crueldade, sem a mínima noção do próprio dever, — isso seria para eles tão somente motivo a maior compaixão.

Os Espíritos da Luz são pacientes.

Em todas as manifestações são benignos.

Não invejam.

Não se orgulham.

Não mostram leviandade.

Não se ensoberbecem.

Não se portam de maneira inconveniente.

Não se irritam.

Não são interesseiros.

Não guardam desconfiança.

Não folgam com a injustiça, mas rejubilam-se com a verdade.

Tudo suportam.

Tudo creem.

Tudo esperam.

Tudo sofrem.

A caridade deles nunca falha, enquanto que para nós, um dia, as revelações gradativas terão fim, os fenômenos cessarão e as provas terminarão, por desnecessárias.

Por agora, de nós mesmos, conhecemos em parte e em parte imaginamos; entretanto, eles, os emissários do Eterno Bem, acompanham-nos com devotamento perfeito, sabendo que, em matéria de espiritualidade superior, quase sempre ainda somos crianças, falamos como crianças, pensamos quais crianças e ajuizamos infantilmente.

Estão certos, porém, de que mais tarde, quando nos despojarmos das deficiências humanas, abandonaremos, então, tudo o que vem a ser pueril.

Verificaremos, assim, a grandeza deles, como a víssemos retratada em espelho, confrontando a estreiteza de nosso egoísmo com a imensurabilidade do amor com que nos assistem.

Conforte-nos, pois, reconhecer que, se ainda demonstramos fé vacilante, esperança imperfeita e caridade caprichosa, temos, junto de nós, a caridade dos mensageiros do Senhor, que é sempre maior, por não esmorecer em tempo algum.


Emmanuel











Reunião pública de 7-3-1960.

Marco Prisco - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 41 - Sua responsabilidade



Marco Prisco - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 41


Sua responsabilidade


É fácil exigir que o próximo seja modelo de virtudes e sempre dê exemplos de comportamento superior.

Ele deve ser irretocável na conduta, nas atividades que abraça, na conversação que mantém.

A ele cabem os deveres de elevação e bondade, que ainda não fazem parte dos seus compromissos, porque, dessa forma, você se concede o direito de apenas cobrar, sem qualquer contribuição moral de seu lado.

Cada criatura, no entanto, é responsável, certamente, pelos seus atos, sem que transfira para os outros as consequências deles.

Necessário que você se conscientize das finalidades da existência corporal na Terra, que é sempre de breve duração, por mais larga se apresente.

Suas conquistas como os seus prejuízos são de sua única responsabilidade.

Por isso, medite antes de agir, evitando que os seus prazeres e júbilos de hoje se apoiem no sofrimento de outrem, que os tinha ontem...

Examine com cuidado as oportunidades que lhe surgem, não usurpando o direito de ninguém, sob escusas, nem justificação.

A vida escreve na consciência de cada criatura o seu documentário com as tintas da responsabilidade pessoal.

Seja você quem cede, aquele que trabalha e constrói, que desculpa e ama.

No campeonato da insensatez, seja a sua postura a de equilíbrio e a sua colheita, a de suor.

A sua é a responsabilidade com o bem e a verdade, que lhe desvendam a face real da vida e o convidam à ascese, mediante uma instância saudável no mundo.


Marco Prisco













Batuíra - Livro Mais Luz - Chico Xavier - Cap. 75 - Conforto e nós



Batuíra - Livro Mais Luz - Chico Xavier - Cap. 75


Conforto e nós


O sofrimento em comum é agente bendito de unificação, ensinando-nos a esquecer preocupações descabidas e aflições excedentes, porquanto, nas horas amargas somos naturalmente induzidos a contar uns com os outros.

Entretanto, quando a tempestade se vai, deixando-nos o passo, em céu azul, eis-nos em nós mesmos, conosco, na intimidade de nossos pontos de vista.

E aí surge o grande problema — o problema de render-nos ao trabalho do bem, de tal modo que não disponhamos de tempo para vincular-nos em demasia às nossas opiniões próprias.

Disso concluímos que a influência do conforto e da prosperidade constitui em si precioso ingrediente da vida que nos cabe aproveitar em serviço e mais serviço no bem de todos.

Há quem diga que a felicidade do Céu é diminuir a infelicidade da Terra ou extinguir esse mesmo infortúnio.

Verdade bela e simples, ser-nos-á lícito transferi-la para o nosso caminho pessoal, compreendendo que a felicidade maior dos que se tornam felizes será sempre atenuar a infelicidade que ainda assedie a existência dos nossos irmãos menos felizes.

Deus nos subtrai a dificuldade para que aprendamos a suprimi-la da estrada alheia.

Ajuda-nos para que ajudemos.

Abençoa-nos para que nos habituemos a abençoar.

Reconheçamos assim que a tranquilidade e a alegria nos bafejam para que venhamos a mobilizá-las no trabalho do bem geral.


Batuíra












quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 90 - O Trabalhador Divino



Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 90


O Trabalhador Divino

 
“Ele tem a pá na sua mão; limpará a sua eira e ajuntará o trigo no seu celeiro, mas queimará a palha com o fogo que nunca se apaga.” — João Batista (LUCAS, 3.17)

Apóstolos e seguidores do Cristo, desde as organizações primitivas do movimento evangélico, designaram-no através de nomes diversos.

Jesus foi chamado o Mestre, o Pastor, o Messias, o Salvador, o Príncipe da Paz; todos esses títulos são justos e veneráveis; entretanto, não podemos esquecer, ao lado dessas evocações sublimes, aquela inesperada apresentação do Batista. 

O Precursor designa-o por trabalhador atento que tem a pá nas mãos, que limpará o chão duro e inculto, que recolherá o trigo na ocasião adequada e que purificará os detritos com a chama da justiça e do amor que nunca se apaga.

Interessante notar que João não apresenta o Senhor empunhando leis, cheio de ordenações e pergaminhos, nem se refere a Ele, de acordo com as velhas tradições judaicas, que aguardavam o Divino Mensageiro num carro de glórias magnificentes. 

Refere-se ao trabalhador abnegado e otimista. A pá rústica não descansa ao seu lado, mas permanece vigilante em suas mãos e em seu espírito reina a esperança de limpar a terra que lhe foi confiada às salvadoras diretrizes.

Todos vós que viveis empenhados nos serviços terrestres, por uma era melhor, mantende aceso no coração o devotamento à causa do Evangelho do Cristo.

Não nos cerceiem dificuldades ou ingratidões. 

Desdobremos nossas atividades sob o precioso estímulo da fé, porque conosco vai à frente, abençoando-nos a humilde cooperação, aquele trabalhador divino que limpará a eira do mundo.


Emmanuel










terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. I - Comentários ao Evangelho segundo Mateus - Cap. 35 - Compaixão e nós



O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. I - Comentários ao Evangelho segundo Mateus - Cap. 35


Compaixão e nós


"Bem aventurados os misericordiosos, porque eles receberão misericórdia." — JESUS (Mateus, 5:7)

Comumente, referimo-nos à compaixão em termos que se reportem à semelhante bênção de nós para com os outros; entretanto, a fim de que o orgulho não se nos infiltre no coração sob o nome de virtude, vale recordar a compaixão que tantas vezes procede dos outros em socorro a nós.

De quando em quando, pelo menos, rememoremos as demonstrações de paciência e bondade dos irmãos que nos suportaram, sem queixa, a teimosia e a inconsequência nos dias de imaturidade ou irritação;

o apoio das criaturas que prosseguiram trabalhando em nosso favor, cientes de que as combatíamos sem apreender-lhes os elevados intuitos;

o amparo de benfeitores que continuaram a servir-nos, ainda mesmo depois de se conscientizarem quanto aos gestos de frieza ou ingratidão com que lhes ferimos o espírito;

a tolerância dos companheiros que, mesmo em nos sabendo desequilibrados nos dias de erro, não nos sonegaram a bênção da amizade e da confiança, aguardando-nos os reajustes espirituais;

e o auxílio dos irmãos que nos perdoaram ofensas e agravos, ajudando-nos, sem pausa, além das dificuldades e empeços com que lhes espancamos o carinho e a abnegação para conosco.

Reflitamos na imensidão da piedade que nos sustenta a vida até agora e observaremos que, sem isso, provavelmente a maioria de nós outros teria mergulhado indefinidamente nas correntes da prova criadas por nós mesmos, com a nossa própria negligência.

Meditemos nisso e saibamos exercer a compaixão para com todos, particularmente para com aqueles que nos firam, e reconheceremos que unicamente assim conseguiremos resgatar os nossos débitos de amor para com o próximo, e perceber, por fim, que todos nós, para viver, conviver e sobreviver, precisamos, em qualquer parte e em qualquer circunstância, da bondade e da compaixão de Deus.


Emmanuel








(Reformador, janeiro de 1973, p. 20)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 32 - Nuvens



Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 32


Nuvens


“E saiu da nuvem uma voz que dizia: Este é o meu amado Filho, a ele ouvi.” — (LUCAS, 9:35)


O homem, quase sempre, tem a mente absorvida na contemplação das nuvens que lhe surgem no horizonte. São nuvens de contrariedades, de projetos frustrados, de esperanças desfeitas.

Por vezes, desespera-se envenenando as fontes da própria vida. Desejaria, invariavelmente, um céu azul a distância, um Sol brilhante no dia e luminosas estrelas que lhe embelezassem a noite. No entanto, aparece a nuvem e a perplexidade o toma, de súbito.

Conta-nos o Evangelho a formosa história de uma nuvem.

Encontravam-se os discípulos deslumbrados com a visão de Jesus transfigurado, tendo junto de si Moisés e Elias, aureolados de intensa luz.

Eis, porém, que uma grande sombra comparece. Não mais distinguem o maravilhoso quadro. Todavia, do manto de névoa espessa, clama a voz poderosa da revelação divina: “Este é o meu amado Filho, a ele ouvi!”

Manifestava-se a palavra do Céu, na sombra temporária.

A existência terrestre, efetivamente, impõe angústias inquietantes e aflições amargosas. É conveniente, contudo, que as criaturas guardem serenidade e confiança nos momentos difíceis.

As penas e os dissabores da luta planetária contêm esclarecimentos profundos, lições ocultas, apelos grandiosos. A voz sábia e amorosa de Deus fala sempre através deles.


Emmanuel










Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 84 - Levantemo-nos



Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 84


Levantemo-nos


“Levantai-vos, vamo-nos daqui.” — JESUS. (João, 14:31)

Antes de retirar-se para as orações supremas no Horto, falou Jesus aos discípulos longamente, esclarecendo o sentido profundo de sua exemplificação.

Relacionando seus pensamentos sublimes, fez o formoso convite inserto no Evangelho de João:

— “Levantai-vos, vamo-nos daqui.”

O apelo é altamente significativo.

Ao toque de erguer-se, o homem do mundo costuma procurar o movimento das vitórias fáceis, atirando-se à luta sequioso de supremacia ou trocando de domicílio, na expectativa de melhoria efêmera.

Com Jesus, entretanto, ocorreu o contrário. Levantou-se para ser dilacerado, logo após, pelo gesto de Judas. Distanciou-se do local em que se achava a fim de alcançar, pouco depois, a flagelação e a morte.

Naturalmente partiu para o glorioso destino de reencontro com o Pai, mas precisamos destacar as escalas da viagem…

Ergueu-se e saiu, em busca da glória suprema. 

As estações de marcha são eminentemente educativas: — Getsêmani, o Cárcere, o Pretório, a Via Dolorosa, o Calvário, a Cruz constituem pontos de observação muito interessantes, mormente na atualidade, que apresenta inúmeros cristãos aguardando a possibilidade da viagem sobre as almofadas de luxo do menor esforço.


Emmanuel












domingo, 22 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 18 - Não somente



Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 18


Não somente 

 
“Nem só de pão vive o homem.” — JESUS. (Mateus, 4:4)

Não somente agasalho que proteja o corpo, mas também o refúgio de conhecimentos superiores que fortaleçam a alma.

Não só a beleza da máscara fisionômica, mas igualmente a formosura e nobreza dos sentimentos.

Não apenas a eugenia que aprimora os músculos, mas também a educação que aperfeiçoa as maneiras.

Não somente a cirurgia que extirpa o defeito orgânico, mas igualmente o esforço próprio que anula o defeito íntimo.

Não só o domicílio confortável para a vida física, mas também a casa invisível dos princípios edificantes em que o Espírito se faça útil, estimado e respeitável.

Não apenas os títulos honrosos que ilustram a personalidade transitória, mas igualmente as virtudes comprovadas, na luta objetiva, que enriqueçam a consciência eterna.

Não somente claridade para os olhos mortais, mas também luz divina para o entendimento imperecível.

Não só aspecto agradável, mas igualmente utilidade viva.

Não apenas flores, mas também frutos.

Não somente ensino continuado, mas igualmente demonstração ativa.

Não só teoria excelente, mas também prática santificante.

Não apenas nós, mas igualmente os outros.

Disse o Mestre: — “Nem só de pão vive o homem.”

Apliquemos o sublime conceito ao imenso campo do mundo.

Bom gosto, harmonia e dignidade na vida exterior constituem dever, mas não nos esqueçamos da pureza, da elevação e dos recursos sublimes da vida interior, com que nos dirigimos para a Eternidade.


Emmanuel








Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 18 - Atitudes essenciais



Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 18


Atitudes essenciais

 
“Qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim, não pode ser meu discípulo.” — JESUS (Lucas, 14:27)


Neste passo do Novo Testamento, encontramos a verdadeira fórmula para o ingresso ao Sublime Discipulado.

“Qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim, não pode ser meu discípulo” — afirma-nos o Mestre.

Duas atitudes fundamentais recomenda-nos o Eterno Benfeitor se nos propomos desfrutar-lhe a intimidade — tomar a cruz redentora de nossos deveres e seguir-lhe os passos.

Muitos acreditam receber nos ombros o madeiro das próprias obrigações, mas fogem ao caminho do Cristo; e muitos pretendem perlustrar o caminho do Cristo, mas recusam o madeiro das obrigações que lhes cabem.

Os primeiros dizem aceitar o sofrimento, todavia, andam agressivos e desditosos, espalhando desânimo e azedume por onde passam.

Os segundos creem respirar na senda do Cristo, mas abominam a responsabilidade e o serviço aos semelhantes, detendo-se no escárnio e na leviandade, embora saibam interpretar as lições do Evangelho, apregoando-as com arrazoado enternecedor.

Uns se agarram à lamentação e ao aviltamento das horas.

Outros se cristalizam na ironia e na ociosidade, menosprezando os dons da vida.

Não nos esqueçamos, assim, de que é preciso abraçar a cruz das provas indispensáveis à nossa redenção e burilamento, com amor e alegria, marchando no espaço e no tempo, com o verdadeiro espírito cristão de trabalho infatigável no bem, se aspiramos a alcançar a comunhão com o Divino Mestre.

Não vale apenas sofrer. É preciso aproveitar o sofrimento.

Nem basta somente crer e mostrar o roteiro da fé. É imprescindível viver cada dia, segundo a fé salvadora que nos orienta o caminho.


Emmanuel





 


(Reformador, setembro de 1957, p. 210)

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 88 - Caindo em si



Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 88


Caindo em si


“Caindo, porém, em si…” — (LUCAS, 15:17)

Este pequeno trecho da parábola do filho pródigo desperta valiosas considerações em torno da vida.

Judas sonhou com o domínio político do Evangelho, interessado na transformação compulsória das criaturas; contudo, quando caiu em si, era demasiado tarde, porque o Divino Amigo fora entregue a juízes cruéis.

Outras personagens da Boa Nova, porém, tornaram a si, a tempo de realizarem salvadora retificação.

Maria de Magdala pusera a vida íntima nas mãos de gênios perversos, todavia, caindo em si, sob a influência do Cristo, observa o tempo perdido e conquista a mais elevada dignidade espiritual, por intermédio da humildade e da renunciação.

Pedro, intimidado ante as ameaças de perseguição e sofrimento, nega o Mestre Divino; entretanto, caindo em si ao se lhe deparar o olhar compassivo de Jesus, chora amargamente e avança, resoluto, para a sua reabilitação no apostolado.

Paulo confia-se a desvairada paixão contra o Cristianismo e persegue, furioso, todas as manifestações do Evangelho nascente; no entanto, caindo em si, perante o chamado sublime do Senhor, penitencia-se dos seus erros e converte-se num dos mais brilhantes colaboradores do triunfo cristão.

Há grande massa de crentes de todos os matizes, nas mais diversas linhas da fé, todavia, reinam entre eles a perturbação e a dúvida, porque vivem mergulhados nas interpretações puramente verbalistas da revelação celeste, em gozos fantasistas, em mentiras da hora carnal ou imantados à casca da vida a que se prendem desavisados. 

Para eles, a alegria é o interesse imediatista satisfeito e a paz é a sensação passageira de bem-estar do corpo de carne, sem dor alguma, a fim de que possam comer e beber sem impedimento.

Cai, contudo, em ti mesmo, sob a bênção de Jesus e, transferindo-te, então, da inércia para o trabalho incessante pela tua redenção, observarás, surpreendido, como a vida é diferente.


Emmanuel










Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 30 - De alma desperta

 

Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 30


De alma desperta


“Por isso te lembro despertes o dom de Deus que existe em ti.” — PAULO (II Timóteo, 1:6)


É indispensável muito esforço de vontade para não nos perdermos indefinidamente na sombra dos impulsos primitivistas.

À frente dos milênios passados, em nosso campo evolutivo, somos suscetíveis de longa permanência nos resvaladouros do erro, cristalizando atitudes em desacordo com as Leis Eternas.

Para que não nos demoremos no fundo dos precipícios, temos ao nosso dispor a luz da Revelação Divina, dádiva do Alto, que, em hipótese alguma, devemos permitir se extinga em nós.

Em face da extensa e pesada bagagem de nossas necessidades de regeneração e aperfeiçoamento, as tentações para o desvio surgem com esmagadora percentagem sobre as sugestões de prosseguimento no caminho reto, dentro da ascensão espiritual.

Nas menores atividades da luta humana, o aprendiz é influenciado a permanecer às escuras.

Nas palestras comuns, cercam-no insinuações caluniosas e descabidas. Nos pensamentos habituais, recebe mil e um convites desordenados das zonas inferiores. 

Nas aplicações da justiça, é compelido a difíceis recapitulações, em virtude do demasiado individualismo do pretérito que procura perpetuar-se. 

Nas ações de trabalho, em obediência às determinações da vida, é, muita vez, levado a buscar descanso indevido. 

Até mesmo na alimentação do corpo é conduzido a perigosas convocações ao desequilíbrio.

Por essa razão, Paulo aconselhava ao companheiro não olvidasse a necessidade de acordar o “dom de Deus”, no altar do coração.

Que o homem sofrerá tentações, que cairá muitas vezes, que se afligirá com decepções e desânimos, na estrada iluminativa, não padece dúvida para nenhum de nós, irmãos mais velhos em experiência maior; entretanto, é imprescindível marcharmos de alma desperta, na posição de reerguimento e reedificação, sempre que necessário.

Que as sombras do passado nos fustiguem, mas que jamais nos esqueçamos de reacender a própria luz.


Emmanuel












sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 30 - Morte e ressurreição



Joanna de Ângelis - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 30


Morte e ressurreição


E inexorável o fenômeno biológico da morte.

Constitui a cessação dos sentidos físicos, transitórios, sem que signifique a extinção da vida.

Detestada em muitas situações é, em outras ocasiões, o anjo benfeitor que alivia o sofrimento, interrompe a angústia, acalma o desespero.

Inesperadamente chega e surpreende a saúde, através de acidentes e desastres, significando um convite a acuradas reflexões.

Noutras vezes, parece esquecer-se da criatura padecente, recusando-se interromper-lhe o ciclo carnal, mediante o ensejo que concede ao enfermo para construir no íntimo a resignação, aprimorar os sentimentos e granjear a libertação plena.

Em qualquer circunstância, porém, é a mensageira da imortalidade, por cuja bênção todos nos encontramos amparados.

A morte é, também, a desveladora da vida.

Libertando o espírito das algemas celulares, faculta o descobrimento de valores que jazem, invariavelmente, desconsiderados, e que assumem significação quando ela se anuncia, quando ela se realiza.

A morte merece considerações e análise com frequência.

Parte integrante do contexto biológico, exige que se a tenha em mente, em razão da sua imprevisibilidade.

Na sua jornada, aparentemente paradoxal, arrebata uma criança e deixa um ancião; liberta um sadio e se olvida de um agônico; conduz o homem feliz e recusa o desventurado...

Adentra-se, com a mesma obstinada naturalidade, no palácio e na choupana; na mansão luxuosa e na tapera; no apartamento sofisticado e na mansarda...

O seu guante implacável é idêntico no campo ou na megalópole, na aldeia ou na cidade, na taba primitiva ou no centro de avançada cultura...

Temida e desejada, é caprichosa, porque obedece a leis soberanas que escapam à mais arguta inteligência.

A ciência pode prevê-la com relativa precisão, diante dos quadros angustiantes de pacientes terminais, nunca, porém, impedi-la de realizar o seu desiderato.

Homens e mulheres notáveis, no mundo, tiveram expressões variadas diante da morte.

Nero exclamou, no momento do suicídio covarde:

— “Que grande artista o mundo vai perder!”

No momento da morte, Chopin escutou um belíssimo coral com vozes espirituais e declarou: — “Como é bela, meu Deus! Como é bela.” Solicitando:

— “Ainda... Ainda!...” E após tomar um cálice de vinho, que lhe oferece Guttman, diz, apenas: — “Querido amigo...”

Goethe, no instante da agonia, ergue-se e brada:

“Mais luz!”

Strindberg afirmou: — “Estou quite com a vida e o saldo mostra que a palavra de Deus é a única certa” — fazendo um balanço final.

Voltaire anotou como sua última confissão: — “Morro adorando a Deus.”

A neurose depressiva que a morte gera, resulta da ignorância humana a seu respeito.

A vida esplende em todos os painéis e de todas as formas. A morte é, desse modo, um acontecimento natural, na sucessão dos dias, que deve ser aceita com naturalidade.

Interrompe os planos e os interesses humanos, é certo, todavia, não faz que cessem o ódio e o amor, a simpatia e a animosidade, porque a vida prossegue em outra dimensão, maravilhosamente real.

Guarda no íntimo a certeza de que os teus mortos queridos vivem e se te acercam, logo podem, a fim de enxugar-te o pranto.

Participam das tuas ansiedades a trabalham para que a tua jornada se realize em alto clima de bênçãos.

Recorda-os com ternura e sem desespero.

Age com amor em homenagem a eles, a fim de que se tranquilizem e progridam.

Pensa neles com carinho, evocando os momentos de comunhão feliz, que os tornará, novamente, ditosos.

A morte é a porta de retorno ao país de origem.

Dia virá, no qual seguirás também.

Vive, hoje de forma que, ao soar o teu momento, possas avançar com serenidade e alegria ao encontro desses amores que a Vida te reservou e aguardam por ti.

A gloriosa ressurreição do Mestre é acontecimento abençoado e confortador. Todavia, somente aconteceu porque antes a morte arrebatou-O da presença física dos que O amavam, a fim de poder ficar conosco, amando-nos por todos os evos.


Joanna de Ângelis



















Emmanuel - Livro Bênção de Paz - Chico Xavier - Cap. 44 - Embaraços



 Emmanuel - Livro Bênção de Paz - Chico Xavier - Cap. 44


Embaraços


“Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível.” — JESUS (Mateus, 19:26)


Indiscutivelmente somos defrontados por situações embaraçosas, nas quais se nos oprime o espírito ante a nossa incapacidade para conjurar-lhes a presença.

Isso te ocorre no mundo quase sempre:

quando os próprios erros elastecidos assumem aos teus olhos a feição de males sem remédio;

quando a saúde física se te revela positivamente arruinada;

quando um ente querido parece haver chegado às raias da morte;

quando te vês sob aflições e desencantos por negócios francamente infelizes;

quando a injúria te arrasa a imagem à frente do teu círculo social;

quando afetos extremamente queridos te abandonam;

quando alguém te acusa por delitos que não cometeste;

quando caíste em alguma falta grave e todas as oportunidades de reparação se te afiguram perdidas…

Ainda hoje, dolorosos desafios talvez te cerquem… Sejam quais forem, no entanto, ora e confia, trabalha e espera.

Em verdade, todos nós renteamos com embaraços para a transposição dos quais somos absolutamente incapazes. Ante qualquer dificuldade, porém, recordemos a afirmação positiva do Mestre: “Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível.”


Emmanuel










(Reformador, março de 1967, p. 50)

Emmanuel - Livro Segue-me - Chico Xavier - Cap. 64 - Oposições



Emmanuel - Livro Segue-me - Chico Xavier - Cap. 64


Oposições

 
“Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem.” — JESUS (Mateus, 5:44)


Imperioso modifiques a própria conceituação, em torno do adversário, a fim de que se te apague da mente, em definitivo, o fogo da aversão.

Isso porque o suposto ofensor pode ser alguém:

que age sob a compulsão de grave processo obsessivo;

que se encontra sob o guante da enfermidade e, por isso, inabilitado a comportar-se corretamente;

que experimenta deploráveis enganos e se acomoda na insensatez;

que não pode enxergar a vida no ângulo em que a observas.

E que nenhum de nós encontre motivos para lhe reprovar o desajuste, porquanto nós todos somos ainda suscetíveis de incorrer em falhas lamentáveis, como sejam:

cair sob a influência perturbadora de criaturas a quem dediquemos afeições sem o necessário equilíbrio;

iludir-nos a nosso próprio respeito quando não pratiquemos o regime salutar da autocrítica;

entrar em calamitoso desequilíbrio por efeito de capricho momentâneo;

assumir atitudes menos felizes, por deficiência de evolução, à frente de companheiros em posições mais elevadas que a nossa.

Em síntese, para sermos desculpados é preciso desculpar.

Reflitamos na absoluta impropriedade de qualquer ressentimento e recordemos a advertência de Jesus quando nos recomendou a oração pelos que nos perseguem. 

O Mestre, na essência, não nos impelia tão só a beneficiar os que nos firam, mas igualmente a proteger a sanidade mental do grupo em que fomos chamados a atuar e servir, imunizando os companheiros, relativamente ao contágio da mágoa, e frustrando a epidemia da queixa, sustentando a tranquilidade e a confiança dos outros, tanto no amparo a eles quanto a nós.


Emmanuel







(Reformador, setembro de 1969, p. 197)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Cap. 74 - Ler e estudar



Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Cap. 74


Ler e estudar


“… Muitos virão em meu nome dizendo: “eu sou o Cristo”, e enganarão a muitos.” — JESUS (Mateus, 24:5)

“Desconfiai dos falsos profetas.” — (Mateus, 7:15-17 - E.S.E - Cap. XXI, 9)

“Tudo porém examinai, retende o que é bom.” — PAULO (1 Tessalonicenses 5:21)


Ler, sim, e ler sempre, mas saber o que lemos.

Isso é o mesmo que reconhecer o impositivo da alimentação física, na qual, todas as criaturas de bom-senso, atendam à seleção necessária.

Ninguém adquire gêneros deteriorados para a formação dos pratos que consome. Pessoa alguma compra pastéis de lodo para serviço à mesa.

Estudar, sim, e estudar sempre, mas saber o que estudamos.

Isso é o mesmo que reconhecer o impositivo da instrução, na qual todas as criaturas de bom-senso atendem ao critério preciso.

Ninguém adquire páginas dissolutas para fortalecer o caráter. Pessoa alguma compra gravuras pornográficas para conhecer o alfabeto.

O homem filtra a água, efetua os prodígios da assepsia, imuniza produtos do mercado popular e vacina-se contra moléstias contagiosas, no entanto, por mais levante os princípios de controle da imprensa, encontra, a cada passo, reportagens sanguinolentas e livros enfermiços, nos quais o vício e a criminalidade, frequentemente, comparecem disfarçados em belas palavras, semelhando cristais de alto preço, carreando veneno.

Assevera o apóstolo Paulo, em sua primeira carta aos Tessalonicenses: “examinai tudo e retende o bem.”

A sábia sentença, decerto, menciona tudo o que pode e deve ser geralmente anotado, de vez que o meio microbiano, para efeitos científicos, se reserva ao exame de técnicos que, aliás, o fazem, munidos de luva conveniente.

Leiamos e estudemos, sim, quanto nos seja possível, honrando o trabalho dos escritores de pensamento limpo e nobre que nos restaurem as forças e nos amparem a vida, mas evitemos as páginas em que a loucura e a delinquência se estampam, muitas vezes, através de alucinações fraseológicas de superfície deleitosa e brilhante, porquanto, buscar-lhes o convívio equivale a pagar corrosivo mental ou perder tempo.


Emmanuel








(Reformador, maio de 1963, p. 115)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro Encontro Marcado - Chico Xavier - Cap. 1 - Cooperação com Deus



Emmanuel - Livro Encontro Marcado - Chico Xavier - Cap. 1


Cooperação com Deus


Quantas vezes terás dito que amas a Deus e te dispões a servi-lo? E quantas outras tantas terás afirmado a tua fé na Providência Divina?

Provavelmente, porém, não te puseste ainda a raciocinar que os teus votos foram acolhidos e que o Todo-Misericordioso, por intermédio de vasta corrente hierárquica de assessores, te enviou as tarefas de cooperação com a Sua Infinita Bondade, junto de causas, organizações, situações e pessoas, que lhe requisitam assistência e intervenção.

Exposto, assim, o problema do teu setor de ação individual, será justo considerar que esforço e dedicação constituem ingredientes inevitáveis no encargo que te foi confiado, a fim de que obtenhas o êxito que denominamos por “dever cumprido perante Deus”.

Mãe ou pai, se recolhesses da vida tão somente os filhos robustos e virtuosos, que indícios de amor oferecerias a Deus, quando Deus te pede o coração mais profundamente voltado para os filhos menos felizes, com bastante abnegação para jamais abandoná-los, ainda mesmo quando o mundo os considere indesculpáveis ou desprezíveis?

Professor ou mentor, se reunisses contigo apenas os discípulos inteligentes e nobres, quem estaria com Deus no auxílio aos rebeldes ou retardados?

Dirigente ou supervisor, nos diversos ramos da atividade humana, se fosses chamado para guiar os interesses da comunidade exclusivamente nos dias de céu azul, para entoar louvores à harmonia ou presidir a distribuição de luzes e bênçãos, quem cooperaria com o Supremo Senhor, nas horas de tempestade, quando as nuvens da incompreensão e os raios da calúnia varam a atmosfera das instituições, exigindo a presença dos que cultivem brandura e compreensão, a fim de que a Divina Misericórdia encontre instrumentos capazes de ajudá-la a restaurar os elementos convulsos?

Obreiro do bem ou condutor da fé, se obtivesses da Terra apenas demonstrações de apreço e palmas de triunfo, quem colaboraria com Deus, nos dias de perturbação, de maneira a limitar a incursão das trevas ou a apagar o fogo do ódio, entre as vítimas da ilusão ou da vaidade, nos lugares em que o Pai Supremo necessite de corações suficientemente corajosos e humildes para sustentarem o bem com esquecimento de todo mal?

Onde estiveres e sejas quem sejas, no grau de responsabilidade e serviço em que te situas, agradece aos Céus as alegrias do equilíbrio, as afeições, os dias róseos do trabalho tranquilo e as visões dos caminhos pavimentados de beleza e marginados de flores que te premiam a fé em Deus; quando, porém, os espinhos da provação te firam a alma ou quando as circunstâncias adversas se conjuguem contra as boas obras a que te vinculas, como se a tormenta do mal intentasse efetuar o naufrágio do bem, recorda que terás chegado ao instante do devotamento supremo e da lealdade maior, porque, se confias em Deus, Deus igualmente confia em ti.


Emmanuel





TEMA — Cooperação individual na execução do plano de serviço da Providência Divina.